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Facções em guerra apavoram comunidade ribeirinha, no centro da capital, em meio a tiroteios de uma margem a outra do Rio Acre
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7 anos atrásem
Na manhã desta segunda-feira (22), a reportagem do AC Jornal foi até à margens do Rio Acre, no centro da cidade, e confirmou o que vem sendo denunciado há tempos: a população ribeirinha de alguns bairros está na linha de tiro de duas facções rivais. Mesmo sem poder fazer muitos registros, colhemos depoimentos e constatamos que casas foram alvejadas, serviços como a travessia do rio (catraias) foram abandonados, além da visível demarcação de territórios imposta pelo poder paralelo. Nossos repórteres ouviram tiros durante a conversa com moradores.
No Primeiro Distrito, entramos na Rua Rio Grande do Sul e fomos recebidos em uma casa habitada somente por mulheres, todas evangélicas. “Meu filho, aqui tem noite que a gente não dorme”, disse uma delas, bastante nervosa (olhando de um lado para outro). “Teve uma batida do Bope e morreu uma moça aqui na Floriano Peixoto”, complementou a moradora. Ali mesmo estava o motivo de tanta apreensão: nos muros de algumas casas próximas ao Cristo Redentor viam-se grafadas as letras CV, iniciais da facção carioca Comando Vermelho. “Todo o centro, incluindo os bairros da Base, Papoco e Preventório, estão sob o domínio do medo.
“Vou vender esta casa e me mandar”, disse um morador que possui um pequeno comércio em frente à sua residência. Do outro lado do rio Entramos pela Rua Cunha Matos e, assim que fizemos a conversão e acessamos a Rua Uirapuru, deparamo-nos com outro muro e um ostensivo aviso em forma de oito letras e dois algarismos, Bonde dos 13, facção criminosa genuinamente acreana e aliada do PCC paulista. “A gente que mora aqui, na Rua Beira Rio, escuta muitos tiros que vêm do Preventório. Já caiu uma bala dentro de uma igreja. Convivemos com esse perigo há anos e já virou rotina”, diz um jovem que trabalha com vendas. “Eu vou vender essa casa, meu barco e me mandar daqui”, repetiu disse um morador antigo, o senhor Oscar Marreiro de Fontes, 78 anos, um dos muitos catraieiros que perdeu a profissão por causa da violência.
“Como vocês estão vendo, nem escadas existem mais. Roubam celulares, cordões e dinheiro neste caminho que nem iluminação tem”, relatou o trabalhador. Na Rua Triunfo, nas proximidades da antiga Rodoviária, tem mais uma pichação com uma recomendação inusitada: proibido roubar na quebrada. “É para que os viciados não roubem na região e, dessa forma, não atraiam a polícia e outros transtornos para o negócio, que é, exclusivamente, a venda de drogas”, decifrou um policial civil das antigas. “Depois da morte do narcotraficante Jorge Rafaat, a rota internacional da cocaína passa agora pelo nosso estado”.
Polícia Militar não dá trégua.
Na esquina das ruas Floriano Peixoto com a Rio Grande do Sul fica localizado o 1°Batalhão de Polícia Militar. Responsável pela região do centro e dos bairros adjacentes, o comando não dá trégua na repressão ao tráfico de drogas e à violência de forma geral. A major Jokebed de Lima Taveira, que responde pela guarnição há um ano, disse que intervém constantemente . “Sempre que temos informações, damos a resposta”, disse, confirmando que os disparos saem das duas margens do rio. “Aqui do nosso lado, uma vez que o Segundo Distrito é de responsabilidade de outro comando policial, fazemos a nossa parte”, assegurou a oficial. Os atiradores, ainda segundo ela, escondem-se na densa vegetação, o que dificulta a visualização. A área é bastante acidentada e cheia de lixo e entulho. “Já encontramos marcas de tiros em uma casa abandonada, mas o difícil acesso dificulta as capturas”, declarou a comandante, para quem os “faccionados” estão usando o rio como “terra de ninguém”.
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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre
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12 de março de 2026A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.
O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.
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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia
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10 de março de 2026Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.
A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.
A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.
Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.
O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.
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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre
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2 semanas atrásem
9 de março de 2026A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.
São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”
A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.
A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.
No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.