ACRE
Criador de ‘The Wire’ diz que a era de ouro da TV acabou – 13/01/2025 – Ilustrada
PUBLICADO
1 ano atrásem
Walter Porto
“Dinheiro”, responde David Simon antes mesmo de o repórter terminar a pergunta sobre as razões de a televisão estar num período mais, digamos, medíocre artisticamente. “Dinheiro”, repete o criador de “The Wire”, uma das séries que consolidaram a era mais gloriosa da TV americana.
“A HBO começou como uma insurgência contra a televisão”, afirma ele, sobre o canal responsável por pôr de pé, na virada do século, seu roteiro influente sobre a guerra às drogas na cidade de Baltimore, além de outras joias como “Sex and the City”, “Família Soprano” e “A Sete Palmos”. “Era uma janela única na história da TV, e eu consegui dar um jeito de me meter ali. Não acho que ela exista mais.”
“Aquela era de ouro, de uma ‘contraprogramação’ que exibia coisas que não estariam normalmente na TV, essa janela fechou”, diz o escritor de 64 anos. “Estou esperando o próximo que vai ter culhão para fazer o que a HBO fez há 30 anos. Porque ela mesma [hoje o serviço de streaming Max] acabou de enfiar todo seu dinheiro num remake dos livros de ‘Harry Potter’. É o lugar mais seguro onde lançar a bola.”
Essa acomodação se explica pelos cifrões, como ressalta um homem lendário por sua retórica firme e rabugice incurável, um roteirista tão acostumado a olhar para os problemas que afligem a floresta, em vez das árvores, que transformou isso na premissa de sua série mais famosa.
“The Wire”, que durou de 2002 a 2008 e foi exibida no Brasil com o impopular título “A Escuta”, começa como um embate entre policiais e traficantes, mas amplia cada vez mais sua lupa ao longo das temporadas para diagnosticar as chagas dos sindicatos, da política, das escolas e da imprensa americana.
Nas suas décadas de glória, os canais a cabo usavam sucessos como “Família Soprano” e “Game of Thrones” para bancar produções ousadas como essa, que tinham mais dificuldade de se pagar. A proliferação dos streamings apertou a margem de lucro, de acordo com Simon, “e a primeira coisa que se corta quando a receita é ameaçada é aquilo que se arrisca mais”.
“Pense que há apenas uma década eles me deram dinheiro para fazer uma minissérie de seis episódios sobre política de moradia [‘Show Me a Hero’], sobre o porquê de os Estados Unidos ainda serem um país segregado. É para fazer coisas como essa que eu acordo de manhã. E não consigo mais vender nada disso.”
O irônico é que Simon nunca quis se tornar um midas do audiovisual. “Meu plano sempre foi continuar como jornalista. Nunca achei que passaria tempo significativo fazendo dramaturgia na televisão. Só que continuavam me oferecendo oportunidades, e eu nunca voltei a escrever um livro.”
O motivo original da entrevista que Simon deu à Folha na última quarta-feira, ostentando a careca brilhosa e os olhos verde-claros em frente ao computador de sua casa, era justamente sua grande obra literária, “Divisão de Homicídios” —que só agora chega ao Brasil, pela Darkside, em ótima tradução de Diego Gerlach.
O livro-reportagem de 1991 catapultou o nome de Simon, já repórter respeitado do jornal The Baltimore Sun, ao boca a boca nacional. Locado durante um ano dentro de uma unidade de polícia, ele criou uma narrativa de estofo incomum, mais de 600 páginas que se leem com sabor de romance e não tiveram informações contestadas pelos agentes envolvidos, mesmo que o retrato deles passe longe do heroico.
A estratégia para o sucesso desse trabalho, segundo o autor, foi bem simples. “Tempo”, diz Simon. “Jornalistas normalmente caem de paraquedas numa cena, colhem declarações de quem encontram pela frente e seguem para a próxima reportagem. Foi um incrível luxo ficar um ano numa só divisão da polícia.”
Tudo a Ler
Receba no seu email uma seleção com lançamentos, clássicos e curiosidades literárias
E foi esse esforço, afinal, que lhe abriu os portões da televisão. A obra foi transformada dois anos depois na série “Homicídio” pela rede aberta NBC, na qual Simon atuou como produtor e consultor. Pegou gosto e, a partir daí, passou a esquematizar o que se tornaria a minissérie “The Corner” e, depois, a monumental “The Wire” em parceria com o detetive Ed Burns —ele mesmo um personagem do livro, descrito como um lobo solitário durão e brilhante.
As raízes sempre foram os fatos, e ler os relatos de Simon se parece com acompanhar trechos de “The Wire” —se não há um McNulty de fato, existe na vida real um Jay Landsman como o interpretado por Delaney Williams. O livro alcança o efeito hipnótico da série no conflito da urgência com a burocracia, da justiça com a anarquia, de agentes mais ou menos empenhados com seus obstáculos infernalmente banais.
“O trabalho é este: você senta atrás de uma escrivaninha de metal financiada com dinheiro público no sexto andar”, escreve o autor num trecho inspirado. “Atende ao telefone quando toca pela segunda ou terceira vez, porque Baltimore retornou os equipamentos da AT&T para cortar despesas, e o novo telefone, em vez de tocar, emite um som que parece vir de uma ovelha de metal.”
Poucas páginas depois, na mesma descrição, ele sobe o tom. “Você fala pelo morto. É quem vinga aqueles que foram perdidos pelo mundo. O seu salário pode até ser pago com o dinheiro dos impostos, mas, que diabos, depois de seis cervejas, você praticamente consegue convencer a si mesmo de que trabalha para Deus em pessoa.”
