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Estrangeiros relatam maus-tratos em repatriação do Brasil – 01/02/2025 – Mundo
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1 ano atrásem
Raquel Lopes
Estrangeiros de diferentes nacionalidades repatriados do Brasil relataram uso de algemas para embarcar em voos de retorno aos seus países de origem, além de maus-tratos no aeroporto de Guarulhos (SP).
As declarações estão registradas em 11 relatórios da Defensoria Pública da União, produzidos de agosto a dezembro e obtidos pela Folha. Advogados que atuam nesses casos também se queixam do tratamento dispensado aos migrantes estrangeiros.
A Defensoria monitora a situação dessas pessoas desde uma alteração na normativa do Ministério da Justiça. A nova regra impede que estrangeiros em trânsito aéreo pelo Brasil, com destino a outro país, solicitem refúgio para permanecer no território nacional. Autoridades que atuam na área de migração afirmam que, cinco meses após a publicação da regra, ainda não há um protocolo de conduta para lidar com o aumento do fluxo de repatriados.
Na semana passada, um voo com brasileiros deportados dos Estados Unidos desencadeou o primeiro atrito diplomático entre os governos Lula (PT) e Trump.
Um grupo de 88 brasileiros foi embarcado num voo fretado pelo governo americano. A aeronave apresentou falhas, e os passageiros acusaram maus-tratos, inclusive com casos de agressão.
O Itamaraty disse que os brasileiros tiveram “tratamento degradante” e destacou o fato de eles terem sido algemados nos pés e nas mãos —protocolo americano que há anos é alvo de queixas feitas pela pasta.
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Pela lei brasileira, pessoas repatriadas são as que tentam ingressar no país, mas são impedidas e, então, retornam à nação de origem. Esses casos aumentaram desde agosto, com a implementação das novas normas da Justiça.
Já os casos de deportação, raros no Brasil, acontecem quando uma pessoa entra ou permanece de forma irregular no território brasileiro —ela recebe uma notificação de saída e tem 60 dias para regularizar a situação.
Os relatos foram colhidos pela Defensoria Pública com pessoas de diversas nacionalidades: Vietnã, Nepal, Índia, Quênia, Paquistão, Camarões e Bangladesh. Não há informações sobre o número de pessoas repatriadas desde agosto.
De acordo com o documento, migrantes afirmaram à Defensoria Pública que há casos em que eles são levados para a aeronave algemados.
Não há nos documentos informações que deixem claro se eles retornaram a seus países algemados durante os voos ou se tiveram as algemas retiradas na hora do embarque.
Eles também contaram episódios em que teriam sido enganados ao serem levados por agentes brasileiros para participar de algum procedimento relacionado ao pedido de refúgio e, repentinamente, embarcados.
“Relataram que vários solicitantes de refúgio foram repatriados sem aviso prévio. Disseram que alguns foram levados para a aeronave de madrugada e algemados ou levados com consentimento para fora da área dos portões, mas mediante engano (como se fossem para fazer uma entrevista ou ato do processo de refúgio) e, em seguida, embarcados”, diz o relatório.
“Segundo eles, esse método da Polícia Federal para retornar os solicitantes de refúgio tem trazido insegurança e ansiedade, de modo que alguns estariam tendo medo até de dormir à noite”.
No aeroporto onde esperam a repatriação, às vezes por dias, as queixas são diversas. O espaço destinado aos que foram inadmitidos possui apenas um banheiro masculino e um feminino, que não têm chuveiro.
Há registros de adultos e menores que ficam nessa área por períodos prolongados, com um caso específico de 85 dias.
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Além disso, os migrantes disseram que enfrentam condições extremamente precárias, sendo obrigados a dormir no chão e recebendo apenas uma garrafa de água por dia. A escassez de alimentos também é um problema relatado por alguns.
Também foram registrados casos de migrantes doentes, apresentando sintomas gripais, como tosse e febre, sem acesso a atendimento médico adequado.
O Ministério da Justiça afirmou, por meio de nota, que a responsabilidade pela repatriação é da companhia aérea, incluindo as despesas com custódia e cuidados prestados a partir do momento em que o passageiro for considerado inadmitido, conforme estabelecido pela Convenção de Chicago.
Já a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) destacou que, de acordo com uma resolução da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a necessidade de equipe de escolta para passageiros repatriados é determinada pela PF. No entanto, a associação não esclareceu o ponto sobre as despesas referentes à custódia.
A PF, por sua vez, afirmou que o uso de algemas na devolução de estrangeiros pelo Brasil não é uma regra obrigatória, mas uma medida excepcional, aplicada apenas quando a avaliação de risco indicar necessidade.
O defensor público João Chaves ressaltou que a falta de um protocolo de conduta, cinco meses após a implementação da nova política do Ministério da Justiça, é uma questão preocupante. Ele alertou que essa lacuna pode agravar ainda mais o quadro e contribuir para os maus-tratos.
“A Polícia Federal afirma que as companhias aéreas são responsáveis pelo embarque dos repatriados. Por sua vez, as companhias alegam que apenas seguem as ordens da Polícia Federal e negam o uso de força ou algemas. No entanto, os migrantes relatam o contrário, denunciando o uso de força, algemas e engano”, explicou.
A advogada de direito migratório Ellen Dias disse que é incoerente por parte do governo as reclamações sobre a deportação nos EUA tendo em vista que no Brasil também há muitos excessos, algo que não está sendo revisto pelas autoridades.
“Tenho relatos de migrantes com algemas. Os que chegam no Brasil, principalmente os africanos, não cometem crime para serem algemados. Isso é uma violação dos direitos humanos”, disse.
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Ufac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre
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23 horas atrásem
26 de março de 2026A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, no gabinete da Reitoria, representantes da Receita Federal do Brasil (RFB) para a apresentação do projeto Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF). A reunião contou com a participação da Coordenação do curso de Ciências Contábeis e teve como foco a proposta de implantação do núcleo na universidade.
O reitor em exercício e pró-reitor de Planejamento, Alexandre Hid, destacou a importância da iniciativa para os estudantes e sua relação com a curricularização da extensão. Segundo ele, a proposta representa uma oportunidade para os alunos e pode fortalecer ações extensionistas da universidade.
A analista tributária da RFB e representante de Cidadania Fiscal, Marta Furtado, explicou que o NAF é um projeto nacional voltado à qualificação de acadêmicos do curso de Ciências Contábeis, com foco em normas tributárias, legislação e obrigações acessórias. Segundo ela, o núcleo é direcionado ao atendimento de contribuintes de baixa renda e microempreendedores, além de aproximar os estudantes da prática profissional.
Durante a reunião, foi informada a futura assinatura de acordo de cooperação técnica entre a universidade e a RFB. Pelo modelo apresentado, a Ufac disponibilizará espaço para funcionamento do núcleo, enquanto a receita oferecerá plataforma de treinamento, cursos de capacitação e apoio permanente às atividades desenvolvidas.
Como encaminhamento, a RFB entregou o documento referencial do NAF, com orientações para montagem do espaço e definição dos equipamentos necessários. O processo será enviado para a Assessoria de Cooperação Institucional da Ufac. A expectativa apresentada na reunião é de que o núcleo seja integrado às ações de extensão universitária.
Também participaram da reunião o professor de Ciências Contábeis e vice-coordenador do curso, Cícero Guerra; e o auditor fiscal e delegado da RFB em Rio Branco, Claudenir Franklin da Silveira.
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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre
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2 semanas atrásem
12 de março de 2026A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.
O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.
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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia
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10 de março de 2026Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.
A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.
A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.
Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.
O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.
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ACRE23 horas agoUfac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre
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