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‘Eu não sou um astronauta!’ Samantha Harvey sobre seu romance espacial vencedor do Booker – e a ansiedade que o motivou | Livros

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Lisa Allardice

Samantha Harvey quase desistiu de seu romance Orbitalque ontem à noite ganhou o prêmio Booker deste ano. Situado na Estação Espacial Internacional (ISS), a 400 quilômetros da Terra, Orbital segue a vida cotidiana de quatro astronautas e dois cosmonautas enquanto eles viajam pelo universo a 28.000 km/h. Ela tinha algumas milhares de palavras e de repente perdeu a coragem. Ela sentiu que estava invadindo o espaço. “Não sou espetacularmente uma astronauta”, ela ri, quando nos encontramos para tomar um café na manhã seguinte à cerimônia de Booker. “Sou tão pouco aventureiro, tão descarado, tão pouco prático, covarde, ansioso. Eu seria terrível.

Depois de alguns meses brincando com outras ideias, ela abriu o documento Word abandonado em seu computador por engano. Quando ela o leu, descobriu que tinha uma integridade e uma pulsação que a atraíam mais do que qualquer outro projeto em que estava trabalhando. “Pensei: ‘Eu não deveria ter medo disso. Se eu puder fazer isso de uma forma diferente da forma como os astronautas escrevem sobre seu tempo no espaço, então talvez haja algo aqui.” Então ela subiu de volta e conseguiu decolar.

Descrita como “a Virginia Woolf desta geração” e “uma espécie de Melville dos céus”, Harvey foi o único autor britânico na lista do Booker deste ano. Orbital, seu quinto romance, é uma obra de ficção bela, poderosa e totalmente original. Acontece ao longo de um dia, mas o tempo é diferente no espaço, onde “o estalo da manhã chega a cada noventa minutos” e o sol está “de cima para baixo, de cima para baixo como um brinquedo mecânico”. Cada um dos 16 capítulos registra uma única órbita da Terra. Tarefas mundanas – aspirar a cápsula, monitorizar ratos e micróbios – são colocadas contra a munificência do universo. Um dos banheiros está sempre bloqueado. Um supertufão está se formando nas Filipinas. Cada um dos seis personagens recebe apenas fragmentos da história de fundo: a mãe de Chie morreu; Anton deixou de amar sua esposa; Shaun anseia pelo dele.

Embora possa ser ambientado no espaço, seu tema é a Terra. É uma carta de amor de 136 páginas ao nosso planeta conturbado – ela chama-lhe “pastoral espacial”, uma espécie de escrita natural do universo. “Eu queria escrever uma celebração da beleza da Terra, mas com um sentimento de tristeza ou de perda por causa do que estamos fazendo com ela”, diz ela. De fala mansa, com uma nuvem de cabelos louros e traços delicados, Harvey tem uma qualidade etérea e sobrenatural. Ela não tem celular, idiota ou não, muito menos conta nas redes sociais.

Ela mora em uma casa do século 16 em um vilarejo na fronteira entre Wiltshire e Somerset. “Eu sempre poderia recuar mais”, ela brinca. Há anos ela tem aulas de escultura natural e há uma estátua em tamanho real de seu parceiro (que mede 1,80 metro), que ela tentou esconder atrás de arbustos no jardim dos fundos. Ela escreve em um “quarto velho, frio, decrépito e bolorento” que eles ainda não tiveram tempo de decorar. Ela é tão séria, sincera e um pouco estranha – no bom sentido – quanto sua ficção, com um jeito tão gentil e despretensioso que nunca parece enfadonha.

Pacy… Orbital se passa na Estação Espacial Internacional, que circunda a Terra a 17.500 mph. Fotografia: AP

Embora Harvey não seja religiosa, ela retorna à fé em sua ficção (apenas de relance em Orbital). “Agora que vivemos numa sociedade tão secular”, diz ela, “de onde tiramos as nossas grandes ideias filosóficas? Onde encontramos significado?” Da descida de uma arquiteta aposentada ao Alzheimer em seu aclamado primeiro romance de 2009 O desertoao “mistério do assassinato medieval” de O Vento Ocidental em 2018, Harvey explorou questões filosóficas de ser, tempo, fé e memória em sua ficção, que também inclui Tudo é Canção (2012) e Caro ladrão (2014). A cada romance ela abre novos caminhos formalmente. Mas são suas memórias de 2020 sobre sua luta de um ano contra a insônia, O desconforto sem formacom o qual ela sente que Orbital tem mais em comum – seus próprios ataques cíclicos de escuridão e tempo distorcido, não muito diferente daquele vivido pelos astronautas.

“Cheguei aos 40 e fiquei ansiosa”, diz ela. “Eu não sei por quê. Acho que talvez eu tenha decidido que era hora de ter algum tipo de crise.” De repente, ela não conseguia mais dormir. “Eu estava achando o mundo meio abrasivo. Tudo era muito barulhento, muito ocupado e muito grande.”

Ela encontrou sua fuga bem na frente de seu nariz e a 400 quilômetros de distância. Ela leva a ideia de um viajante de poltrona para uma nova fronteira, passando “milhares e milhares” de horas orbitando o globo no ciberespaço. A sua insónia também lhe deu uma maior sensação de felicidade e alegria, e foi a partir deste lugar eufórico – “quase como estar apaixonada” – que ela começou a escrever Orbital. Insomnia até mudou a forma como ela escreve: tanto seu livro de memórias quanto Orbital foram concluídos em rajadas curtas e concentradas. Dessa forma “tudo parece muito mais urgente”.

Embora ela tenha começado a Orbital antes da pandemia, a maior parte foi escrita durante o bloqueio. Ela sempre tinha filmagens do Estação Espacial Internacional jogando em sua área de trabalho. “Foi um enorme consolo para mim poder ir ao espaço todos os dias, virtualmente na minha imaginação”, diz ela. “Quando estou aqui na Terra, acho difícil ser consolado pelas coisas que estamos fazendo à Terra e uns aos outros. Mas quando diminuo o zoom, posso sentir algo que mais se assemelha à paz. Posso olhar para ele quase sem julgamento, basta olhar para a sua beleza.”

Ela não era uma nerd do espaço quando criança. Ela cresceu em Kent e depois “em todos os lugares”, no que ela descreve como “uma família da classe trabalhadora”, não particularmente estudiosa. Seu pai era construtor e sua mãe ficava em casa até que seus pais se divorciaram, quando ela tinha 10 anos. Sua mãe tornou-se uma ghostwriter, o que a influenciou profundamente. “Eu a via ali, dia após dia, hora após hora, em seu computador, apenas fazendo uma coisa misteriosa, apenas escrevendo”, lembra ela.

‘Quando olhamos para as coisas que fazemos uns pelos outros, é notável’… Harvey. Fotografia: Sarah Lee/The Guardian

Como muitas crianças dos anos 80, Harvey lembra-se do Desastre do foguete Challenger em 1986 – mencionado de forma pungente no romance. A família visitou o Centro Espacial da NASA em Houston de férias no Texas, e há fotos dela quando menina na frente de foguetes gigantes. Enquanto outros adolescentes acumulavam pôsteres do Duran Duran, ela começou a colecionar citações de astronautas. “Sempre gostei desses grandes gestos filosóficos ou sentimentais sobre as coisas.”

Muitos anos depois, quando ela estava escrevendo seu primeiro romance (ainda inédito) e enquanto terminava The Wilderness, ela trabalhou como administradora na Museu Herschel de Astronomia em Bath, uma casa georgiana onde Urano foi descoberto no jardim dos fundos em 1781. “É um museu maravilhoso.” E então ela fez sua própria órbita no espaço.

Os leitores costumam perguntar a ela se Orbital foi escrito a partir de uma posição de esperança ou desespero. Isso cabe a nós decidir, diz ela. “Tenho esperança de que os EUA sobreviverão a Trump ou que, de alguma forma, assumiremos as nossas responsabilidades em relação às alterações climáticas?” ela pergunta, parecendo duvidosa.

No romance, a ISS é ultrapassada por um foguete em uma nova missão à lua. Ela sente que a era da cooperação internacional está a chegar ao fim. “Sempre fico maravilhado com isso sobre a raça humana. Quando olhamos para as coisas que fazemos uns pelos outros e para a forma como trabalhamos juntos e fazemos as coisas acontecerem, é notável. E muito bonito. Se isso é suficiente ou se a nossa tendência para apenas crescer e consumir superará a nossa generosidade e cooperação, simplesmente não sei.”



Leia Mais: The Guardian

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Gestão superior cumpre agenda institucional no campus Floresta — Universidade Federal do Acre

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A Reitoria da Ufac cumpriu agenda institucional no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. De segunda-feira, 26, até esta quarta-feira, 28, o reitor Josimar Ferreira e integrantes da administração superior se reuniram com a comunidade universitária para tratar de demandas e apresentar projetos da nova gestão.

“Foi uma reunião de apresentação das equipes, das pró-reitorias, mas também de escuta, uma escuta permanente, de um diálogo muito próximo da nossa comunidade”, disse Josimar. Ele entregou a portaria de nomeação do diretor-geral do campus Floresta, Hugo Mota Ferreira Leite.

“A visita da Reitoria e toda a equipe dos pró-reitores foi muito importante para promover esse primeiro contato da nova gestão com a comunidade acadêmica, ouvir as demandas, apresentar as realizações ao longo desses 70 dias de gestão, o que já foi feito e o que ainda será feito”, pontuou Ferreira Leite.

Uma das principais atividades ocorreu na terça-feira, 27, com a entrega de equipamentos destinados aos programas de pós-graduação de Cruzeiro do Sul. A iniciativa, realizada por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, tem como objetivo melhorar as condições de ensino e pesquisa.

Atualmente, o campus Floresta conta com três programas de mestrado, e a agenda também incluiu discussões sobre a proposta de doutorado. Josimar destacou a necessidade de avançar na estruturação dos laboratórios e na formação de pesquisadores, considerando a biodiversidade regional, os saberes tradicionais e as possibilidades de internacionalização.

Também participaram da entrega o pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, Dionatas Meneguetti; o diretor de Pós-Graduação, Genilvado Moreira; e o diretor de Inovação, Paulo Trazzi.

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Orçamento

Durante a programação, a Reitoria e a Pró-Reitoria de Planejamento se reuniram com diretores de centros e representantes da Direção-Geral do campus para tratar de questões relacionadas ao orçamento institucional, demandas administrativas, fluxos de processos e sistemas de gestão. O encontro contou com a participação do pró-reitor Edcarlos Miranda de Souza.

As atividades também envolveram discussões sobre projetos de extensão e possibilidades de captação de recursos. Em reunião com diretores de centros e coordenadores de cursos, o pró-reitor de Extensão e Cultura, Marco Amaro, abordou demandas acadêmicas e mecanismos de fomento às ações extensionistas desenvolvidas no campus.
Entre os projetos apresentados à Reitoria, esteve a proposta de criação de uma trilha agroecológica no campus Floresta, apresentada pela professora Sonaira Souza da Silva. A iniciativa pretende utilizar a natureza como espaço educativo, com previsão de visitação pública, construção de um quiosque para exposição de produtos desenvolvidos em experimentos e projetos universitários e instalação de uma torre de aproximadamente 30 metros para observação do dossel da floresta.

Prática jurídica e inclusão

A agenda contemplou ainda uma reunião com o professor Daniel de Faria Galvão, do curso de Direito, que apresentou demandas relacionadas ao funcionamento do curso, especialmente às necessidades do Núcleo de Prática Jurídica. Ele manifestou satisfação com a receptividade da nova gestão e a abertura para discutir as questões apresentadas.

As políticas de inclusão e representatividade estudantil também fizeram parte das atividades. A pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Letícia Mamed, reuniu-se com representantes do Núcleo de Apoio à Inclusão para conhecer demandas relacionadas ao atendimento da comunidade acadêmica.

Em outro encontro, o estudante Samuel Lima Pereira Arara, representante do coletivo indígena da Ufac, apresentou questões relacionadas à representatividade, à participação em eventos e à proposta de criação de uma comissão para acompanhar as demandas dos estudantes indígenas.

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Clube do Livro Amaro comemora 3 anos de leituras e discussões — Universidade Federal do Acre

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O projeto de extensão Clube do Livro Amaro, da Ufac, completa, neste mês de outubro, três anos de atividades dedicadas à leitura e à discussão de obras da literatura brasileira e mundial, reunindo participantes com diferentes formações, trajetórias e experiências de leitura. Criado em outubro de 2023, o projeto é coordenado pelos professores Carlisson de Oliveira e Maysa Dourado.

Segundo os coordenadores, a celebração do terceiro aniversário representa um momento de reconhecimento da trajetória construída coletivamente e, sobretudo, da importância dos participantes para a continuidade do projeto.

“Ao longo desse período, o clube tornou-se um espaço em que diferentes olhares sobre uma mesma obra se encontram, se complementam e, muitas vezes, se contrapõem, fazendo da leitura uma experiência de troca e descoberta”, ponderaram. “Ao completar três anos, o Clube do Livro Amaro reafirma seu compromisso com a valorização da literatura, a formação de leitores e o fortalecimento dos vínculos entre a universidade e a sociedade.”

Trajetória

O clube iniciou suas atividades com a leitura de “Medeia”, de Eurípides. Na sequência, foram discutidas as obras “Gota d’Água”, de Chico Buarque e Paulo Pontes, e “Mata Teu Pai”, de Grace Passô, estabelecendo, desde os primeiros encontros, um diálogo entre obras de diferentes períodos históricos e tradições literárias.

Ao longo desses três anos, o grupo percorreu um repertório diversificado, que inclui clássicos como “Odisseia”, de Homero; “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen; “Hamlet”, de William Shakespeare; e “O Velho e o Mar”, de Ernest Hemingway. A literatura brasileira também ocupa lugar de destaque, com obras de Machado de Assis, Conceição Evaristo, Milton Hatoum, Rachel de Queiroz, Maria Firmina dos Reis, José Lins do Rego, entre outros.

O percurso de leituras contempla ainda diferentes vozes e perspectivas culturais, com obras de autoras como Toni Morrison, Paulina Chiziane, Isabel Allende e Marguerite Yourcenar, ampliando as discussões sobre identidade, memória, relações humanas, desigualdades sociais e questões históricas e culturais.

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Ufac celebra o Dia do Servidor Público no campus Floresta — Universidade Federal do Acre

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A Ufac realizou a comemoração do Dia do Servidor Público no campus Floresta. O evento ocorreu nessa terça-feira, 27, reunindo professores, técnico-administrativos, integrantes da administração superior e de sindicatos. A programação contou com a cerimônia de entrega das portarias para a nova diretoria da universidade em Cruzeiro do Sul (AC) e a entrega de crachás aos servidores.

O reitor Josimar Ferreira entregou as portarias que designam o professor Hugo Mota Ferreira Leite como diretor-geral do campus e o servidor técnico-administrativo Anselmo de Jesus Damasceno como diretor de Administração, Manutenção e Infraestrutura.

Ele também fez a entrega simbólica de crachás a quatro servidores, sendo que cada um contabiliza 20 anos de trabalho na Ufac: os técnicos em assuntos educacionais Alexon de Lima Moura Barros e Fernanda Cristina Jucá de Lima; os professores Francisco Ricardo Negri e Maria Aldecy Rodrigues de Lima.

Além disso, houve uma apresentação institucional ministrada pelo coordenador da área de saúde dos Serviços Social do Transporte (Sest) e Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) de Cruzeiro do Sul, Francisco da Silva Souza, destacando os benefícios da parceria firmada com a universidade. Para celebrar a data, a administração realizou, ainda, sorteios comemorativos conduzidos pelo reitor.

Também compuseram a mesa de solenidade a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Letícia Mamed; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Marco Antonio Amaro; o pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, Dionatas Meneguetti; o pró-reitor de Planejamento, Edcarlos Miranda; o pró-reitor de Administração, Tony Eli da Silva Roca; a vice-diretora do CEL, no exercício da direção, Francisca Adma de Oliveira Martins; o diretor do CMulti, Antonio William Flores de Melo; o coordenador de Gestão de Recursos Humanos, Jason de Oliveira Gomes; a representante da Adufac, Suerda Mara Monteiro Vital; e o representante do Sintest, Bruno César Mota Brandão.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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