ACRE
COP30: Governo cancela licitação para dragagem em Belém – 07/01/2025 – Ambiente
PUBLICADO
1 ano atrásem
Vinicius Sassine
O governo Lula (PT) e o governo do Pará, de Helder Barbalho (MDB), avalizaram uma obra de dragagem para a COP30 (conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas) com impactos ambientais previstos para o fundo de corpos hídricos, a composição de sedimentos, o comportamento de mamíferos aquáticos e para a própria qualidade da água.
A dragagem em área do porto de Belém, com extensão ao terminal petroquímico de Miramar e ao porto de Outeiro, consumiria um volume de 6,14 milhões de metros cúbicos a ser dragado, a um custo de R$ 210,3 milhões.
Planeta em Transe
Uma newsletter com o que você precisa saber sobre mudanças climáticas
A obra foi pensada para permitir o acesso de navios de cruzeiro ao porto de Belém, como forma de ampliação de leitos durante a COP30. A capital do Pará sediará o evento em novembro.
É a primeira vez que uma COP, uma cúpula diplomática que tenta alcançar acordos para frear as mudanças climáticas e que discute o papel da amazônia nesse freio, será realizada na região amazônica.
Belém não tem leitos suficientes para as 40 mil pessoas esperadas para a COP30, o que levou os governos federal e do Pará a apresentarem a ideia de usar navios transatlânticos para a ampliação da oferta em 4.500 quartos durante o evento. Os navios ficariam ancorados no porto de Belém.
Para isso, seria necessária uma dragagem de grande monte na baía do Guajará, com deposição de sedimentos dragados na baía de Marajó.
Uma licitação foi feita pela CDP (Companhia Docas do Pará), empresa pública vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos, no fim de outubro de 2024. Duas empresas, unidas em um consórcio, foram escolhidas pela CDP, com homologação do regime de contratação.
Antes, em junho, a Semas (Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade) do Pará autorizou a execução da dragagem no porto de Belém, com extensão ao terminal de Miramar e ao porto de Outeiro. A autorização foi dada após a confecção de um parecer técnico da secretaria que detalha os potenciais impactos ambientais da obra.
O parecer foi assinado por técnicos entre 19h25 e 19h29 em 28 de junho de 2024. A autorização da secretaria para a dragagem, concedida à CDP, tem assinaturas às 20h12 e às 20h14 do mesmo dia. A validade do aval concedido é até junho de 2026.
Após serem procuradas pela Folha na segunda-feira (6), a Casa Civil e a CDP afirmaram à reportagem, nesta terça (7), que a licitação foi cancelada.
“A Companhia Docas do Pará informou, nesta terça, que a licitação não foi adiante porque não houve empresas que atendessem às condições estabelecidas no edital”, citam as notas do ministério vinculado à Presidência e da empresa pública.
A mudança de posição sobre os rumos da obra de dragagem se deu em pouco mais de um mês.
Em 2 de dezembro, a Casa Civil disse à Folha, em resposta a questionamentos da reportagem, que “a solução de usar navios de cruzeiro como hospedagem para a COP30 segue em discussão com todas as partes envolvidas, assim como a dragagem do porto de Belém”.
“A licitação para dragagem do acesso ao porto de Belém foi concluída e tem uma empresa vencedora”, afirmou o ministério há pouco mais de um mês. “O cronograma está em andamento conforme o edital.”
Segundo a Casa Civil, duas empresas que operam navios de grande porte –Costa Cruzeiros e MSC Cruzeiros– demonstraram interesse em fornecer cabines para hospedagem durante a COP30. “A forma de contratação, bem como a disponibilização das cabines estão sendo ajustadas entre as partes envolvidas”, afirmou a pasta em dezembro.
O parecer técnico da Semas que aponta impactos ambientais da dragagem tem 39 páginas. Conforme o documento, a obra levaria a alterações na qualidade do ar, a mudanças no leito do rio e a alterações –de magnitude e significância médias– na qualidade das águas superficiais.
No início das obras, poderia haver impacto no tráfego de embarcações que utilizam a baía do Guajará, segundo os técnicos da secretaria.
“Outro fator importante neste impacto é a realização da romaria fluvial em louvor às festividades do Círio de Nazaré, que sobrepõe em boa parte com a ADA [área diretamente afetada] e AID [área de influência direta] onde ocorrerá a atividade de dragagem”, cita o parecer.
Também haveria impactos no turismo, no transporte de cargas e passageiros e “incômodos nas comunidades suscetíveis aos transtornos”, conforme o documento. A magnitude desses impactos é classificada como média.
Na área de influência da dragagem, há 116 espécies de peixes, segundo o parecer. Algumas espécies abundantes na baía do Guajará, como a pescada-branca, têm “grande importância econômica e alimentar”, afirma o parecer da Semas.
Os técnicos concluíram que a empresa apresentou informações técnicas e documentos necessários e sugeriram que a autorização fosse concedida, o que ocorreu no mesmo dia. O porte do empreendimento e o nível de degradação, conforme a classificação dada, são de nível máximo.
A Casa Civil e a CDP afirmaram, em nota, que o porto de Outeiro —a 35 km do centro de Belém— foi definido como “ponto estratégico” para a atracagem de transatlânticos durante a COP30. “O terminal hidroviário internacional de Belém, que está em obras, será utilizado para receber embarcações para hospedagem em outras categorias.”
As adequações necessárias em Outeiro não envolvem dragagem, segundo o governo federal. “O porto de Belém poderá receber navios e barcos de menor porte com o calado existente, contribuindo para ampliar a capacidade de hospedagem.”
O governo do Pará não respondeu aos questionamentos da reportagem.
A DTA Engenharia, escolhida para as obras de dragagem em conjunto com a Hodie Gerenciamento de Obras, disse que a área a ser dragada estaria sujeita a “importante aporte de sedimentos”, além da necessidade de dragagem de manutenção.
“De comum acordo com a CDP, optou-se por não seguir com o projeto licitado, não tendo sido firmado o contrato e a licitação, suspensa”, afirmou a DTA, em nota. “A opção acertada foi recapacitar o terminal em Outeiro, que já possui profundidade natural e praticamente não exigiria dragagem de implantação, tampouco de manutenção.”
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
ACRE
Fórum de reitores debate desafios para ensino superior público — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 dia atrásem
1 de julho de 2026A reitora Guida Aquino participou do 1º Fórum de Reitoras e Reitores da América Latina e do Caribe, realizado na segunda-feira, 29, e terça-feira, 30, em Foz do Iguaçu (PR), reunindo dirigentes de 89 instituições brasileiras, entre universidades e institutos federais, além de 67 representantes de 17 países latino-americanos e caribenhos, para debater os desafios e as perspectivas da educação superior pública, da cooperação internacional e da integração regional.
“A integração entre as universidades da América Latina e do Caribe é fundamental para o fortalecimento da educação superior pública, da produção científica e da construção de respostas conjuntas aos desafios sociais, econômicos e ambientais que compartilhamos enquanto região”, disse a reitora.
Durante a programação, foram debatidos temas estratégicos como a democratização do acesso ao ensino superior, a inclusão social, a mobilidade acadêmica, a pesquisa e a inovação, bem como mecanismos para ampliar a cooperação internacional e fortalecer as redes de produção científica e tecnológica entre os países participantes.
O evento contou com a participação do ministro da Educação, Leonardo Barchini, e do secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Marcus David, além de representantes de organismos internacionais e lideranças acadêmicas.
Relacionado
ACRE
Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
6 dias atrásem
26 de junho de 2026A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou da solenidade de inauguração da nova sede da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape), da qual ela é presidente do Conselho Curador. O evento ocorreu nesta sexta-feira, 26, no campus-sede, local em que se localiza o espaço administrativo e operacional da fundação.
Guida destacou a importância da Fundape para a Ufac e para outras instituições da Região Norte. Para ela, a fundação passou por um processo de fortalecimento nos últimos anos. “A Fundape hoje nos faz realizar, na verdade, todas as parcerias de formação de docentes, de ensino, de pesquisa, de extensão, de inovação”, afirmou.
Segundo a reitora, a fundação ampliou sua atuação para além do Acre, atendendo também instituições de Rondônia, Amapá e Roraima. “Olha a grandeza disso. E nós, enquanto Universidade Federal do Acre, temos que nos orgulhar”, pontuou.
O diretor-presidente da Fundape, Ismar Bernardo de Araújo, disse que a inauguração da sede própria representa uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe e visão de futuro. “Hoje não celebramos apenas a abertura de um novo espaço físico; celebramos uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe, visão de futuro e confiança.”

Ismar lembrou que a Fundape foi instituída em 22 de junho de 1998 e completa 28 anos em 2026. Atualmente, a fundação conta com 38 colaboradores, representa quatro universidades federais, três institutos federais e um hospital universitário, estando presente em quatro Estados da região Norte.
Membro fundador da Fundape e pró-reitor de Planejamento da Ufac, Alexandre Hid, relembrou a criação da fundação e os desafios enfrentados ao longo da trajetória institucional. “Hoje a fundação está aí forte e firme para maiores e melhores desafios.”

Também participaram da solenidade a reitora da Unir, Marília Pimentel; o procurador-geral adjunto para Assuntos Administrativos e Institucionais do MP-AC, Carlos Roberto da Silva Maia, representando o procurador-geral Oswaldo Lima Neto; o diretor técnico da Fundape, Camilo Gouveia; o diretor administrativo-financeiro da Fundape, Dionel de Araújo; Gemil Júnior, suplente do senador Alan Rick (Republicanos-AC); a pró-reitora de Inovação, Pesquisa e Pós-Graduação do Ifac, Alana Chocorosqui, representando o reitor Fábio Storch; o ex-reitor da Ufac, Minoru Kinpara; além de dirigentes, coordenadores de projetos, colaboradores e representantes de instituições parceiras.
Relacionado
ACRE
Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 semana atrásem
23 de junho de 2026O programa de pós-graduação em Planejamento e Governança Pública, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no âmbito do mestrado interinstitucional para técnico-administrativos da Ufac e do Instituto Federal do Acre (Ifac), realiza o 12º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública, de 14 a 16 de julho, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede da Ufac. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 16 de julho, por meio online.
O evento será transmitido pelo YouTube e terá como tema “Governança, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional na Amazônia: Desafios Estruturais para o Acre”, propondo um debate sobre questões territoriais, sociais, ambientais, urbanas, institucionais e econômicas que atravessam a realidade amazônica e acreana.
A programação científica será organizada em quatro eixos temáticos: governança urbana, mobilidade e direito à cidade na Amazônia; infraestrutura, saneamento e resiliência em contextos de enchentes e queimadas; governança ambiental, desenvolvimento sustentável e capacidade estatal na Amazônia; e educação e empreendedorismo na Amazônia.
O seminário tem como público-alvo a comunidade universitária e gestores públicos, contando com a participação de autoridades locais, pesquisadores da UTFPR, docentes da Ufac e do Ifac, bem como especialistas convidados de diferentes áreas.
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login