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Como proteger a Amazônia e quem deve pagar – DW – 04/10/2024
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Embora as taxas de desmatamento tenham caído quase 50% em 2023, a Amazônia continua a combater ameaças críticas.
Nos últimos meses, sofreu uma seca devastadora e incêndios florestais recordes, que libertam grandes quantidades de gases com efeito de estufa que aquecem o planeta. Os alertas de incêndio são 79% superiores à média para esta época do ano.
A Amazónia diminuiu em relação ao tamanho da França e da Alemanha nas últimas quatro décadas, de acordo com um relatório do mês passado, com investigadores a observarem um “aumento alarmante” de áreas florestais desmatadas para mineração, agricultura ou pecuária.
Os cientistas temem que até metade da floresta tropical possa atingir um “ponto de inflexão” até 2050 devido ao stress sem precedentes causado pelo aquecimento das temperaturas, seca extremadesmatamento e incêndios florestais. Eles alertam que ultrapassar este limiar poderia intensificar as alterações climáticas regionais e colocar em risco a Amazônia se degradando permanentemente ou virando savana.
Quem deveria pagar pela proteção da Amazônia?
A vasta floresta tropical não é apenas uma fonte de imensa biodiversidadeas suas árvores e solo armazenam o equivalente a 15-20 anos de emissões de CO2 e ajudam a estabilizar as temperaturas da Terra.
Só a Amazónia brasileira gera um valor anual de 317 mil milhões de dólares (284 mil milhões de euros), com base em grande parte no valor que tem para o mundo como reserva de carbono, de acordo com dados do Banco Mundial. Isto ultrapassa de longe o valor estimado de 43 mil milhões a 98 mil milhões de dólares (38,6 mil milhões de euros a 88 mil milhões de euros) do desmatamento da floresta tropical para obtenção de madeira, agricultura ou mineração.
Jack Hurd, diretor executivo da Tropical Forest Alliance, que apoia empresas na remoção do desmatamento de suas cadeias de abastecimento, vê uma responsabilidade global em preservar a Amazônia para que ela possa continuar a fornecer “bens e serviços para agora e no futuro”.
Embora quase dois terços da Amazônia estejam em Brasila vasta floresta tropical abrange oito países, incluindo Colômbia, Peru e Bolívia.
Jessica Villanueva, gerente sênior de finanças sustentáveis para as Américas no WWF, enfatizou a necessidade de múltiplos atores na proteção do financiamento: “Os esforços devem unir todos os oito países amazônicos, incluindo governos, empresas e instituições financeiras”, disse ela.
Promessas do G20 marco financiamento para ‘serviços ecossistêmicos‘
Depois Brasil a propósitoEd estabelecendo um global fundo fiduciário para conservação florestal, eambiente ministros do Grupo de 20 nações acordado este mês para criar financeiro fontes para chamado serviços ecossistêmicos.
Apresentada pelo governo brasileiro na COP28, a iniciativa, conhecidas como Florestas Tropicais para Sempre Instalação (TFFF), criaré um fundo global para pagar a manutenção e restauração de florestas tropicais em mais de 60 países.
EUn contraste com o Fundo Amazônia que recompensa Brasil quando reduziré desmatamento, o TFFF pretende beneficiar tudo tropical nações florestais através um pagamento fixo anual por cada hectare de floresta em pé. Em contraste, desmatado ou degradado terra vai resultar em uma redução do valor recebido.
eulocal e Comunidades indígenas são para ser pago para mantendo ecossistemas que “benefit everyone,” João Paulo Capobianco, executive secretary of do Brasil meio ambiente minister, disse aos jornalistas após o reunião de ministros eun Rio de Janeiro.
Outros globais fundoestá ajudando a Amazônia?
O maior fundo global é o Fundo Amazôniacriada pelo governo brasileiro em 2008 para arrecadar doações internacionais para a redução do desmatamento e da degradação florestal.
Até à data, recebeu mais de 1,4 mil milhões de dólares, sendo a Noruega e a Alemanha os maiores doadores. A Suíça, os EUA, o Reino Unido, o Japão e a empresa brasileira de petróleo e gás Petrobras também contribuíram.Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva reviveu o fundo quando assumiu o cargo em 2023, depois que os doadores ocidentais interromperam as contribuições durante o mandato do líder anterior Jair Bolsonaroque supervisionou um aumento acentuado nas taxas de desmatamento.
