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Fenômeno nas redes, Nikolas Ferreira já incomoda a…

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Isabella Alonso Panho

A primeira foto que Nikolas Ferreira tem no Instagram é de dezembro de 2013. Ele está de roupa social, calça preta e camisa branca, na frente de uma faixa que a família fez para comemorar a sua aprovação em direito na PUC-MG. É a partir daí que ele começaria a vida política, participando de movimentos que levantavam bandeiras como o impeachment de Dilma Rousseff e o fim da “ideologia de gênero”. Uma década depois, se tornou o deputado federal mais votado do Brasil e, nas últimas semanas, virou protagonista na polêmica do Pix. O vídeo que fez para as redes sociais dizendo que o governo queria “taxar os mais pobres” teve 324 milhões de visualizações e pressionou o governo a re­cuar. Com a repercussão, foi a 16 milhões de seguidores no Instagram (4,5 milhões chegaram após o post) e ultrapassou o presidente Lula, que tem 13,3 milhões. Entre os políticos, só perde para Jair Bolsonaro (26,2 milhões).

Além do saldo positivo em engajamento, o episódio deu musculatura para que o deputado de 28 anos alimente pretensões maiores. Se na eleição de 2024 ele foi um dos principais cabos eleitorais da direita, agora planeja algo mais que se reeleger deputado federal. O alvo mais próximo é o Senado, mas para isso ele depende de uma PEC que abaixe a idade mínima para o cargo de 35 anos para 30. Já há uma tentativa: seu aliado, o deputado Eros Biondini (PL-MG), reúne assinaturas para protocolar a proposta. “Se a PEC for aprovada, pode ter certeza que eu ficaria muito feliz em representar meu estado e o Brasil como senador”, diz Nikolas, que, no entanto, não descarta disputar o comando de seu estado — ele teria a idade mínima (30 anos), independentemente de mudança na lei. “Para o governo, confesso que deixo a porta aberta. Ainda é preciso tempo para avaliar o cenário”, afirma.

A sua entrada na disputa pelo governo mineiro iria impactar uma das eleições mais importantes em 2026. Além de ser o segundo maior colégio eleitoral do país, desde a redemocratização, nunca alguém chegou ao Planalto sem ter triunfado em Minas Gerais. A direita já tem um candidato, o vice-governador Mateus Simões (Novo), apoiado por Romeu Zema. Também podem entrar na briga o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e o deputado estadual Bruno Engler (PL), segundo lugar na eleição a prefeito de Belo Horizonte em 2024. “É um cenário positivo, temos totais condições de sermos vitoriosos”, analisa Engler, ex-colega de Nikolas na PUC e no movimento Direita Minas.

A movimentação já começa a causar desconfiança. A mesma PEC reduz a idade mínima para presidente de 35 para 30 anos, o que colocaria Nikolas no jogo. Parece um sonho distante, mas há quem passou a acreditar nele. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que, mesmo inelegível, quer ser candidato em 2026, tem uma relação dúbia com o deputado. “Ele é um garoto que, de vez em quando, peca”, disse em novembro em entrevista na qual defendeu Nikolas para senador ou governador. Nesta semana, porém, criticou quem “fica aparecendo ali, levando likes” e “outros que ficam aí querendo reduzir a idade”. “Pessoas mais inteligentes do que eu, tem milhares por aí. Alguns, de pequena idade, estão se lançando já, ‘eu sou candidato, eu vou resolver’, na base da lacração”, disse. Enquanto ele lamentava ter sido proibido pelo STF de ir aos Estados Unidos, Nikolas postava vídeos em Washington com Pablo Marçal, que passou a trocar caneladas com Bolsonaro e já se autodeclarou presidenciável.

CONEXÕES - Em Washington: posts com Pablo Marçal durante a posse de Trump (//Instagram)
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A forte presença on-line de Nikolas surfa uma onda mundial de crescimento de figuras de direita nas redes. Ele se aproveita de elementos retóricos que costumam dar certo, como o apelo religioso e a defesa de posições morais conservadoras e do liberalismo econômico, além da exploração demagógica de temas como segurança pública. “Há uma camada de jovens que começam sua vida política e acabam sendo convencidos”, avalia Paulo Ramirez, cientista político e professor da ESPM e da FESPSP.

O talento e a expertise de Nikolas no universo das redes sociais são tão respeitados que, durante a última eleição à cidade de São Paulo, foi chamado pelo governador Tarcísio de Freitas para dar conselhos à campanha de Ricardo Nunes, candidato à reeleição, que acabou vencendo o pleito. Na atua­ção parlamentar, vem se destacando mais pelos pronunciamentos, com críticas ao STF e a Lula, do que por suas ideias (nenhum projeto aprovado até agora). Assim, de like em like, ele vai chegando longe.

“Não tenho nenhum marqueteiro”

Nikolas Ferreira diz que ele mesmo faz os roteiros de seus vídeos no celular e negou que Duda Lima, marqueteiro do PL e que fez a campanha de Jair Bolsonaro em 2022, estivesse por trás do post do Pix, como foi veiculado.

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Tem algum profissional de comunicação que o ajuda na sua estratégia para as redes? Não, não tenho nenhum. A questão do marqueteiro é pura mentira. O Bolsonaro mesmo não sabia. Escrevi o roteiro do vídeo no meu celular, como faço com todos os outros conteúdos. Aquele estilo de vídeo eu já usei em vários outros. Basta olhar o meu Instagram. Não tinha nada de novo ali, a não ser o tema. As pessoas se uniram em torno dele, o que fez o sucesso da visualização.

Por que os conteúdos do governo federal não tiveram o mesmo alcance? Primeiro, eu que cuido da minha rede social. A identidade dos meus posts fica com a minha cara. Eu não coloco isso na mão de nenhum marqueteiro, de nenhuma pessoa. Tudo aquilo que o dono cuida sempre vai ter um melhor resultado. A segunda questão é a veracidade do discurso. Eu fiz um discurso que, querendo ou não, abrangeu todas as pessoas, sejam elas de esquerda, de direita ou de centro. Falta veracidade nas publicações do governo. Nada melhor do que a verdade para alcançar as pessoas.

Acha que o episódio do Pix fortalece o seu protagonismo para tentar outros cargos em 2026? Não faço as coisas pensando nisso. Estou realizando o meu trabalho como deputado, que é fiscalizar o poder público. Foi exatamente o que eu fiz. Eu fiscalizei o governo e, graças a Deus, através do meu vídeo, consegui ajudar 220 milhões de brasileiros. Porque, independe de gostarem de mim ou não, não vai mais ter a lupa do governo em cima, principalmente, dos mais pobres.

Publicado em VEJA de 24 de janeiro de 2025, edição nº 2928



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Matheus Leitão

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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social) 


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Felipe Barbosa

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A articulação para mudar quem define o teto de jur…

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A articulação para mudar quem define o teto de jur...

Nicholas Shores

O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN). 

A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica. 

Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.

A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira. 

Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.

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Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios. 

Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.

A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.

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Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.

Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.

Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.

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Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.

Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.



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