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Em cartas Lispector e Sabino escreviam sobre não pertencer – 12/12/2024 – Ilustrada
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Isadora Laviola
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Ao longo de dois anos, de 1946 a 1948, cartas de Clarice Lispector e Fernando Sabino atravessaram o oceano Atlântico entre Berna, na Alemanha, e Nova York.
Enquanto Sabino, nos Estados Unidos, escrevia sobre seus desapontamentos com a selva de pedra que não tinha nada de sonhos – apenas café sem açúcar, comida sem sal, empurrões no metrô e trabalho mal remunerado. Lispector compartilhava um lado menos encantado da vida na Europa, onde se sentia obrigada a se expressar mesmo quando não tinha nada a dizer.
O não pertencimento expressado em “Cartas Perto do Coração” chega ao auge em trecho apontado pelo repórter João Gabriel de Lima, quando a autora escreve: “Com o tempo passando, me parece que não moro em nenhum lugar, e que nenhum lugar me quer”.
Mesmo em cenários tão discrepantes, Lispector e Sabino compartilhavam a mesma sensação de deslocamento. A necessidade compartilhada por ambos em pertencer é anterior ao lugar onde estão, trata-se de buscas internas por suas identidades e vozes.
Essa é a busca de todo ser humano, independente de onde esteja.
Acabou de Chegar
Noites de Peste (trad. Débora Landsberg, Companhia das Letras, R$ 169,90, 672 págs., R$ 49,90, ebook), novo romance de Orhan Pamuk, pode ser lido como um conto de fadas étnico-político-policial. Para o crítico Alcir Pécora, a história de um governo militarista que censura um autor em nome do amor à pátria é tanto um relato autoficcional quanto alegórico.
A Culpa É do Lou Reed (Reformatório, R$ 60, 212 págs.) é o primeiro livro de ficção de Jotabê Medeiros. A obra desenha a cena do rock na capital paulista durante a década de 1980, quando a cidade recebeu artistas como Bruce Springsteen e Sting. “Eu poderia falar dessa cena de forma documental, mas falar disso num romance é mais o espírito daquela geração”, contou o autor ao repórter Thales de Menezes.
A Hora Azul (trad. Regiane Winarski, HarperCollins, R$ 59,90, 288 págs., R$ 39,90, ebook), de Paula Hawkins, começa com a descoberta de um osso humano em uma escultura produzida por uma artista que morreu sob a suspeita de matar seu marido. O suspense é repleto de reviravoltas típicas da autora, que também escreveu “A Garota no Trem”.
E mais
O selo Amarcord vai lançar a americana Eve Babitz no Brasil. Tida como furacão da contracultura, a autora terá seu “Dias Lentos, Encontros Fugazes” lançado no começo de fevereiro. O Painel das Letras conta que Babitz é comparada à sua contemporânea e conterrânea Joan Didion, por ambas terem escrito livros fundamentais de não ficção sobre a cultura da mesma época e lugar.
De um lado, um dos cientistas mais famosos e bem-sucedidos do Brasil, do outro, um homem que batalhava pela ciência e sua saúde. “Cesar Lattes: Uma Vida – Visões do Infinito” (Record, R$ 109,90, 320 págs., R$ 39,90, ebook), de Marta Góes e Tato Coutinho, conta a história de um físico brilhante que sofria de distúrbio bipolar. Para o jornalista Salvador Nogueira, a obra retrata o esforço constante de Lattes para se manter ativo, útil e fiel a seus objetivos.
Beatriz Bracher, autora de livros premiados como “Anatomia do Paraíso”, lança “Guerra 1” (Editora 34, R$ 119, 536 págs.), livro que abre uma trilogia em torno do maior conflito armado ocorrido na América do Sul, a Guerra do Paraguai. Segundo o repórter Naief Haddad, a obra se apresenta como uma colagem, reunindo trechos escritos no período do conflito e reflexões sobre a sociedade brasileira do século 19.
Além dos Livros
Micheliny Verunschk e Nuno Júdice venceram o prêmio Oceanos, que elege o melhor da literatura escrita em português pelo mundo. A brasileira ganhou a categoria de prosa por “Caminhando com os Mortos” e o português, que morreu neste ano, venceu postumamente entre as obras de poesia, com o livro “Uma Colheita de Silêncios”.
Junto com o dorama e o kpop, Leandro Sarmatz aponta Han Kang, a mais recente vencedora do Nobel de Literatura, como mais um elemento do soft power sul-coreano. Recato, leve e com “gestos econômicos”, a autora de “A Vegetariana” foi ovacionada na Fundação Nobel após discursar sobre as iniquidades do mundo, a memória e o amor que nutrem sua ficção.
Morreu na última semana Eduardo Brandão, tradutor brasileiro de Roberto Bolaño e mais de uma centena de obras, aos 78 anos. Em 2010, ele contou à Folha que seu trabalho mais difícil foi a tradução de “Os Detetives Selvagens”, de Bolaño.
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Projeto de extensão seleciona resumos expandidos para publicação — Universidade Federal do Acre
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21 horas atrásem
26 de maio de 2026O projeto de extensão ComunicAÇÃO, da Ufac, realiza processo seletivo para submissão de trabalhos extensionistas, na modalidade de resumo expandido. Os selecionados comporão a Coleção de Cadernos de Extensão “Ufac e Comunidade”. As inscrições estão abertas até 30 de junho, por meio de formulário online.
O trabalho inscrito deve estar contemplado em uma das áreas temáticas: comunicação, cultura, direitos humanos e justiça, educação, meio ambiente, saúde, tecnologia e produção, trabalho. Cada resumo deverá estar vinculado a uma ação de extensão (projeto, curso, evento ou programa) institucionalizada na Ufac.
“O resumo expandido deverá evidenciar, de forma clara e consistente, as experiências adquiridas e/ou vivenciadas junto à comunidade externa ao longo do desenvolvimento da ação de extensão, destacando as interações estabelecidas, os impactos gerados, os aprendizados construídos e as contribuições mútuas decorrentes da execução das atividades”, detalha o item 3.1 do edital.
A seleção consiste em avaliação por uma comissão que indicará 50 trabalhos aptos para publicação na 1ª Edição da Coleção de Cadernos de Extensão, considerando a formatação e os aspectos científicos, além do envolvimento da comunidade externa, dos resultados obtidos e da efetividade da metodologia proposta. O resultado final do processo seletivo está previsto para 21 de agosto.
Para mais informações sobre o certame, leia o edital Proex n.º 9.1/2026.
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Reitora da Ufac participa de fórum Brasil-África em Brasília — Universidade Federal do Acre
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26 de maio de 2026A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou, nessa segunda-feira, 25, em Brasília, do 1º Fórum de Reitores Brasil-África. A convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do Ministério da Educação (MEC), ela representou a Ufac no encontro, acompanhada da pró-reitora de Inovação e Tecnologia, Almecina Balbino Ferreira. O evento segue até quarta-feira, 27, e tem como foco o fortalecimento da cooperação internacional em educação superior entre universidades brasileiras e instituições africanas.
Guida destacou a importância da presença da Ufac em um espaço voltado ao diálogo internacional e à construção de parcerias acadêmicas. Segundo a reitora, a aproximação entre Brasil e África por meio da educação, da pesquisa, da inovação e da troca de experiências permite avançar em soluções conjuntas para desafios comuns. “Temos histórias, identidades e desafios que nos aproximam, e a universidade tem um papel fundamental nessa conexão”, afirmou.
O fórum é uma iniciativa liderada pelo MEC, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior. A programação reúne reitores, pró-reitores e assessores de cooperação internacional de universidades federais, estaduais e privadas do Brasil, além de representantes de universidades africanas mobilizadas pela Associação de Universidades Africanas.

A proposta do encontro é ampliar as relações acadêmicas entre Brasil e África, com a construção de novos acordos institucionais, programas de mobilidade estudantil, intercâmbio científico e cooperação em áreas estratégicas como agricultura, energias renováveis, mineração, petróleo e gás, setor aeroespacial, inteligência artificial e ciências humanas.
A programação inclui painéis temáticos, reuniões bilaterais, workshops e sessões voltadas à construção de novas parcerias universitárias. Ao final do evento, os resultados e compromissos construídos serão formalizados na Carta de Brasília do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, documento que deve orientar os próximos passos da cooperação entre universidades brasileiras e africanas.
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Ufac conquista 3º lugar em hackathon internacional promovido por laboratório de Harvard — Universidade Federal do Acre
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22 de maio de 2026Estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) participaram, nos dias 10 e 11 de abril, do HSIL Hackathon 2026, promovido pelo Health Systems Innovation Lab da Harvard T.H. Chan School of Public Health. A participação da equipe ocorreu no Hub de Inovação do Hospital das Clínicas de São Paulo, o InovaHC, em uma edição realizada simultaneamente em mais de 30 países. O grupo conquistou o 3º lugar geral entre mais de 30 equipes com o projeto Viginutri, solução voltada à prevenção da desnutrição hospitalar.
A equipe foi liderada pela acadêmica de Medicina da Ufac Maria Júlia Bonelli Pedralino e contou com a participação de Guilherme Félix, do curso de Sistemas de Informação, Bruno Eduardo e Wesly, do curso de Medicina. Segundo Maria Júlia, representar o Acre e a Ufac em um evento dessa dimensão foi uma experiência marcante para sua trajetória acadêmica e pessoal. “O Acre tem muito a dizer nos espaços onde o futuro da saúde está sendo construído”, afirmou.
O projeto premiado, Viginutri, foi desenvolvido durante o hackathon em São Paulo e propõe uma solução para auxiliar no enfrentamento da desnutrição hospitalar, problema que pode afetar o prognóstico de pacientes internados e gerar impactos para a gestão hospitalar. A proposta une medicina e nutrição e será aperfeiçoada a partir da premiação recebida pela equipe.
Com a classificação, o grupo garantiu uma aceleração de um ano pela Associação Brasileira de Startups de Saúde, com mentoria especializada e a perspectiva de validar a solução em um hospital real. De acordo com Maria Júlia, a conquista abre a possibilidade de levar uma ideia desenvolvida por estudantes da Ufac para uma etapa de aplicação prática.
A estudante também ressaltou o apoio recebido da Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia da Universidade Federal do Acre (Proint) e da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex). Segundo ela, a conquista só foi possível porque a universidade acreditou no projeto e ofereceu as condições necessárias para que o grupo representasse a instituição fora do Acre. “Essa conquista não teria sido possível sem o apoio da Proint e Proex”, disse.
A trajetória do grupo teve início em um hackathon realizado anteriormente no Acre, onde surgiu o projeto Sentinelas da Amazônia, experiência que contribuiu para a formação da equipe e para o interesse dos estudantes em iniciativas de inovação.
Como desdobramento da participação no evento, a equipe deve promover, no dia 12 de junho, às 10h30, no Sebrae Lab, no Centro de Convivência, uma roda de conversa sobre a experiência no hackathon, com o objetivo de incentivar outros acadêmicos a buscarem pesquisa, inovação e desenvolvimento de ideias no ambiente universitário.
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