NOSSAS REDES

ACRE

Diretor opõe estereótipos em série sobre cinema da África – 02/11/2024 – Ilustrada

PUBLICADO

em

Naief Haddad

De repente, sem que ninguém saiba a razão, aparelhos de ar-condicionado começam a despencar do alto dos prédios de Luanda em “Ar Condicionado”, filme da Geração 80, produtora de jovens diretores angolanos que se arriscam em toques de realismo mágico à moda africana.

Em uma cidade do Mali, rebeldes islâmicos ameaçam a vida de uma família em “Timbuktu”, drama de feições mais clássicas do veterano e multipremiado Abderrahmane Sissako, nascido na Mauritânia.

Sissako, a Geração 80 e outros africanos à frente de criações cada vez mais originais, embora bem pouco conhecidas por aqui, estão na primeira temporada da série “Encontros com o Cinema Africano”, que estreia neste sábado, dia 2, na TV Brasil.

Como diz Joel Zito Araújo, idealizador e principal responsável pela produção, a série é um “projeto de vida”.

“Os africanos escravizados que chegaram ao Brasil trouxeram grandes culturas, mas fomos educados para acreditar que só trouxeram a força bruta. Difundir o cinema africano é dar visibilidade a esta rica história civilizatória, que integra o jeito brasileiro de ser”, diz o diretor de longas como “As Filhas do Vento”, de 2004.

Embalado pela carreira bem-sucedida do documentário “A Negação do Brasil”, lançado em 2001, Joel Zito passou a viajar com frequência para os países do continente e foi convidado a integrar a Federação Pan-Africana de Cineastas.

Como curador do Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, função que exerceu de 2013 a 2018, ele levou ao Rio de Janeiro diretores como Andrew Dosunmu, da Nigéria, um contato que aguçou ainda mais seu interesse pelo tema.

A partir de 2018, Joel Zito começou a viajar para as entrevistas de “Encontros com o Cinema Africano”. Aproveitava as brechas entre um trabalho e outro, e não parou desde então.

O primeiro dos cinco episódios tem como fio condutor uma entrevista com Abderrahmane Sissako, um dos mais admirados nomes do cinema africano da atualidade.

O diretor de “Bamako”, com Danny Glover, lembra pioneiros da produção de filmes no continente, como o senegalês Ousmane Sembène, e comenta os estereótipos associados à vida e à cultura africana. “Construímos uma imagem de continente de guerra e de miséria. A África é muitas outras coisas, mas foi reduzida a isso.”

Além de “Timbuktu”, o mais famoso dos seus filmes, a série exibe passagens de “A Vida sobre a Terra”, de 1998, e “Heremakono: À Espera da Felicidade”, de 2002.

O segundo episódio aborda a carreira de um casal de cineastas, o etíope radicado nos EUA Haile Gerima e a americana Shirikiana Aina. Integrantes do L.A. Rebellion, movimento de diretores negros que durou de 1967 a 1989, eles lançaram filmes de tom contundente, como “Sankofa”, de Gerima, e “Through the Door of No Return”, de Aina.

Os três episódios seguintes encontram a África lusófona. Ao enfocar Moçambique, a série lembra Maputo como capital do cinema na África entre as décadas de 1970 e 1990, quando Samora Machel liderava o país. “Machel via o cinema como um fator de reconstrução do país. Foi ele quem levou para Moçambique diretores como Ruy Guerra, Godard e Jean Rouch“, diz Joel Zito.

Segundo o diretor, “não tenho a pretensão de esgotar o tema em episódios com cerca de 28 minutos cada um. Por isso, chamo de ‘encontros’, é uma ideia de primeiro contato”.

O cinema angolano aparece no quarto episódio. Joel Zito ressalta inicialmente os filmes de caráter realista de Zezé Gamboa, conhecido pela comédia “O Grande Kilapy”, com Lázaro Ramos.

Retrata em seguida o trabalho da Geração 80, que concilia denúncias políticas e sociais, e intervenções nonsenses. “Esse coletivo é uma espécie de Conspiração Filmes de Luanda”, conta o diretor em referência à produtora carioca, de onde saem filmes de ficção, documentários, trabalhos de publicidade e clipes.

