NOSSAS REDES

ACRE

Deus pode falar conosco via inteligência artificial? – 04/01/2025 – Tec

PUBLICADO

em

Eli Tan

Para os membros de sua sinagoga, a voz que tocou pelos alto-falantes da Congregação Emanu El em Houston soava exatamente como a do Rabino Josh Fixler.

No mesmo ritmo constante ao qual sua congregação estava acostumada, a voz entregou um sermão sobre o que significava ser um vizinho na era da inteligência artificial. Então, Fixler subiu ao bimá pessoalmente.

“O áudio que você ouviu há um momento pode ter soado como minhas palavras”, disse ele. “Mas não eram.”

A gravação foi criada pelo que Fixler chamou de “Rabbi Bot” (Rabino Bot), um chatbot de IA treinado com seus sermões antigos. O chatbot, criado com a ajuda de um cientista de dados, escreveu o sermão, até entregando-o em uma versão da voz dele gerada por IA. Durante o resto do serviço, Fixler fez perguntas ao Rabbi Bot em voz alta, e ele as respondeu prontamente.

Fixler está entre um número crescente de líderes religiosos que estão experimentando com IA em seu trabalho, impulsionando uma indústria de empresas tecnológicas baseadas na fé que oferecem ferramentas de IA, desde assistentes que podem fazer pesquisas teológicas até chatbots que ajudam a escrever sermões.

Ao longo dos séculos, novas tecnologias mudaram a forma como as pessoas adoram, do rádio na década de 1920 aos televisores na década de 1950 e à internet na década de 1990. Alguns defensores da IA em espaços religiosos foram mais longe, comparando o potencial da IA — e os medos em torno dela — à invenção da imprensa no século 15.

Líderes religiosos têm usado IA para traduzir seus sermões transmitidos ao vivo para diferentes idiomas em tempo real, espalhando-os para audiências internacionais. Outros compararam chatbots treinados com dezenas de milhares de páginas das Escrituras a uma frota de seminaristas recém-treinados, capazes de extrair trechos sobre certos temas quase instantaneamente.

Mas as questões éticas sobre o uso de IA generativa para tarefas religiosas se tornaram mais complicadas à medida que a tecnologia melhorou, dizem os líderes religiosos. Embora a maioria concorde que usar IA para tarefas como pesquisa ou marketing é aceitável, outros usos para a tecnologia, como escrever sermões, são vistos por alguns como um passo longe demais.

Jay Cooper, um pastor em Austin, Texas, usou o ChatGPT da OpenAI para gerar um serviço inteiro para sua igreja como um experimento em 2023. Ele fez a propaganda usando cartazes de robôs, e o serviço atraiu alguns novos participantes curiosos — “tipos de gamers”, disse Cooper — que nunca haviam ido à sua congregação.

O prompt temático que ele deu ao ChatGPT para gerar várias partes do serviço foi: “Como podemos reconhecer a verdade em um mundo onde a IA embaralha a verdade?” O ChatGPT gerou uma mensagem de boas-vindas, um sermão, um programa infantil e até uma música de quatro versos, que foi o maior sucesso do evento, disse Cooper. A música dizia:

À medida que os algoritmos tecem teias de mentiras

Levantamos nosso olhar para os céus sem fim

Onde os ensinamentos de Cristo iluminam nosso caminho

Dissipando as falsidades com a luz do dia

Cooper não usou mais a tecnologia para ajudar a escrever sermões, preferindo se basear em suas próprias experiências. Mas a presença da IA em espaços religiosos, disse ele, levanta uma questão maior: Pode Deus falar através da IA?

“Essa é uma pergunta que muitos cristãos online não gostam nem um pouco, porque ela traz um certo medo”, disse Cooper. “Pode ser por uma boa razão. Mas acho que é uma pergunta válida.”

O impacto da IA na religião e ética foi um ponto de reflexão para o Papa Francisco em várias ocasiões, embora ele não tenha abordado diretamente o uso de IA para ajudar a escrever sermões.

Nossa humanidade “nos permite olhar as coisas com os olhos de Deus, ver conexões, situações, eventos e descobrir seu verdadeiro significado”, disse o papa em uma mensagem no início do ano passado. “Sem esse tipo de sabedoria, a vida se torna sem sabor.”