Maratonar
Um guia com dicas de filmes e séries para assistir no streaming
David Simon nunca voltou para esse jornalismo —de onde saiu batendo a porta. Ficou tão fulo com o que via como práticas abusivas de repórteres-estrela do Baltimore Sun que escreveu a última temporada de “The Wire” inspirado nessa experiência, tornando um de seus desafetos no principal vilão, um jornalista que inventava histórias para se dar bem. A temporada foi criticada como a mais bidimensional da série.
Dá um gostinho da desilusão sofrida pelo autor, que contemporiza agora dizendo que lê bom jornalismo todo dia, mas entende que ele produz cada vez menos impacto e que a crise da imprensa foi crucial para os Estados Unidos estarem “em queda livre na direção de um regime totalitário”. “Minha admiração pelos jornalistas que reportam da rua não diminuiu, mas há menos gente lendo isso e mais gente corrompida pelos altos níveis de desinformação”, afirma.
“Toda organização de imprensa tinha um produto valioso em mãos. Mas, como o dinheiro vinha dos anunciantes, elas não concebiam um modelo baseado em assinaturas. Não entendiam o mundo novo da internet e aí passaram a dar seu produto de graça ali. Quando perceberam o erro, a maior parte dos leitores tinha ido embora e a maior parte do produto tinha se perdido. Passaram a vender cascas vazias de si mesmas.”
Simon soltava a língua no dia seguinte ao anúncio de que a Meta deixaria de usar checagem de fatos em suas plataformas, numa postura alinhada à eleição de Donald Trump. O repórter pergunta se a batalha contra a disseminação de informações falsas já está perdida e a resposta, para um pessimista nato, era até previsível.
“Só vai piorar. Tudo está acelerando e não acho que a imprensa esteja numa posição de conter o que a ‘big data’ está fazendo para destruir a credibilidade dos fatos”, diz. “Estamos indo para o inferno.”
Relacionado
ACRE
II Semana Acadêmica de Sistemas de Informação — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 semana atrásem
14 de fevereiro de 2026Estão abertas as inscrições para o evento que vai reunir estudantes e profissionais para conectar ideias, debater o futuro da computação e fortalecer nossa rede acadêmica.
Se você quer ficar por dentro das pesquisas mais atuais da área e garantir aquela integração única com a galera, esse é o seu lugar!
Onde e Quando?
Data: De 23 a 27 de Fevereiro Local: UFAC – Teatro Universitário.
Como garantir sua vaga?
Inscreva-se agora pelo link: https://sasiufac.github.io/SASI2025/
Garanta sua vaga e venha fazer parte dessa experiência única. Nos vemos lá!
Relacionado
ACRE
Programa insere novos servidores no exercício de suas funções — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 semana atrásem
12 de fevereiro de 2026A Diretoria de Desempenho e Desenvolvimento, da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, realizou a abertura do programa Integra Ufac, voltado aos novos servidores técnico-administrativos. Durante o evento, foi feita a apresentação das pró-reitorias, com explanações sobre as atribuições e o funcionamento de cada setor da gestão universitária. O lançamento ocorreu nessa quarta-feira, 11, na sala de reuniões da Pró-Reitoria de Graduação, campus-sede.
A finalidade do programa é integrar e preparar os novos servidores técnico-administrativos para o exercício de suas funções, reforçando sua atuação na estrutura organizacional da universidade. A iniciativa está alinhada à portaria n.º 475, do Ministério da Educação, que determina a realização de formação introdutória para os ingressantes nas instituições federais de ensino.
“Receber novos servidores é um dos momentos mais importantes de estar à frente da Ufac”, disse a reitora Guida Aquino. “Esse programa é fundamental para apresentar como a universidade funciona e qual o papel de cada setor.”
A pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Oliveira da Cruz, enfatizou o compromisso coletivo com o fortalecimento institucional. “O sucesso individual de cada servidor reflete diretamente no sucesso da instituição.”
(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)
Relacionado
ACRE
Atlética do Curso de Engenharia Civil — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
2 semanas atrásem
10 de fevereiro de 2026NOME DA ATLÉTICA
A. A. A. DE ENGENHARIA CIVIL – DEVASTADORA
Data de fundação: 04 de novembro de 2014
MEMBROS DA GESTÃO ATUAL
Anderson Campos Lins
Presidente
Beatriz Rocha Evangelista
Vice-Presidente
Kamila Luany Araújo Caldera
Secretária
Nicolas Maia Assad Félix
Vice-Secretário
Déborah Chaves
Tesoureira
Jayane Vitória Furtado da Silva
Vice-Tesoureira
Mateus Souza dos Santos
Diretor de Patrimônio
Kawane Ferreira de Menezes
Vice-Diretora de Patrimônio
Ney Max Gomes Dantas
Diretor de Marketing
Ana Clésia Almeida Borges
Diretora de Marketing
Layana da Silva Dantas
Vice-Diretora de Marketing
Lucas Assis de Souza
Vice-Diretor de Marketing
Sara Emily Mesquita de Oliveira
Diretora de Esportes
Davi Silva Abejdid
Vice-Diretor de Esportes
Dâmares Peres Carneiro
Estagiária da Diretoria de Esportes
Marco Antonio dos Santos Silva
Diretor de Eventos
Cauã Pontes Mendonça
Vice-Diretor de Eventos
Kaemily de Freitas Ferreira
Diretora de Cheerleaders
Cristiele Rafaella Moura Figueiredo
Vice-Diretora Chreerleaders
Bruno Hadad Melo Dinelly
Diretor de Bateria
Maria Clara Mendonça Staff
Vice-Diretora de Bateria
CONTATO
Instagram: @devastadoraufac / @cheers.devasta
Twitter: @DevastadoraUfac
E-mail: devastaufac@gmail.com
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login