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Como o resultado das eleições nos EUA pode afetar os Balcãs Ocidentais – DW – 10/05/2024
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Em 23 de setembro, o filho mais velho de Donald Trump, Donald Jr., sentou-se para jantar com empresários sérvios em Belgrado para discutir oportunidades de investimento.
Esta não foi a primeira vez para o Família Trump: Os contactos do antigo presidente com empresários e representantes governamentais sérvios remontam a 2013.
Na altura, Ivica Dacic, então primeiro-ministro do Sérviafalou publicamente do interesse de Trump em um projeto imobiliário.
O objecto em questão era o antigo quartel-general do Exército Popular Jugoslavo, que foi seriamente danificado no bombardeamento da NATO em 1999. Mas as negociações não deram em nada.
Então, em maio deste ano, Genro de Trump, Jared Kushnerliderado pelo ex-embaixador dos EUA na Alemanha, Richard Grenellselou o acordo. O contrato de um bilhão de dólares inclui um arrendamento de 99 anos do complexo.
Grenell é visto como um provável candidato ao cargo de secretário de Estado, caso Trump vença as eleições presidenciais em novembro. Ele foi considerado o embaixador dos EUA mais impopular do pós-guerra em Berlim durante seu tempo na embaixada. O jornal diário suíço Novo jornal de Zurique chegou ao ponto de chamá-lo de “não diplomata” por causa de seu “comportamento grosseiro”.
Donald Trump Jr. elogiou-o recentemente como o “principal candidato a secretário de Estado”.
O curso fracassado de Trump nos Balcãs
Como enviado especial de Trump para os Balcãs, foi Grenell quem puxou os cordelinhos em 2020, quando o primeiro-ministro do Kosovo, Albin Kurti, foi deposto porque se opôs a outro acordo.
O acordo em questão tratava alegadamente de um intercâmbio territorial segundo linhas étnicas entre a Sérvia e Kosovo. Em Junho de 2020, o então presidente do Kosovo, Hashim Thaci, e o presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, quiseram encontrar-se com Trump na Casa Branca para assinar o acordo.
Segundo relatos, o acordo teria feito com que as quatro comunidades predominantemente étnicas sérvias no norte do Kosovo se tornassem parte da Sérvia. Em troca, o Vale Presevo predominantemente étnico albanês no sul da Sérvia teria se tornado parte do Kosovo.
Uma troca de terras como esta poderia ter tido um efeito dominó na região, porque os estados dos Balcãs Ocidentais ainda são, em grande parte, multiétnicos.
O líder sérvio-bósnio Milorad Dodik já havia ameaçado que, caso a troca de terras ocorresse, a Republika Srpska – a parte predominantemente sérvia da Bósnia e Herzegovina – juntar-se-ia à Sérvia.
Isto poderia ter levado a uma nova guerra nos Balcãs, com o redesenho das fronteiras por motivos étnicos a abrigar um enorme potencial de conflito.
Mas os planos de Trump foram frustrados por uma acusação contra o Presidente Thaci do Tribunal do Kosovo em Haia. Thaci entregou-se ao tribunal.
Entretanto, a popularidade duradoura de Grenell na Sérvia é ilustrada pelo facto de Marko Duric, embaixador da Sérvia nos EUA, ter dito recentemente que Grenell era “sem dúvida amigo da Sérvia”.
Em 2023, Vucic concedeu a Grenell a mais alta ordem do país em reconhecimento à sua defesa da Sérvia, justificando a sua decisão dizendo: “Acho que ele é uma das poucas pessoas dos EUA que tem uma abordagem equilibrada em relação ao Kosovo.”
O que uma vitória de Harris significaria para a região?
A posição pró-Sérvia de Trump sugere o que os Balcãs Ocidentais poderiam esperar se o republicano regressasse à Casa Branca em Novembro.
A linha seguida pelo candidato do Partido Democrata Kamala Harrispor outro lado, até agora não tem sido tão claro. No entanto, algumas conclusões podem ser tiradas com base tanto nos seus antecedentes pessoais como nas suas opiniões em matéria de política externa.
É considerado improvável que Harris favoreça os nacionalistas sérvios ou quaisquer outros etnonacionalistas. Além disso, a posição pró-Ucrânia de Harris está bem documentada.
É possível que Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy alertou-a sobre os alegados planos de Moscovo para desestabilizar os Balcãs ou para abrir novas frentes ali com a ajuda de nacionalistas sérvios irredentistas pró-Moscovo.
Os laços estreitos entre Belgrado e Moscovo poderão levar Harris a mudar o rumo da América.
EUA ‘precisam ser mais duros com a Sérvia’
Edward Joseph, investigador de conflitos da renomada Universidade Johns Hopkins, criticou recentemente que a administração Biden se tinha “aproximado” da Sérvia.
Ele prosseguiu, dizendo que Vucic mudou a orientação de Belgrado sempre para o leste e que não havia razão para que Harris, se eleito, continuasse a política malsucedida de Biden.
O antigo diplomata norte-americano Shaun Byrnes adoptou a mesma linha, recomendando que os EUA precisam de ser “mais duros com a Sérvia porque continua a ter uma abordagem hostil em relação ao Kosovo”.
A ‘diplomacia de fantasia’ de Biden nos Balcãs
Daniel Serwer, um diplomata veterano que trabalhou com Richard Holbrooke, o arquiteto do Acordo de Paz de Dayton de 1995 para a Bósnia e Herzegovina, descreveu a política de Biden para os Balcãs como uma “diplomacia de fantasia”.
Aos olhos de Serwer, construir Vucic, o homem que foi ministro da propaganda de Slobodan Milosevic na década de 1990, como uma âncora de estabilidade estava muito distante da realidade.
As frequentes visitas a Moscovo do aliado de Vucic e vice-primeiro-ministro sérvio Aleksandar Vulin, que recentemente assegurou Presidente russo Vladimir Putin pessoalmente que a Sérvia é “parceiro estratégico e aliado da Rússia”, lançaram dúvidas sobre a política dos EUA para os Balcãs.
As actividades dos membros do círculo de Trump em Belgrado mostraram que se o antigo presidente for reeleito em Novembro, os objectivos económicos estarão na vanguarda da política americana para os Balcãs Ocidentais no futuro.
O facto de Vucic ter excelentes relações com Putin serve perfeitamente a Trump.
Preocupação com uma possível segunda administração Trump
Para UcrâniaBósnia e Herzegovina, Kosovo e Montenegroporém, tudo isso é alarmante. Porque embora a Bósnia e o Kosovo sejam dois Estados claramente pró-americanos e pró-Ocidente com populações maioritariamente muçulmanas, não podem contar automaticamente com a protecção dos EUA contra os anseios expansionistas da Sérvia se Trump for reeleito.
Trump mostrou no passado que não tem escrúpulos em abandonar aliados se isso for adequado à sua agenda.
Em Dezembro de 2018, por exemplo, anunciou que retiraria a maior parte das tropas norte-americanas da Síria. Ao fazer isso, ele traiu os curdosque liderou a maior parte dos combates no terreno na batalha contra o chamado “Estado Islâmico”. Esta traição aos aliados levou o então secretário da Defesa dos EUA, James Mattis, a demitir-se.
Antes do fracasso do acordo de troca de terras Sérvia-Kosovo de Grenell, Trump ameaçou em várias ocasiões o primeiro-ministro do Kosovo, Kurti, de que retiraria as tropas dos EUA do Kosovo. A presença destas tropas é vista como uma apólice de seguro de vida para o Kosovo, cuja independência a Sérvia não reconhece.
Se As tropas da KFOR da OTAN poderiam garantir a segurança do Kosovo sem os americanos é no mínimo questionável.
Mas a administração Biden parece ter tomado pelo menos uma precaução a este respeito: os EUA forneceram ao Kosovo 250 mísseis antitanque Javelin, que também enviaram para a Ucrânia. A Turquia também forneceu os seus Bayraktar drones, que não são menos eficazes.
Sem estes dois sistemas de armas, a Ucrânia não existiria mais como um Estado independente.
O Kosovo, aliás, não possui tanques de combate – ao contrário da Sérvia, que tem cerca de 250. Em suma, o número de Javelins fornecidos pelos EUA não foi certamente coincidência.
Alexander Rhotert é um cientista político e autor. Investigador da ex-Jugoslávia desde 1991, trabalhou para a ONU, NATO, OSCE e Gabinete do Alto Representante (OHR) na Bósnia e Herzegovina, entre outras organizações.
Este artigo foi publicado originalmente em Alemão.
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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre
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19 de maio de 2026O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.
A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.
Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.
O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
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