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Como o mundo continua falhando no leste da RDC | Opiniões

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Em 10 de Agosto, pelo menos 18 pessoas foram mortas perto da cidade de Beni, no leste da República Democrática do Congo (RDC), perto da fronteira com o Uganda. Dois meses antes, em 7 de junho, um massacre deixou 80 mortos e outro em 13 de junho matou 40 pessoas. Tais ataques tornaram-se muito comuns nos últimos anos.

A intensa violência nesta parte do leste da RDC tem sido geralmente atribuída às Forças Democráticas Aliadas, um grupo rebelde de origem ugandesa que jurou lealdade ao Estado Islâmico em 2019. Tal como aconteceu com massacres anteriores, nenhuma das forças militares próximas – incluindo as congolesas exército, militares convidados do Uganda ou tropas de manutenção da paz da ONU – intervieram para impedir a matança.

Esta inacção reflecte uma política de agonia mais ampla que transformou o leste da RDC num cemitério para milhares de civis. Na sua raiz está o fracasso do mantra das boas intenções professado por uma “comunidade internacional” dividida e distraída. Então, onde tudo deu errado?

Durante a maior parte das últimas três décadas, a RDC liderou as contagens internacionais de deslocamentos internos induzidos por conflitos – atingindo actualmente um pico de quase 7 milhões, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações. Entretanto, as violações dos direitos humanos por parte de grupos armados e de forças governamentais aumentaram em cascata. Na maioria das vezes, os ciclos concomitantes de violência e deslocamento passaram despercebidos.

Foi apenas com o ressurgimento do Movimento 23 de Março (M23), há quase três anos, que o conflito atraiu renovada atenção internacional. Embora os combates que se seguiram tenham contribuído para o aumento dos números de deslocados, o enquadramento político e mediático exclusivo centrado no M23 ignorou a proliferação de grupos armados que causam o caos na região.

O governo usou a retórica nacionalista para reunir vários milícias para se juntar ao esforço de guerra contra o M23. Esta política fortaleceu grupos armados e produziu um cenário de segurança ainda mais complicado.

Entretanto, os doadores internacionais continuaram a investir milhões na resolução de conflitos, incluindo uma dispendiosa e envelhecida missão de manutenção da paz da ONU, vastos fundos humanitários e dispendiosos projectos de construção da paz para conter as “causas profundas”. Em grande parte, naquilo que no papel parece ser um envolvimento dedicado, falta uma compreensão profunda das realidades políticas, uma estratégia construtiva e uma diplomacia inovadora em níveis-chave da tomada de decisões internacionais.

As respostas à crise na RDC são frequentemente informadas por leituras simplistas das causas da guerra. Especialistas e influenciadores – inclusive nas redes sociais – repetem os cansados ​​clichês coloniais sobre os recursos naturais e o ódio étnico. Poucos comentadores abraçam a natureza política plena de uma crise com vários factores e uma lógica complexa.

Os doadores ocidentais – hoje em dia frequentemente chamados de “parceiros internacionais” – continuam em grande parte a aplicar modelos tecnocráticos aos problemas políticos. A retórica anticorrupção, a regulamentação do comércio “ilícito” e os apelos à coesão social aparecem em estratégias brilhantes e comunicados de imprensa, mas as ações concretas para enfrentar esses flagelos são muitas vezes superficiais ou ausentes das políticas.

As respostas internacionais também permanecem largamente inconsistentes no contexto específico da actual escalada. Há pouca pressão para desencorajar a colaboração activa do exército congolês com grupos armados. As redes de grande corrupção raramente são processadas e resultam em sanções bizarras, intermitentes, sensíveis às mudanças políticas nas relações entre a RDC e as principais potências ocidentais, como a União Europeia ou os Estados Unidos.

As respostas ao envolvimento militar dos países vizinhos são igualmente inconsistentes. A denúncia ocidental do apoio ruandês ao M23 não impede os mesmos governos de pressionarem pela ajuda militar ao Ruanda no contexto da crise moçambicana. O apoio maciço do Burundi à RDC quase não recebeu atenção internacional, embora tenha complicado ainda mais o cenário de segurança e levado a uma situação de quase guerra por procuração entre o Burundi e o Ruanda, aumentando os riscos de uma nova escalada regional.

Esta aleatoriedade e arbitrariedade de uma comunidade internacional de tendência ocidental não passou despercebida aos congoleses e aos seus vizinhos.

Tal como acontece em conflitos semelhantes em curso, as respostas na RDC demonstram que a resolução clássica de conflitos internacionais parece ter atingido os seus limites e está a perder grande parte da sua credibilidade – anunciando o fim da construção da paz internacional e do intervencionismo liberal na sua forma actual.

As zonas de conflito contemporâneas vêem novas abordagens e novos intervenientes a lutar pelo seu lugar à mesa. Isto é parcialmente atribuído às mudanças nas estruturas de poder globais.

Três décadas de violência no leste da RDC preencheram todos os requisitos da “lista de desejos” da intervenção ocidental e da construção do Estado: a RDC teve as suas primeiras eleições democráticas em 2006; passou por uma transição política pacífica; o Fundo Monetário Internacional voltou a envolver-se com o país; e os organismos regionais estão agora a assumir a responsabilidade pela manutenção da paz.

No entanto, no meio de complicações geopolíticas mais amplas, as formas não-ocidentais de colonialismo procuram substituir o modelo ocidental e as empresas militares privadas ganham terreno.

A RDC e os seus rivais recorreram a parceiros novos e não tão novos nos negócios, na defesa e na diplomacia. Estes parceiros são tão ambíguos e movidos por interesses como as potências ocidentais, mas sem sinalizar condicionalidades em matéria de direitos humanos e slogans pró-democracia.

No geral, o campo de influência pode não ser tão claro como no Mali ou na República Centro-Africana, onde a Rússia, um novo actor colonial, provocou uma reinicialização forçada, expulsando a França.

Ainda assim, o enfraquecimento da influência ocidental na região dos Grandes Lagos apresenta padrões semelhantes, à medida que novos intervenientes aproveitam a condescendência de longa data das potências ocidentais. Num sistema de poder global em mudança, estes intervenientes vêem a sua oportunidade de entrar no mercado, apostando em campanhas de desinformação e polarização.

Neste ambiente internacional em mudança e cada vez mais fragmentado, a hipocrisia dos antigos e dos novos intervenientes é também, de certa forma, reflectida pelas elites congolesas egoístas. Estas elites recorrem cada vez mais à externalização e subcontratação da segurança nacional a grupos armados, empresas militares privadas e estados vizinhos.

Este contexto híbrido mostra como a prestação de segurança já não é enquadrada por padrões internacionais ecoados pela ONU, que não foi capaz de alcançar a sua ambição global. Conduzindo a uma fragmentação e privatização da governação da segurança, no caso da crise no leste da RDC, estas mudanças globais e regionais apenas irão aumentar a complexa rede de alianças e antagonismos que já guiaram os motores, os interesses e as respostas dos conflitos durante décadas.

Estas são mudanças tectónicas, quer vistas através de lentes geopolíticas, realpolitik ou pós-coloniais. O seu efeito humanitário agrava os padrões já arraigados de sofrimento e deslocamento de civis, enquanto o nevoeiro resultante da guerra esconde os desenvolvimentos da política internacional mais ampla de (in)segurança.

Um cálculo sóbrio e honesto destas realidades em mudança é extremamente necessário, em particular para aqueles que representam o sistema de intervencionismo liberal ocidental e de resolução de conflitos, que se desvanece lentamente.

As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.



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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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