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diante de atrasos salariais, selecionadores preferem pedir demissão
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Engin Firat estava cansado de esperar pelo seu salário e promessas quebradas do seu empregador. No dia 10 de dezembro, o treinador turco do Quénia, no cargo há três anos, decidiu sair, depois de ter esperado em vão durante um ano que os seus 15 mil euros de emolumentos mensais fossem transferidos para a sua conta. Todos os seus técnicos, confrontados com a mesma situação, também decidiram demitir-se, podendo a federação queniana, caso seja processada perante a FIFA, pagar ao treinador os 180 mil euros que lhe deve.
O caso não está isolado em África. “Em Setembro, foi organizado um seminário para treinadores em Abidjan. E conversando entre nós, percebemos que era, infelizmente, um problema muito difundido”explica o suíço Raoul Savoy, então estacionado na República Centro-Africana. Demitido em outubro, apelou à FIFA para cobrar 120 mil euros em atraso, o equivalente a um ano de salário. Ele não foi o único a levar o assunto a tribunal nos últimos meses.
O seleccionador marroquino da Somália, Rachid Loustèque, fez o mesmo em Novembro, depois de mais de seis meses sem pagamento. Isaac Ngata, sem salário desde a sua nomeação em Novembro de 2023 à frente dos Diabos Vermelhos do Congo, estaria prestes a imitá-lo se a sua situação não se alterasse, como confidenciou ao África Mundial. A Fifa especifica que um técnico que não receba seu salário há dois meses pode deixar o cargo e assinar por outro clube ou outra seleção.
Outros ganharam recentemente os seus casos perante o organismo internacional. O francês Patrice Neveu espera desde junho os 522 mil euros que o Gabão lhe deve, depois de ter constatado o caráter abusivo do seu despedimento no final de 2023. Burkina Faso terá de pagar ao seu compatriota Hubert Velud, despedido em 30 de abril, o dívidas não pagas dos últimos cinco meses (15.000 euros por mês), bem como bónus e indemnizações.
“Falta um documento ou assinatura”
“Entre o momento em que a sentença é proferida e o pagamento da quantia pode passar muito tempo, enquanto a FIFA diz que o devedor tem quarenta e cinco dias para pagar. Na minha situação, o Estado diz que cabe à federação pagar e a federação diz o contrário”explica Patrice Neveu, cujo advogado escreveu à FIFA para que suspendesse o Gabão, tal como fez com o Zimbabué, privado da qualificação para o Mundial de 2018 devido a uma dívida de mais de 3,7 milhões de euros com o seu ex-técnico brasileiro Valinhos .
A lista de técnicos que acumulam salários em atraso ainda é longa. Estão neste caso os franceses Sébastien Desabre (República Democrática do Congo) e Nicolas Dupuis (Sudão do Sul), o franco-comoriano Amir Abdou na Mauritânia, o burquinense Brama Traoré, enquanto Kaba Diawara (Guiné) e Eric Chelle (Mali) sofreram o mesma situação antes do seu despedimento.
“O problema, que não é específico de África, pode dizer respeito tanto a uma federação pequena como a uma federação maior. Na Nigéria, o português Victor Peseiro esperou dezanove meses pelo seu dinheiro e, perante a CAN na Costa do Marfim, recebeu dezassete meses, mas menos os chamados impostos equivalentes a 35% do seu salário.explica o agente Tarek Oueslati, contratado por vários técnicos que trabalham ou já trabalharam no continente. Até um treinador como Aliou Cissé, no Senegal, embora campeão africano em 2022, sofreu seis meses de atraso em 2023.
Contudo, nem todas as federações africanas estão preocupadas. Na África do Sul, Argélia, Costa do Marfim e Marrocos, os autocarros são pagos em dia. O belga Marc Brys, nos Camarões, viu as coisas voltarem rapidamente à ordem após um atraso atribuído à burocracia administrativa. As federações menos abastadas, como as das Comores, do Sudão ou da Gâmbia, geralmente respeitam os prazos.
Hesitante em entrar em conflito com o Estado
“Saibam que em África, em muitas federações, é o Estado quem paga o salário do treinador e de toda ou parte da sua equipa técnica. E muitas vezes, o dinheiro demora a ser liberado por vários motivos – falta um documento ou uma assinatura, as relações entre a federação e o ministério do esporte são ruins… – mesmo que não pareça intransponível configurar uma transferência automática para alguém que ganhará a mesma quantia todos os meses durante o contrato »continua Tarek Oueslati. Acontece também que o pagamento do salário demora mais tempo depois de um ou dois maus resultados, uma forma deselegante de sancionar um treinador considerado improdutivo.
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O belga-congolês Christian N’Sengi, que foi treinador da RDC entre 2019 e 2021, atacou a federação que o contratou perante a FIFA. “Não recebi meu dinheiro esse tempo todo. Acabei de receber meu salário como diretor técnico nacional (5 700 euros). A FIFA ordenou que a federação me pagasse 144 mil euros, enquanto eu reclamava 545 mil euros correspondentes a salários, bónus em particular”.ele explica.
“Durante quase dois anos trabalhei pelo meu país e há líderes que jogam na fibra patriótica. Dizem que você vai receber e isso não acontece, o que pode te colocar em uma situação precária, caso você tenha crédito ou filhos dependentes”, ele continua.
O ex-técnico dos Leopards acrescenta que estes atrasos nos pagamentos são ainda mais complexos de gerir para os técnicos locais, hesitantes em contactar a FIFA, “porque ele reside lá e se entrar em contato com a FIFA está de certa forma agredindo o Estado, o que pode prejudicar seu futuro profissional. » Estes técnicos locais devem, portanto, contentar-se com os prémios pagos durante os jogos internacionais para satisfazer as suas necessidades e na maioria das vezes abdicar de meses de salário, em vez de entrarem em conflito com o Estado e comprometerem o resto das suas carreiras.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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