NOSSAS REDES

ACRE

De Ainda Estou Aqui a Wicked, Oscar 2025 é o mais político – 29/01/2025 – Ilustrada

PUBLICADO

em

Nicholas Barber

Uma gama fabulosa de filmes foi indicada ao Oscar este ano, de um musical brilhante da Broadway a um drama brasileiro baseado em uma história real. De uma farsa divertida sobre uma stripper a uma obra de época ambientada em um reformatório juvenil da Flórida.

De longe, pode parecer que os votantes da Academia cobriram quase todos os gêneros e humores que o cinema tem a oferecer. Mas quando olhamos mais de perto, é notável como muitos dos indicados têm algo em comum. Em suas maneiras distintas, esses filmes abordam questões contemporâneas com energia feroz o suficiente para fazer desta uma das seleções mais políticas da história do Oscar.

No caso de “O Aprendiz“, o aspecto político é inescapável. O filme de Ali Abbasi é uma cinebiografia controversa do recém-empossado presidente Donald Trump, concentrando-se em seus anos como um aspirante a magnata imobiliário em Nova York.

Em outubro, Trump denunciou o filme como um “trabalho barato, difamatório e politicamente repugnante”.

A Academia parece ter gostado do filme: “O Aprendiz” recebeu duas indicações de atuação, uma para Sebastian Stan, que interpreta o próprio Trump, e uma para Jeremy Strong, que coestrela como seu mentor, Roy Cohn.

Outras indicações não são tão abertamente políticas – na verdade, muitas delas são excelentes justamente porque abordam a política de ângulos inesperados – mas elas dificilmente são tímidas em trazer pontos que podem provocar alguns espectadores.

O filme com mais indicações ao Oscar este ano éEmilia Pérez“, um musical francês dirigido por Jacques Audiard.

Suas 13 indicações incluem melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro adaptado. Já sua estrela, Karla Sofía Gascón, é a primeira mulher trans a ser indicada ao Oscar de melhor atriz, o que é uma declaração e tanto em uma semana em que Trump assinou uma ordem declarando que há apenas dois sexos reconhecidos nos Estados Unidos e que eles não podem ser alterados.

Além disso, seu número de música e dança de destaque, o indicado ao Oscar “El Mal”, é uma condenação furiosa de políticos corruptos e outros grandes figurões.

“Ainda Estou Aqui” também se saiu surpreendentemente bem. O drama brasileiro de Walter Salles foi indicado não apenas na categoria de melhor filme internacional, o que a maioria dos comentaristas esperava, mas na categoria principal de melhor filme.

E sua estrela, Fernanda Torres, foi indicada a melhor atriz. Essas indicações darão um grande impulso publicitário a um filme que é um tratado atencioso sobre a importância de ser obstinado e incansável diante de um regime totalitário.

Em seu próprio estilo mais colorido e agradável ao público,Wicked” tem temas semelhantes. Indicado em dez categorias diferentes, incluindo melhor filme, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante e melhor trilha sonora original, é um filme que parece, a princípio, ser uma lição sobre como tratar pessoas menos privilegiadas com gentileza.

Mas, assim como o filme ao qual serve de prelúdio, “O Mágico de Oz“, ele traz reflexões provocativas sobre a natureza do poder ao retratar o Mágico como um governante interesseiro que usa o medo e o engano para controlar a população.

E a lista continua. “O Brutalista“, de Brady Corbet, que também recebeu dez indicações, incluindo melhor filme, melhor diretor e melhor ator, é sobre um arquiteto húngaro-judeu lutando para se estabelecer nos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial.

E “Anora“, de Sean Baker, que tem seis indicações, incluindo melhor filme, melhor diretor e melhor atriz, é sobre uma trabalhadora do sexo na Nova York de hoje. Mas ambos lançam um holofote penetrante sobre a experiência do imigrante e o direito dos super-ricos.

Nickel Boys“, de RaMell Ross, adaptado do romance de Colson Whitehead e indicado como melhor filme e melhor roteiro adaptado, não parece um drama de época padrão, graças ao seu uso ousado da perspectiva em primeira pessoa, mas seu assunto é o passado racista dos EUA – e como esse passado reverbera nos dias atuais.

“Sing Sing”, de Greg Kwedar, que tem indicações para a estrela Colman Domingo e roteiro adaptado, também, conta a história real de um grupo de teatro para homens encarcerados.

Não menciona racismo em nenhum momento, mas quase todos os seus personagens são negros e da classe trabalhadora, o que diz muito sobre a realidade das prisões dos EUA: dados publicados pelo Pew Research Center em 2020 mostraram que, no final de 2018, havia 2.272 presos para cada 100 mil homens negros, comparado a 392 presos por 100 mil homens brancos.

Até “Duna: Parte 2” —indicado a cinco prêmios, incluindo melhor filme— é mais complexo nos assuntos de religião e liderança do que o blockbuster de ficção científica médio.

Na maioria dos anos, um ou dois filmes abertamente políticos são indicados ao Oscar, como a sátira anticapitalista “Triângulo da Tristeza” em 2023 e em 2024, o acerto de contas sombrio de Martin Scorsese com a exploração de nativos americanos, “Assassinos da Lua das Flores“.

Em 2025, esses filmes são a regra e não a exceção.

A questão agora é se essas indicações políticas se traduzirão em uma cerimônia de premiação política. Tradicionalmente, os discursos de aceitação do Oscar evitam qualquer coisa mais controversa do que pedir mais diversidade nos sets de filmagem, como Frances McDormand fez quando recebeu seu prêmio de melhor atriz por “Três Anúncios Para Um Crime” em 2018.

E quando os vencedores do Oscar fazem alusão à política dos EUA, eles podem ter uma recepção mista, como Michael Moore fez quando criticou George W. Bush durante seu discurso de aceitação por Tiros em Columbine, o vencedor de 2003 do prêmio de melhor documentário.

Mas este ano parece que pode ser diferente. A parte mais emocionante da cerimônia de março pode não ser ver quem ganha, mas ouvir o que eles dizem quando ganham.

Este texto foi originalmente publicado aqui.



Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose-interna.jpg

A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.

Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.

A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.

“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.

“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”

A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.

Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac e TCE-AC apresentam pesquisa de vitimização em Rio Branco — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac e TCE-AC apresentam pesquisa de vitimização em Rio Branco — Universidade Federal do Acre

 

A Ufac e o Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) realizaram o Seminário de Apresentação da Pesquisa de Vitimização na Cidade de Rio Branco. O evento, que ocorreu nesta terça-feira, 16, no Plenário do TCE-AC, consistiu em exposições e debate no sentido de contribuir para um diagnóstico da segurança pública e para o aprimoramento das políticas voltadas à população.

A pesquisa foi apoiada por emenda parlamentar do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), destinada em 2025 à Ufac. “Quero agradecer a disponibilidade do senador em ajudar a universidade sempre com emendas necessárias para o desenvolvimento da educação e da pesquisa, com retorno garantido para a sociedade acreana”, disse a reitora Guida Aquino.

O seminário teve como público-alvo a comunidade acadêmica, servidores do TCE-AC e do Ministério Público de Contas do Acre, servidores públicos em geral, gestores da área de segurança pública, justiça criminal e direitos humanos e sociedade civil. A pesquisa buscou compreender como a população percebe a segurança, quais situações de violência e criminalidade afetam os cidadãos e como os serviços de segurança pública são avaliados pelas pessoas.

O trabalho provém do grupo de pesquisa Sujeitos, Ações e Percepções: Estudos em Violência e Conflitualidade, coordenado pelo professor da Ufac, Ermício Sena. Ele informou que os produtos da pesquisa foram banco de dados, mapas descritivos de Rio Branco, relatórios de campo, geral e sintético/executivo.

Em seu discurso, Sena agradeceu aos envolvidos na realização da pesquisa e a Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre, que foi a intermediária para contratação do Instituto de Opinião Pública para execução da pesquisa.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac e Fiocruz fazem oficina sobre leishmaniose em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Novo Projeto-interna.jpg

A Ufac e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizaram a oficina Epidemiologia, Vigilância e Controle da Leishmaniose Cutânea. O evento ocorreu em 1 de junho, no auditório do Instituto Federal do Acre, em Sena Madureira (AC), reunindo 110 agentes comunitários de saúde e 20 agentes de combate às endemias.

A programação contou com palestras e discussões sobre aspectos epidemiológicos, clínicos e diagnósticos da doença, abordando ciclos de transmissão, vetores e reservatórios envolvidos na manutenção da chamada “ferida brava”, nome popular da leishmaniose cutânea. Além disso, foram realizadas atividades práticas com o uso de lupas e microscópios, permitindo aos profissionais a observação de características dos vetores e compreensão dos métodos laboratoriais utilizados no diagnóstico da doença.

Com mais de 11 mil casos registrados na última década, o Acre ocupa posição de destaque no cenário nacional da doença. Em 2025, o município de Sena Madureira foi classificado pelo Ministério da Saúde como área de risco intenso para transmissão da leishmaniose cutânea, apresentando média anual de 64 casos.

A oficina integra as atividades do projeto de ensino, pesquisa e extensão EpiLeish-Acre, que na Ufac é coordenado pelo professor Francisco Glauco de Araujo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza. Para o pesquisador Leandro Siqueira, do Laboratório de Pesquisa Clínica e Vigilância em Leishmanioses, da Fiocruz, ações educativas para enfrentar a doença são fundamentais. “Profissionais bem capacitados conseguem orientar de forma mais eficaz a população, contribuindo para o diagnóstico e tratamento precoce”, ressaltou.

O secretário municipal de Saúde de Sena Madureira, Willisson Viana, destacou a relevância das parcerias institucionais. “Buscamos fortalecer parcerias com instituições de referência, como a Fiocruz e a Ufac, que contribuem significativamente para o desenvolvimento técnico das nossas equipes.”

O diretor da Vigilância em Saúde de Sena Madureira, Serginey Amorim, disse que a capacitação fortalece ações de saúde pública. “Com conhecimento atualizado e capacitação contínua, ampliamos a prevenção, melhoramos o diagnóstico precoce e fortalecemos as ações de controle da doença em nosso município.”

A iniciativa foi organizada pelos Laboratórios de Patologia e Biologia Parasitária e de Entomologia Médica, da Ufac, e pelo Laboratório de Pesquisa Clínica e Vigilância em Leishmanioses, da Fiocruz.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS