NOSSAS REDES

ACRE

EUA: Como estão invasores do Capitólio quatro anos depois – 06/01/2025 – Mundo

PUBLICADO

em

Alan Feuer

Nos últimos quatro anos, quase 1.600 pessoas foram processadas em conexão com a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Algumas foram acusadas de crimes como agressão ou conspiração e ainda estão na prisão. Mas centenas de acusados de crimes menores encerraram seus casos e voltaram para suas vidas.

O 6 de Janeiro foi um momento decisivo para todos os envolvidos. Ao invadir o Capitólio, uma multidão de apoiadores de Trump causou danos de milhões de dólares, feriu mais de 140 policiais e, pela primeira vez na história dos EUA, afastou os legisladores de seu dever de certificar uma eleição presidencial.

O ataque também provocou a maior investigação individual já realizada pelo Departamento de Justiça, levando a prisões em todos os 50 estados. Desde então, os réus têm sido responsabilizados no tribunal federal de Washington, a quarteirões de distância do próprio Capitólio, por seus papéis em minar um alicerce da democracia, a transferência pacífica de poder.

Embora alguns tenham se arrependido de suas ações naquele dia, outros não o fizeram. Na melhor das hipóteses, eles dizem que viram a realidade do sistema de justiça criminal, tornando-se mais compreensivos com a situação de outros que estão sendo processados. Na pior das hipóteses, continuam convencidos de que o sistema os tratou injustamente, endurecidos por seus confrontos com a lei. Os juízes que supervisionaram os casos de rebelião no Capitólio têm rechaçado rotineiramente essa ideia.

“Fiquei chocado ao ver algumas figuras públicas tentarem reescrever a história, alegando que os manifestantes se comportaram ‘de forma ordeira’ como turistas comuns, ou martirizando os réus condenados em 6 de janeiro como ‘prisioneiros políticos’ ou até, incrivelmente, ‘reféns'”, disse o juiz Royce C. Lamberth, nomeado por Reagan, no tribunal no ano passado. “Tudo isso é absurdo.”

Ainda assim, o presidente eleito Donald Trump prometeu perdoar muitos, talvez a maioria, dos invasores assim que assumir o cargo e poderia encerrar a ampla investigação sobre o ataque ao Capitólio. Aqui estão as experiências de alguns réus acusados de crimes relativamente menores quatro anos após o dia 6 de janeiro.

Jacob Chansley

Poucas pessoas estão mais visivelmente associadas ao ataque ao Capitólio do que Jacob Chansley, o chamado xamã QAnon, que entrou no prédio com pintura facial e um cocar com chifres enquanto brandia uma bandeira americana em um mastro com ponta de lança.

Seguindo com a primeira onda de invasores, ele deixou um bilhete ameaçador no chão do Senado para o então vice-presidente Mike Pence, que teve que ser levado para um local seguro enquanto a multidão dominava o Capitólio.

No entanto, assim como outras pessoas que interromperam a certificação das eleições naquele dia, Chansley tenta justificar a sentença de 41 meses que recebeu como uma “experiência de tirania em primeira mão”. Mesmo após sua libertação, ele afirma que o 6 de Janeiro foi “uma armação” do governo e que as autoridades públicas e a mídia o pintaram como um “vilão e terrorista”.

Ainda assim, Chansley, 37, disse que sua vida cotidiana em Phoenix, criando arte, continua praticamente a mesma de antes daquele dia —”a não ser pelo fato de que agora eu tenho mais entrevistas”.

Eric Clark

Em 6 de janeiro, Eric Clark estava sóbrio havia três anos e tinha mais ou menos se estabelecido em uma vida de classe média como operador de máquinas em Louisville, no estado de Kentucky, depois de anos lutando contra a falta de moradia e o vício em drogas.

Mas a crença de que Trump venceria a eleição de 2020 o levou a entrar ilegalmente no Capitólio com uma máscara de Guy Fawkes e se recusar a sair por quase 30 minutos. Clark foi condenado a cinco meses de prisão. Agora com 48 anos, ele está trabalhando em uma equipe de limpeza de drywall, tentando reconstruir sua vida.

Seu único grande sucesso, segundo ele, é o relacionamento que reconstruiu com sua filha, embora tenha sido ela quem o entregou às autoridades no início. “Em vez de ficar bravo com ela”, disse, “optei por aceitar que ela tem o ponto de vista dela e eu tenho o meu”.

Treniss Evans

Treniss Evans disse que não estava muito interessado em política antes da eleição de 2020. Ele se aprofundou no assunto desde o 6 de Janeiro, quando entrou por uma janela quebrada do Capitólio e usou um megafone para liderar outros manifestantes no Juramento de Fidelidade e no hino nacional.

Evans, 50, foi condenado a 20 dias de prisão depois de se declarar culpado por entrar no terreno restrito do Capitólio. Como outros manifestantes, ele saiu da experiência concentrado menos em sua própria culpa e mais nos maiores problemas de estar sujeito a um processo criminal.

Nos últimos quatro anos, ele dedicou grande parte de seu tempo a um grupo que fundou, o Condemned USA, que oferece apoio jurídico e defesa pública a centenas de outras pessoas que participaram do ataque ao Capitólio.

“Eu costumava acreditar em nosso sistema judicial”, disse, “mas agora vejo o que gerações e gerações de minorias e pessoas de baixa renda têm reclamado”.

James Beeks

Quando James Beeks foi para Washington no 6 de Janeiro com a milícia Oath Keepers, a profissão que escolheu o distinguia de muitos de seus compatriotas do grupo de extrema direita, que desempenhou um papel central na invasão do Capitólio. Beeks atuou cinco vezes na Broadway, reprisando o papel de Judas na produção do 50º aniversário de “Jesus Cristo Superstar”.

Depois de ser acusado em um processo de conspiração por entrar à força no Capitólio em uma matilha de estilo militar com outros Oath Keepers, Beeks foi considerado inocente por um juiz que determinou que as evidências não sustentavam as acusações.

Ele foi um dos dois únicos entre as dezenas de réus do 6 de Janeiro que foram a julgamento e foram totalmente absolvidos. Mas, apesar de ter sido inocentado no caso, disse, sua vida não voltou ao normal.

Ele está morando na van de um amigo na Flórida, terminando um livro sobre sua experiência, “I Am Judas Redeemed” (eu sou o Judas redimido, em tradução livre). Ele não voltou aos palcos desde sua prisão. “Ainda tenho essa letra escarlate J6 em meu peito”, disse.

Jenna Ryan

Jenna Ryan era corretora de imóveis e influenciadora de mídia social na área de Dallas quando entrou no Capitólio em 6 de janeiro, orando e cantando “Fight for Trump!” (lute por Trump!) com uma multidão na Rotunda.

No dia seguinte, ela postou uma mensagem no Twitter, dizendo: “Acabamos de invadir o Capitólio. Foi um dos melhores dias da minha vida”.

Tudo isso acabou resultando em uma pena de 60 dias de prisão. Ela alega que foi tratada com severidade por causa de seu “perfil público”. Mas o fato de ter sido condenada por se manifestar ilegalmente no Capitólio também permitiu que ela cumprisse o que ela descreve como seu “objetivo de toda a vida de ser escritora e palestrante”.

Ryan, 54, escreveu um livro chamado “Storming the Capitol: My Truth About January 6th” (invadindo o Capitólio: a minha verdade sobre o 6 de Janeiro), que, segundo ela, “mostra como é ser pega no meio de um clima político polarizado, cancelada pela sociedade, vigiada pelo FBI e jogada na prisão por causa de um tuíte”.



Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Ufac retoma reuniões presenciais dos conselhos superiores após 6 anos — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Reunião Cepex (2).jpg

A Ufac retomou as sessões presenciais dos seus órgãos colegiados após quase seis anos. O retorno foi marcado pela 2ª reunião ordinária do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepex) de 2026, a qual ocorreu nesta quarta-feira, 19, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede.

As sessões passaram a ser remotas devido à pandemia da covid-19, em 2020. Depois, foram impactadas por paralisações dos servidores, crise no transporte público de Rio Branco e greve dos estudantes. “É um recomeço e o cumprimento de um dos principais compromissos assumidos durante nossa campanha eleitoral”, disse o reitor Josimar Ferreira. “Este anfiteatro foi arena de grandes lutas do movimento sindical e dos próprios conselhos universitários.”

Segundo o servidor Jairo Nogueira, que atuou na intermediação do encontro com a Reitoria, a volta do formato presencial é fundamental para resgatar a interação direta entre os colegas e destravar os processos acumulados do Cepex. A sessão serviu de preparo para a reunião do Conselho Universitário (Consu), agendada para esta quinta-feira, 20.

Entre as propostas para a sessão do Consu, destacam-se reformulações no organograma da universidade, como a criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade, a reestruturação da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, que passará a incorporar ações de inovação e o fortalecimento da autonomia do campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, com a criação da figura do diretor do campus e de duas diretorias administrativas de suporte.

Por conta dos custos operacionais para o deslocamento dos 21 conselheiros de Cruzeiro do Sul, o modelo no campus do interior seguirá de forma híbrida temporariamente. A gestão está estruturando uma sala com suporte tecnológico para garantir a transmissão em tempo real, sem prejuízos aos participantes remotos. Paralelamente, nos próximos cem dias, a Reitoria pretende adaptar um espaço definitivo para as reuniões dos órgãos colegiados no campus-sede.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Podcast da Ufac entrevista novo reitor Josimar Ferreira — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

e9759ed7-c6b3-4fc8-af9a-cc571768d53c.jpeg

O canal UfacTV no YouTube transmitiu ao vivo, na quinta-feira, 13, a estreia da terceira temporada do CapiCast, podcast oficial produzido pela Assessoria de Comunicação da universidade. O episódio inaugural trouxe como convidado o professor Josimar Ferreira, que assumiu a Reitoria da instituição para o quadriênio 2026-2030, em uma entrevista conduzida pela apresentadora e assessora de Comunicação Nattércia Damasceno. A solenidade oficial de transmissão de cargo será na sexta-feira, 21, às 17h, no Teatro Universitário.

