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‘Estou fazendo algo com minha miséria’: um pai de Parkland leva sua dor ao palco | Estágio
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David Smith in Washington
Noite após noite, numa sala escura cheia de estranhos, Manuel Oliver revisita a morte do seu filho adolescente.
Joaquin “Guac” Oliver e outras 16 pessoas foram assassinados na escola secundária Marjory Stoneman Douglas em Parkland, Flórida, em 14 de fevereiro de 2018. Manuel Oliver transformou essa perda insondável em arte, incluindo uma exposição individual intitulada Guacamole que homenageia seu filho e aborda o flagelo da violência armada na América.
“Foi doloroso antes de se tornar um roteiro de teatro e ainda é doloroso”, diz Oliver por telefone, de sua casa em Parkland. “Mas pelo menos estou fazendo algo com minha miséria. Estou usando minha tristeza para evitar que outros passem pela mesma situação.”
Escrito e interpretado por Oliver, co-escrito por James Clementes e dirigido por Michael Cotey, Guac já se apresentou em diversas cidades dos EUA e chega a Washington no dia 25 de janeiro – menos de uma semana depois da posse de Donald Trump, um feroz aliado do lobby das armas num país onde 327 pessoas são baleadas todos os dias.
Oliver, 57 anos, fazia discursos sobre segurança com armas em comícios e outros eventos, mas estes eram necessariamente limitados a apenas alguns minutos. Teatroele percebeu, poderia lhe dar uma hora ou mais e chamar a atenção do público. As reações à peça de 90 minutos foram totalmente positivas.
“O programa capacita as pessoas”, diz ele. “Alguns pais provavelmente se identificam comigo e podem pensar bem, se ele puder fazer isso, talvez eu possa fazer alguma coisa. Portanto, há muita esperança na reação do público.
“Esta não é uma peça triste. Sempre priorizei os 17 anos que Joaquin esteve aqui e não os seis minutos que um assassino levou para acabar com sua vida. Trata-se mais de uma linda história de uma criança, de sua família, de como viemos para este país em busca de um futuro melhor e mais seguro e depois descobrimos que estávamos errados. Não repassamos todas as possibilidades e aqui estamos pagando o preço.”
Oliver, sua esposa Patricia e seus dois filhos nasceram na Venezuela, mas ficaram preocupados com a deterioração do clima social e político do país. Eles emigraram para a América há 21 anos, começando do zero, mas trabalhando duro e encontrando o seu caminho. Em 2018, Oliver trabalhava como diretor criativo na indústria musical e sentia que estava vivendo o sonho americano.
Ele lembra: “Era uma vida perfeita. Pelo menos foi o que pensei. Eu costumava andar de moto até o escritório e voltar para minha casa e sair com meu filho. Éramos como melhores amigos. Nós nos divertimos muito.
“Ele adorava música; Eu também. Pudemos trocar gostos musicais. Contei a ele sobre os Ramones, os Sex Pistols e o Clash. Ele me contaria sobre Jay-Z e Frank Ocean. Aprenderíamos com os gostos um do outro. Ele era um cara muito atlético e praticava quase todos os esportes. Eu não, então isso foi outra coisa a aprender.
Joaquin adorava futebol americano e futebol. Oliver continua: “Sempre tive consciência a Premier League. Eu morei em Manchester quando era criança. Ele sempre quis ir para a Inglaterra para que eu pudesse trazê-lo para Manchester e ver alguns jogos de futebol e isso nunca aconteceu. Ele não tinha tempo para isso.
“Joaquin era um garoto muito esperto, inteligente, um ser humano muito bonito. Ele também foi um grande escritor. Ele adorava poesia. Oh, meu Deus, que perda. Não é só que sinto falta de Joaquin. É terrível que ninguém mais possa sair com ele. É uma pena.”
Quando Oliver se volta para os acontecimentos de 14 de fevereiro de 2018, ele começa com um contexto importante. “O dia em que Joaquin foi assassinado aconteceu há 370 mil vítimas. Não foi um acontecimento isolado e não parou naquele dia. Isso é algo para se preocupar muito.”
Oliver deixou o filho na escola no Dia dos Namorados. “Ele estava trazendo flores para a namorada. Chegamos na escola, ele me deu um abraço, me deu um beijo, nos despedimos, ele saiu do carro e pedi para ele me ligar para eu saber como foi o dia. Essa foi a última vez que pude falar com meu filho – a última vez que o vi vivo. Eu o vi novamente – morto – na funerária.”
Oliver foi para o escritório como sempre. Por volta das 13h30, ele recebeu um telefonema de Patrícia, informando que havia uma situação de “atirador ativo” na escola do filho. Ele pesquisou mais detalhes no Google e dirigiu até a escola o mais rápido que pôde.
Ele continua: “Toda a área foi bloqueada pela polícia. Você poderia dizer que algo muito assustador estava acontecendo. Você podia ver as crianças correndo da escola. Dava para ver as crianças formando filas: elas se encontrariam com os pais. É uma situação totalmente caótica que eu não desejaria para o meu pior inimigo.”
Oliver e sua esposa foram lançados no purgatório enquanto aguardavam notícias. Os tiroteios em massa são tão comuns nos EUA que existe um protocolo formal. “É um pesadelo total que começa não só quando você sabe, mas quando você se pergunta se seu filho é uma das vítimas.”
Finalmente, cerca de 14 horas depois de deixar Joaquin na escola, Oliver soube que seu filho havia sido morto pelo atirador. “Esse é o momento que divide sua vida em duas. Qualquer coisa antes disso dá um pouco de esperança, como se ele devesse ficar bem, vamos encontrá-lo, por que isso está acontecendo com ele? Não é verdade. Não vou aceitar esta realidade.
“Então, quando você finalmente sabe disso, essa esperança desaparece e agora você está nesta nova situação onde você não quer estar e nem mesmo entende. Toda a sua vida muda. É incrível que eu possa falar sobre isso agora e é incrível que eu possa colocar isso em um palco para que outros saibam disso. Mas também é mais incrível que isso continue acontecendo. Não estamos ofendidos o suficiente. Não estamos bravos o suficiente com isso.”
Tornou-se um ritual absurdo para os políticos republicanos oferecerem as suas “esperanças e orações” após tiroteios em massa e insistirem que este não é o momento para política, enquanto os democratas e ativistas apelam à ação para conter uma epidemia de violência armada que tem matou mais americanos nos últimos 50 anos do que todas as guerras da história dos EUA.
Em 2022, Joe Biden sancionou a primeira grande legislação sobre segurança de armas aprovada pelo Congresso em quase 30 anos. Mas em uma cerimônia na Casa Branca ele foi questionado por Olivervestindo uma camisa com a foto do filho e uma mensagem exigindo troca. Oliver e sua esposa foram presos depois de interromper uma audiência do Congresso sobre regulamentações sobre armas no ano seguinte.
Oliver está farto de políticos. “Não se trata de fazer parte do Partido Democrata ou do Partido Republicano. Não há ideologia política aqui que faça as pessoas matarem outras. Isso é uma coisa cultural. Nos Estados Unidos glorificamos as armas. É como ter orgulho de ter armas. Temos mais armas do que pessoas. Os políticos fazem parte dessa cultura.
“Sei que algumas ideologias políticas são mais conservadoras e mais alinhadas com a cultura das armas, mas, no final das contas, tínhamos outros tipos de políticos no poder. Tivemos o partido azul assumindo o controle da Câmara e do Senado e o partido vermelho a mesma coisa e então tivemos um presidente negro. Depois temos um presidente muito republicano eleito para os próximos quatro anos e nenhum deles conseguiu resolver o problema.”
Ele acrescenta: “Portanto, não creio que os políticos sejam capazes de resolver este problema. Não é uma resposta política que espero aqui. Espero que nossa sociedade evolua o suficiente para entender. Está a acontecer com um grande número de jovens americanos que estão mais preocupados com as coisas que realmente importam: as alterações climáticas, os direitos dos homossexuais, os direitos das mulheres e também a violência armada”.
Oliver quer fazer parte dessa solução. “Essa é minha única opção aqui. Não posso mais ser um pai normal, então tenho que ser aquele pai que traz sua própria voz ao palco, então farei isso. Estou feliz em fazer isso. Prefiro fazer isso do que simplesmente passar o dia e ficar bem com isso. Eu não estou bem com isso.”
Oliver e sua esposa fundaram Alterar a referênciaque visa ajudar os jovens a se manifestarem contra a violência armada e a eliminar os políticos que recebem dinheiro da Associação Nacional do Rifle. A organização sem fins lucrativos apresentará ativista obras de arte e escultura no saguão do teatro Woolly Mammoth durante a exibição de Guac.
As intervenções de Oliver também incluíram viagens para locais de outros tiroteios em escolas em um ônibus escolar reformadodesenrolando uma foto de seu filho em um guindaste de 150 pés de altura perto da Casa Branca e montar uma instalação de arte com duração de um ano apresentando 22 murais, esculturas, imagens impressas em 3D e pinturas de Joaquin em todo o país.
Não era o que ele esperava quando imigrou há duas décadas. Oliver tem cidadania norte-americana e, apesar de sua perda e A agenda xenófoba de Trumpcontinua comprometido com o país. Ele reflete: “Viajamos muito. Adoro ir para Londres e adoraria me mudar para Madrid, mas tenho um motivo muito forte para ficar aqui e é o fato de meu filho ter sido baleado e morto aqui.
“Eu me recuso a deixar de ser pai dele. Em outras palavras, perdi Joaquin, mas Joaquin ainda não me perdeu. Ainda estou aqui respirando e tenho que estar aqui respirando para poder fazer coisas como esse show.”
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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4 dias atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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1 semana atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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