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Em Rio Branco, prefeito demite jornalista que fez pergunta a Bolsonaro em coletiva: ‘Não disse que trabalhava como freelancer’
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O jornalista João Renato Jácome foi exonerado do cargo, nesta sexta-feira (26), pelo prefeito Tião Bocalom (Progressistas), após participar da coletiva de imprensa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na última quarta (24), em Rio Branco. O jornalista participou do evento a trabalho para um jornal e a prefeitura disse que ele deveria ter dedicação exclusiva e não informou que fazia serviços de freelancer. O presidente esteve no Acre para sobrevoar as áreas alagadas e ver a situação de perto.
Jácome foi nomeado com o cargo de chefe de gabinete da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semeia) no dia 12 de fevereiro deste ano. A exoneração dele foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE), 14 dias depois.
Durante a coletiva, o jornalista perguntou ao presidente sobre a decisão do Superior Tribunal de Justiça que anulou a quebra de sigilos do filho dele, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos). Bolsonaro interrompeu o repórter antes que a pergunta fosse concluída. “Presidente, qual a avaliação que o senhor fez da decisão do STJ ontem de derrubar a quebra dos sigilos fiscais…”, disse o jornalista.
“Acabou a entrevista”, afirmou o presidente, que deixou em seguida o local.
A quebra de sigilo de Flávio Bolsonaro se deu do caso das “rachadinhas” na Assembleia Legislativa no Rio de Janeiro. As chamadas “rachadinhas” consistem na prática de confisco, por parlamentares, de parte dos salários de assessores de gabinete. Flávio nega as acusações. A 5a turma do STJ decidiu por 4 votos a 1 anular a quebra de sigilo.
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João Renato Jácome foi exonerado nesta sexta-feira (26), pelo prefeito Tião Bocalom — Foto: Reprodução
Exoneração
Com a repercussão, a prefeitura exonerou o jornalista que estava no local e atuava como freelancer de para um jornal de São Paulo. Nesta sexta, a prefeitura informou que o motivo da demissão não teria sido por causa da pergunta, que incomodou o presidente, e sim devido o cargo exigir dedicação exclusiva.
“O João quando nomeado como cargo comissionado na assessoria de comunicação [prefeitura], não informou que trabalhava como freelancer em outro lugar. Saiu da comunicação e foi para a chefia de gabinete da Semeia, onde também não informou. No dia da coletiva, ele foi, sem avisar ou pedir para o chefe imediato, liberação. Enquanto cargo comissionado, o servidor precisa ter dedicação exclusiva”, justificou a prefeitura, em nota enviada ao G1.
O jornalista negou que tenha saído sem permissão e que estava em dia de folga devido um rodízio feito entre os servidores durante o período de pandemia da Covid-19. Ele disse que foi uma surpresa a exoneração.
“Eu fui para lá autorizado pelo secretário, porque diante do decreto do município que determina o rodízio dos servidores, eu havia trabalhado por mais de 10 dias sem pausa, em razão da enchente. Trabalhei na segunda [22], na terça [23, o secretário tinha muitas demandas e pediu que eu fosse e poderia folgar na quarta [24]. Assim eu fiz, estava de folga, não fui convocado porque o decreto diz que sendo convocado, o servidor deve atuar. E realmente fiz a pergunta, mas sem intenção de constranger prefeito, presidente”, afirmou.
O jornalista disse ainda que respeita a decisão do prefeito e que a pergunta dele era sobre justiça, mas que acabou sendo injustiçado.
“Essa justiça que questionei o presidente, que beneficiou o filho dele, inclusive, não tive objetivo de constranger ninguém. Invés disso, a pergunta tornou o momento, construiu uma injustiça sobre a minha vida profissional e pessoal. Mas, estou muito tranquilo, não é porque fui exonerado que vou torcer contra. Ele tem direito de nomear quem ele deseja e exonerar também. Não acho que errei, estava trabalhando, não cometi crime. Fui exonerado porque estava trabalhando. Não fiz a coletiva acabar, já ia acabar, era a última pergunta e o presidente não quis responder”, acrescentou.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou nota condenando a decisão do prefeito e pedindo a reintegração do jornalista ao cargo de chefe de gabinete da Semeia. O presidente do Sindicato dos jornalistas do Acre (Sinjac), Victor Augusto Farias, disse à CBN que o sindicato classificou a exoneração de Jácome como censura e ato covarde. (Veja nota na íntegra abaixo)
“Foi de uma forma totalmente desleal, é falta de ética do prefeito para com o profissional, uma vez que ele fazia parte da equipe dele de confiança o simplesmente o prefeito e anunciou a exoneração do nosso colega através de outros profissionais da imprensa. Então, não houve qualquer tipo de diálogo com o profissional, como se ele não tivesse nenhuma responsabilidade com relação também à gestão do próprio prefeito, sendo que ficou, de fato, escancarado foi por uma ideologia política do próprio prefeito”, pontuou.