Ele acrescentou: “Tal sabedoria não pode ser buscada em máquinas.”

Phil EuBank, um pastor da Menlo Church em Menlo Park, Califórnia, comparou a IA a um “braço biônico” que poderia potencializar seu trabalho. Mas quando se trata de escrever sermões, “há aquele território do Vale da Estranheza”, disse ele, “onde pode te levar bem perto, mas esse bem perto pode ser bem estranho.”

Fixler concordou. Ele se lembrou de ter ficado surpreso quando o Rabbi Bot pediu para incluir em seu sermão de IA, uma experiência única, uma frase sobre si mesmo.

“Assim como a Torá nos instrui a amar nossos vizinhos como a nós mesmos”, disse o Rabbi Bot, “podemos também estender esse amor e empatia às entidades de IA que criamos?”

Os rabinos historicamente foram adotantes precoces de novas tecnologias, especialmente no caso dos livros impressos no século 15. Mas a divindade desses livros estava na relação espiritual que seus leitores tinham com Deus, disse o Rabino Oren Hayon, que também faz parte da Congregação Emanu El.

Para ajudar em sua pesquisa, Hayon usa regularmente um chatbot personalizado treinado com 20 anos de seus próprios escritos. Mas ele nunca usou IA para escrever partes de sermões.

“Nosso trabalho não é apenas juntar frases bonitas”, disse Hayon. “É escrever algo que seja lírico, emocionante e articulado, mas que também responda às necessidades humanas e dores e perdas que estamos cientes porque estamos em comunidades humanas com outras pessoas.” Ele acrescentou: “Isso não pode ser automatizado.”

Kenny Jahng, um empreendedor de tecnologia, acredita que os medos sobre o uso de IA generativa por ministros são exagerados, e que adotar a tecnologia pode até ser necessário para atrair uma nova geração de jovens, adeptos da tecnologia, enquanto a frequência nas igrejas está em declínio em todo o país.

Jahng, editor-chefe de uma empresa de mídia focada em fé e tecnologia e fundador de uma plataforma de educação em IA, viajou pelo país no último ano para falar em conferências e promover produtos de IA baseados na fé. Ele também administra um grupo no Facebook para líderes de igrejas curiosos sobre tecnologia, com mais de 6.000 membros.

“Estamos olhando para dados que mostram que os espiritualmente curiosos da Geração Alpha e da Geração Z são muito mais do que os baby boomers e da Geração X que saíram da igreja desde a COVID”, disse Jahng. “É essa tempestade perfeita.”

Atualmente, a maioria das empresas de IA baseadas na fé atende cristãos e judeus, mas chatbots personalizados para muçulmanos e budistas também existem.

Algumas igrejas já começaram a infundir sutilmente seus serviços e sites com IA.

O chatbot no site da Igreja Father’s House, em Leesburg, Flórida, por exemplo, parece oferecer um serviço padrão de atendimento ao cliente. Entre as perguntas recomendadas: “A que horas são seus serviços?”

A próxima sugestão é mais complexa.

“Por que minhas orações não são atendidas?”

O chatbot foi criado pela Pastors.ai, uma startup fundada por Joe Suh, um empresário de tecnologia e frequentador da igreja de EuBank no Vale do Silício.

Depois que um dos pastores antigos de Suh deixou sua igreja, ele teve a ideia de carregar gravações dos sermões desse pastor no ChatGPT. Suh então fazia perguntas íntimas sobre sua fé para o chatbot. Ele transformou o conceito em um negócio.

Os chatbots de Suh são treinados com arquivos dos sermões de uma igreja e informações de seu site. Mas cerca de 95% das pessoas que usam os chatbots fazem perguntas sobre coisas como horários de serviço, em vez de explorar profundamente sua espiritualidade, disse Suh.

“Acho que isso eventualmente mudará, mas por enquanto, esse conceito pode estar um pouco à frente do seu tempo”, acrescentou.

