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Crítica The Land in Winter, de Andrew Miller – luz na escuridão | Ficção
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1 ano atrásem
Rachel Seiffert
UMAndrew Miller é um mestre em nuances, especialista em explorar as diversas câmaras do coração humano. Em sua estreia vencedora do Impac, Ingenious Pain, de 1997, o protagonista é um médico incapaz de sentir, enquanto na lista do Booker Oxigênioum exilado húngaro é atormentado por um erro do passado. Em A Travessiaa cientista e marinheira Maud Stamp escolhe a solidão do oceano em vez das armadilhas das convenções; enquanto as exigências de uma vocação assumem uma forma mais visceral no país vencedor da Costa Puroem que o engenheiro Jean-Baptiste Baratte é encarregado de limpar um cemitério parisiense lotado pouco antes da Revolução. Agora, em The Land in Winter, Miller aborda a dificuldade de amar em um mundo desagradável.
O livro abre com uma tragédia: o suicídio de um jovem à noite, no porão de um asilo, cujo corpo é descoberto por um homem mais velho que é acordado pela sua ausência na enfermaria. Ambos são pacientes internados e nenhum deles – ao que parece – é protagonista do romance em questão. Voltaremos a eles, mas apenas na medida em que seus destinos se cruzarem com os dos personagens principais que iremos conhecer. Contudo, as suas ações neste primeiro capítulo – a sua presença no hospital e o seu profundo desconforto com tudo o que está além – sustentam tudo o que está por vir.
O que se desenrola a partir daqui é aparentemente a história de dois casais ao longo de um inverno inglês muito frio. É dezembro de 1962 e Eric Parry é um jovem GP de West Country; Nascido em Birmingham, mudou-se na infância “do centro difícil para os subúrbios mais elegantes”, e ainda não tem certeza de onde pertence, conduzindo suas rondas como médico rural de uma só vez. Sua esposa, Irene, está perdida em sua casa rural, longe de sua antiga vida na Londres literária, com pouco a fazer além de planejar uma festa de Natal e se perguntar sobre o distanciamento de seu ainda novo marido.
O vizinho mais próximo, Bill Simmons, é agricultor, mas só desde o ano passado, quando comprou os seus poucos hectares e um touro estranho, gastando “certamente mais do que poderia razoavelmente pagar”. É um sonhador, um vagabundo em busca de terra firme, ou talvez “o filho de um homem rico brincando na lavoura por motivos próprios”. Sua esposa, Rita, é ainda mais um enigma. Há um ano, ela trabalhava como dançarina em uma boate de Bristol; agora ela é uma esposa de fazenda, para sua própria surpresa, comendo espaguete da frigideira com os dedos, lendo brochuras no chão perto do Rayburn, encantada, surpresa e assustada com sua própria vida.
Dispor os quatro desta forma pode indicar algumas das dinâmicas em ação: as vicissitudes de classe e gênero; as correntes nervosas abaixo da superfície de vidas que parecem estar funcionando perfeitamente. Mas não faz justiça aos personagens – ou ao escritor. Cada figura que Miller evoca é muito mais do que a soma de suas partes. Quando a amante de Eric lhe diz que ele é um bom médico e um bom homem, sentimos que ela pode estar certa; mas quando ele responde “Na verdade, também não tenho certeza”, tememos que ele também possa estar. Rita é especialmente bem desenhada: atraente em sua aparente facilidade, preguiçosa e calorosa nas meias e pijamas do marido. A sua capacidade de desaparecer na sua vida interior é sedutora – um amortecedor bem-vindo contra o frio do mundo exterior – mas é também isto que a torna vulnerável.
São Rita e Irene que estabelecem uma ligação: uma amizade tão improvável para ambas quanto espontânea e calorosa. Na malfadada festa de Natal dos Parry, Rita faz sucesso com os amigos londrinos de Irene – um fato que diverte os dois. Depois que chegam as nevascas do ano novo, as mulheres constroem um boneco de neve na elevação entre seus dois chalés, trabalhando “com as cabeças quase se tocando, a respiração nas nuvens, as sombras azuis e inquietas sobre a neve quebrada”.
Ambos estão num impasse e sabem disso; ambas também estão grávidas, então suas vidas e casamentos mudarão em breve, para o bem ou para o mal – este é o principal motivador do romance. O inverno é a engrenagem que resta na sua maquinaria implacável: não apenas o frio que se recusa a passar, mas também este inverno específico, nesta conjuntura específica da história inglesa. O racionamento acabou, mas a vida ainda é vivida em fogueiras em bares, debaixo de colchas, fumando Woodbines. Eric tem idade suficiente para ter recebido treinamento da RAF e está aliviado porque a guerra “teve a boa vontade de terminar” antes de ele ser convocado; O pai de Rita, porém, serviu no exército britânico e viu muito pior do que esperava numa floresta alemã entre o Weser e o Elba. Gabby Miklos, parceira de GP de Eric, é emigrada da Mitteleuropa; O pai de Bill também veio daquela escuridão. Agora um proprietário Rachmanita, ele é “o clandestino, o espião, o sobrevivente” – até o seu filho não tem a certeza da sua história e prefere mantê-la assim se puder evitar. A guerra e o Holocausto ainda são muito recentes. É uma marca da habilidade de Miller que ele faça menção a qualquer um deles, e ainda assim eles se avultam.
O amor também, no entanto. Apesar de todo o seu cenário invernal e dos ecos frios do passado, e apesar de tudo o que começa com uma morte num asilo, este não é um livro sombrio. As pessoas nele anseiam e alcançam; eles também cometem erros – alguns deles terríveis. Mas o tempo todo, de alguma forma, você sente – você espera – que eles possam encontrar uma saída.
após a promoção do boletim informativo
Pode haver arte depois de Auschwitz? Pode haver paz de espírito? Em The Land in Winter, os personagens de Miller olharam para o abismo. Isso torna a vida normal ao mesmo tempo muito difícil e muito necessária.
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Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre
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7 dias atrásem
25 de fevereiro de 2026A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, na Reitoria, campus-sede, a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, no âmbito da caravana Aqui Tem MEC, iniciativa do Ministério da Educação voltada ao acompanhamento de ações e investimentos nas instituições federais de ensino.
Durante a agenda, o ministro destacou que a caravana tem percorrido instituições federais em diferentes Estados para conhecer a realidade de cada campus, dialogar com gestores e a comunidade acadêmica, além de acompanhar as demandas da educação pública federal.
Ao tratar dos investimentos relacionados à Ufac, a reitora Guida Aquino destacou a obra do campus Fronteira, em Brasileia, que conta com R$ 40 milhões em recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A estrutura terá seis cursos, com salas de aula, laboratórios, restaurante universitário e biblioteca.
Abordando a visita, Guida ressaltou a importância da universidade para o Estado e a missão da educação pública. “A Ufac é a única universidade pública federal de ensino superior do Acre e, por isso, tem papel estratégico na formação e no desenvolvimento regional. A educação é que transforma vidas, transforma o país.”

Outro tema tratado durante a agenda foi a implantação do Hospital Universitário no Acre. Camilo Santana afirmou que o Estado é o único que ainda não conta com essa estrutura e informou que o governo federal dispõe de R$ 50 milhões, por meio do Novo PAC, para viabilizar adequações e a implantação da unidade.
Ele explicou que a prioridade continua sendo a concretização de uma parceria para doação de um hospital, mas afirmou que, se isso não ocorrer, o MEC buscará outra alternativa para garantir a instalação do serviço no Estado. “O importante é que nenhum Estado desse país deixe de ter um hospital universitário”, enfatizou.

Guida reforçou a importância do projeto e disse que o Hospital Universitário já poderia ser celebrado no Acre. Ao defender a iniciativa, contou que a unidade contribuiria para qualificar o atendimento, reduzir filas de tratamento fora de domicílio e atender melhor pacientes do interior, inclusive em casos ligados às doenças tropicais da Amazônia. Em tom crítico, declarou: “O cavalo selado, ele só passa uma vez”, ao se referir à oportunidade de implantação do hospital.
Após coletiva de imprensa, o ministro participou de reunião fechada com pró-reitores, gestores, políticos e parlamentares da bancada federal acreana, entre eles o senador Sérgio Petecão (PSD) e as deputadas Meire Serafim (União) e Socorro Neri (PP).
A comitiva do MEC foi formada pela secretária de Educação Básica, Kátia Schweickardt; pelo secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli; pelo secretário de Educação Superior, Marcus Vinicius David; e pelo presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Arthur Chioro.
Laboratório de Paleontologia
Depois de participar de reunião, Camilo Santana visitou o Laboratório de Paleontologia da Ufac. O professor Edson Guilherme, coordenador do espaço, apresentou o acervo científico ao ministro e destacou a importância da estrutura para o avanço das pesquisas no Acre. O laboratório foi reformulado, ampliado e recentemente reinaugurado.

Aberto para visitação de segunda a sexta-feira, em horário de expediente, exceto feriados, o local reúne fósseis originais e réplicas de animais que viveram no período do Mioceno, quando o oeste amazônico era dominado por grandes sistemas de rios e lagos. A entrada é gratuita e a visitação é aberta a estudantes e à comunidade em geral.
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A Pró‑Reitoria de Graduação (Prograd) da Universidade Federal do Acre (Ufac) é o órgão responsável pelo planejamento, coordenação e supervisão das atividades acadêmicas relacionadas ao ensino de graduação. Sua atuação está centrada em fortalecer a formação universitária, promovendo políticas e diretrizes que assegurem a qualidade, a integração pedagógica e o desenvolvimento dos cursos de bacharelado, licenciatura e demais formações presenciais e a distância. A Prograd articula ações com as unidades acadêmicas, órgãos colegiados e a comunidade universitária, garantindo que os currículos e práticas pedagógicas estejam alinhados aos objetivos institucionais.
Entre as principais atribuições da Prograd estão a coordenação da política de ensino, a supervisão de programas de bolsas voltadas à graduação, a análise e encaminhamento de propostas normativas e a participação em iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior.
A Prograd é organizada em três diretorias, cada uma com funções específicas e complementares:
Diretoria de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino — responsável por ações estratégicas voltadas ao desenvolvimento de metodologias, à regulação e ao apoio pedagógico dos cursos de graduação.
Diretoria de Apoio à Formação Acadêmica — dedicada a acompanhar e apoiar as atividades acadêmicas dos estudantes, incluindo estágios, mobilidade estudantil e acompanhamento da formação acadêmica.
Diretoria de Apoio à Interiorização e Programas Especiais — voltada à gestão de programas especiais, políticas de interiorização e ações que ampliam o acesso e a permanência dos alunos em diferentes regiões.
A Prograd participa, ainda, de iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior, integrando docentes, estudantes e gestores em fóruns, encontros e ações que visam à atualização contínua dos processos formativos e ao atendimento das demandas sociais contemporâneas.
Com compromisso institucional, a Pró‑Reitoria de Graduação contribui para que a UFAC cumpra seu papel educativo, formando profissionais críticos e comprometidos com as realidades local e regional, garantindo um ambiente acadêmico de excelência e responsabilidade social.
Ednacelí Abreu Damasceno
Pró-Reitora de Graduação
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Orientação sobre revalidação e reconhecimento de diplomas — Universidade Federal do Acre
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1 semana atrásem
24 de fevereiro de 2026Orientações para abertura de processo administrativo e procedimentos acerca da revalidação de diploma de graduação e reconhecimento de diplomas de pósgraduação stricto sensu emitidos por instituições estrangeiras, conforme a Resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.
Abertura do Processo
I – Preenchimento do Formulário Padrão (conforme modelo disponibilizado);
II – Documentos pessoais exigidos:
• Cópia do documento de identidade para brasileiros ou naturalizados, e, se estrangeiro, cópia da identidade e do visto permanente, expedido pela Superintendência da Polícia Federal, ou passaporte com visto permanente, concedido pela autoridade competente;
• Comprovante de residência;
• Comprovante de quitação com o serviço militar, para brasileiros do sexo masculino;
• Comprovante de quitação com o serviço eleitoral, para brasileiros e naturalizados;
III – Documentos acadêmicos exigidos:
• Para revalidação, conforme Art. 10, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.
• Para reconhecimento, conforme Art. 33, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.
IV – Preenchimento do Termo de aceitação, exclusividade e autenticidade, conforme modelo disponibilizado pelo NURCA;
V – Solicitação de abertura de processo no Protocolo Geral da UFAC, direcionado ao NURCA, com a apresentação da documentação exigida nos itens de I a IV;
Submissão da documentação na Plataforma Carolina Bori – Link: http://plataformacarolinabori.mec.gov.br
O interessado deve submeter a documentação no formato .pdf, agrupando diferentes documentos em arquivo único conforme indicado abaixo:
Arquivo 1 em .PDF:
1. Formulário Padrão preenchido (conforme modelo disponibilizado);
2. Documentos pessoais exigidos:
a) Cópia do documento de identidade para brasileiros ou naturalizados, e, se estrangeiro, cópia da identidade e do visto permanente, expedido pela Superintendência da Polícia Federal, ou passaporte com visto permanente, concedido pela autoridade competente;
b) Comprovante de residência;
c) Comprovante de quitação com o serviço militar, para brasileiros do sexo masculino;
d) Comprovante de quitação com o serviço eleitoral, para brasileiros e naturalizados;
Arquivo 2 em PDF:
1. Diploma e Histórico (Itens I e II do Artigo 10 ou Itens II e IV do artigo 33 da Resolução nº 003, de 14 de março de 2017);
Arquivo 3 em PDF:
1. Documentos acadêmicos exigidos excetuando-se os do Arquivo 2:
a) Para revalidação, conforme Art. 10, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.
b) Para reconhecimento, conforme Art. 33, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017, excetuando item III (vide Arquivo 5).
Arquivo 4 em PDF:
1.Termo de aceitação, exclusividade e autenticidade, preenchido conforme modelo disponibilizado pelo NURCA; da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.
Arquivo 5 em PDF:
a) Para os casos de reconhecimento: Exemplar digital da tese ou dissertação com registro de aprovação da banca examinadora e documentações complementares, conforme item III do Art. 33 da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.
Fluxo do Processo
VI – Recebimento do processo pelo NURCA e encaminhamento para o Centro pertinente, que constituirá Comissão;
VII – Retorno do processo ao NURCA no prazo de 15 dias;
VIII – Sendo favorável o parecer da Comissão, será autorizada a emissão de GRU, bem como, o seu devido pagamento (R$ 1.200,00 – graduação; mestrado – R$ 1.500,00 e doutorado R$ 2.000,00), devendo ser incluída a via original ou cópia autenticada por servidor da UFAC no processo de revalidação.
a) Em caso de parecer negativo, o processo será disponibilizado para consulta, retirada de documentação e/ou ajuste quando for pertinente.
IX – Retorno do processo ao Centro para a Comissão concluir a revalidação no prazo restante dos seis meses.
Termo de Aceitação, Exclusividade e Autenticidade
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