POLÍTICA
Com potencial de danos políticos, disputa petista…
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11 meses atrásem
Ricardo Chapola
Em tempos de impopularidade, tudo que o presidente Lula não precisa neste momento é de um barulhento embate dentro do PT. Em julho, o partido vai escolher seus novos dirigentes e, como sempre acontece, as diferentes alas ideológicas se dividem na tentativa de empoderar seus representantes. Lula quer conduzir esse processo de forma serena e, se possível, eleger alguém de sua confiança. É nesse contexto que o presidente pretende indicar a deputada Gleisi Hoffmann, atual presidente da legenda, para ocupar um ministério. A parlamentar é dona de uma retórica agressiva, já fez pronunciamentos contundentes contra certas ações do governo e críticas públicas à política econômica, particularmente ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ao levá-la para o Palácio do Planalto, Lula não só pavimenta o caminho para a ascensão de seus aliados mais próximos à cúpula do partido como pretende desarmar confusões como a que está se armando no Paraná.
Por lá, recentemente, o deputado Zeca Dirceu (PT-PR), filho do ex-ministro José Dirceu, manifestou publicamente o interesse de disputar o comando do diretório estadual do partido, cargo atualmente ocupado por Arilson Chiorato, candidato à reeleição e um aliado de Gleisi Hoffmann. Ao falar de suas intenções a colegas, o parlamentar pregou a necessidade de renovação dos quadros da legenda e responsabilizou a atual direção pelo encolhimento do PT local. “Não tem sentido o PT do Paraná não estar entre os que mais ganham eleições”, criticou o congressista, ao lembrar que a sigla conquistou apenas três prefeituras em 2024, quatro a menos em relação a 2020. Zeca também tem um projeto pessoal. Ele pretende disputar uma das duas vagas no Senado em 2026, cargo que é cobiçado por outros petistas, a começar pela própria Gleisi Hoffmann.
Esse embate anunciado tem um enorme potencial de danos e envolve outros figurões do PT, como José Dirceu. Condenado no escândalo do mensalão e do petrolão, ele cumpriu pena, recuperou os direitos políticos, se reaproximou de Lula e articula para voltar a dar as cartas no PT. Zeca conta com o apoio do pai. O deputado já cumpre uma série de agendas pelo estado nas quais se apresenta como pré-candidato a senador. Sabe, porém, que dificilmente o partido vai lançar dois candidatos. A disputa com Gleisi, aliás, começou no ano passado, quando a Justiça Eleitoral ameaçou cassar o mandato do senador Sergio Moro, eleito pelo Paraná. Zeca e Gleisi se apresentaram como pretendentes à vaga. Moro, porém, foi absolvido, o que evitou o embate entre os petistas naquele momento. Os dois voltaram a se desentender quando o filho do ex-ministro expôs o desejo de concorrer à prefeitura de Curitiba no ano passado. O PT, por sua vez, preferiu fechar uma aliança com o PSB. Em troca desse apoio, os socialistas se comprometeram a cerrar fileiras com Gleisi em 2026.

Escanteado, Zeca atuou por conta própria na campanha municipal. Ele chegou a subir no palanque de alguns candidatos do PL, o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, e de aliados do governador Ratinho Jr., visto como um potencial adversário de Lula e do PT nas eleições presidenciais do ano que vem. “O Zeca precisa entender que isso tudo foi votado pelo PT. A maioria optou por não fazer o que ele queria nesses casos”, pondera Arilson Chiorato. A VEJA, o parlamentar ressaltou que sua intenção em chefiar o partido no Paraná nada tem a ver com projetos pessoais ou eventuais desavenças com a atual presidente do partido. “O que me motivou a lançar a candidatura à presidência do PT foi um grande número de lideranças declarando apoio ao projeto. Me motiva a certeza de que o PT do Paraná pode evoluir muito mais e voltar a ser um dos diretórios com melhores resultados eleitorais do Brasil”, diz.

Para Gleisi Hoffmann, um cargo de destaque no governo é o trampolim que ela precisa para ganhar mais visibilidade. Para Zeca Dirceu, comandar o partido em seu estado é o empuxo necessário para iniciar um projeto pessoal de poder mais ambicioso. Para Lula, essa disputa interna acabou criando uma janela de oportunidade. O mandatário quer emplacar o ex-prefeito Edinho Silva, um aliado de primeira hora, no comando do PT nacional. A deputada resiste à candidatura do ex-prefeito, mas precisará se afastar da direção do partido antes de ser empossada no ministério. No lugar dela, assumiria interinamente um dos vice-presidentes da legenda — os nomes mais cotados são do deputado José Guimarães e do senador Humberto Costa. Ambos integram a mesma corrente política do presidente da República. Lula teria, portanto, absoluto controle do processo. Como sempre, caberia a ele, e somente a ele, mediar os conflitos. Essa engenharia, acredita, não deixaria o embate entre Zeca e Gleisi cruzar a fronteira do Paraná. A ver.
Publicado em VEJA de 28 de fevereiro de 2025, edição nº 2933
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A articulação para mudar quem define o teto de jur…
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9 meses atrásem
5 de maio de 2025Nicholas Shores
O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN).
A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica.
Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.
A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira.
Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.
Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios.
Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.
Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.
Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.
Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.
Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.
Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.
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