Críticos do uso de IA por líderes religiosos apontaram o problema das alucinações — momentos em que chatbots inventam coisas. Embora inofensivo em certas situações, as ferramentas de IA baseadas na fé que fabricam escrituras religiosas representam um sério problema. No sermão do Rabbi Bot, por exemplo, a IA inventou uma citação do filósofo judeu Maimônides que teria passado como autêntica para o ouvinte casual.

Para outros líderes religiosos, a questão da IA é mais simples: Como os escritores de sermões podem aprimorar seu ofício sem fazê-lo completamente sozinhos?

“Eu me preocupo com os pastores, em alguns aspectos, porque isso não ajudará eles a desenvolverem seus músculos de escrita de sermões, que é de onde vem grande parte da nossa grande teologia e grandes sermões, anos e anos de pregação”, disse Thomas Costello, um pastor da New Hope Hawaii Kai em Honolulu.

Em uma tarde recente em sua sinagoga, Hayon se lembrou de tirar uma foto de sua estante de livros e perguntar ao seu assistente de IA quais dos livros ele ainda não havia citado em seus sermões recentes. Antes da IA, ele teria puxado os próprios títulos, levando o tempo necessário para ler seus índices, verificando-os cuidadosamente com seu próprio trabalho.

“Fiquei um pouco triste por perder essa parte do processo que é tão frutífera e tão alegre e rica e iluminadora, que dá combustível à vida do Espírito”, disse Hayon. “Usar a IA te leva a uma resposta mais rápido, mas você certamente perdeu algo ao longo do caminho.”



Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Consu aprova comissão para destinar cotas a pessoas transgênero — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

2026.09.30 Reunião Consu-Ufac (2).JPG

O Conselho Universitário (Consu) da Ufac aprovou a criação de uma comissão para elaborar a proposta de cotas de acesso à graduação para pessoas transgênero, que é uma pauta da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), recentemente criada com o objetivo de expandir políticas de inclusão na universidade. A aprovação ocorreu nessa quarta-feira, 30, na 5ª Reunião Ordinária do Consu, realizada no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, campus-sede.

A Ufac já possui regulamentação que garante o acesso por cotas à comunidade transgênero na pós-graduação desde 2023. A proposta aprovada pelo Consu busca ampliar esse direito para a graduação, assegurando não apenas a entrada, mas também o acompanhamento para permanência de estudantes até a conclusão dos cursos.

A comissão terá prazo de 90 dias para realizar os estudos e apresentar a minuta final do projeto. O grupo terá formação intersetorial, reunindo representantes das três categorias acadêmicas: docentes, técnico-administrativos e discentes, além de representantes de entidades e movimentos sociais da sociedade civil voltados aos direitos da população transgênero no Acre.

“Reafirmamos nosso compromisso ao instituir a comissão que vai deliberar sobre as cotas trans”, disser o reitor Josimar Ferreira. “Trata-se de uma ação demandada pela sociedade para incluir populações historicamente invisibilizadas, garantindo que as ações afirmativas façam parte da história do nosso conselho.”

Segundo a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Letícia Mamed, a política visa transformar a realidade de um dos grupos mais marginalizados socialmente. “Precisamos atentar para a garantia de acesso, permanência e dignidade para que essa comunidade possa construir seus projetos de vida com mais oportunidades”, comentou. “No Brasil, cerca de 30 universidades já adotam políticas semelhantes, e a Ufac dá um passo essencial para consolidar essa transformação.”

Integrante do Consu, a professora Raquel Ishii ressaltou que a comissão foi criada para ir além da gestão superior da universidade. “Considero essa aprovação uma grande vitória para a sociedade civil e para a universidade. A comissão amplia o debate da pós-graduação para a graduação. Trata-se de um grupo bem amplo, constituído não só pela gestão, mas com convites abertos ao Diretório Central dos Estudantes e a movimentos sociais externos à universidade.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

A Diretoria Geral do Campus Floresta (DG-Camp), por meio do Setor de Assistência Estudantil (SAE-CZS), comunica a suspensão do Restaurante Universitário nesta segunda-feira, 28, para o Campus Floresta, em decorrência do ponto facultativo decretado pela Reitoria por meio da Portaria n.º 3.914, de 24/09/2026, em virtude da celebração do Aniversário do município de Cruzeiro do Sul (AC).
Contamos com a compreensão de toda a comunidade acadêmica.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS