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Entenda o que fez o dólar acumular alta de 27% em 2024 – 30/12/2024 – Mercado

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Tamara Nassif

O ano de 2024 deixou um saldo amargo para os ativos brasileiros. O dólar que o diga. De janeiro até esta segunda (30), a moeda norte-americana subiu 27% em relação ao real, segundo a plataforma CMA –resultado de ondas de disparadas que a grande maioria do mercado não previa no apagar das luzes de 2023.

O primeiro boletim Focus do ano, publicado em 5 de janeiro, estimava que a divisa dos Estados Unidos estaria cotada a cravados R$ 5 na virada para 2025. Seria uma alta de 4% em relação ao patamar que a moeda rondava na época da publicação do relatório do BC (Banco Central), de R$ 4,80.

Mas o dólar encerrou 2024 em R$ 6,179, depois de atingir o recorde de R$ 6,26 no dia 18 deste mês. Dezembro foi marcado por intervenções do Banco Central na moeda. Com um novo leilão de dólares à vista realizado nesta segunda, a autoridade monetária injetou ao menos US$ 32,6 bilhões no mercado desde o último dia 12 –o maior valor já registrado em um mês.

A venda vem para atender às demandas de liquidez do mercado cambial brasileiro. Essa modalidade de leilão funciona como uma injeção de dólares no mercado à vista, atenuando disfuncionalidades nas negociações e, consequentemente, diminuindo a cotação da moeda.

Os recordes do dólar em relação ao real a um único motivo, de acordo com especialistas consultados pela Folha. São três principais: dois vindos de fora do país e um doméstico.

O primeiro deriva da política monetária dos Estados Unidos. Desde a pandemia, em 2020, o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) vinha sustentando a taxa de juros do país em níveis elevados para conter a inflação, e a grande expectativa era sobre quando os cortes começariam. A economia dos EUA é considerada a mais segura do mundo e, em tempos de juros altos, é comum que investimentos saiam de outros países e sejam dirigidos para lá.

Por isso, quando a inflação norte-americana e o mercado de trabalho começaram a dar sinais de arrefecimento, no final de 2023, se instalou “um grande oba-oba entre os investidores”, explica Thais Zara, economista sênior da LCA Consultores.

As leituras de inflação e de desemprego se tornaram o grande foco do mercado. Os investidores se ajustavam a cada nova bateria de dados para tentar antever quando o primeiro corte chegaria, “criando várias ondas de valorização e desvalorização do dólar”, diz Zara, até a redução de fato acontecer em setembro.

Mas, em paralelo, um componente nacional começou a pressionar o câmbio: a percepção de risco sobre a estabilidade das contas públicas do país.

Gestado pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda) ainda no primeiro ano do governo Lula 3, o novo arcabouço fiscal foi posto em prática em 2023 e despertou otimismo no mercado financeiro. Inicialmente, a meta era zerar o déficit primário em 2024, seguido por um superávit de 0,5% em 2025 e de 1% em 2026.

Em abril deste ano, porém, as metas foram alteradas. O governo passou a prever déficit zero em 2025 e traçou uma nova trajetória para os anos seguintes.

O resultado foi uma erosão da credibilidade criada pelo arcabouço fiscal e de uma percepção crescente de que, caso ajustes não fossem feitos, a trajetória da dívida pública perderia a previsibilidade.

“Começou a ficar claro que várias despesas estavam furando o arcabouço. A gente já tinha visto esse filme antes, com o teto de gastos anterior, e as projeções do mercado mostravam que, ao longo do tempo, as contas públicas ficariam de novo sob uma regra insustentável”, explica Zara.

“Quando você tem um endividamento público explosivo em um determinado país e a percepção de que o governo não vai conseguir conter esse crescimento, os investidores se sentem menos confortáveis de investir nele.”

Para conter a disparada do dólar, a ala econômica do governo passou a acenar à responsabilidade fiscal e à agenda de corte de despesas em meados de junho.

Mas, em julho, o terceiro fator de pressão do dólar começava a se ensaiar: a possível, e depois confirmada, vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

O republicano foi eleito presidente em 6 de novembro, dando vazão para investimentos do chamado “Trump Trade”, isto é, ativos que podem se beneficiar sob o novo governo. Incluem-se nisso criptomoedas, ações da Tesla e, principalmente, o dólar.

Caso cumpra as promessas de campanha, ele aumentará tarifas e fará deportações em massa. “São medidas consideradas inflacionárias e nada triviais. Vão forçar o Fed a manter juros altos e eventualmente até subir a taxa, o que pode pesar ainda mais no dólar”, diz Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master.

Os juros norte-americanos estão atualmente na faixa de 4,25% a 4,5%, depois de um corte de 0,50 p.p. e outros dois de 0,25 p.p. As previsões de uma inflação acelerada com Trump, somadas a dados econômicos mais benignos, fez a autoridade monetária sinalizar um ritmo mais lento de flexibilização no próximo ano.

Com isso em vista, a moeda se valorizou globalmente. “Houve uma nova escalada diante de várias moedas. O dólar se valorizou mais de 5% entre outubro e novembro em relação a uma cesta de outras seis divisas fortes [índice DXY], o que é muita coisa, e o real capotou nessa história, também pressionado pela cena fiscal”, diz Gala.

O repique final do dólar ante o real aconteceu no final de novembro. Um mês depois de anunciar que estava organizando um pacote de corte de gastos, o governo apresentou, no dia 27 do mês passado, medidas para endereçar os temores sobre a estabilidade das contas públicas.

A estimativa da Fazenda era de uma economia de R$ 70 bilhões entre 2025 e 2026. Mas a reação dos investidores foi oposta à esperada: o dólar cruzou a marca de R$ 6, os juros futuros dispararam e a Bolsa perdeu mais de 3% desde a data do anúncio.

Isso porque, junto do pacote fiscal, o governo também anunciou o aumento da faixa de isenção do IR (Imposto de Renda) para quem ganha até R$ 5 mil, uma das propostas de campanha do presidente Lula nas eleições de 2022. A medida afeta uma fonte de arrecadação —cerca de R$ 35 bilhões—, compensada, segundo Haddad, por uma alíquota mínima de 10% no IR de quem ganha mais de R$ 50 mil por mês.

O ministro diz que o impacto fiscal da reforma da renda é nulo, mas, para o mercado, a apresentação das duas propostas ao mesmo tempo “pegou muito mal”, diz Matheus Massote, sócio da One Investimentos.

“Quando o anúncio finalmente veio, ele chegou falando também de outra coisa: de uma desoneração fiscal. Isso não mudou o impacto do pacote, mas demonstrou falta de compromisso com uma pauta muito importante. Estávamos falando de corte de gastos e o governo colocou uma proposta no meio do caminho que caminhava no sentido contrário.”

A reforma da renda será avaliada apenas no próximo ano. Já o pacote de ajustes foi aprovado pelo Congresso no último dia útil de plenário, na sexta-feira (20). As medidas, porém, foram desidratadas, e, segundo cálculos iniciais, a previsão é que até R$ 20 bilhões da conta original deixem de ser poupados nos próximos dois anos.

O mercado já cobra por mais ajustes fiscais, e Haddad afirmou que há espaço para outras contenções. A expectativa é que o dólar arrefeça para R$ 5,96 no final de 2025, segundo o último boletim Focus do ano.

“Com Trump, nós esperamos um dólar mais forte no ano que vem, mas o que vai ditar a valorização ou não das outras moedas vai ser a economia de cada país. Para o Brasil, que tem muita volatilidade interna, vai depender do que será feito no fiscal”, diz Massote.



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Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre

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Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre

A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, na Reitoria, campus-sede, a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, no âmbito da caravana Aqui Tem MEC, iniciativa do Ministério da Educação voltada ao acompanhamento de ações e investimentos nas instituições federais de ensino.

Durante a agenda, o ministro destacou que a caravana tem percorrido instituições federais em diferentes Estados para conhecer a realidade de cada campus, dialogar com gestores e a comunidade acadêmica, além de acompanhar as demandas da educação pública federal.

Ao tratar dos investimentos relacionados à Ufac, a reitora Guida Aquino destacou a obra do campus Fronteira, em Brasileia, que conta com R$ 40 milhões em recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A estrutura terá seis cursos, com salas de aula, laboratórios, restaurante universitário e biblioteca.

