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Dinheiro, política e sangue explicam sucesso de ‘Game of Thrones’: Última temporada estreia neste domingo na HBO

Folha de São Paulo, via Acrenoticias.com - Da Amazônia para o Mundo!

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Um dos maiores fenômenos pop da história da TV chega à sua última temporada com audiência superlativa.

Última temporada da série estreia neste domingo na HBO.

Dar destino a Jon, Daenerys, Sansa, Cersei e Tyrion é uma missão tão descomunal que nem o sujeito que a concebeu em 1996, George R. R. Martin, conseguiu ainda.

E sem sinal de que as histórias da terra fantástica de Westeros terão fim nos livros que as apresentaram ao mundo, os milhões que acompanhamos pela TV durante oito anos vamos nos despedir, em seis semanas, de “Game of Thrones”.

A começar pela quantidade de personagens mortos (2.339, na conta do jornal The Washington Post), não há medida pela qual essa série da HBO não seja superlativa.

Orçamento? Saltou de US$ 6 milhões, cerca de R$ 23 milhões, por episódio na primeira temporada para US$ 15 milhões, ou R$ 58 milhões, nesta, segundo a revista Variety.

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Qyburn é um dos poucos amigos que Cersei ainda tem.

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Daenerys da Casa Targaryen, Nascida na Tormenta, Primeira de Seu Nome, a Não-Queimada, Rainha dos Ândalos e dos Primeiros Homens, Khaleesi do Grande Mar de Grama, Mhysa, Quebradora de Correntes e Mãe de Dragões – e Jon Snow, Rei do Norte.

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Sansa segue caminhos muito diferentes na série e nos livros escritos por George R. R. Martin.

O valor final jamais foi divulgado, mas, se consideradas as estimativas para cada um dos 73 episódios, a série terá consumido cerca de US$ 600 milhões, ou R$ 2,3 bilhões. São dois “Liga da Justiça”, e nenhum blockbuster moderno chega perto (a correção inflacionária, porém, joga o custo de “E o Vento Levou”, de 1939, dos US$ 4 bilhões).

O público chegou a 18 milhões de pessoas por episódio e deve chegar a 20 milhões. Isso exclui, contudo, pirataria —a série é a mais reproduzida ilegalmente na história— e quem a vê com atraso.

São cifras comparáveis às de sucessos da TV aberta nos Estados Unidos, como “The Big Bang Theory”, sendo a HBO um canal por assinatura caro.

Uso de efeitos especiais? Os responsáveis por fazerem dragões voarem e cuspirem fogo de forma crível afirmam que as cenas com efeitos passaram de 800 nos primeiros anos para “múltiplos desse número”.

Espectadores sabem que o réptil alado Viserion e companhia são só parte da façanha; batalhas monumentais e embates de fogo e gelo criados por computador cativam fãs de geopolítica e história militar bem como os de fantasia.

Prêmios? O IMDb, principal site de referência para cinema e TV, contabiliza 313 deles para a série, incluindo os prestigiosos Emmy e Globo de Ouro. Lá, 1,43 milhão de usuários a puseram como a segunda série de TV mais bem avaliada, nota 9,5 (atrás da documental “Planeta Terra”, também 9,5, com 67,5 mil avaliações).

Também são impressionantes sua prevalência na cultura pop e as teorias e artigos surgidos para debatê-la —há sites inteiros dedicados à saga, inclusive um wiki (awoiaf.westeros.org) com a história de Westeros, a terra criada por Martin para ser disputada entre famílias sanguinárias e oportunistas.

A combinação de bons atores, produção hollywoodiana e roteiro envolvente que remete aos arquétipos políticos criados por Shakespeare, além de uma mitologia própria com passado e futuro, criou um fenômeno que voltou a reunir grupos diante da TV nos domingos à noite.

No momento em que tantas séries são consumidas via streaming, com cada telespectador assistindo a seu ritmo no seu próprio dispositivo, discussões e memes dominam a internet e os bebedouros nos dias seguintes à exibição dos episódios, um vislumbre do que eram os finais de boas novelas no Brasil do século passado, de poucas opções.

Os criadores de “Game of Thrones”, David Benioff e D.B. Weiss, correram risco ao iniciar a série antes de a saga de livros terminar. Diante da demora de Martin em entregar novos tomos, o enredo da TV acabou por ultrapassá-los.

De certa forma, o drama da HBO corrigiu problemas dos títulos de Martin, ignorando personagens e linhas narrativas que não levavam a nada, encurtando e simplificando outras tramas e evitando que alguns personagens queridos ficassem tempos sumidos.

Por outro lado, a série manteve pontos fortes da versão literária, como a atenção à briga política e aos bastidores da guerra, com destaque para a questão do financiamento de invasões e campanhas, ignorado com frequência nessas sagas. Há ainda mortes surpreendentes —e sem sentimentalismo— de personagens relevantes, que avançam a história por vias inesperadas.

Outro ponto forte é a forma gradual como elementos sobrenaturais vão se imiscuindo na trama, sem, por várias temporadas, ofuscar o protagonismo das manobras e alianças das famílias, centro gravitacional da história.

Há crítica à forma como, depois de se descolar dos livros, a série se acelerou —possivelmente, num esforço dos produtores de deixar o mínimo de pontas soltas e evitar repetir frustrações como as dos finais de “Lost” e “Twin Peaks”. A última temporada mostrará se o desfecho conseguirá agradar os fãs, com batalhas épicas, um vencedor claro e respostas para as principais perguntas, ou se amarrará tudo com soluções fáceis demais, como temem alguns.

É difícil imaginar que os seis episódios deste ano não respondam às duas principais questões da saga: se os humanos vão derrotar os Caminhantes Brancos e, caso consigam, quem chegará ao trono.

Os fãs ainda gostariam de saber se Arya matará todos de sua lista fatal, se algum Stark voltará a reinar no Norte, o que é o corvo de três olhos em que Bran Stark se tornou, quem é o messias da profecia de Azor Ahai, guerreiro lendário que salvou Westeros do mal e se alguém, além de Daenerys, montará num dragão.

E qual será o destino do sábio beberrão Tyrion, o mais carismático dos personagens?

O fato de Martin e os demais responsáveis por “Game of Thrones” serem pródigos em matar personagens levou os protagonistas sobreviventes a se reinventarem várias vezes ao escaparam de um rol de desgraças como miséria, politicagem, casamentos de interesse, traições e monstros.

Até por isso, passados 67 episódios, nenhum deles é mais totalmente bom ou mau, deixando a disputa sem favorito óbvio —”Game of Thrones”, aliás, permite que nem haja vencedor tradicional, o que abre espaço para séries-filhotes ou um prólogo.

Quando o dia 19 de maio chegar, e o episódio final for ao ar, o trono pode acabar vazio. E as noites de domingo e manhãs de segunda, para muitos, também.

Game of Thrones

Novos episódios aos domingos, às 22h, na HBO e HBOGo; na estreia, a emissora deixa sinal aberto para não assinantes


As perguntas ainda sem resposta

Jon Snow vai descobrir a sua real origem?
Parece que sim. Mas não se sabe o que Daenerys Targaryen vai fazer ao saber que ele é o herdeiro legítimo do trono nem como ele vai reagir ao saber que são tia e sobrinho depois de terem ido para a cama. E ele vai querer reclamar seu direito ao trono?

Já que Jon Snow é um Targaryen, ele vai pilotar um dragão?
Não se sabe, mas em tese ele pode se quiser. Um dos dons dos Targaryen é justamente o poder de amansar as feras cuspidoras de fogo.

Afinal, qual o papel de Bran na trama?
Não se sabe ainda o que o irmão de criação de Jon Snow descobriu com seus poderes mágicos. Até agora ele está quieto.

O que os senhores do Norte vão achar quando descobrirem que Jon se curvou para Daenerys?
Eles não deram procuração para que o rapaz se submetesse a ninguém. Sem falar que os Targaryen não têm a melhor das reputações lá no Norte.

Aonde Jaime Lannister está indo?
Depois de descobrir que sua irmã tinha mentido sobre mandar tropas para ajudar a turma do bem a lutar contra os Caminhantes Brancos, ele é visto partindo em um cavalo. Ele está indo para o Norte?

Que segredos Sam descobriu?
O personagem roubou vários livros proibidos da biblioteca da Cidadela. Estará lá o segredo para derrotar o Rei da Noite?

Por Luciana Coelho e Paula Leite. 

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