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Energia limpa do Nordeste atrai data center para São Paulo – 11/10/2024 – Mercado

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Pedro Lovisi, Pedro S. Teixeira

Estados e executivos do Nordeste têm tentado atrair data centers para a região sob a justificativa de que é lá onde estão os principais projetos de energia renovável do país. Mas até agora a maior parte das empresas de tecnologia no Brasil optou por se instalar no Sudeste, fechando contratos com donos de parques e usinas de estados nordestinos apenas para o suprimento de eletricidade.

Uma das atrações do Nordeste, argumentam os estados, seria a enorme disponibilidade para a construção de novos projetos de energia renovável, já que as big techs geralmente exigem que a eletricidade que alimenta seus data centers venha de parques novos.

Mais distantes dos grandes centros de consumo e com dificuldades na rede de transmissão, porém, a região tem virado apenas fornecedora de energia limpa para esses data centers.

As grandes empresas de tecnologia colocam, antes de qualquer impacto social, suas estratégias comerciais, dizem executivos do setor ouvidos pela Folha. Por isso, não se importam de arcar com custos de transmissão do Nordeste ao Sudeste.

Inteligência artificial é um serviço caro e os clientes corporativos mais dispostos a investir na tecnologia estão no eixo Rio-São Paulo, aponta o vice-presidente de vendas da empresa de data centers Ascenty, Marcos Siqueira. Instalar as máquinas próximo aos clientes diminui a latência —tempo de espera entre o pedido e a resposta— do serviço, otimizando a experiência do consumidor.

Esses dois estados também têm mão de obra especializada à disposição, porque concentram o maior número de plantas no país. Por isso, as empresas têm mais segurança ao investirem nesses locais.

“Uma vez que isso começa a ganhar uma escala muito boa, de volume de negócios, as big techs começam a segmentar isso para outras regiões e para outros países”, afirma Siqueira, que também compõe o conselhor da Associação Brasileira de Data Centers.

A Microsoft e a Amazon, por exemplo, investiram na construção dos próprios parques de energia eólica no Rio Grande do Norte. A primeira em parceria com a AES Brasil, e a segunda com a Regera. Ambas as empresas, porém, concentraram seus investimentos em São Paulo, embora não revelem o exato local dos data centers por questão de segurança da informação.

“Muitos parques eólicos estão localizados em áreas remotas, o que traz limitações logísticas, além de uma lista extensa de requisitos”, disse a presidente da Microsoft no Brasil, Tania Cosentino. Ela sinalizou que a big tech deve continuar investindo na própria geração à medida que o consumo local aumente.

A Casa dos Ventos é uma das empresas que quer mudar esse cenário. A gigante do setor de energia eólica negocia com companhias de tecnologia a ida de data centers de inteligência artificial para o Nordeste, especialmente para o Ceará, estado onde a empresa nasceu e que hoje abriga grande parte dos cabos submarinos de internet do país.

Lucas Araripe, diretor-executivo da Casa dos Ventos, tem tentado convencer executivos do setor de tecnologia a instalarem seus data centers de inteligência artifical dentro de parques eólicos do Nordeste, o que garantiria a essas empresas descontos nas tarifas de transmissão e no pagamento de ICMS.

Nesse caso, os data centers precisariam também estar conectados à rede nacional para garantir o suprimento de energia em períodos de baixa geração eólica. A inclusão de de baterias nos parques também ajudaria.

Outra opção, aponta, seria instalar data centers em portos ou em ZPEs (Zonas de Processamento de Exportação), áreas indústrias voltadas à exportação e importação submetidas a um regime fiscal específico. A ideia é que esses data centers tratem os dados de consumidores de outros países, como se fosse importação e exportação de serviço –essa alternativa ainda precisa ser regulamentada.

“Do ponto de vista energético, a gente é competitivo, mas acho que talvez em tributação e segurança jurídica, o Brasil deveria ser mais facilitador”, diz Araripe.

Mas a ida de data centers adaptados para IA ao Nordeste também esbarra na capacidade de transmissão de energia dentro da região. Cada uma dessas estruturas consome entre 150 MW (megawatts) e 500 MW, o que exigiria um protocolo específico do Ministério de Minas e Energia para obter acesso à rede.

Segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), projetos de data centers já protocolaram intenção de captar 3,5 GW (gigawatts) até 2037 em todo o país, sendo a grande maioria em São Paulo. Em comparação, a carga máxima de energia do Nordeste é de 16 GW.

Até por isso, autoridades do Nordeste têm pressionado autoridades do governo federal a chamar novos leilões de transmissão para a região. A ideia é conciliar o interesse de atrair data centers com a chegada de plantas de hidrogênio verde aos estados nordestinos –que exigem ainda mais energia.

“Todos os cabos submarinos que chegam ao Brasil chegam através de Fortaleza. Por isso faz sentido termos um hub de data centers, já que a latência é muito baixa. Pode-se processar o dado aqui e voltar para o cliente muito rapidamente, seja no Brasil, Europa, EUA, África, onde ele estiver”, diz Hugo Figueiredo, presidente do complexo portuário e industrial do Pecém, que também é uma ZPE. Ele estima que o Ceará tenha uma folga em suas linhas de transmissão de no máximo 3 GW.

A EPE prepara hoje um estudo sobre o tema. Esse levantamento ponderará quais projetos passam de meras intenções e dimensionará a expansão necessária do sistema. A partir daí, serão organizados licitações e leilões.

“É fundamental planejar essas ampliações com cuidado, pois a infraestrutura será paga por todos os usuários”, diz o superintendente de Transmissão de Energia da EPE, Thiago Dourado Martins. A avaliação da estatal deve ficar pronta em um ano. “A preocupação é evitar considerar projetos com baixa maturidade, o que poderia deixar a rede de transmissão ociosa.”

Enquanto isso, os data centers que chegam ao Brasil continuam preferindo se instalar no Sudeste.

A americana Atlas Renewable Energy, por exemplo, deve fechar nos próximos dias contrato com uma empresa de data centers que opera em capitais do Sudeste. A empresa de energia vai instalar placas solares em uma cidade do norte de Minas Gerais –uma das regiões mais pobres do estado– para alimentar as operações de um data center. A ideia é que 60% dos 120 MWm (megawatts-médio) gerados no empreendimento sejam adquiridos pela companhia de tecnologia.

Fábio Bortoluzo, diretor da Atlas no Brasil, diz que a empresa optou por instalar o projeto solar em Minas Gerais devido às características físicas da região e os custos de transmissão de energia, menores do que os do Nordeste, onde as redes estão estressadas com a crescente geração de energia. “A qualidade da rede é um critério fundamental para um bom serviço de data center”, diz.



Leia Mais: Folha

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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