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Com o retorno de Trump, empresas dos EUA recuam na DEI – DW – 13/01/2025

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No Estados Unidosos termos diversidadepatrimônio e inclusão (DEI) tornaram-se tão politizados e partidários que grandes corporações como metaMcDonald’s, Walmart, Boeing e a Ford estão a reduzir as suas políticas.

Segundo os especialistas, isto não significa necessariamente que as empresas já não se preocupam com estas questões, mas mostra que estão a repensar as suas estratégias para se manterem longe de problemas. Isto segue-se ao aumento de processos judiciais e campanhas online por parte de conservadores que alegam discriminação inversa.

“Todos os líderes corporativos estão agora lidando com o fato de que a DEI em 2025 será muito mais controversa, será um risco maior e é algo que eles terão que administrar”, disse a estrategista e autora da DEI, Lily Zheng, à DW. .

O que é DEI e quem se beneficia com isso?

Nas últimas décadas – e especialmente desde o Movimento Vidas Negras Importam protestos começaram após o assassinato policial de George Floyd em 2020 – o DEI floresceu nos EUA. Muitas empresas implementaram formação para identificar preconceitos, programas de mentoria para grupos sub-representados, diversas práticas de contratação ou critérios de promoção transparentes.

As políticas do DEI visam criar ambientes justos não apenas nos locais de trabalho, mas também na educação e nas instituições. Enfrentar as desigualdades sistémicas e discriminaçãoincentivam a representação e a participação de pessoas de diferentes géneros, raças, capacidades, orientações sexuais e outros marcadores de identidade.

David Glasgow, diretor executivo do Centro Meltzer para Diversidade, Inclusão e Pertencimento da NYU, enfatiza que o objetivo do DEI é “criar condições de concorrência equitativas para todos”.

Além das razões morais, há também um argumento comercial a ser feito para as políticas da DEI, disse Glasgow à DW. Estudos mostram que explorar uma gama mais ampla de talentos leva a mais inovação e criatividade. Além disso: pode ajudar as empresas a alcançar uma base de consumidores mais diversificada.

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O progresso vem em ondas

Mas nem todo mundo está torcendo pela DEI.

“Desde o Decisão da Suprema Corte sobre ação afirmativa em junho de 2023, houve um aumento significativo nos processos judiciais anti-DEI”, disse Glasgow. A decisão declarou inconstitucionais as admissões com base na raça em faculdades e universidades e teve um efeito cascata em todos os setores.

Ativistas anti-DEI como Robby Starbuck atacam tais iniciativas o tempo todo. Em novembro de 2024, ele até reivindicou o crédito por encerrar o programa DEI do Walmart.

O ex-conselheiro político de Donald Trump e novo nomeado para o gabinete, Stephen Miller, já entrou com ações judiciais, inclusive contra a Meta e a Amazon, alegando que as iniciativas da DEI discriminam os brancos.

Algumas dessas ações judiciais foram bem-sucedidas. Em Setembro, o Fearless Fund concordou em encerrar permanentemente o seu programa de subsídios para mulheres negras empreendedoras como parte de um acordo com um grupo conservador liderado pelo activista Edward Blum. A ação alegou que o programa violou a Lei dos Direitos Civis de 1866 ao discriminar com base na raça.

Quando Trump assumir o cargo em janeiro, tais ações judiciais poderão ganhar uma base ainda mais forte, Glasgow acredita: “Ele vai nomear mais juízes que tenham interpretações conservadoras da lei antidiscriminação. Portanto, espero que algumas das ações judiciais que estamos acompanhando sejam ser resolvido de forma anti-DEI.”

O presidente eleito Donald Trump faz um discurso em sua residência em Mar-a-Lago, em Palm Beach, com partes de uma bandeira dos EUA ao fundo, com o dedo indicador apontando para frente enquanto fala
Donald Trump comprometeu-se a “eliminar todos os programas de diversidade, equidade e inclusão em todo o governo federal”.Imagem: Brian Snyder/REUTERS

Glasgow reconhece algumas críticas à DEI, tais como abordagens que se baseiam na culpa e na vergonha, ou esforços que carecem de rigor e eficácia. “Mas penso que também há uma reação mais ampla ao progresso em questões de justiça social”, acrescentou.

O maior empregador privado dos Estados Unidos, o retalhista Walmart, não respondeu à pergunta da DW sobre o motivo pelo qual decidiu eliminar gradualmente a sua formação em igualdade racial. Outra grande empresa que deu um passo atrás em relação à DEI disse que não poderia comentar por causa da reação negativa que recebeu.

O estrategista da DEI, Zheng, acredita que alguns líderes empresariais já estão com medo deste ambiente mais arriscado, temendo que “estejam tomando decisões que, infelizmente, provavelmente terão um grande impacto em seus resultados financeiros, na reputação de sua marca, na retenção de funcionários e no moral”.