Veja a nota na íntegra:
Nota de repúdio – Da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre (Sinjac)
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre (Sinjac), por meio de seu representante, o presidente Victor Augusto Nogueira de Farias, vêm a público repudiar a atitude covarde e a prática de censura do prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, que deveria defender e garantir direitos conquistados pela sociedade.
A Fenaj e o Sinjac manifestam repúdio contra a demissão do jornalista João Renato Jácome de Andrade, publicada na edição do Diário Oficial do Acre desta sexta-feira (26), por ter exercido o dever de questionar fatos durante coletiva de imprensa do presidente Jair Bolsonaro.
Com este violento ataque ao jornalismo, o prefeito Tião Bocalom afronta a liberdade de imprensa e o direito de acesso à informação garantidos pela Constituição.
As direções da Fenaj e do Sinjac exigem a anulação do ato e a reintegração imediata do profissional aos quadros da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Visita ao Acre
Bolsonaro desembarcou em Rio Branco para sobrevoar as regiões do Acre atingidas por alagamentos na última semana. O estado sofre com a cheia em 10 cidades.
Bolsonaro sobrevoou o município de Sena Madureira, um dos mais afetados pela enchente. Na comitiva, que acompanhava o sobrevoo, estavam os ministros da Saúde, Eduardo Pazuello, e da Defesa, Fernando Azevedo, além dos três representantes do Acre no Senado, Mailza Gomes (PP/AC), Marcio Bittar (MDB/AC) e Sérgio Petecão (PSD/AC) e do governador do estado, Gladson Cameli.
“Viemos aqui, juntamente com um grupo de políticos, com o governador Gladson, senador Marcio Bittar, e o que for possível o governo federal ajudar, vai fazer. Essa é a nossa obrigação e o nosso lema. Ninguém fica para trás, vamos ajudar o Acre no que for possível nesse momento difícil que grande parte da população está passando”.
Na cidade, o presidente e seus acompanhantes circularam em um carro aberto. De dentro do veículo, Bolsonaro cumprimentou a população que acompanhava o trajeto.
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O presidente Jair Bolsonaro visitou Sena Madureira e causou aglomeração na quarta-feira (24) — Foto: Quésia Mel/Rede Amazônica
Calamidade pública
O Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) reconheceu, na segunda (22), em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), estado de calamidade pública em 10 cidades do Acre atingidas por inundações causadas pela cheia dos rios no estado.
Os municípios de Rio Branco, Sena Madureira, Santa Rosa do Purus, Feijó, Tarauacá, Jordão, Cruzeiro do Sul, Porto Walter, Mâncio Lima e Rodrigues Alves enfrentam dificuldades com parte da população desabrigada (encaminhada para abrigos) e desalojada (levada para casa de parentes).
O governador do Acre, Gladson Cameli, havia decretado calamidade em uma edição extra do Diário Oficial do estado (DOE) também nesta segunda. Pelo menos em oito dessas cidades atingidas os rios estão com vazante (diminuição no nível das águas) e com estabilidade. Mesmo assim, a cheia é considerada histórica e atinge cerca de 118 mil moradores do estado acreano.
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Licenciatura Indígena realiza defesa de TCCs em aldeias no Juruá — Universidade Federal do Acre
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23 de outubro de 2026O curso de Licenciatura Indígena, do campus Floresta da Ufac, realizou o 1º Seminário Acadêmico de Apresentação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs). O evento possibilitou a defesa de 16 trabalhos nas aldeias Barão, da terra indígena Puyanawa, em Mâncio Lima (AC), e Morada Nova, na terra indígena Katukina/Kaxinawá, em Feijó (AC). As atividades ocorreram entre 25 de setembro e 2 de outubro, envolvendo estudantes, professores, egressos do curso, pós-graduandos e as comunidades locais.
Os TCCs defendidos nas aldeias são de autoria de discentes que ingressaram na Ufac em 2023 e deverão colar grau no início de 2027. Os temas das pesquisas contemplaram variados aspectos da vida indígena, abrangendo história, biografia, mitologia, organização política, território, medicina tradicional, grafismos, gênero, terminologias linguísticas, educação especial, atividade cinegética e rituais tradicionais.
A viabilização das defesas nas aldeias ocorreu pela primeira vez em 18 anos de existência da graduação e está de acordo com a pedagogia da alternância, pela qual parte da carga horária do curso é realizada nas comunidades indígenas dos alunos, por meio de pesquisa e extensão. Os recursos para realização do evento foram provenientes de projeto de extensão com o mesmo nome do seminário.
As bancas de avaliação foram compostas por docentes do curso, egressos de outras turmas da Licenciatura Indígena e egressos indígenas de outros cursos da Ufac, inclusive da pós-graduação. Também compuseram algumas bancas pessoas reconhecidas por suas comunidades com “notório saber”, expediente previsto no regulamento de TCC do curso. Além de familiares dos estudantes e moradores das aldeias, indígenas de outras etnias estiverem presentes no seminário.

Organização
A atividade no município de Mâncio Lima, que é vizinho ao campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), ocorreu num só dia, em 25 de setembro, com a defesa de dois TCCs. Já para o evento em Feijó foi necessário um deslocamento de ônibus, com duração de quase seis horas, em 30 de setembro, até o porto da cidade. E, à noite, uma embarcação levou cerca de 20 pessoas até a aldeia Morada Nova, onde houve uma recepção musical para o grupo. Na manhã do dia seguinte começaram as defesas, que prosseguiram até 2 de outubro.

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Herbário da Ufac participa do 76º Congresso Nacional de Botânica — Universidade Federal do Acre
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22 de outubro de 2026A servidora Júlia Gomes da Silva, curadora do Herbário da Ufac, vinculado ao Parque Zoobotânico (PZ), representou a instituição no 76º Congresso Nacional de Botânica e 15º Encontro de Botânicos do Centro-Oeste, eventos ocorridos de 11 a 16 de outubro, em Campo Grande. Ela participou de mesa-redonda com apresentação das coleções dos herbários da região Norte.
Na ocasião, os curadores discutiram avanços, desafios estruturais e o futuro das coleções científicas do país. Durante sua exposição, Júlia conduziu o público por uma linha do tempo que remonta a 22 de outubro de 1979, data da primeira coleta registrada no campus-sede da Ufac: uma ‘Vismia’ (gênero científico de planta) coletada por L. Coêlho. Em razão desse registro, o herbário da Ufac comemora 47 anos nesta quinta-feira, 22.
Júlia destacou perspectivas importantes para o cenário científico acreano. Entre os projetos de destaque estão investimentos viabilizados via Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), incluindo a projeção de um novo prédio de cerca de 600 metros quadrados e a aquisição de armários compactadores modernos para garantir a preservação do acervo em longo prazo.
Também representaram a Ufac estudantes do campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), e a professora Simone Reis. A universidade enviou 11 resumos, dos quais oito foram apresentados. O evento possibilitou a troca de experiência com botânicos do país e conversas sobre parcerias de trabalho, incluindo a realização de expedições para grupos de plantas pouco estudados no Acre.
Herbário
O Herbário da Ufac tem uma equipe técnica composta por Júlia Gomes da Silva, Izailene Saar e colaboradores, como a ex-curadora e atual vice-reitora Almecina Balbino, o técnico Davi Borges e estagiários. O acervo abriga preciosidades da flora amazônica e sul-americana, registrando a superação de gargalos históricos de digitalização e integrando atualmente plataformas globais de dados de biodiversidade, como o SpeciesLink e o Global Biodiversity Information Facility.
Entre os marcos recentes destacados está o avanço na informatização de milhares de registros e a aposta em inovações, como a participação na Rede de Herbários Espectrais da Amazônia, que utiliza a espectroscopia no infravermelho próximo (tecnologia NIR portátil) para otimizar a identificação de espécies diante da escassez de taxonomistas na região.
A informatização completa do acervo ainda está em processo e figura como um dos principais objetivos da equipe, que agradeceu à direção do PZ e à Ufac pelo apoio contínuo aos servidores e à coleção, além de exaltar o esforço coletivo dos bolsistas, voluntários e parceiros que documentam, protegem e estudam a flora e funga brasileira.
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