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Da vitória de Trump, uma mensagem simples e incontornável: muita gente despreza a esquerda | João Harris

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Taqui não há necessidade de escolher apenas algumas das muitas explicações para o regresso político de Donald Trump. A maioria das inúmeras razões que ouvimos nos últimos cinco dias parecem verdadeiras: inflação, incumbênciauma frágil campanha democrata, os problemas aparentemente eternos dos americanos brancos com a raça e o que um ensaísta do New York Times chamou recentemente de “um ideia regressiva de masculinidade em que o poder sobre as mulheres é um direito inato”. Mas há outra história que até agora tem sido bastante mais negligenciado, tem a ver com a forma como a política funciona agora e em quem os eleitores pensam quando entram na cabine de votação.

O seu elemento mais vívido tem a ver com a esquerda, e um facto inescapável: que muitas pessoas simplesmente não gostam de nós. No Reino Unido, essa é parte da razão pela qual o Brexit aconteceu, por que Nigel Farage está de volta e por que o nosso novo governo trabalhista se sente tão frágil e frágil. Nos EUA, isso explica de alguma forma por que mais de 75 milhões de eleitores apenas rejeitou a opção supostamente progressista e escolheu um criminoso condenado e um rebelde descarado para supervisionar as suas vidas.

Esta última história vai além Kamala Harris e sua tentativa fracassada de obter poder. Quando os partidos estabelecidos nas alas progressistas e conservadoras da política vão para uma eleição, na mente de muitas pessoas, eles representam um conjunto muito maior de forças, quer os seus candidatos gostem ou não. Afinal, o que as pessoas entendem como esquerda e direita opera muito além das instituições do Estado: as batalhas políticas são travadas nos meios de comunicação social, nas ruas, nos locais de trabalho, nos campi e muito mais. Sempre foi assim, mas à medida que as redes sociais transformam o ruído que esta actividade produz num ruído ensurdecedor, torna-se inevitável ver a maioria dos grandes partidos e candidatos como pontas de icebergues muito maiores.

Trump lidera o movimento responsável pela insurreição de 6 de Janeiro, fez ruídos nada sutis sobre sua afinidade com a extrema direita, e não esconde nada disso. Para os Democratas, as linhas que ligam uma figura centrista como Harris à esquerda mais ampla dos EUA tendem a parecer muito mais confusas, mas isso não torna menos real a percepção que milhões de pessoas têm deles. Na verdade, em todo o mundo, a esquerda parece, para muitos eleitores, um bloco coerente que vai de pessoas que deitar na estrada e fechar universidades aos aspirantes a presidentes e primeiros-ministros – a única diferença entre eles, como alguns vêem, é que os activistas radicais são honestos sobre as suas ideias, enquanto as pessoas que se candidatam tentam encobri-las.

O que o resultado das eleições nos EUA mostra é que, quando lhes for pedido que façam uma escolha, milhões de pessoas recorrerão a essas ideias e aliar-se-ão ao outro lado político. Muitos deles, é claro, chegaram a essa conclusão graças à intolerância total. Mas dada a notável distribuição de votos para Trump – em Partes latinas e negras do eleitoradoe estados considerados centros democratas leais, de Califórnia para Nova Jersey – isso dificilmente explica toda a sua vitória. O que realça é algo que muitos americanos, britânicos e europeus sabem há pelo menos 15 anos: que a esquerda está agora a alienar grandes porções da sua antiga base de apoio.

Esta história tem raízes profundas, em parte ligadas ao declínio das lealdades políticas baseadas em classe: em comparação com 2008, a coligação Democrata de 2024 foi inclinada para o extremidade superior da faixa de rendaenquanto Trump se inclina na outra direção. O mesmo tipo de fratura parece estar agora a afectar muitas lealdades políticas de base étnica: como Trump bem sabe, há agora um grande número de eleitores provenientes de minorias – e de origem imigrante – que aceitam em grande parte as ideias da direita sobre a imigração. Isto acontece em parte porque as economias modernas criam uma competição desesperada por recompensas.

Por que a América votou em Donald Trump (de novo) – vídeo

Mas parece haver mais do que isso: as sondagens mostram que a sugestão de que “o governo deveria aumentar a segurança e a fiscalização das fronteiras” é apoiada por percentagens mais elevadas de eleitores negros e hispânicos do que entre os progressistas brancos – mas o mesmo se aplica a “a maioria das pessoas consegue fazê-lo se trabalharem arduamente” e “a América está o maior país do mundo”. Por outras palavras, parcelas cada vez maiores do eleitorado não são quem a esquerda pensa que são.

Entretanto, o crescente fosso político baseado nos níveis de educação das pessoas – eleitores sem diploma universitário apoiou Trump por uma margem de 14 pontos, enquanto Harris tinha uma vantagem de 13 pontos entre as pessoas com formação universitária – cria ainda mais problemas. Alguns deles têm a ver com “despertar” e suas desvantagens. Dado que a vanguarda da política de esquerda está frequentemente associada a instituições de ensino superior, as ideias que deveriam ser sobre inclusão podem facilmente transformar-se no oposto. O resultado é uma agenda muitas vezes expressa com uma arrogância crítica e baseada em códigos de comportamento – relacionados com microagressões ou com o uso correto de pronomes – que são muito difíceis de navegar para pessoas fora de círculos altamente educados.

Ao mesmo tempo, o nosso discurso online endurece as boas intenções num estilo de activismo do tipo tudo ou nada que não tolera nuances ou compromissos. Uma mensagem sobre a esquerda viaja então de uma parte da sociedade para outra: existe uma correia de transmissão entre os toques de clarim que circulam nos campi universitários, a corrente dominante democrata e os eleitores instáveis, digamos, nos subúrbios e zonas rurais da Pensilvânia. E a direita pode, portanto, ganhar dinheiro, como evidenciado por um anúncio de Trump que foi grosseiro e cruelmas extremamente eficaz: “Kamala é para eles. O presidente Trump é para você.”

À sua maneira feia, essa linha realça o que poderá ter sido o trunfo mais forte de Trump e dos seus apoiantes: a ideia de que, por serem tão distantes e privilegiados, os progressistas modernos prefeririam ignorar questões sobre a economia quotidiana. Aproximadamente 40% de todos os americanos dizem que pularam refeições para pagar o pagamento da moradia, e mais de 70% admitir viver com ansiedade econômica. É claro que um segundo mandato de Trump dificilmente melhorará a situação: a questão é que ele conseguiu fingir que sim.

Isso abriu então caminho para algo ainda mais surpreendente: a súbita afirmação de Trump de ser um grande unificador, algo que contrasta implicitamente com o hábito dos progressistas de separar as pessoas em ilhas demográficas. É preciso um nível quase maligno de ousadia para passar do ódio e da maldade para uma nova mensagem de amor para a maioria dos americanos, mas considere o que ele disse sobre sua coalizão de eleitores: “Eles vieram de todos os quadrantes: sindicalizados, não sindicalizados, afro-americanos, hispano-americanos, asiático-americanos, árabes-americanos, muçulmanos-americanos. Tínhamos todo mundo. E foi lindo.” Esse é o som cada vez mais familiar dos tanques populistas estacionados no gramado da esquerda.

Nada disto pretende implicar que a maioria das causas progressistas estão erradas, ou apresentar qualquer argumento a favor da inclinação para o trumpismo. O que o estado da política no Ocidente destaca tem mais a ver com o tom, a estratégia, a empatia e como levar as pessoas consigo enquanto tenta mudar a sociedade – bem como as plataformas que envenenam o debate democrático e os danos que causam à política progressista. A próxima vez que você vir alguém à esquerda em combustão com fúria hipócrita na paisagem infernal agora conhecida como X, vale lembrar que seu atual proprietário é Elon Musk, que pode estar prestes a ajudar Trump em cortando massivamente os gastos públicos dos EUAenquanto cacarejam da fraqueza dos inimigos do presidente e do seu hábito de cair em armadilhas flagrantes.