Uma questão de rebranding?

Por enquanto, a grande maioria das empresas americanas ainda possui políticas de DEI em vigor, um estudo pela organização de pesquisa empresarial sem fins lucrativos The Conference Board descobriu. E cerca de 80% das empresas inquiridas planeiam manter ou aumentar os seus recursos DEI nos próximos três anos.

Especialistas como Lily Zheng pensam que mesmo as empresas que estão a recuar e a tornar-se mais silenciosas quanto aos seus compromissos poderão ainda assim defender os seus valores. “Talvez eles estejam chamando isso de pertencimento. Talvez estejam se concentrando na justiça. Mas de qualquer forma, a maior parte desses compromissos existentes não parece estar mudando”, disse Zheng.

Na verdade, poucas semanas após a vitória eleitoral de Donald Trump, o Walmart atualizou seu site e substituiu uma seção chamada “Pertencimento, diversidade, equidade e inclusão” simplesmente por “Pertencimento”.

Comentando sobre as estratégias de mudança do Walmart e de outras empresas, Glasgow acredita que eles não estão dizendo “não nos importamos mais em ter um local de trabalho diversificado”, mas sim: “Aqui estão certos tipos de programas de DEI que não iremos mais adotar.”

No entanto, Lily Zheng salientou que a ausência de objectivos claros em torno da DEI “pode ​​resultar na redução dos investimentos”, e se os líderes hesitarem em tomar uma posição e expressarem o seu compromisso com estes valores, advertiu Zheng, “podemos perder o controlo da narrativa”. “

Editado por: Uwe Hessler



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Curso de Medicina Veterinária da Ufac promove 4ª edição do Universo VET — Universidade Federal do Acre

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Curso de Medicina Veterinária da Ufac promove 4ª edição do Universo VET — Universidade Federal do Acre

As escolas da rede municipal realizam visitas guiadas aos espaços temáticos montados especialmente para o evento. A programação inclui dois planetários, salas ambientadas, mostras de esqueletos de animais, estudos de células, exposição de animais de fazenda, jogos educativos e outras atividades voltadas à popularização da ciência.

A pró-reitora de Inovação e Tecnologia, Almecina Balbino, acompanhou o evento. “O Universo VET evidencia três pilares fundamentais: pesquisa, que é a base do que fazemos; extensão, que leva o conhecimento para além dos muros da Ufac; e inovação, essencial para o avanço das áreas científicas”, afirmou. “Tecnologias como robótica e inteligência artificial mostram como a inovação transforma nossa capacidade de pesquisa e ensino.”

A coordenadora do Universo VET, professora Tamyres Izarelly, destacou o caráter formativo e extensionista da iniciativa. “Estamos na quarta edição e conseguimos atender à comunidade interna e externa, que está bastante engajada no projeto”, afirmou. “Todo o curso de Medicina Veterinária participa, além de colaboradores da Química, Engenharia Elétrica e outras áreas que abraçaram o projeto para complementá-lo.”

Ela também reforçou o compromisso da universidade com a democratização do conhecimento. “Nosso objetivo é proporcionar um dia diferente, com aprendizado, diversão, jogos e experiências que muitos estudantes não têm a oportunidade de vivenciar em sala de aula”, disse. “A extensão é um dos pilares da universidade, e é ela que move nossas ações aqui.”

A programação do Universo VET segue ao longo do dia, com atividades interativas para estudantes e visitantes.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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Doutorandos da Ufac elaboram plano de prevenção a incêndios no PZ — Universidade Federal do Acre

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Doutorandos da Ufac elaboram plano de prevenção a incêndios no PZ — Universidade Federal do Acre

Doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (Rede Bionorte) apresentaram, na última quarta-feira, 19, propostas para o primeiro Plano de Prevenção e Ações de Combate a Incêndios voltado ao campus sede e ao Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre (Ufac). A atividade foi realizada na sala ambiente do PZ, como resultado da disciplina “Fundamentos de Geoinformação e Representação Gráfica para a Análise Ambiental”, ministrada pelo professor Rodrigo Serrano.

A ação marca a primeira iniciativa formalizada voltada à proteção do maior fragmento urbano de floresta em Rio Branco. As propostas foram desenvolvidas com o apoio de servidores do PZ e utilizaram ferramentas como o QGIS, mapas mentais e dados de campo.

Entre os produtos apresentados estão o Mapa de Risco de Fogo, com análise de vegetação, áreas urbanas e tráfego humano, e o Mapa de Rotas e Pontos de Água, com trilhas de evacuação e açudes úteis no combate ao fogo.

Os estudos sugerem a criação de um Plano Permanente com ações como: Parcerias com o Corpo de Bombeiros; Definição de rotas de fuga e acessos de emergência; Manutenção de aceiros e sinalização; Instalação de hidrantes ou reservatórios móveis; Monitoramento por drones; Formação de brigada voluntária e contratação de brigadistas em período de estiagem.

O Parque Zoobotânico abriga 345 espécies florestais e 402 de fauna silvestre. As medidas visam garantir a segurança da área, que integra o patrimônio ambiental da universidade.

“É importante registrar essa iniciativa acadêmica voltada à proteção do Campus Sede e do PZ”, disse Harley Araújo da Silva, coordenador do Parque Zoobotânico. Ele destacou “a sensibilidade do professor Rodrigo Serrano ao propor o desenvolvimento do trabalho em uma área da própria universidade, permitindo que os doutorandos apliquem conhecimentos técnicos de forma concreta e contribuam diretamente para a gestão e segurança” do espaço.

Participaram da atividade os doutorandos Alessandro, Francisco Bezerra, Moisés, Norma, Daniela Silva Tamwing Aguilar, David Pedroza Guimarães, Luana Alencar de Lima, Richarlly da Costa Silva e Rodrigo da Gama de Santana. A equipe contou com apoio dos servidores Nilson Alves Brilhante, Plínio Carlos Mitoso e Francisco Félix Amaral.

 



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Ufac sedia 10ª edição do Seminário de Integração do PGEDA — Universidade Federal do Acre

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Ufac sedia 10ª edição do Seminário de Integração do PGEDA — Universidade Federal do Acre

A Rede Educanorte é composta por universidades da região amazônica que ofertam doutorado em Educação de forma consorciada. A proposta é formar pesquisadores capazes de compreender e enfrentar os desafios educacionais da Amazônia, fortalecendo a pós-graduação na região.

Coordenadora geral da Rede Educanorte, a professora Fátima Matos, da Universidade Federal do Pará (UFPA), destacou que o seminário tem como objetivo avaliar as atividades realizadas no semestre e planejar os próximos passos. “A cada semestre, realizamos o seminário em um dos polos do programa. Aqui em Rio Branco, estamos conhecendo de perto a dinâmica do polo da Ufac, aproximando a gestão da Rede da reitoria local e permitindo que professores, coordenadores e alunos compartilhem experiências”, explicou. Para ela, cada edição contribui para consolidar o programa. “É uma forma de dizer à sociedade que temos um doutorado potente em Educação. Cada visita fortalece os polos e amplia o impacto do programa em nossas cidades e na região Norte.”

Durante a cerimônia, o professor Mark Clark Assen de Carvalho, coordenador do polo Rio Branco, reforçou o papel da Ufac na Rede. “Em 2022, nos credenciamos com sete docentes e passamos a ser um polo. Hoje somos dez professores, sendo dois do Campus Floresta, e temos 27 doutorandos em andamento e mais 13 aprovados no edital de 2025. Isso representa um avanço importante na qualificação de pesquisadores da região”, afirmou.

Mark Clark explicou ainda que o seminário é um espaço estratégico. “Esse encontro é uma prática da Rede, realizado semestralmente, para avaliação das atividades e planejamento do que será desenvolvido no próximo quadriênio. A nossa expectativa é ampliar o conceito na Avaliação Quadrienal da Capes, pois esse modelo de doutorado em rede é único no país e tem impacto relevante na formação docente da região norte”, pontuou.

Representando a reitora Guida Aquino, o diretor de pós-graduação da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg), Lisandro Juno Soares, destacou o compromisso institucional com os programas em rede. “A Ufac tem se esforçado para estruturar tanto seus programas próprios quanto os consorciados. O Educanorte mostra que é possível, mesmo com limitações orçamentárias, fortalecer a pós-graduação, utilizando estratégias como captação de recursos por emendas parlamentares e parcerias com agências de fomento”, disse.

Lisandro também ressaltou os impactos sociais do programa. “Esses doutores e doutoras retornam às suas comunidades, fortalecem redes de ensino e inspiram novas gerações a seguir na pesquisa. É uma formação que também gera impacto social e econômico.”

A coordenadora regional da Rede Educanorte, professora Ney Cristina Monteiro, da Universidade Federal do Pará (UFPA), lembrou o esforço coletivo na criação do programa e reforçou o protagonismo da região norte. “O PGEDA é hoje o maior programa de pós-graduação da UFPA em número de docentes e discentes. Desde 2020, já formamos mais de 100 doutores. É um orgulho fazer parte dessa rede, que nasceu de uma mobilização conjunta das universidades amazônicas e que precisa ser fortalecida com melhores condições de funcionamento”, afirmou.

Participou também da mesa de abertura o vice-reitor da Ufac, Josimar Batista Ferreira.



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