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Comédia de erros | VEJA

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Comédia de erros | VEJA

Thomas Traumann

A oposição cometeu dois dos seus maiores erros desde o início do governo Lula e saiu ilesa, por enquanto. Na quarta-feira (2), horas antes de Donald Trump anunciar o tarifaço que pode gerar uma recessão global, Jair Bolsonaro postou um longo texto no X priorizando os interesses dos Estados Unidos sobre os do Brasil. Na quinta-feira (3), o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, anunciou um texto alternativo ao projeto de reforma do imposto de renda defendendo os 140.000 brasileiros que ganham entre R$ 600 mil e R$ 1,5 milhão por ano.

Em condições normais, ter o seu maior adversário se colocando ao lado de interesses estrangeiros e um dos líderes da oposição apoiando os interesses dos mais ricos seria uma chance imperdível para o governo Lula se mostrar nacionalista e defensor dos mais pobres. Mas, ao que parece, o governo Lula nunca perde a oportunidade de perder uma oportunidade.

No texto em que confunde a Curva de Lafer com “Laifer”, Bolsonaro escreve que o “Presidente Donald J. Trump está apenas protegendo o seu país deste vírus socialista (as tarifas), dobrar a aposta e escalar a crise com o nosso 2º maior parceiro comercial não é uma resposta sábia”. Horas antes do post de Bolsonaro, o Senado havia aprovado projeto relatado pela sua ex-ministra da Agricultura, Teresa Cristina, autorizando justamente isso, uma escalada de retaliações para proteger os interesses brasileiros. No dia seguinte, a proposta foi aprovada na Câmara por consenso de todos os partidos.

Bolsonaro afirmou que “a única resposta razoável à tarifação recíproca dos Estados Unidos é o governo Lula extinguir a mentalidade socialista que impõe grandes tarifas aos produtos americanos, inviabilizando o povo brasileiro de ter acesso a produtos de qualidade mais baratos”, medida que (1) ele não tomou no seu mandato; (2) quebraria a indústria nacional e (3) inviabilizaria a produção etanol e de laranja no País.

A comparação das propostas de Fernando Haddad e Ciro Nogueira para a reforma do IR parece meme esquerdista no qual a oposição só se interessa pelos mais ricos. No projeto de Haddad, a taxação começa em 2,5% para quem ganha mais de R$ 600 mil/ano, pula para 7,5% para mais de R$ 1 milhão e chega a 10% para R$ 1,2 milhão. No texto de Ciro Nogueira, a proposta começa com 4% para quem acumula R$ 1,8 milhão. Numa das versões do texto, só quem ganha mais de R$ 2,4 milhões/ano pagaria imposto.

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Ao invés de aproveitar a oportunidade para um contra-ataque depois de meses apanhando, o governo Lula promoveu na quinta-feira um atrasado balanço dos dois anos de mandato. Foi constrangedor. No momento em que o governo parece atolado numa areia movediça de más notícias, o evento afirmava que nunca os brasileiros viveram tão bem. A desconexão com a realidade lembrou os comerciais ufanistas do governo Dilma Rousseff na Copa das Confederações, em junho de 2013. Enquanto milhões de brasileiros protestavam nas ruas, o governo gastava milhões de reais em propaganda afirmando que “a alegria vai contagiar a Pátria de Chuteiras”. Em um mês, a aprovação do governo caiu 30 pontos.

“Quando 80% dos entrevistados em todo o país dizem que Lula precisa fazer diferente do que vem fazendo, o mais prudente parece ser ouvir e entender, e não dizer que o problema é de comunicação — que há algo de maravilhoso que ninguém consegue entender ou valorizar como deveria. O risco é não convencer ninguém e ainda soar teimoso ou arrogante”, escreveu Vera Magalhães, em O Globo.

O governo Lula erra ao achar que o seu maior problema é a falta de percepção do eleitor sobre todas as boas realizações. O problema do governo é mais sério do que apenas a comunicação. É a desconexão do governo com a realidade a ponto de não perceber até mesmo oportunidades quando a oposição erra.



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OPINIÃO

Opinião: A ciranda troca de partidos e a busca por cargos públicos

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Foto de capa [arquivo pessoal]
Os parlamentares que mudam de partido – como macacos puladores de galho – ou se candidatam a outros cargos no Legislativo e no Executivo apenas para preservar privilégios demonstram desrespeito à República e deveriam sentir vergonha de tal conduta. Essa prática evidencia a ausência de compromisso ideológico e a busca incessante por posições de poder, transmitindo à sociedade a imagem de oportunistas movidos por conveniências pessoais. A política deveria ser encarada como missão cívica, exercício de cidadania e serviço transitório à nação. Encerrado o mandato, o retorno às profissões de origem seria saudável para a oxigenação da vida pública.  
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Infelizmente, o sistema político brasileiro está povoado por aqueles que veem na política não um espaço de serviço público, mas um negócio lucrativo. Como já destacou o jornal El País, ser político no Brasil é um grande negócio, dadas as vantagens conferidas e auferidas — e a constante movimentação de troca de partidos confirma essa percepção.  
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A cada eleição, o jogo se repete: alianças improváveis, trocas de legenda na janela partidária e negociações de bastidores que pouco têm a ver com as necessidades reais da população. Em vez de missão cívica, vemos aventureiros transformando a política em palco de interesses pessoais e cabide de empregos. A busca incessante pela reeleição e por cargos demonstra que, para muitos, a política deixou de ser a casa do povo e tornou-se um negócio.  
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Convém lembrar aos que se consideram úteis  e insubstituíveis à política que o cemitério guarda uma legião de ex-políticos esquecidos, cuja ausência jamais fez falta ao país.  
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As próximas eleições são a oportunidade para os eleitores moralizarem o Legislativo, elegendo apenas candidatos novos, sem os vícios da velha política, que tenham conduta ilibada e boa formação cultural. Por outro lado, diga não à reeleição política, aos trocadores de partidos, aos que interromperam o mandato para exercer cargos nos governos, e àqueles que já sofreram condenação na Justiça ou punição no Conselho de Ética do Legislativo. 
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Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC

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POLÍTICA

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Matheus Leitão

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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social) 


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Felipe Barbosa

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