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Delação de Cid citou 9 dos 40 indiciados pela PF por golpe – 26/01/2025 – Poder

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Thaísa Oliveira

O primeiro depoimento da delação premiada do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) Mauro Cid citou 9 das 40 pessoas que acabaram sendo indiciadas pela Polícia Federal sob suspeita de participação em tentativa de golpe de Estado após a vitória de Lula (PT).

Conforme a íntegra do documento de agosto de 2023, obtida pelo colunista Elio Gaspari, Cid apontou 20 nomes que estariam envolvidos na trama golpista, mas nem todos foram indiciados mais de um ano depois pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa.

No depoimento, o militar já sugeria o envolvimento dos generais Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato derrotado a vice-presidente, Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa e ex-comandante do Exército, e Mario Fernandes, ex-número dois da Secretaria-Geral da Presidência.

Cid também apontava a participação direta do ex-assessor de Bolsonaro Filipe Martins, considerado um dos principais articuladores do plano de golpe, e do ex-comandante da Marinha almirante Almir Garnier, que teria colocado as tropas à disposição da intentona.

Aparecem ainda o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o major Angelo Denicoli, indiciado pela PF sob suspeita de ter fornecido arquivos com informações falsas sobre as urnas eletrônicas.

Mesmo tendo sido descrito por Cid no primeiro interrogatório como legalista, o general Estevam Theophilo, ex-chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército, foi citado posteriormente e indiciado pela PF.

A delação premiada de Cid com a PF foi homologada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), em setembro de 2023. O primeiro depoimento no âmbito da colaboração impulsionou o inquérito do golpe, mas foi complementado nos meses seguintes, avançando inclusive sobre a participação do general Braga Netto.

Há cerca de dois meses, Cid foi ouvido pessoalmente pela primeira vez por Moraes, relator do caso, sobre omissões e contradições apontadas pela Polícia Federal.

Entre outros pontos, o militar foi questionado por não ter comentado com os investigadores sobre o plano do general Mario Fernandes de matar Lula, Geraldo Alckmin (PSB) e Moraes no fim de 2022. O acordo foi mantido pelo ministro.

No depoimento de agosto de 2023 dado à PF, Cid dividiu os aliados de Bolsonaro após a derrota para Lula em três grupos. Narrou ainda episódios do período em que o ex-presidente estava isolado na residência oficial —como a ação em Brasília em 12 de dezembro de 2022.

O primeiro grupo, segundo o ex-ajudante de ordens, era “conservador, de linha bem política”, e incentivava o então presidente a pedir a desmobilização dos apoiadores que pediam a intervenção das Forças Armadas.

Nele estariam o senador Ciro Nogueira (PP-PI), então ministro da Casa Civil, o filho mais velho de Bolsonaro, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-advogado-geral da União Bruno Bianco e o ex-comandante da Aeronáutica Baptista Junior.

O segundo grupo seria formado por pessoas “moderadas” que, “apesar de não concordar com o caminho que o Brasil estava indo”, entendiam que “nada poderia ser feito diante do resultado das eleições” porque “qualquer coisa em outro sentido seria um golpe armado”.

Cid cita então o ex-comandante do Exército general Freire Gomes, o ex-ministro Paulo Sérgio Nogueira, Theophilo e o general Júlio Cesar de Arruda (nomeado comandante do Exército em 28 de dezembro de 2022 e demitido por Lula em 21 de janeiro de 2023).

Dentro do grupo classificado por Cid de “moderado”, estavam ainda aliados que incentivavam o ex-presidente a deixar o país, como o empresário Paulo Junqueira e o ex-secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura Nabhan Garcia.

Por fim, Cid aponta que existia o grupo de “radicais”. Nele estariam Valdemar, o ex-ministro da Saúde e hoje deputado federal general Eduardo Pazuello (PL-RJ), o major Denicoli, o senador Luiz Carlos Heinze (PL-RS), o ex-chefe da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, Filipe Martins e Almir Garnier.

A lista do ex-ajudante de ordens, conforme a íntegra do depoimento, também faz menção a Michelle e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), aos ex-ministros Onyx Lorenzoni e Gilson Machado, aos senadores Jorge Seif (PL-SC) e Magno Malta (PL-ES), ao general Mario Fernandes e, por fim, a Braga Netto. Apesar de ter sido apontado como moderado, Paulo Sérgio Nogueira também é citado como radical.

Alguns pontos do primeiro depoimento de Cid já eram conhecidos —inclusive por ter embasado o relatório final da PF sobre a tentativa de golpe, que foi tornado público no fim do ano—, mas não a íntegra.

No relatório final, a PF também apontou que Braga Netto entrou em contato com o pai de Cid, o general Mauro Lourena Cid, para conseguir informações sigilosas da delação premiada. Ele está preso desde 14 de dezembro por obstrução de Justiça.

Na ocasião, a defesa do general negou que ele tenha obstruído as investigações e afirmou que isso será provado. Em manifestação anterior, disse que “nunca se tratou de golpe, e muito menos de plano de assassinar alguém”.

Outros indiciados também negam participação em qualquer tentativa de golpe. A defesa de Theophilo afirma que o militar não recebeu nenhuma minuta golpista no período em que comandou o Comando de Operações Terrestres e que os erros do relatório final da PF serão comprovados.

Já o advogado Celso Vilardi, que defende Bolsonaro, disse em entrevista à Folha no último dia 21 que está “convicto de que não há qualquer tipo de participação do presidente Bolsonaro em relação a esses fatos”.

O advogado também afirmou estar preocupado com processos ou condenações baseados em “versões questionáveis de um delator, sem provas de corroboração”, em referência à delação de Cid.

A defesa de Filipe Martins disse que o indiciamento foi “fabricado inteiramente com base em ilações e narrativas fantasiosas —jamais em fatos e evidências concretas”, sendo “risível e juridicamente insustentável”.

Seif disse em nota que as menções são “falaciosas, absurdas e mentirosas”. “Jamais ouvi, abordei ou insinuei nada sobre o suposto golpe com o presidente da República nem com quaisquer dos citados na delação vazada”, afirmou.

Ele disse que, “apesar de ter sido classificado no depoimento como parte de um ‘grupo'” que “se encontrava apenas esporadicamente” com Bolsonaro, nega “veementemente que em quaisquer de meus encontros com o presidente tenha abordado ou insinuado decretação de intervenção ou outras medidas de exceção, o que prova que o depoimento vazado é completamente inverídico”. Seif disse que ingressará com as medidas jurídicas em relação ao vazamento do depoimento sigiloso.

Citados no 1º depoimento da delação de Cid

  • Jair Bolsonaro*
  • Paulo Sérgio Nogueira*
  • Magno Malta
  • Eduardo Pazuello
  • Valdemar Costa Neto*
  • Angelo Denicoli*
  • Luiz Carlos Heinze
  • Silvinei Vasques
  • Filipe Martins*
  • Almir Garnier*
  • Onyx Lorenzoni
  • Jorge Seif
  • Gilson Machado
  • Eduardo Bolsonaro
  • Mario Fernandes*
  • Michelle Bolsonaro
  • Braga Netto*
  • Bismark Fugazza
  • Paulo Souza
  • Oswaldo Eustáquio
  • Estevam Theophilo**

* Indiciados pela PF em 2024 por abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa

** Foi descrito no depoimento inicial de Cid como legalista, mas foi citado posteriormente por ele e indiciado pela PF



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Egressa de mestrado em CZS obtém prêmio de pós-graduação — Universidade Federal do Acre

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Mirian Soares de Amorim.jpeg

A engenheira agrônoma Mirian Soares de Amorim, aluna egressa do curso de Agronomia e do mestrado em Ciências Ambientais, do campus Floresta da Ufac, em Cruzeiro do Sul, obteve o 2º lugar na categoria Pós-Graduação do 5º Prêmio Margarida Alves de Estudos sobre Ruralidades e Feminismos, cujo resultado final foi divulgado em 17 de março. O evento foi promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.

O estudo destaca a articulação entre a transição agroecológica e a igualdade de gênero, enfatizando o papel central das mulheres rurais, ribeirinhas e agricultoras na preservação da agrobiodiversidade e na soberania alimentar na Amazônia. No mestrado, sob orientação do professor Kleber Andolfato de Oliveira, Mirian também aprofundou investigações sobre o desenvolvimento sustentável e o papel das populações rurais no manejo dos ecossistemas amazônicos.



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Ufac consolida criação do curso de Farmácia com 50 vagas — Universidade Federal do Acre

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Curso de Farmácia-entrega de Menção Honrosa (2).jpg

O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, reuniu-se com membros da comissão responsável pela proposta de criação do curso de Farmácia. O encontro ocorreu nesta segunda-feira, 31, na sala de reuniões da Reitoria, visando consolidar o Projeto Político-Pedagógico da nova graduação, além de homenagear, com a entrega, pela Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), de Menção Honrosa ao reitor e a pessoas cujo empenho culminou na abertura do curso.

A iniciativa faz parte do programa Universidades Transformadoras, pactuada com o Ministério da Educação (MEC). O curso prevê a oferta de 50 vagas para estudantes e liberação de 11 códigos de vagas para professores. A aula inaugural e início das atividades acadêmicas estão previstos entre 2028 e 2029.

“Esse é um curso que se assenta fortemente na demanda de conhecer os bioativos da floresta amazônica e transformar esse conhecimento em riqueza, patentes, inovação e qualidade de vida para a sociedade”, disse Josimar Ferreira. Além disso, ele ressaltou a necessidade de conectar o novo curso às estruturas já consolidadas da Ufac, otimizando disciplinas e espaços curriculares em conjunto com as áreas de saúde e química.

A presidente da comissão de criação do curso, Andréia Andrade, lembrou que o projeto começou em 2011. “Hoje nos reunimos com a perspectiva de viabilizar a abertura do curso diante do que já temos na instituição. Nosso objetivo é ofertar uma formação generalista, com investimento otimizado na estrutura existente e com forte inserção na pesquisa e extensão, aproveitando a nossa biodiversidade e criando caminho para futuros programas de pós-graduação.”

Também participaram da reunião representantes externos da categoria profissional, como a ex-conselheira federal, membro da comissão e diretora de Relações Institucionais da Fenafar, Isabela de Oliveira Sobrinho. “Acompanhei a busca por esse projeto pedagógico desde o início e ver essa etapa final é um avanço enorme”, pontuou. “É um trabalho a muitas mãos para trazer o melhor para a Ufac. Trata-se de um curso de grande magnitude, focado em tecnologias de medicamentos e em pesquisas com nossas plantas nativas para gerar qualidade de vida à população.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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Seminário na Ufac debate formação em enfermagem obstétrica — Universidade Federal do Acre

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A Ufac sediou o seminário Desafios Atuais na Formação para a Prática da Enfermagem Obstétrica, que ocorreu nesta sexta-feira, 28, na sala dos Colegiados, campus-sede. O encontro reuniu professores, pesquisadores, gestores e profissionais de saúde para debater a reestruturação do modelo de assistência ao parto e ao nascimento, o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a interiorização da qualificação profissional no Estado.

O evento integra um projeto nacional, composto por uma rede de 40 instituições de ensino superior articuladas para formar mais de 700 enfermeiras obstétricas pelo país, com foco prioritário nas regiões do interior. No Acre, o programa abrange turmas de especialização e residência voltadas para profissionais atuantes nas regionais do Alto Acre, Alto Purus, Baixo Acre, Tarauacá-Envira e Juruá.

“A Ufac cumpre o seu papel social ao ampliar a formação e capacitar profissionais que atuam em um momento tão ímpar quanto o nascimento de uma criança”, disse o reitor Josimar Ferreira. “Contamos com alunos de todas as regionais. Isso gera um efeito multiplicador: o profissional capacitado coordena equipes locais e eleva diretamente a qualidade do atendimento prestado à população pelo SUS.”

A coordenadora das formações no Estado e professora da Ufac, Sheley Borges, destacou a necessidade de repensar a prática profissional para garantir um cuidado humanizado e seguro. “A intencionalidade da nossa formação é reduzir a mortalidade materna e neonatal e alcançar as mulheres em uma dimensão em que sejam respeitadas. Queremos garantir que as escolhas não ocorram por medo, como optar por uma cesariana sem compreender que é uma cirurgia de grande porte.”

A coordenadora nacional do curso de especialização em Enfermagem Obstétrica da Rede Alyne, vinculada à Universidade Federal de Minas Gerais, Kleyde Ventura, ressaltou a relevância estratégica da parceria com a Ufac. “No Acre, vivemos uma condição muito especial, pois, com exceção de uma aluna, todas as especializadas são do interior. Estamos interiorizando e descentralizando os modos de formar, abordando o trabalho multiprofissional e a articulação de redes para garantir assistência de qualidade e direitos assegurados.”

Também participaram do seminário o promotor de Justiça do MP-AC, Gláucio Oshiro; o coordenador do curso de Enfermagem da Ufac, João Francalino; e o epidemiologista Serafim Salgado, coordenador das metodologias aplicadas no programa de formação.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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