ACRE
Comitiva internacional conhece iniciativas sustentáveis do Acre
PUBLICADO
9 anos atrásem
Oitenta e sete por cento de floresta habitada, produtiva e conservada. As iniciativas de desenvolvimento sustentável realizadas pelo governo do Acre ao longo dos últimos 20 anos despertam o interesse de inúmeros países, sobretudo dos que junto com o Brasil são guardiões da maior floresta tropical do planeta. Desde a última quarta-feira, 21, representantes dos governos da Colômbia, Peru e do Banco Mundial estão no estado para conhecer essas experiências.
“O Acre está mostrando que a diversificação da economia é extremamente positiva. Nós fizemos uma exposição disso em julho do ano passado em Bogotá [Colômbia] e tivemos uma receptividade muito grande. Agora eles estão fazendo uma imersão ao Acre pra ver de perto as nossas experiências de economia sustentável”, disse o secretário de Planejamento do Acre, Márcio Veríssimo, que acompanhou toda a agenda.
Durante a visita ao complexo de psicultura,, a delegação internacional conheceu passo a passo o funcionamento da indústria, desde a criação dos alevinos até o processamento do pescado (Foto: Alexandre Noronha/Secom)
O ponto de partida foi a indústria Peixes da Amazônia. Inaugurada em 2015, fruto de uma parceria público-privada e comunitária, o empreendimento tem se consolidado no mercado interno e externo. O modelo de negócio é um dos mais completos de piscicultura do país, com fábrica de ração, laboratório de reprodução de alevinos e frigorífico de filetagem. Contempla grandes, médios e pequenos produtores com desenvolvimento econômico e social aliado à preservação ambiental.
Durante a visita, a delegação internacional conheceu passo a passo o funcionamento da indústria, desde a criação dos alevinos até o processamento do pescado.
A vinda da comitiva ao Acre faz parte do projeto Paisagens Sustentáveis na Amazônia, desenvolvido pelo Banco Mundial. A ideia é proporcionar a sustentabilidade de áreas protegidas, recuperar áreas degradadas, desenvolver boas práticas de manejo florestal e o intercâmbio de ideias exitosas. “O modelo do Acre, é um modelo que a gente quer disseminar. O Acre é pioneiro nesse desenvolvimento de tecnologias sustentáveis, e nada melhor do que essa visita para mostrar esses elementos”, disse a gerente do Banco Mundial, Adriana Moreira.
Na quinta-feira, 22, a comitiva formada por prefeitos, governadores e representantes dos ministérios do Meio Ambiente do Brasil, Colômbia e Peru esteve no Projeto de Desenvolvimento Sustentável Bonal. Distante cerca de 80 quilômetros de Rio Branco e criado em 2005, o PDS tem 10.447 hectares de extensão, cerca de 180 são de áreas alteradas onde as famílias que lá vivem – cerca de duzentas – têm no plantio consorciado de seringueiras, pupunha e espécies frutíferas sua principal fonte de renda. Boa parte da produção do látex do local é enviado para a fábrica de preservativos Natex, em Xapuri.
“Tudo o que tem sido feito aqui é também importantíssimo para a imagem do Brasil”, disse o diretor do Ministério do Meio Ambiente brasileiro, Welles Abreu (Foto: Alexandre Noronha/Secom)
O diretor do Ministério do Meio Ambiente brasileiro, Welles Abreu, disse estar encantado com as iniciativas do Acre. “O que o Acre alcança com essas ações é um importe reconhecimento internacional. São experiências de sucesso que fomentam o aumento da renda para as mais diversas comunidades e populações tradicionais da Amazônia. Tudo o que tem sido feito aqui é também importantíssimo para a imagem do Brasil, e eu espero que outras localidades, outros estados brasileiros, adotem e sigam a mesma política ambiental do Acre”.
A Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre, Cooperacre, também foi visitada. O alcance social e econômico que beneficia milhares de produtores de castanha do Brasil foi detalhado. Atualmente cerca de 2.500 famílias são sócias da cooperativa e, mesmo com o foco no mercado local, a castanha industrializada do Acre já chegou a diversos países do mundo. Com a industrialização, o trabalho que antes era realizado por até cinco pessoas, agora é feito por centenas delas empregadas diretamente e milhares indiretamente.
“A castanha chegava ao local para onde mandávamos, e lá é que iam agregar valor a ela, lá se geravam empregos e lá ficavam todos os lucros. Hoje, não: geramos empregos e receitas que ficam aqui”, disse o presidente da cooperativa Manoel José Monteiro.
O Viveiro da Floresta é responsável pelo fomento das atividades de reflorestamento e sistemas agroflorestais, ações diretamente ligadas à geração de renda de pequenos agricultores e recuperação de áreas degradadas (Alexandre Noronha/Secom)
O último local visitado pela comitiva foi o Viveiro da Floresta que abastece todo o estado com uma grande variedade de espécies frutíferas e florestais. São aproximadamente 500 mil mudas de 60 espécies produzidas anualmente, e grande parte das plantas cultivadas são nativas. O Viveiro é responsável pelo fomento das atividades de reflorestamento e sistemas agroflorestais, ações diretamente ligadas à geração de renda de pequenos agricultores e recuperação de áreas degradadas.
Por fim, nesta sexta-feira, 23, a agenda da comitiva internacional terminou no Palácio Rio Branco onde foram recebidos por secretários do governo do Estado para uma reflexão e avaliação das ações acreanas.
O vice-ministro do Meio Ambiente da Colômbia, Willer Guevara, disse que do Acre leva muitas ideias e bons exemplos. “São práticas que queremos implementar na Colômbia, são modelos, exemplos de negócios que pretendem várias coisas: Por um lado, cuidar da Amazônia, por outro, efetivamente mudar e melhorar a vida das pessoas que vivem na floresta. Na Amazônia colombiana temos muitos problemas. Acabamos de sair de um processo de guerra que durou 50 anos, estamos construindo paz e esses exemplos são muito importantes. Estou fascinado com as experiências que vi no Acre”.
Fonte: Notícias do Acre – ANDRYO AMARAL
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
ACRE
PPG em Letras promove seminário para discutir internacionalização — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
3 dias atrásem
21 de setembro de 2026O programa de pós-graduação em Letras: Linguagem e Identidade (PPGLI), da Ufac, realizou seminário para compartilhamento de experiências de internacionalização de seu curso de doutorado e apresentação dos relatórios de estágio e relatos de vivência de cinco doutorandas que retornaram de universidades no exterior. O evento ocorreu na sexta-feira, 18, no auditório do Bloco dos Mestrados, campus-sede.
Professores e estudantes discutiram a consolidação da política de internacionalização do PPGLI, visando à busca pela nota de excelência acadêmica junto à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A avaliação da pós-graduação no país varia em uma escala de 1 a 7, na qual os extratos 6 e 7 representam programas de nível internacional.
As cinco doutorandas realizaram intercâmbios de pesquisa em instituições de referência na Europa e na América Latina, abrangendo universidades de Portugal, da França, do México e do Chile. O coordenador do PPGLI, Gerson Albuquerque, disse que isso consolida a produção bibliográfica e técnica em esfera global, incentivando outros alunos a perseguirem o estágio no exterior.
“Para alcançar a excelência, exige-se maturidade temporal, que completaremos em 2027 com oito anos de formação de doutores e uma inserção internacional consolidada”, acrescentou. “O doutorado sanduíche é fundamental para o amadurecimento intelectual dos pesquisadores e para a celebração de convênios que promovam a mobilidade docente e discente.”
A professora e pesquisadora Raquel Ishii ressaltou que a internacionalização do PPGLI dialoga diretamente com as características territoriais e culturais da Amazônia Sul-Ocidental. “Nosso programa atua fortemente com literatura, oralidade e a pluralidade linguística da região, que abriga 16 povos indígenas. Internacionalizar e nacionalizar a produção acadêmica feita no Acre fortalece a agenda científica nacional sobre a diversidade cultural e linguística amazônica.”
(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)
Relacionado
ACRE
Painel do Inova Amazônia aborda empreendedorismo feminino — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
5 dias atrásem
18 de setembro de 2026O painel “Empreendedorismo Feminino: Mulheres que Movem a Amazônia” ocorreu no âmbito da programação do Inova Amazônia Summit-2026, nessa quinta-feira, 17, no auditório Curupira, campus-sede da Ufac. Empreendedoras e pesquisadoras debateram inovação, perspectivas de mercado na Amazônia, superação de barreiras estruturais e liderança feminina na consolidação de negócios sustentáveis.
A discussão foi moderada pela analista Valéria Vidal, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) nacional. Participaram do painel Mareílde Freire (Saboaria Rondônia), Pâmela Pimentel (Amazonzyme), Márcia Werle (Bioassu Bioindústria), Valda Gonçalves (Engenho), Clarice Maia (Antibiose) e Ana Euler (diretora da Embrapa).
O Summit-2026 é promovido pelo Sebrae-AC, com palestras e oficinas em diversos espaços do campus-sede. O evento começou na quinta-feira, 17, e prossegue até sábado, 19.
(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)
Relacionado
ACRE
Do Luto à Luta’ em 22/10 — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
7 dias atrásem
17 de setembro de 2026O programa “Mãepeutas: Vozes Plurais, vinculado à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, da Ufac, lança, em 22 de outubro, às 18h, na Biblioteca Pública Estadual, o documentário “Autismo: Do Luto à Luta”, dirigido por Felipe Almeida.
O filme foi feito a partir da coleta de depoimentos de histórias reais de luta, dor e superação. Pretende dar voz a mães atípicas do contexto acreano e mostrar seus desafios em meio à luta que é cuidar e educar uma criança com transtorno do espectro autista.



Você precisa fazer login para comentar.