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Federalização de empresas impõe risco a governo Lula – 21/01/2025 – Mercado
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1 ano atrásem
Idiana Tomazelli
A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de sancionar o dispositivo que autoriza a federalização de empresas estatais para abater dívidas de estados com a União pode trazer dor de cabeça no futuro, segundo avaliação de integrantes do próprio governo ouvidos pela Folha.
O petista decidiu validar o artigo para evitar atritos com o Congresso, amparado na interpretação do Ministério da Fazenda de que a União precisa concordar com a operação para que ela saia do papel.
No entanto, três técnicos de diferentes áreas do governo admitem que há risco de estados endividados recorrerem ao STF (Supremo Tribunal Federal) para obrigar a União a aceitar esses ativos, independentemente de vontade ou conveniência.
A federalização é uma das principais bandeiras do programa de socorro patrocinado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Minas Gerais, estado pelo qual ele foi eleito, é um dos mais endividados e pretende oferecer a Cemig e outras companhias para reduzir seu passivo e acessar descontos maiores nos juros daqui para frente.
O dispositivo ainda depende de regulamentação, mas interlocutores dos estados já reconhecem que a via judicial pode ser usada para “fazer valer o comando” da lei complementar.
Procurados, Fazenda e AGU (Advocacia-Geral da União) não se manifestaram até a publicação deste texto.
O histórico de demandas judiciais bem-sucedidas dos entes estaduais torna o risco ainda mais palpável.
Só no ano passado, diferentes ministros do STF concederam decisões que suspenderam penalidades do RRF (Regime de Recuperação Fiscal) ao Rio de Janeiro, asseguraram o ingresso de Minas Gerais no programa de socorro e mantiveram Goiás sob a mesma proteção, a despeito de o próprio Tesouro Nacional ter informado que o estado não precisava mais da ajuda federal.
No caso do Rio de Janeiro, o ministro Dias Toffoli manteve, até junho de 2025, a prestação dos encargos da dívida com a União no mesmo valor de 2023, embora a Fazenda tenha apontado a violação de condições do acordo que, pela lei do RRF, deflagrariam um aumento na cobrança como punição.
Decisões anteriores a 2024 também mostraram um Judiciário sensível às demandas dos estados. O STF já aceitou argumentos de calamidade financeira para suspender bloqueios feitos pela União para se ressarcir de empréstimos não pagos pelos estados a instituições financeiras e que precisaram ser honrados pelo Tesouro Nacional.
Mesmo quando havia dinheiro em caixa, a Corte atendeu aos pedidos. Em 2021, o Rio de Janeiro embolsou R$ 18,2 bilhões com o leilão de concessão da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos), cujas ações eram dadas como contragarantia em um empréstimo que a União quitou no lugar do estado. O governo fluminense recorreu ao STF para não precisar reembolsar o governo federal, e o pagamento de R$ 4,3 bilhões foi diluído em 30 anos.
O governo Lula autorizou a federalização de estatais estaduais no âmbito do chamado Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados). A manutenção deste trecho foi costurada em reunião dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Rui Costa (Casa Civil) com Pacheco e o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), favorito para assumir o comando do Senado a partir de 1º de fevereiro.
A decisão contrariou a recomendação inicial da equipe econômica, que defendeu vetar o artigo devido ao potencial impacto nas contas federais. Trocar um ativo financeiro (prestações da dívida dos estados com a União) por um não financeiro (ações de empresa estatal) piora a dívida líquida, o que tem impacto negativo sobre o resultado primário e, consequentemente, a meta fiscal.
Apesar disso, a decisão política foi sancionar o dispositivo para evitar atritos com o Congresso Nacional, em especial com figuras influentes no Senado. Críticos da decisão, porém, afirmam que o governo não calculou os riscos jurídicos de tal decisão.
A avaliação é que, além da possibilidade de o STF obrigar a União a aceitar os ativos, as condições dessa transação também podem se tornar alvo de litígio. Casos similares se arrastam há anos no Judiciário.
No fim dos anos 1990, em meio à renegociação de dívidas dos estados, a União federalizou companhias estaduais de energia para posterior privatização. Os estados seriam remunerados de acordo com o valor da venda. Em dois casos, porém, o leilão não teve interessados: Ceal (Companhia Energética de Alagoas) e Cepisa (Companhia Energética do Piauí).
Nos anos seguintes, as duas empresas continuaram sob a responsabilidade da União, por meio da Eletrobras, período em que perderam capacidade de investimento e acumularam dívidas devido à operação deficitária, o que afetou seu valor de mercado. O governo federal só conseguiu privatizá-las em 2018, por um valor simbólico de R$ 50 mil cada uma.
Os estados de Alagoas e Piauí acionaram o STF pedindo reparação à União, cuja demora na privatização, na visão deles, levou à desvalorização do ativo e ao prejuízo dos estados.
Técnicos do governo veem risco de disputas semelhantes no futuro, caso a União seja obrigada a efetivar novas federalizações de empresas estatais estaduais.
Em entrevista coletiva na semana passada, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, disse que “a União não tem interesse nenhum em ganhar R$ 1 a mais por esses ativos do que o valor justo, assim como também é nosso dever não receber esses ativos por R$ 1 a menos do que seja seu valor justo”.
No entanto, poucos acreditam que estado e União possam chegar a um consenso em torno do valor das companhias, o que abriria brechas para disputas judiciais —sobretudo se houver cláusula semelhante à dos anos 1990, com incorporação da empresa mediante adiantamento e posterior compensação da diferença a partir do valor obtido na privatização.
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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre
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7 de abril de 2026A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.
Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.
O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.
O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.”
Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)
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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre
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7 de abril de 2026Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.
Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.
“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.
Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”
Mostra em 4 atos
A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).
O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.
No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.
No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.
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I FÓRUM ESTADUAL "Autismo, Cultura, Mercado de Trabalho e Políticas Públicas no Acre."
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6 de abril de 202609 e 10 de ABRIL
Local: Teatro Universitário da UFAC
11 de ABRIL
Local: Anfiteatro Garibaldi Brasil UFAC






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