Abordando a visita, Guida ressaltou a importância da universidade para o Estado e a missão da educação pública. “A Ufac é a única universidade pública federal de ensino superior do Acre e, por isso, tem papel estratégico na formação e no desenvolvimento regional. A educação é que transforma vidas, transforma o país.”

Outro tema tratado durante a agenda foi a implantação do Hospital Universitário no Acre. Camilo Santana afirmou que o Estado é o único que ainda não conta com essa estrutura e informou que o governo federal dispõe de R$ 50 milhões, por meio do Novo PAC, para viabilizar adequações e a implantação da unidade.

Ele explicou que a prioridade continua sendo a concretização de uma parceria para doação de um hospital, mas afirmou que, se isso não ocorrer, o MEC buscará outra alternativa para garantir a instalação do serviço no Estado. “O importante é que nenhum Estado desse país deixe de ter um hospital universitário”, enfatizou.

Guida reforçou a importância do projeto e disse que o Hospital Universitário já poderia ser celebrado no Acre. Ao defender a iniciativa, contou que a unidade contribuiria para qualificar o atendimento, reduzir filas de tratamento fora de domicílio e atender melhor pacientes do interior, inclusive em casos ligados às doenças tropicais da Amazônia. Em tom crítico, declarou: “O cavalo selado, ele só passa uma vez”, ao se referir à oportunidade de implantação do hospital.

Após coletiva de imprensa, o ministro participou de reunião fechada com pró-reitores, gestores, políticos e parlamentares da bancada federal acreana, entre eles o senador Sérgio Petecão (PSD) e as deputadas Meire Serafim (União) e Socorro Neri (PP).

A comitiva do MEC foi formada pela secretária de Educação Básica, Kátia Schweickardt; pelo secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli; pelo secretário de Educação Superior, Marcus Vinicius David; e pelo presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Arthur Chioro.

Laboratório de Paleontologia

Depois de participar de reunião, Camilo Santana visitou o Laboratório de Paleontologia da Ufac. O professor Edson Guilherme, coordenador do espaço, apresentou o acervo científico ao ministro e destacou a importância da estrutura para o avanço das pesquisas no Acre. O laboratório foi reformulado, ampliado e recentemente reinaugurado.

Aberto para visitação de segunda a sexta-feira, em horário de expediente, exceto feriados, o local reúne fósseis originais e réplicas de animais que viveram no período do Mioceno, quando o oeste amazônico era dominado por grandes sistemas de rios e lagos. A entrada é gratuita e a visitação é aberta a estudantes e à comunidade em geral.

 



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A PROGRAD — Universidade Federal do Acre

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A Pró‑Reitoria de Graduação (Prograd) da Universidade Federal do Acre (Ufac) é o órgão responsável pelo planejamento, coordenação e supervisão das atividades acadêmicas relacionadas ao ensino de graduação. Sua atuação está centrada em fortalecer a formação universitária, promovendo políticas e diretrizes que assegurem a qualidade, a integração pedagógica e o desenvolvimento dos cursos de bacharelado, licenciatura e demais formações presenciais e a distância. A Prograd articula ações com as unidades acadêmicas, órgãos colegiados e a comunidade universitária, garantindo que os currículos e práticas pedagógicas estejam alinhados aos objetivos institucionais.

Entre as principais atribuições da Prograd estão a coordenação da política de ensino, a supervisão de programas de bolsas voltadas à graduação, a análise e encaminhamento de propostas normativas e a participação em iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior.

A Prograd é organizada em três diretorias, cada uma com funções específicas e complementares:

Diretoria de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino — responsável por ações estratégicas voltadas ao desenvolvimento de metodologias, à regulação e ao apoio pedagógico dos cursos de graduação.

Diretoria de Apoio à Formação Acadêmica — dedicada a acompanhar e apoiar as atividades acadêmicas dos estudantes, incluindo estágios, mobilidade estudantil e acompanhamento da formação acadêmica.

Diretoria de Apoio à Interiorização e Programas Especiais — voltada à gestão de programas especiais, políticas de interiorização e ações que ampliam o acesso e a permanência dos alunos em diferentes regiões.

A Prograd participa, ainda, de iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior, integrando docentes, estudantes e gestores em fóruns, encontros e ações que visam à atualização contínua dos processos formativos e ao atendimento das demandas sociais contemporâneas.

Com compromisso institucional, a Pró‑Reitoria de Graduação contribui para que a UFAC cumpra seu papel educativo, formando profissionais críticos e comprometidos com as realidades local e regional, garantindo um ambiente acadêmico de excelência e responsabilidade social.

Ednacelí Abreu Damasceno
Pró-Reitora de Graduação



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Orientação sobre revalidação e reconhecimento de diplomas — Universidade Federal do Acre

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Orientações para abertura de processo administrativo e procedimentos acerca da revalidação de diploma de graduação e reconhecimento de diplomas de pósgraduação stricto sensu emitidos por instituições estrangeiras, conforme a Resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

Abertura do Processo

I – Preenchimento do Formulário Padrão (conforme modelo disponibilizado);

II – Documentos pessoais exigidos:

• Cópia do documento de identidade para brasileiros ou naturalizados, e, se estrangeiro, cópia da identidade e do visto permanente, expedido pela Superintendência da Polícia Federal, ou passaporte com visto permanente, concedido pela autoridade competente;

• Comprovante de residência;

• Comprovante de quitação com o serviço militar, para brasileiros do sexo masculino;

• Comprovante de quitação com o serviço eleitoral, para brasileiros e naturalizados;

III – Documentos acadêmicos exigidos:

• Para revalidação, conforme Art. 10, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

• Para reconhecimento, conforme Art. 33, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

IV – Preenchimento do Termo de aceitação, exclusividade e autenticidade, conforme modelo disponibilizado pelo NURCA;

V – Solicitação de abertura de processo no Protocolo Geral da UFAC, direcionado ao NURCA, com a apresentação da documentação exigida nos itens de I a IV;

Submissão da documentação na Plataforma Carolina Bori – Link: http://plataformacarolinabori.mec.gov.br

O interessado deve submeter a documentação no formato .pdf, agrupando diferentes documentos em arquivo único conforme indicado abaixo:

Arquivo 1 em .PDF:

1. Formulário Padrão preenchido (conforme modelo disponibilizado);

2. Documentos pessoais exigidos:

a) Cópia do documento de identidade para brasileiros ou naturalizados, e, se estrangeiro, cópia da identidade e do visto permanente, expedido pela Superintendência da Polícia Federal, ou passaporte com visto permanente, concedido pela autoridade competente;

b) Comprovante de residência;

c) Comprovante de quitação com o serviço militar, para brasileiros do sexo masculino;

d) Comprovante de quitação com o serviço eleitoral, para brasileiros e naturalizados;

Arquivo 2 em PDF:

1. Diploma e Histórico (Itens I e II do Artigo 10 ou Itens II e IV do artigo 33 da Resolução nº 003, de 14 de março de 2017);

Arquivo 3 em PDF:

1. Documentos acadêmicos exigidos excetuando-se os do Arquivo 2:

a) Para revalidação, conforme Art. 10, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

b) Para reconhecimento, conforme Art. 33, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017, excetuando item III (vide Arquivo 5).

Arquivo 4 em PDF:

1.Termo de aceitação, exclusividade e autenticidade, preenchido conforme modelo disponibilizado pelo NURCA; da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

Arquivo 5 em PDF:

a) Para os casos de reconhecimento: Exemplar digital da tese ou dissertação com registro de aprovação da banca examinadora e documentações complementares, conforme item III do Art. 33 da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017. 

Fluxo do Processo

VI – Recebimento do processo pelo NURCA e encaminhamento para o Centro pertinente, que constituirá Comissão;

VII – Retorno do processo ao NURCA no prazo de 15 dias;

VIII – Sendo favorável o parecer da Comissão, será autorizada a emissão de GRU, bem como, o seu devido pagamento (R$ 1.200,00 – graduação; mestrado – R$ 1.500,00 e doutorado R$ 2.000,00), devendo ser incluída a via original ou cópia autenticada por servidor da UFAC no processo de revalidação.

a) Em caso de parecer negativo, o processo será disponibilizado para consulta, retirada de documentação e/ou ajuste quando for pertinente.

IX – Retorno do processo ao Centro para a Comissão concluir a revalidação no prazo restante dos seis meses.

Formulário Padrão

Termo de Aceitação, Exclusividade e Autenticidade

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