O último episódio é dedicado a Cabo Verde, país de diretores experientes, como Leão Lopes, e jovens em ascensão, como Samira Vera-Cruz.

Joel Zito busca viabilizar uma segunda temporada para falar de países como Nigéria, África do Sul e Senegal. E ainda Burkina Fasso, que sedia o Fespaco, o maior festival de cinema da África. Tão grande que a abertura acontece em um estádio com capacidade para 30 mil pessoas em Ouagadougou, a capital do país.



Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Podcast da Ufac entrevista novo reitor Josimar Ferreira — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

e9759ed7-c6b3-4fc8-af9a-cc571768d53c.jpeg

O canal UfacTV no YouTube transmitiu ao vivo, na quinta-feira, 13, a estreia da terceira temporada do CapiCast, podcast oficial produzido pela Assessoria de Comunicação da universidade. O episódio inaugural trouxe como convidado o professor Josimar Ferreira, que assumiu a Reitoria da instituição para o quadriênio 2026-2030, em uma entrevista conduzida pela apresentadora e assessora de Comunicação Nattércia Damasceno. A solenidade oficial de transmissão de cargo será na sexta-feira, 21, às 17h, no Teatro Universitário.

Com a temática geral “Ufac em Perspectiva: Floresta, Conhecimento, Futuro”, a nova temporada busca debater o papel da universidade na transformação social e no desenvolvimento regional, integrando a produção acadêmica à preservação ambiental e às demandas da comunidade acreana.

Durante a conversa, o novo reitor relembrou sua trajetória acadêmica iniciada em 1997, quando ingressou no curso de Agronomia como filho de produtores rurais e enfrentou os desafios do ensino superior na época, como a escassez de transporte e de bolsas de estudo. “Estar no cargo de reitor me faz refletir isso, porque eu sei de onde vim, como se diz, o chão de fábrica, um filho de um produtor rural que, graças ao processo educacional, chega ao maior posto da sua casa.”

Ao tratar das prioridades para os primeiros cem dias de gestão, Josimar antecipou medidas voltadas à reestruturação de serviços e ao diálogo com a comunidade. O primeiro ato administrativo a ser submetido ao Conselho Universitário (Consu) será a revogação das reuniões virtuais, garantindo o retorno das sessões presenciais dos colegiados.

O plano de ação inicial também inclui a retomada dos serviços de xerox para alunos e docentes, o estudo para implantação de reconhecimento facial nas catracas do Restaurante Universitário e o foco na conclusão de obras pendentes, como a passarela da Medicina Veterinária e as instalações do Colégio de Aplicação.

Outro tema abordado foi o compromisso com a inclusão e a equidade. O gestor anunciou que proporá ao Consu a criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade, estrutura planejada para centralizar e fortalecer as políticas voltadas aos estudantes indígenas, ao Núcleo de Apoio à Inclusão e aos observatórios sociais da instituição.

Por fim, o fortalecimento da comunicação pública foi apontado como peça-chave para romper os muros da academia e levar o conhecimento científico diretamente à sociedade.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Josimar Ferreira inicia gestão de 4 anos como reitor da Ufac — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Josimar Ferreira inicia gestão de 4 anos como reitor da Ufac-reitor-e-vice.jpg

O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, reuniu-se com os novos pró-reitores da administração superior para marcar o início da gestão do quadriênio 2026-2030 e tratar das primeiras ações e prioridades a serem tomadas na universidade. O encontro ocorreu nesta quarta-feira, 12, na Reitoria, campus-sede. A sessão solene pública de transmissão de cargo da Reitoria será realizada na sexta-feira, 21, às 17h, no Teatro Universitário.

Josimar afirmou que a eficiência na aplicação dos recursos e a austeridade estarão entre os princípios da gestão. Hoje ele também se reúne com as equipes das áreas de planejamento e administração para avaliar o orçamento disponível para execução das atividades até o fim do ano. “Esse é um princípio que adotamos desde o primeiro dia”, afirmou.

Entre as primeiras medidas anunciadas está a retomada das reuniões presenciais dos conselhos universitários. Segundo o reitor, a mudança será implementada já nesta primeira semana de gestão.

Outra ação prevista é a criação de uma nova pró-reitoria, voltada a ações afirmativas, equidade, gênero e inclusão. De acordo com Josimar, a proposta é colocar essas políticas no centro da estrutura administrativa da universidade e ampliar sua atuação nas políticas acadêmicas.

A nova gestão também dará continuidade ao processo de realização do vestibular do curso de Medicina. O reitor informou que a Ufac já garantiu recursos e iniciará a fase de contratação da empresa responsável pelo certame. A previsão é que as provas sejam aplicadas nas cinco regionais do Acre, com manutenção do bônus regional.

A interiorização também está entre as prioridades apresentadas. A gestão pretende iniciar discussões sobre a ampliação da presença permanente da universidade no interior, incluindo a regional do Purus, em Sena Madureira, e a região de Tarauacá e Envira.

Josimar destacou ainda a intenção de ampliar a aproximação da Ufac com diferentes setores da sociedade. “Queremos aproximar a relação com a sociedade, com o serviço, com o comércio, com a indústria, e com isso fortalecer o nosso tripé, o ensino, a pesquisa e a extensão.”

Integram a nova administração superior a vice-reitora Almecina Balbino; a pró-reitora de Graduação, Danila Torres; o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Dionatas Meneguetti; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Marco Amaro; a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Aline Nicolli; o pró-reitor de Planejamento, Edcarlos Souza; o pró-reitor de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Thiago Lima; e o pró-reitor de Administração, Tone Roca.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Proaes lança plataforma para cadastro da assistência estudantil — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Proaes lança plataforma para cadastro da assistência estudantil-i.jpg

A Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes), da Ufac, oficializou o lançamento do Cadastro da Assistência Estudantil (Caes) nessa terça-feira, 11. A nova plataforma digital foi desenvolvida para reformular o processo de seleção de bolsas e auxílios financeiros da instituição, com o objetivo de reduzir a burocracia, otimizar o fluxo socioeconômico e ampliar o acesso dos acadêmicos aos programas de permanência universitária.

A plataforma já está disponível para acesso e o preenchimento do cadastro poderá ser realizado ao longo do ano de 2026. A transição completa do fluxo de seleção para o novo ambiente digital será concluída para ter validade nos editais previstos para o ano letivo de 2027.

O sistema apresenta interface que se adapta, permitindo o preenchimento e acompanhamento das etapas diretamente por dispositivos móveis, como celulares e tablets. Outra mudança estrutural do Caes é a otimização do formulário socioeconômico, que teve sua extensão reduzida de 14 para 9 páginas. O documento passa a ser pré-preenchido de forma automática com dados cadastrais já existentes nas bases de dados integradas da Ufac, evitando a inserção repetitiva de informações pessoais pelos discentes.

O modelo operacional introduz a aprovação prévia do cadastro socioeconômico, que terá validade mínima de dois anos. Com a homologação efetuada pela equipe de assistentes sociais da Proaes, o estudante integrará um banco de dados unificado, ficando apto a diferentes modalidades de auxílios e bolsas por meio de uma manifestação de interesse digital, sem a necessidade de reapresentar a documentação completa a cada novo edital lançado. Apenas modalidades específicas que demandem comprovações complementares, como o auxílio-creche, exigirão anexos pontuais.

O desenvolvimento da ferramenta durou aproximadamente dez meses e foi viabilizado por uma cooperação técnica entre a Proaes, o projeto WebAcademy, sob coordenação do professor Daricélio Moreira, o Núcleo de Tecnologia da Informação e o corpo de assistentes sociais da universidade, que atuaram na especificação das regras de negócio do software. Três acadêmicos selecionados via edital atuaram diretamente na programação e construção do sistema.

“O Cadastro da Assistência Estudantil vai trazer uma redução na burocracia e a possibilidade de melhorar o acesso dos estudantes aos benefícios da Proaes”, disse o pró-reitor de Assuntos Estudantis, Isaac Dayan. “Temos vários aspectos que ajudam o estudante a ter uma melhor experiência na hora de concorrer, como uma interface intuitiva e a redução da quantidade de páginas do formulário. Acreditamos que será um grande avanço na política de assistência estudantil.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS