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‘Estamos arrasados’: afro-equatorianos lamentam quatro meninos encontrados mortos após encontro com militares | Equador
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2 anos atrásem
Tiago Rogero and Blanca Moncada in Guayaquil
EUSmael Arroyo, 15 anos, sonhava em se tornar um grande jogador de futebol, como o brasileiro Neymar. Seu irmão, Josué, de 14 anos, preferia o astro francês Kylian Mbappé. Para Steven Medina, 11 anos, jogar como Neymar ou Mbappé teria sido ótimo. Nehemías Saúl Arboleda, 14 anos, tinha um sonho diferente: aspirava ser cantor.
Os quatro meninos negros da cidade costeira de Guayaquil, no Equador, tinham acabado de terminar uma partida de futebol numa noite de domingo do mês passado, quando estavam forçado a entrar em um carro patrulha militar por membros da força aérea equatoriana.
Foi a última vez que os meninos foram vistos com vida.
Durante duas semanas agonizantes, os seus pais procuraram respostas do governo, sem sucesso. Então, na véspera de Natal, quatro corpos carbonizados e desmembrados foram encontrados perto de uma base militar perto do local de sua detenção.
Na véspera de Ano Novo, Testes de DNA confirmaram que os restos mortais pertenciam aos “Quatro Guayaquil”provocando uma onda de tristeza e indignação em todo o país.
“Estamos arrasados”, disse Luís Arroyo, 36 anos, pai de Ismael e Josué, na sala de sua casa em Las Malvinas, um bairro densamente povoado e empobrecido onde todos os meninos viveram. “Isso mudou completamente nossas vidas”, ele soluçou.
O aniversário da filha mais nova dos Arroyos, Akira, foi no dia 2 de janeiro, disse a mãe das crianças, Katty, 37.
“À noite, ela acorda chorando, perguntando pelos irmãos”, disse ela. “Ela manteve a esperança de que seus irmãos estariam aqui em seu aniversário.”
Na quarta-feira, um mês depois do desaparecimento dos meninos, seus pais se juntaram a centenas de vizinhos e ativistas de toda a cidade mais populosa do Equador para uma gualo, um ritual fúnebre das populações afrodescendentes da costa do Equador e da Colômbiadestinado a ajudar as almas das crianças falecidas a encontrar a paz.
Carregando folhas de palmeira e rosas brancas a multidão majoritariamente negra passou pelas casas de cada um dos meninos ao som de tambores arrulhar – canções de ninar para os mortos – e gritos por justiça.
“Suportamos tudo isso simplesmente porque somos afro-equatorianos e moramos em Las Malvinas”, disse Arroyo.
Apesar de representar apenas 4,8% da população – um número que Movimentos negros argumentam que é subestimado – Os afro-equatorianos estão entre os mais afetados pela morte de um ano do presidente Daniel Noboa mão firme política de segurança (punho de ferro) contra o crime organizado, dizem os activistas.
“A violência que enfrentamos – por parte do Estado e de muitos membros da sociedade – está a matar-nos”, disse a activista dos direitos humanos Cecilia Sánchez, 57 anos, que estava no meio da multidão. “O Equador é um país racista, mas o racismo não faz parte do debate nacional.”
A morte dos quatro meninos ocorreu quase um ano depois de uma explosão de crimes – incluindo um ataque de gangue a um estúdio de TV durante uma transmissão ao vivo – levou Noboa a declarar um “conflito armado interno”, mobilizando as forças armadas para patrulhar as ruas, conduzir operações antidrogas e controlar as prisões.
A taxa de homicídios despencou nos primeiros meses, mas depois voltou perto dos níveis anteriormente surpreendentes, tornando 2024 o segundo ano mais violento da história do paíssuperado apenas pelo ano anterior. Entretanto, outros crimes, como o rapto e a extorsão, continuaram a aumentar.
Grande parte da violência centrou-se em Guayaquil, a cidade mais populosa do Equador e um ponto de passagem fundamental para o comércio de cocaína. As autoridades europeias atribuem à repressão uma grande redução nas remessas de drogas, mas especialistas em segurança dizem que a estratégia de Noboa levou à reorganização dos grupos criminosos do país.
Entre os equatorianos, as medidas duras têm sido amplamente populares, apesar das crescentes alegações de direitos humanos contra as forças de segurança, mas grupos de direitos humanos dizem que o caso dos Quatro de Guayaquil provocou uma mudança nas atitudes públicas em relação à guerra de Noboa contra as gangues.
Os activistas dos direitos dos negros esperam que a morte dos rapazes também possa levar o Equador a reconsiderar a sua história racial, da mesma forma que o assassinato de George Floyd fez nos EUA.
“Pela primeira vez, uma questão afro-racial tornou-se uma causa partilhada no nosso país”, disse Uriel Castillo Nazareno, coordenador do Movimento Nacional Afro-Descendente do Equador.
Tal como noutros países da diáspora africana causada pelo comércio transatlântico de escravos, os negros no Equador enfrentam os piores indicadores socioeconómicos, mas a raça raramente desempenhou um papel central no debate nacional.
“Nosso povo vive nas zonas empobrecidas das cidades porque não nos foi dada nenhuma outra possibilidade ao longo da história”, disse Nazareno, que ajudou a organizar o gualo.
“O ritual também foi uma mensagem de reflexão para os vivos”, disse ele. “Por que esses meninos tiveram que morrer?”.
O ritual culminou no local onde os meninos foram apreendidos, a apenas 10 minutos de caminhada de suas casas. Ao final da cerimônia, o espaço foi transformado em altar com velas, fotografias e a imagem angustiante de pais enlutados e ajoelhados e angustiados, ainda em busca de respostas sobre o que aconteceu com seus filhos.
Os militares inicialmente negou qualquer envolvimento nos desaparecimentos. Mais tarde, admitiu que o pessoal da Força Aérea tinha detido os rapazes, mas alegou – sem apresentar qualquer prova – que tinham estado envolvidos num assalto.
Dezesseis soldados estão agora em prisão preventiva. Os promotores também estão investigando se, além do “desaparecimento forçado”, os militares também foram responsáveis pelas suas mortes.
“O fato de estarem na prisão não é suficiente”, disse Ronny Medina, 39 anos, pai do mais novo dos meninos, Steven, de 11 anos. “Queremos saber o que eles fizeram e por que fizeram isso com nossos filhos.”
Até agora, o presidente tem evitado abordar o caso. Sua única menção ocorreu um dia antes dos corpos serem encontrados, quando disse que os meninos deveriam ser considerados “heróis nacionais”, mas enfatizou que ainda não era hora de tratar o caso como “crime de Estado”.
Noboa, o herdeiro de uma fortuna de bananas e o mais jovem presidente do Equadorestá atualmente em campanha para a reeleição, com o primeiro turno marcado para 9 de fevereiro. Na quinta-feira, completando um ano desde o ataque armado ao canal TC Televisión, Noboa visitou o estúdio acompanhado de militares.
“O presidente nem sequer me apresentou as suas condolências”, disse Luís Arroyo.
“Sinto falta dos meus filhos. Eu os amo mais do que você pode imaginar. Não sou mais a mesma pessoa que era antes.”
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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21 horas atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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Consu aprova comissão para destinar cotas a pessoas transgênero — Universidade Federal do Acre
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1 semana atrásem
1 de outubro de 2026O Conselho Universitário (Consu) da Ufac aprovou a criação de uma comissão para elaborar a proposta de cotas de acesso à graduação para pessoas transgênero, que é uma pauta da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), recentemente criada com o objetivo de expandir políticas de inclusão na universidade. A aprovação ocorreu nessa quarta-feira, 30, na 5ª Reunião Ordinária do Consu, realizada no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, campus-sede.
A Ufac já possui regulamentação que garante o acesso por cotas à comunidade transgênero na pós-graduação desde 2023. A proposta aprovada pelo Consu busca ampliar esse direito para a graduação, assegurando não apenas a entrada, mas também o acompanhamento para permanência de estudantes até a conclusão dos cursos.
A comissão terá prazo de 90 dias para realizar os estudos e apresentar a minuta final do projeto. O grupo terá formação intersetorial, reunindo representantes das três categorias acadêmicas: docentes, técnico-administrativos e discentes, além de representantes de entidades e movimentos sociais da sociedade civil voltados aos direitos da população transgênero no Acre.
“Reafirmamos nosso compromisso ao instituir a comissão que vai deliberar sobre as cotas trans”, disser o reitor Josimar Ferreira. “Trata-se de uma ação demandada pela sociedade para incluir populações historicamente invisibilizadas, garantindo que as ações afirmativas façam parte da história do nosso conselho.”
Segundo a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Letícia Mamed, a política visa transformar a realidade de um dos grupos mais marginalizados socialmente. “Precisamos atentar para a garantia de acesso, permanência e dignidade para que essa comunidade possa construir seus projetos de vida com mais oportunidades”, comentou. “No Brasil, cerca de 30 universidades já adotam políticas semelhantes, e a Ufac dá um passo essencial para consolidar essa transformação.”
Integrante do Consu, a professora Raquel Ishii ressaltou que a comissão foi criada para ir além da gestão superior da universidade. “Considero essa aprovação uma grande vitória para a sociedade civil e para a universidade. A comissão amplia o debate da pós-graduação para a graduação. Trata-se de um grupo bem amplo, constituído não só pela gestão, mas com convites abertos ao Diretório Central dos Estudantes e a movimentos sociais externos à universidade.”
(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)
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