O fundo, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento, financia uma série de projetos, incluindo aqueles relacionados à prevenção de incêndios florestaisapoio às terras indígenas e áreas de conservação, bem como ao desenvolvimento sustentável e ao monitoramento de crimes ambientais. Afirma que ampliou as áreas protegidas da floresta com gestão ambiental reforçada em 74 milhões de hectares.
No entanto, embora o Fundo Amazônia seja importante, ele não fornece o nível de financiamento necessário para proteger totalmente a região, disse Cristiane Fontes, diretora executiva da organização sem fins lucrativos de pesquisa global World Resources Institute Brazil.
De onde mais vem o dinheiro?
Além do Fundo Amazônia, há também dezenas de milhões de dólares indo para a região, em grande parte provenientes de fundações e agências bilaterais, disse Hurd, que também é membro do comitê executivo do Fórum Econômico Mundial.
Estima-se que cerca de 5,81 mil milhões de dólares tenham sido atribuídos à proteção e à gestão sustentável por parte de doadores internacionais desde 2013, de acordo com um estudo recente. Os financiadores incluem agências bilaterais e multilaterais, fundações privadas, ONG e empresas.
A Alemanha, a Noruega e os Estados Unidos representaram quase metade das doações entre 2020-2022 e fundações privadas, como o Bezos Earth Fund, representaram um quarto. Os governos nacionais da região amazônica receberam 30% desses fundos, seguidos pelas ONGs.
Embora não haja informações prontamente disponíveis sobre os números do financiamento público, a proteção é financiada principalmente por dinheiro público e doadores multilaterais, disse Andrea Carneiro, estrategista de conservação da organização ambiental sediada nos EUA Rainforest Trust. Ela acrescentou que existem várias lacunas de financiamento, inclusive para proteção na Bolívia e no Peru, bem como fundos de gestão para territórios indígenas.
Mulheres indígenas combatendo incêndios na Amazônia
No entanto, é difícil obter uma visão geral precisa de quanto dinheiro está fluindo para a proteção, disse Hurd. “Você verá uma série de estimativas sobre o que realmente está acontecendo nisso, porque as pessoas estão contando as coisas de maneiras diferentes”.
As noções de proteção diferem dependendo se se trata de terras amazônicas intactas, degradadas ou desmatadas para atividades como mineração ou agricultura, continuou ele. “Não se trata apenas de ‘aqui está uma floresta protegida que precisamos isolar e descobrir como administrar’, como um parque nacional pode ser na Europa ou na América do Norte.”
O que mais precisa ser feito?
Para evitar que a Amazônia chegue a um ponto críticoa comunidade global de doadores, os orçamentos públicos e o sector privado precisam de aumentar urgentemente os seus compromissos, disse Villanueva na WWF.
Manter 80% da região dentro de áreas de conservação – o que incluiria terras indígenas – exigiria entre 1,7 mil milhões de dólares e 2,8 mil milhões de dólares anuais, bem como 1 a 1,6 mil milhões de dólares em custos de estabelecimento, de acordo com uma estimativa recente.
Como o financiamento público por si só não será suficiente para colmatar a lacuna de financiamento, os governos precisam de implementar regulamentos e incentivos financeiros para encorajar as empresas a avançarem em direcção a uma economia com desflorestação zero, disse Villanueva. “É imperativo atrair investidores privados e desenvolver a capacidade de projetos de soluções baseadas na natureza para alavancar o capital privado.”
O que é necessário é encontrar formas de honrar o valor das florestas em pé e transição para um modelo econômico mais sustentável na região, disse Fontes do World Resources Institute Brasil. Um relatório recente do WRI destacou que a transição para uma economia livre de desmatamento, que inclua agricultura de baixas emissões e restauração florestal, exigiria cerca de 1% do PIB do Brasil por ano, totalizando cerca de 533 bilhões de dólares até 2050.
Ao lado a Instalação Florestas Tropicais para Sempre que agora conta com o apoio do G20outra solução de longo prazo para a proteção da Amazônia pode ser encontrada no mecanismo de financiamento extradicional de REDD+ (JREDD), disse José Otavio Passos, diretor da Amazônia na organização ambiental norte-americana The Nature Conservancy. Através do JREDD, empresas ou governos fornecem pagamentos a estados ou nações para reduções de desmatamento em grandes áreas em troca de créditos de carbono verificados.
No mês passado, o Banco Mundial também anunciou um título de 225 milhões de dólares para a reflorestação da Amazónia que liga os retornos financeiros para os investidores à remoção de carbono da atmosfera.
“Há muita coisa que os países ricos podem fazer. Há muita coisa que o governo brasileiro pode fazer. Há muita coisa que o setor privado pode fazer e precisamos fazer isso mais rápido. Cada um de nós”, disse Passos.
Editado por: Tamsin Walker
Este artigo foi atualizado após o acordo dos ministros do Meio Ambiente do G20.
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Rede de trabalho franco-brasileira atua em propriedades amazônicas — Universidade Federal do Acre
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6 de março de 2026A Ufac integra uma rede de trabalho técnico-científico formada por pesquisadores do Brasil e da França, desenvolvendo trabalhos nas áreas de pecuária sustentável e produção integrada. Também compõem a rede profissionais das Universidades Federais do Paraná e de Viçosa, além do Instituto Agrícola de Dijon (França).
A rede foi construída a partir do projeto “Agropecuária Tropical e Subtropical e Desenvolvimento Regional: Cooperação entre Brasil e França”, aprovado em chamada nacional da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e do Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária com o Brasil. Esse programa iniciou na década de 1970 e, pela primeira vez, uma instituição do Acre teve um projeto aprovado.
Atualmente, alunas do doutorado em Agronomia da Ufac, Natalia Torres e Niqueli Sales, realizam parte do curso no Instituto Agrícola de Dijon, na modalidade doutorado sanduíche. Elas fazem estudos sobre sistemas que integram produção de bovinos, agricultura e a ecofisiologia de espécies forrageiras arbustivas/arbóreas.
Além disso, a equipe do projeto realiza entrevistas com criadores de gado (leite e corte), a fim de produzir informações para proposição de melhorias e multiplicação das experiências de sucesso. Há, ainda, um projeto em parceria com a equipe da Cooperativa Reca para fortalecer a pecuária integrada e sustentável.
Outra ação da rede é a proposta do sistema silvipastoril de alta densidade de plantas, com objetivo de auxiliar agricultores que possuem embargos ambientais na atividade de recomposição de reservas. No momento, a equipe discute um consórcio de plantas que atende à legislação ambiental. Da Ufac, fazem parte da rede os professores Almecina Balbino Ferreira, Vanderley Borges dos Santos, Eduardo Mitke Brandão Reis e Eduardo Pacca Luna Mattar, que trabalham nos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária e Engenharia Florestal.
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Professora publica livro sobre sítios naturais sagrados do povo Nukini — Universidade Federal do Acre
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4 de março de 2026A professora Renata Duarte de O. Freitas, do curso de Direito do campus Floresta da Ufac, lança o livro “Aldeia Isã Vakevu, do Povo Originário Nukini: Um Sítio Natural Sagrado no Coração do Juruá” (Lumen Juris, 240 p.). O evento ocorre neste sábado, 7, às 19h, no teatro dos Nauas, em Cruzeiro do Sul. Resultado de investigação científica, a obra integra a cosmologia indígena aos marcos regulatórios da justiça ambiental.
A pesquisa é fundamentada na trajetória de resistência do povo Nukini. O livro presta homenagem à memória de Arlete Muniz (Ynesto Kumã), matriarca, parteira e liderança espiritual que preservou os conhecimentos milenares do Povo da Onça frente aos processos de aculturação e violência histórica.
O texto destaca a continuidade desse patrimônio imaterial, transmitido de geração para geração ao seu neto, o líder espiritual Txane Pistyani Nukini (Leonardo Muniz). Atualmente, esse legado sustenta a governança espiritual no Kupixawa Huhu Inesto, onde a aplicação das medicinas da floresta e a proteção territorial dialogam com a escrita acadêmica para materializar a visão de mundo Nukini perante a sociedade global.
Renata Duarte de O. Freitas introduz no cenário jurídico eixos teóricos que propõem um novo paradigma para a conservação ambiental: sítios naturais sagrados, que são locais de identidade cultural e espiritual; direito achado na aldeia, cuja proposta é que o ordenamento jurídico reconheça que a lei também emana da sacralidade desses locais; e direitos bioculturais, que demonstram que a biodiversidade da Serra do Divisor é preservada porque está ligada ao respeito pelos sítios naturais sagrados.
Ao analisar a sobreposição de uma parte do território Nukini com o Parque Nacional da Serra do Divisor, a obra oferece uma solução científica: o reconhecimento de que áreas protegidas pelo Estado devem ser geridas em conjunto com os povos originários, respeitando seus territórios sagrados.
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Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre
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25 de fevereiro de 2026A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, na Reitoria, campus-sede, a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, no âmbito da caravana Aqui Tem MEC, iniciativa do Ministério da Educação voltada ao acompanhamento de ações e investimentos nas instituições federais de ensino.
Durante a agenda, o ministro destacou que a caravana tem percorrido instituições federais em diferentes Estados para conhecer a realidade de cada campus, dialogar com gestores e a comunidade acadêmica, além de acompanhar as demandas da educação pública federal.
Ao tratar dos investimentos relacionados à Ufac, a reitora Guida Aquino destacou a obra do campus Fronteira, em Brasileia, que conta com R$ 40 milhões em recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A estrutura terá seis cursos, com salas de aula, laboratórios, restaurante universitário e biblioteca.
Abordando a visita, Guida ressaltou a importância da universidade para o Estado e a missão da educação pública. “A Ufac é a única universidade pública federal de ensino superior do Acre e, por isso, tem papel estratégico na formação e no desenvolvimento regional. A educação é que transforma vidas, transforma o país.”

Outro tema tratado durante a agenda foi a implantação do Hospital Universitário no Acre. Camilo Santana afirmou que o Estado é o único que ainda não conta com essa estrutura e informou que o governo federal dispõe de R$ 50 milhões, por meio do Novo PAC, para viabilizar adequações e a implantação da unidade.
Ele explicou que a prioridade continua sendo a concretização de uma parceria para doação de um hospital, mas afirmou que, se isso não ocorrer, o MEC buscará outra alternativa para garantir a instalação do serviço no Estado. “O importante é que nenhum Estado desse país deixe de ter um hospital universitário”, enfatizou.

Guida reforçou a importância do projeto e disse que o Hospital Universitário já poderia ser celebrado no Acre. Ao defender a iniciativa, contou que a unidade contribuiria para qualificar o atendimento, reduzir filas de tratamento fora de domicílio e atender melhor pacientes do interior, inclusive em casos ligados às doenças tropicais da Amazônia. Em tom crítico, declarou: “O cavalo selado, ele só passa uma vez”, ao se referir à oportunidade de implantação do hospital.
Após coletiva de imprensa, o ministro participou de reunião fechada com pró-reitores, gestores, políticos e parlamentares da bancada federal acreana, entre eles o senador Sérgio Petecão (PSD) e as deputadas Meire Serafim (União) e Socorro Neri (PP).
A comitiva do MEC foi formada pela secretária de Educação Básica, Kátia Schweickardt; pelo secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli; pelo secretário de Educação Superior, Marcus Vinicius David; e pelo presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Arthur Chioro.
Laboratório de Paleontologia
Depois de participar de reunião, Camilo Santana visitou o Laboratório de Paleontologia da Ufac. O professor Edson Guilherme, coordenador do espaço, apresentou o acervo científico ao ministro e destacou a importância da estrutura para o avanço das pesquisas no Acre. O laboratório foi reformulado, ampliado e recentemente reinaugurado.

Aberto para visitação de segunda a sexta-feira, em horário de expediente, exceto feriados, o local reúne fósseis originais e réplicas de animais que viveram no período do Mioceno, quando o oeste amazônico era dominado por grandes sistemas de rios e lagos. A entrada é gratuita e a visitação é aberta a estudantes e à comunidade em geral.
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