Leia Mais: The Guardian

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Consu aprova comissão para destinar cotas a pessoas transgênero — Universidade Federal do Acre

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2026.09.30 Reunião Consu-Ufac (2).JPG

O Conselho Universitário (Consu) da Ufac aprovou a criação de uma comissão para elaborar a proposta de cotas de acesso à graduação para pessoas transgênero, que é uma pauta da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), recentemente criada com o objetivo de expandir políticas de inclusão na universidade. A aprovação ocorreu nessa quarta-feira, 30, na 5ª Reunião Ordinária do Consu, realizada no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, campus-sede.

A Ufac já possui regulamentação que garante o acesso por cotas à comunidade transgênero na pós-graduação desde 2023. A proposta aprovada pelo Consu busca ampliar esse direito para a graduação, assegurando não apenas a entrada, mas também o acompanhamento para permanência de estudantes até a conclusão dos cursos.

A comissão terá prazo de 90 dias para realizar os estudos e apresentar a minuta final do projeto. O grupo terá formação intersetorial, reunindo representantes das três categorias acadêmicas: docentes, técnico-administrativos e discentes, além de representantes de entidades e movimentos sociais da sociedade civil voltados aos direitos da população transgênero no Acre.

“Reafirmamos nosso compromisso ao instituir a comissão que vai deliberar sobre as cotas trans”, disser o reitor Josimar Ferreira. “Trata-se de uma ação demandada pela sociedade para incluir populações historicamente invisibilizadas, garantindo que as ações afirmativas façam parte da história do nosso conselho.”

Segundo a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Letícia Mamed, a política visa transformar a realidade de um dos grupos mais marginalizados socialmente. “Precisamos atentar para a garantia de acesso, permanência e dignidade para que essa comunidade possa construir seus projetos de vida com mais oportunidades”, comentou. “No Brasil, cerca de 30 universidades já adotam políticas semelhantes, e a Ufac dá um passo essencial para consolidar essa transformação.”

Integrante do Consu, a professora Raquel Ishii ressaltou que a comissão foi criada para ir além da gestão superior da universidade. “Considero essa aprovação uma grande vitória para a sociedade civil e para a universidade. A comissão amplia o debate da pós-graduação para a graduação. Trata-se de um grupo bem amplo, constituído não só pela gestão, mas com convites abertos ao Diretório Central dos Estudantes e a movimentos sociais externos à universidade.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

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SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

A Diretoria Geral do Campus Floresta (DG-Camp), por meio do Setor de Assistência Estudantil (SAE-CZS), comunica a suspensão do Restaurante Universitário nesta segunda-feira, 28, para o Campus Floresta, em decorrência do ponto facultativo decretado pela Reitoria por meio da Portaria n.º 3.914, de 24/09/2026, em virtude da celebração do Aniversário do município de Cruzeiro do Sul (AC).
Contamos com a compreensão de toda a comunidade acadêmica.

 



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Gestão da Ufac realiza visita ao laboratório Charles Mérieux — Universidade Federal do Acre

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2026.09.24 Visita ao laboratório Charles Mérieux (2).jpg

A Ufac realizou uma visita institucional ao Centro de Infectologia Charles Mérieux (CICM). A agenda reuniu a gestão superior da universidade, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e representantes do centro para alinhar propostas de cooperação que permitam o desenvolvimento de pesquisas avançadas e projetos de inovação em saúde pública nas instalações do laboratório. O encontro ocorreu nessa quinta-feira, 24.

O coordenador de Gestão e Infraestrutura do CICM, George Dobré, apresentou as propostas operacionais para viabilizar o uso da infraestrutura laboratorial por equipes de pesquisadores e estudantes da Ufac. A iniciativa visa unificar o potencial de pesquisa acadêmica da universidade com a capacidade tecnológica e de vigilância do centro.

A reunião contou com a presença do reitor Josimar Ferreira; do pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Dionatas Meneguetti; do diretor de Pesquisa da Ufac, Thiago Augusto da Cunha; do diretor-geral da Fiocruz-RO, Jansen Medeiros; e dos pesquisadores da Fiocruz, Gabriel Melim e Deusilene Vieira, que também atua como coordenadora de Pesquisa, Vigilância e Educação do CICM.

(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)



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