Com a temática geral “Ufac em Perspectiva: Floresta, Conhecimento, Futuro”, a nova temporada busca debater o papel da universidade na transformação social e no desenvolvimento regional, integrando a produção acadêmica à preservação ambiental e às demandas da comunidade acreana.

Durante a conversa, o novo reitor relembrou sua trajetória acadêmica iniciada em 1997, quando ingressou no curso de Agronomia como filho de produtores rurais e enfrentou os desafios do ensino superior na época, como a escassez de transporte e de bolsas de estudo. “Estar no cargo de reitor me faz refletir isso, porque eu sei de onde vim, como se diz, o chão de fábrica, um filho de um produtor rural que, graças ao processo educacional, chega ao maior posto da sua casa.”

Ao tratar das prioridades para os primeiros cem dias de gestão, Josimar antecipou medidas voltadas à reestruturação de serviços e ao diálogo com a comunidade. O primeiro ato administrativo a ser submetido ao Conselho Universitário (Consu) será a revogação das reuniões virtuais, garantindo o retorno das sessões presenciais dos colegiados.

O plano de ação inicial também inclui a retomada dos serviços de xerox para alunos e docentes, o estudo para implantação de reconhecimento facial nas catracas do Restaurante Universitário e o foco na conclusão de obras pendentes, como a passarela da Medicina Veterinária e as instalações do Colégio de Aplicação.

Outro tema abordado foi o compromisso com a inclusão e a equidade. O gestor anunciou que proporá ao Consu a criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade, estrutura planejada para centralizar e fortalecer as políticas voltadas aos estudantes indígenas, ao Núcleo de Apoio à Inclusão e aos observatórios sociais da instituição.

Por fim, o fortalecimento da comunicação pública foi apontado como peça-chave para romper os muros da academia e levar o conhecimento científico diretamente à sociedade.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Josimar Ferreira inicia gestão de 4 anos como reitor da Ufac — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Josimar Ferreira inicia gestão de 4 anos como reitor da Ufac-reitor-e-vice.jpg

O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, reuniu-se com os novos pró-reitores da administração superior para marcar o início da gestão do quadriênio 2026-2030 e tratar das primeiras ações e prioridades a serem tomadas na universidade. O encontro ocorreu nesta quarta-feira, 12, na Reitoria, campus-sede. A sessão solene pública de transmissão de cargo da Reitoria será realizada na sexta-feira, 21, às 17h, no Teatro Universitário.

Josimar afirmou que a eficiência na aplicação dos recursos e a austeridade estarão entre os princípios da gestão. Hoje ele também se reúne com as equipes das áreas de planejamento e administração para avaliar o orçamento disponível para execução das atividades até o fim do ano. “Esse é um princípio que adotamos desde o primeiro dia”, afirmou.

Entre as primeiras medidas anunciadas está a retomada das reuniões presenciais dos conselhos universitários. Segundo o reitor, a mudança será implementada já nesta primeira semana de gestão.

Outra ação prevista é a criação de uma nova pró-reitoria, voltada a ações afirmativas, equidade, gênero e inclusão. De acordo com Josimar, a proposta é colocar essas políticas no centro da estrutura administrativa da universidade e ampliar sua atuação nas políticas acadêmicas.

A nova gestão também dará continuidade ao processo de realização do vestibular do curso de Medicina. O reitor informou que a Ufac já garantiu recursos e iniciará a fase de contratação da empresa responsável pelo certame. A previsão é que as provas sejam aplicadas nas cinco regionais do Acre, com manutenção do bônus regional.

A interiorização também está entre as prioridades apresentadas. A gestão pretende iniciar discussões sobre a ampliação da presença permanente da universidade no interior, incluindo a regional do Purus, em Sena Madureira, e a região de Tarauacá e Envira.

Josimar destacou ainda a intenção de ampliar a aproximação da Ufac com diferentes setores da sociedade. “Queremos aproximar a relação com a sociedade, com o serviço, com o comércio, com a indústria, e com isso fortalecer o nosso tripé, o ensino, a pesquisa e a extensão.”

Integram a nova administração superior a vice-reitora Almecina Balbino; a pró-reitora de Graduação, Danila Torres; o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Dionatas Meneguetti; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Marco Amaro; a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Aline Nicolli; o pró-reitor de Planejamento, Edcarlos Souza; o pró-reitor de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Thiago Lima; e o pró-reitor de Administração, Tone Roca.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS