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Em Gaza os sonhos morrem, mas a esperança permanece | Opiniões

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“Não consigo manter a calma. Fui escolhido para Chevening.”

É um pequeno pôster azul com o qual os premiados do Chevening gostam de ser fotografados. Também segui a tendência. Afinal, eu também fui bolsista Chevening. Ou quase foi.

No início deste ano, fui selecionado para a prestigiosa bolsa Chevening concedida pelo governo britânico. Eu teria tido a oportunidade de fazer um mestrado de um ano em Neuropsiquiatria Clínica no King’s College London, no outono. Teria sido um sonho tornado realidade.

Mas com a passagem da fronteira de Rafah fechada, não pude sair. Estou preso em Gaza, suportando os horrores do genocídio. Meu sonho foi destruído, mas a esperança permanece viva.

A jornada para um sonho

Formei-me na Faculdade de Medicina da Universidade Al-Quds em julho de 2022 e registrei-me oficialmente como médico apenas duas semanas antes do início desta guerra genocida.

Queria estudar no estrangeiro para melhorar as minhas qualificações, mas a Bolsa Chevening não era apenas uma oportunidade académica. Para mim, representava liberdade. Ter-me-ia permitido viajar para fora de Gaza pela primeira vez na minha vida, para conhecer novos lugares e experimentar novas culturas, para conhecer novas pessoas e construir uma rede internacional.

Queria fazer uma pós-graduação em Neuropsiquiatria Clínica pela relevância desta área para a realidade do meu país. O meu povo ficou marcado pela guerra, pela deslocação e por traumas implacáveis, mesmo antes de este genocídio começar. Nosso trauma é contínuo, intergeracional, ininterrupto.

Imaginei que esse diploma me ajudaria a oferecer melhores cuidados ao meu povo. A oportunidade tinha o potencial de mudar vidas – não só a minha, mas também a vida dos pacientes que eu esperava atender.

Com essas esperanças e sonhos em mente, comecei a preencher o requerimento de Chevening nas primeiras semanas da guerra. Esta foi uma das fases mais violentas do genocídio e, nessa altura, a minha família e eu já tínhamos sido deslocados três vezes.

Qualquer pessoa que tenha empreendido tal empreendimento sabe que isso exige não apenas excelência acadêmica, mas também muito esforço. A aplicação em si demanda pesquisas, consultas e inúmeros rascunhos.

Tive de trabalhar nisso enquanto enfrentava inúmeros desafios como pessoa deslocada – o pior deles foi encontrar uma ligação estável à Internet e um local tranquilo para trabalhar. Mas eu persisti. Eu me concentrei nisso e continuei pensando em um possível futuro brilhante enquanto a morte e o sofrimento me cercavam.

No dia 7 de novembro, três horas antes do prazo, apresentei a inscrição. Nos seis meses seguintes, enquanto esperava por uma resposta, eu, tal como os outros dois milhões de palestinianos de Gaza, vivi horrores inimagináveis.

Vivi uma dor imensa, perdi amigos e colegas, vi minha pátria desmoronar. O juramento que fiz como médico de salvar vidas parecia mais próximo do que nunca do meu coração e da minha alma. Fui voluntário na ala ortopédica do Hospital Al-Aqsa, ajudando a tratar pessoas feridas por bombas de formas inimagináveis.

Eu fazia turnos no hospital e depois lidava com a realidade da sobrevivência em Gaza: fazia fila para conseguir um galão de água, procurava lenha para a minha família poder cozinhar e tentava manter a sanidade.

No dia 8 de abril recebi a feliz notícia de que havia avançado para a fase de entrevistas. Meus pensamentos oscilavam entre o horror que vivia e a audácia de esperar um futuro diferente.

Em 7 de maio, sentei-me para minha entrevista. Eu estava jejuando no Ramadã e tinha acabado de terminar um longo turno noturno no hospital, mas de alguma forma ainda encontrei forças para me apresentar bem ao painel.

No dia 18 de junho recebi a notificação oficial: havia ganhado a bolsa.

Um sonho que se foi

Sentei-me para minha entrevista com Chevening um dia depois de Israel lançado uma ofensiva em Rafah, assumindo a única passagem que liga Gaza ao mundo exterior. Quando recebi a resposta da bolsa, sabia que seria impossível conseguir os documentos necessários e poder sair.

Eu ainda tentei.

O maior obstáculo no processo burocrático foi que tive que viajar ao Cairo para marcar um visto. De junho a setembro, fui assombrado pela ansiedade. Esperei, impotente, enquanto se aproximava o prazo para a confirmação da minha oferta universitária.

Procurei várias autoridades e procurei ajuda para evacuar, mas nenhum dos meus esforços deu frutos. Cheguei mesmo a contactar a embaixada palestiniana em Londres numa tentativa desesperada de pedir ajuda, mas no início de Setembro tornou-se claro que não conseguiria. Apesar dos meus melhores esforços, permaneci preso em Gaza, enquanto a oportunidade pela qual tinha trabalhado tanto se esvaía.

Em meio a tudo isso, continuei meu trabalho como médico. Foi um dever sagrado para mim e uma fonte de sofrimento inimaginável. Eu ficaria estacionado no pronto-socorro, recebendo um fluxo interminável de vítimas do bombardeio diário e depois passaria para a sala de operação para trocar os curativos dos pacientes com amputações ou feridas profundas, esperando que não fossem infectados nas condições sépticas do hospital. .

O sofrimento dos nossos pacientes piorou ainda mais quando ficamos sem suprimentos médicos essenciais. Foi então que tive de começar a limpar as larvas das feridas de amputação de bebés e a tratar ferimentos de guerra dolorosos em crianças sem anestesia, cujos gritos continuo a ouvir na minha mente mesmo quando não estou no hospital. Todos os dias, vejo pacientes sofrerem e muitas vezes morrerem devido à grave escassez de fluidos intravenosos e antibióticos.

O custo físico e emocional é esmagador. Fui forçado a enfrentar a morte, a destruição e a dor numa escala que rezo para que a maioria das pessoas nunca conheça.

Tudo isso colocou em perspectiva meu sonho perdido de Chevening. Não posso me dar ao luxo de lamentar perdas pessoais.

A minha história não é única – tantos sonhos foram destruídos em Gaza nos últimos 400 dias.

Compartilho a minha história não para procurar simpatia, mas para realçar a realidade de Gaza. Todos enfrentamos um futuro incerto, mas tentamos não perder a esperança.

Embora esteja arrasado por não poder perseguir o meu sonho académico, não perdi a esperança de que algum dia, talvez, surja novamente uma oportunidade para o fazer. Por enquanto, continuo em Gaza, trabalhando como médico, testemunhando o sofrimento diário do meu povo e tentando fazer a diferença nas suas vidas miseráveis ​​no meio do genocídio em curso.

As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.



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Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre

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Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre

A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, na Reitoria, campus-sede, a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, no âmbito da caravana Aqui Tem MEC, iniciativa do Ministério da Educação voltada ao acompanhamento de ações e investimentos nas instituições federais de ensino.

Durante a agenda, o ministro destacou que a caravana tem percorrido instituições federais em diferentes Estados para conhecer a realidade de cada campus, dialogar com gestores e a comunidade acadêmica, além de acompanhar as demandas da educação pública federal.

Ao tratar dos investimentos relacionados à Ufac, a reitora Guida Aquino destacou a obra do campus Fronteira, em Brasileia, que conta com R$ 40 milhões em recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A estrutura terá seis cursos, com salas de aula, laboratórios, restaurante universitário e biblioteca.

Abordando a visita, Guida ressaltou a importância da universidade para o Estado e a missão da educação pública. “A Ufac é a única universidade pública federal de ensino superior do Acre e, por isso, tem papel estratégico na formação e no desenvolvimento regional. A educação é que transforma vidas, transforma o país.”

Outro tema tratado durante a agenda foi a implantação do Hospital Universitário no Acre. Camilo Santana afirmou que o Estado é o único que ainda não conta com essa estrutura e informou que o governo federal dispõe de R$ 50 milhões, por meio do Novo PAC, para viabilizar adequações e a implantação da unidade.

Ele explicou que a prioridade continua sendo a concretização de uma parceria para doação de um hospital, mas afirmou que, se isso não ocorrer, o MEC buscará outra alternativa para garantir a instalação do serviço no Estado. “O importante é que nenhum Estado desse país deixe de ter um hospital universitário”, enfatizou.

Guida reforçou a importância do projeto e disse que o Hospital Universitário já poderia ser celebrado no Acre. Ao defender a iniciativa, contou que a unidade contribuiria para qualificar o atendimento, reduzir filas de tratamento fora de domicílio e atender melhor pacientes do interior, inclusive em casos ligados às doenças tropicais da Amazônia. Em tom crítico, declarou: “O cavalo selado, ele só passa uma vez”, ao se referir à oportunidade de implantação do hospital.

Após coletiva de imprensa, o ministro participou de reunião fechada com pró-reitores, gestores, políticos e parlamentares da bancada federal acreana, entre eles o senador Sérgio Petecão (PSD) e as deputadas Meire Serafim (União) e Socorro Neri (PP).

A comitiva do MEC foi formada pela secretária de Educação Básica, Kátia Schweickardt; pelo secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli; pelo secretário de Educação Superior, Marcus Vinicius David; e pelo presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Arthur Chioro.

Laboratório de Paleontologia

Depois de participar de reunião, Camilo Santana visitou o Laboratório de Paleontologia da Ufac. O professor Edson Guilherme, coordenador do espaço, apresentou o acervo científico ao ministro e destacou a importância da estrutura para o avanço das pesquisas no Acre. O laboratório foi reformulado, ampliado e recentemente reinaugurado.

Aberto para visitação de segunda a sexta-feira, em horário de expediente, exceto feriados, o local reúne fósseis originais e réplicas de animais que viveram no período do Mioceno, quando o oeste amazônico era dominado por grandes sistemas de rios e lagos. A entrada é gratuita e a visitação é aberta a estudantes e à comunidade em geral.

 



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A PROGRAD — Universidade Federal do Acre

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A Pró‑Reitoria de Graduação (Prograd) da Universidade Federal do Acre (Ufac) é o órgão responsável pelo planejamento, coordenação e supervisão das atividades acadêmicas relacionadas ao ensino de graduação. Sua atuação está centrada em fortalecer a formação universitária, promovendo políticas e diretrizes que assegurem a qualidade, a integração pedagógica e o desenvolvimento dos cursos de bacharelado, licenciatura e demais formações presenciais e a distância. A Prograd articula ações com as unidades acadêmicas, órgãos colegiados e a comunidade universitária, garantindo que os currículos e práticas pedagógicas estejam alinhados aos objetivos institucionais.

Entre as principais atribuições da Prograd estão a coordenação da política de ensino, a supervisão de programas de bolsas voltadas à graduação, a análise e encaminhamento de propostas normativas e a participação em iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior.

A Prograd é organizada em três diretorias, cada uma com funções específicas e complementares:

Diretoria de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino — responsável por ações estratégicas voltadas ao desenvolvimento de metodologias, à regulação e ao apoio pedagógico dos cursos de graduação.

Diretoria de Apoio à Formação Acadêmica — dedicada a acompanhar e apoiar as atividades acadêmicas dos estudantes, incluindo estágios, mobilidade estudantil e acompanhamento da formação acadêmica.

Diretoria de Apoio à Interiorização e Programas Especiais — voltada à gestão de programas especiais, políticas de interiorização e ações que ampliam o acesso e a permanência dos alunos em diferentes regiões.

A Prograd participa, ainda, de iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior, integrando docentes, estudantes e gestores em fóruns, encontros e ações que visam à atualização contínua dos processos formativos e ao atendimento das demandas sociais contemporâneas.

Com compromisso institucional, a Pró‑Reitoria de Graduação contribui para que a UFAC cumpra seu papel educativo, formando profissionais críticos e comprometidos com as realidades local e regional, garantindo um ambiente acadêmico de excelência e responsabilidade social.

Ednacelí Abreu Damasceno
Pró-Reitora de Graduação



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Orientação sobre revalidação e reconhecimento de diplomas — Universidade Federal do Acre

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Orientações para abertura de processo administrativo e procedimentos acerca da revalidação de diploma de graduação e reconhecimento de diplomas de pósgraduação stricto sensu emitidos por instituições estrangeiras, conforme a Resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

Abertura do Processo

I – Preenchimento do Formulário Padrão (conforme modelo disponibilizado);

II – Documentos pessoais exigidos:

• Cópia do documento de identidade para brasileiros ou naturalizados, e, se estrangeiro, cópia da identidade e do visto permanente, expedido pela Superintendência da Polícia Federal, ou passaporte com visto permanente, concedido pela autoridade competente;

• Comprovante de residência;

• Comprovante de quitação com o serviço militar, para brasileiros do sexo masculino;

• Comprovante de quitação com o serviço eleitoral, para brasileiros e naturalizados;

III – Documentos acadêmicos exigidos:

• Para revalidação, conforme Art. 10, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

• Para reconhecimento, conforme Art. 33, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

IV – Preenchimento do Termo de aceitação, exclusividade e autenticidade, conforme modelo disponibilizado pelo NURCA;

V – Solicitação de abertura de processo no Protocolo Geral da UFAC, direcionado ao NURCA, com a apresentação da documentação exigida nos itens de I a IV;

Submissão da documentação na Plataforma Carolina Bori – Link: http://plataformacarolinabori.mec.gov.br

O interessado deve submeter a documentação no formato .pdf, agrupando diferentes documentos em arquivo único conforme indicado abaixo:

Arquivo 1 em .PDF:

1. Formulário Padrão preenchido (conforme modelo disponibilizado);

2. Documentos pessoais exigidos:

a) Cópia do documento de identidade para brasileiros ou naturalizados, e, se estrangeiro, cópia da identidade e do visto permanente, expedido pela Superintendência da Polícia Federal, ou passaporte com visto permanente, concedido pela autoridade competente;

b) Comprovante de residência;

c) Comprovante de quitação com o serviço militar, para brasileiros do sexo masculino;

d) Comprovante de quitação com o serviço eleitoral, para brasileiros e naturalizados;

Arquivo 2 em PDF:

1. Diploma e Histórico (Itens I e II do Artigo 10 ou Itens II e IV do artigo 33 da Resolução nº 003, de 14 de março de 2017);

Arquivo 3 em PDF:

1. Documentos acadêmicos exigidos excetuando-se os do Arquivo 2:

a) Para revalidação, conforme Art. 10, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

b) Para reconhecimento, conforme Art. 33, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017, excetuando item III (vide Arquivo 5).

Arquivo 4 em PDF:

1.Termo de aceitação, exclusividade e autenticidade, preenchido conforme modelo disponibilizado pelo NURCA; da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

Arquivo 5 em PDF:

a) Para os casos de reconhecimento: Exemplar digital da tese ou dissertação com registro de aprovação da banca examinadora e documentações complementares, conforme item III do Art. 33 da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017. 

Fluxo do Processo

VI – Recebimento do processo pelo NURCA e encaminhamento para o Centro pertinente, que constituirá Comissão;

VII – Retorno do processo ao NURCA no prazo de 15 dias;

VIII – Sendo favorável o parecer da Comissão, será autorizada a emissão de GRU, bem como, o seu devido pagamento (R$ 1.200,00 – graduação; mestrado – R$ 1.500,00 e doutorado R$ 2.000,00), devendo ser incluída a via original ou cópia autenticada por servidor da UFAC no processo de revalidação.

a) Em caso de parecer negativo, o processo será disponibilizado para consulta, retirada de documentação e/ou ajuste quando for pertinente.

IX – Retorno do processo ao Centro para a Comissão concluir a revalidação no prazo restante dos seis meses.

Formulário Padrão

Termo de Aceitação, Exclusividade e Autenticidade

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