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Fundação Casa de Jorge Amado: personagens do autor ganham vida em peça

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Elaine Patrícia Cruz – Repórter da Agência Brasil

Pedro Arcanjo, Tieta, Quincas Berro d’Água, Gabriela ou pai Jubiabá – alguns dos personagens mais conhecidos do universo de Jorge Amado vão ganhar vida em peça que vai celebrar a reinauguração da Fundação Casa de Jorge Amado, que passou recentemente por reforma. Chamada de A Casa de Jorge Amado, a peça é concebida por Edvard Passos e será apresentada a partir de janeiro na instituição.

E esta não será uma peça comum. O próprio Jorge Amado deverá ser um guia do público, já que ela será apresentada em diversos cenários, percorrendo os novos espaços recém-reformados da fundação. “Tenho já uma experiência de dez anos com a obra de Jorge Amado sendo encenada. O primeiro trabalho foi uma adaptação de O Compadre de Ogum, que é daquele livro Os Pastores da Noite. Ela fez muito sucesso e rendeu um musical de rua itinerante pelas ruas do Pelourinho, chamado A Cidade da Bahia é Nossa, que passeia por dez obras de Jorge Amado. Disso surgiu esse convite para desenvolver um espetáculo – que a gente chama em teatro de site-specific – que é desenhado para explorar os espaços da casa”, explicou Passos, em entrevista à Agência Brasil.


Salvador (BA), 10/12/2024 - Reabertura da Fundação Casa de Jorge Amado. Foto: Guilherme Weber de Lima/Fundação Casa de Jorge Amado
Salvador (BA), 10/12/2024 - Reabertura da Fundação Casa de Jorge Amado. Foto: Guilherme Weber de Lima/Fundação Casa de Jorge Amado

Salvador (BA), 10/12/2024 – Reabertura da Fundação Casa de Jorge Amado. – Guilherme Weber de Lima/Fundação Casa de Jorge Amado

A peça será encenada à noite para manter, segundo o diretor, “uma ambiência de mistério”. A ideia será explorar cada um dos espaços da casa, com o próprio Jorge Amado e também o personagem Pedro Arcanjo, um dos preferidos do autor, servindo como guias do lugar.

“A gente vai ter uma dimensão épica, narrativa, dos personagens entregando, em síntese, suas trajetórias. Mas vamos ter também uma espécie de crossover [quando personagens, cenários ou universos de ficção distintos são colocados no contexto de uma única história]. Então, a questão do território será fundamental para poder amalgamar obras idênticas”, disse.

Os personagens populares e tão conhecidos de Amado vão então ganhar vida e percorrer os novos espaços da instituição, criada para preservar a obra do autor e também para ser um ponto de encontro cultural. “Jorge Amado tem um papel muito importante de trazer um perfil populacional para o centro, para o protagonismo da cena. Ele foi uma das primeiras pessoas a realizar isso, causando, inclusive, no começo, muita reatividade. Você tem obras como Capitães da Areia em que a reatividade foi tão grande que as pessoas queimavam o livro em praça pública. Hoje você tem uma outra realidade em que esse movimento de você preencher o protagonismo do palco com personagens populares é mais do que bem-vindo”, ressaltou o diretor.

A peça é mais um dos projetos que a Fundação Casa de Jorge Amado tem pensado para o futuro, após uma reforma de nove meses que a modernizou e a deixou mais segura. A Fundação foi reaberta ao público na última quinta-feira (12) e, como parte dessa celebração, será gratuita até sábado (14). Depois, a gratuidade ocorrerá sempre às quartas-feiras. Nos demais dias, haverá cobrança de ingressos.

Novidades

Além da peça, a Fundação Casa de Jorge Amado tem trabalhado em outros dois projetos. Um deles prevê a criação de um aplicativo que deve aproveitar uma pesquisa já pronta, feita pela instituição, sobre espaços da capital baiana que foram citados nas obras de Jorge Amado. A intenção é produzir um aplicativo em que a pessoa, estando nestes espaços, consiga captar trechos das obras do escritor em que eles são citados.

“Já temos o aplicativo Casa de Jorge Amado. Com ele, a pessoa pode mirar para uma foto da exposição e, o que estiver escrito ali pode vir em áudio em português, inglês, francês ou espanhol. Além dos textos da exposição, você pode utilizar este aplicativo no Mirante da Fundação Casa de Jorge Amado, onde você pode mirar o celular para alguns espaços do Pelourinho, como a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Aí tem um áudio do Jorge Amado falando sobre a igreja”, explicou Angela Fraga, diretora executiva da Fundação Casa de Jorge Amado.


Salvador (BA), 10/08/2024 - A diretora executiva da Fundação Casa de Jorge Amado e coordenadora da Festa Literária Internacional do Pelourinho - Flipelô, Angela Fraga, fala sobre o festival. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Salvador (BA), 10/08/2024 - A diretora executiva da Fundação Casa de Jorge Amado e coordenadora da Festa Literária Internacional do Pelourinho - Flipelô, Angela Fraga, fala sobre o festival. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Salvador (BA), 10/08/2024 – Diretora executiva da Fundação Casa de Jorge Amado, Angela Fraga- Rovena Rosa/Agência Brasil

Além desse novo aplicativo que funcionaria para além do espaço da instituição, a Fundação também está desenvolvendo um transporte para fazer uma ligação entre a sede e a Casa do Rio Vermelho, onde o escritor viveu com Zélia Gattai e onde repousam as cinzas do casal. Chamado de Vou Daqui, Venha de Lá, o projeto está em fase de captação de recursos.

“Nas quartas-feiras a gente tem uma van que sai da estação do Campo da Pólvora, que é uma estação de metrô aqui pertinho, e traz as pessoas para o Pelourinho, gratuitamente. Diante disso, a gente teve a ideia de tentar ampliar esse trajeto, de forma com que a van possa ir também até a Casa do Rio Vermelho, fazendo um link entre a vida e a obra de Jorge Amado. Isso está em fase de captação”, disse.


Salvador (BA), 09/08/2024 - Fachada da Casa do Rio Vermelho onde viveram os escritores Jorge Amado e Zélia Gattai. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Salvador (BA), 09/08/2024 - Fachada da Casa do Rio Vermelho onde viveram os escritores Jorge Amado e Zélia Gattai. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Salvador (BA), 09/08/2024 – Fachada da Casa do Rio Vermelho onde viveram os escritores Jorge Amado e Zélia Gattai- Rovena Rosa/Agência Brasil

O novo aplicativo que está sendo desenvolvido, espera a diretora, poderia ser também utilizado durante esse percurso, com a van tendo como destino a Casa do Rio Vermelho, mas parando antes em diversos outros espaços que foram citados em obras de Jorge Amado. “A gente espera, com a entrega do equipamento já reformado, que tenhamos fôlego para trabalhar em tudo isso”, afirmou Angela. 

Reforma

A instituição cultural passou pela maior restauração desde a inauguração em 7 de março de 1987. A sede, que era composta pelas casas de números 49 e 51 – as conhecidas Casas Azul e Amarela do Largo do Pelourinho – foi agora conectada a mais um prédio, o de número 47, a chamada Casa Branca. Com a reforma, novos espaços expositivos foram criados. Além disso, o local ficou mais acessível, mais moderno e mais seguro, com a instalação de um novo e moderno sistema anti-incêndio e de monitoramento.

Após essa reforma, as escritoras Zélia Gattai (que foi companheira de Jorge Amado) e Myriam Fraga (que ajudou a criar e foi a primeira diretora da fundação) receberam exposições exclusivas e permanentes no espaço. Há também uma exposição que apresenta ilustrações presentes nos livros de Jorge Amado e uma sala dedicada a Exu, o orixá que foi escolhido pelo próprio Jorge Amado como guardião da casa.


Salvador (BA), 10/12/2024 - Reabertura da Fundação Casa de Jorge Amado. Foto: Guilherme Weber de Lima/Fundação Casa de Jorge Amado
Salvador (BA), 10/12/2024 - Reabertura da Fundação Casa de Jorge Amado. Foto: Guilherme Weber de Lima/Fundação Casa de Jorge Amado

Salvador (BA), 10/12/2024 – Reabertura da Fundação Casa de Jorge Amado – Guilherme Weber de Lima/Fundaç

Visitas 

No primeiro dia de sua reabertura, ocorrido ontem (12), a Fundação recebeu grupos escolares e muitos turistas. Entre eles, a professora Ana Elisa Dinunci de Sá Costa, 23 anos, de Niterói (RJ). Pela primeira vez em Salvador, ela aproveitou a visita para conhecer a Fundação Casa de Jorge Amado, no Largo do Pelourinho. “Estou adorando a exposição. Jorge Amado fala muito bem da cultura da Bahia. Quando temos acesso aos livros dele, às artes dele e a todas as suas obras temos mais acesso à intimidade da Bahia. Conseguimos ver um pouco do cotidiano baiano. Também acho muito linda a forma como ele retrata os orixás e como isso se insere de forma tão natural no cotidiano baiano”, disse à Agência Brasil.

Um dos espaços que a professora mais gostou na Fundação foi o primeiro andar, que apresenta uma linha do tempo do escritor. “Esse espaço fala da vida do Jorge Amado e da história de como ele começou a escrever. Achei isso muito interessante”, disse, que já leu Tieta do Agreste, Gabriela Cravo e Canela e seu favorito do autor, Tenda dos Milagres.

Quem também esteve na Fundação na tarde de quinta-feira pela primeira vez foi o consultor público José Siqueira, 32 anos. Acompanhado de parentes, ele gostou da junção que a instituição faz entre o moderno e o antigo. “Achei esse espaço bem diferente, bem acolhedor, bem moderno e, ao mesmo tempo, rústico”, disse.

Até sábado (14), a Fundação Casa de Jorge Amado estará aberta gratuitamente ao público, das 10h às 18h. A partir do dia 16 dezembro, ela estará aberta de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h e, aos sábados, das 10h às 16h, com entrada gratuita às quartas-feiras.

* A repórter viajou a convite da Fundação Casa de Jorge Amado



Leia Mais: Agência Brasil

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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Consu aprova comissão para destinar cotas a pessoas transgênero — Universidade Federal do Acre

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2026.09.30 Reunião Consu-Ufac (2).JPG

O Conselho Universitário (Consu) da Ufac aprovou a criação de uma comissão para elaborar a proposta de cotas de acesso à graduação para pessoas transgênero, que é uma pauta da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), recentemente criada com o objetivo de expandir políticas de inclusão na universidade. A aprovação ocorreu nessa quarta-feira, 30, na 5ª Reunião Ordinária do Consu, realizada no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, campus-sede.

A Ufac já possui regulamentação que garante o acesso por cotas à comunidade transgênero na pós-graduação desde 2023. A proposta aprovada pelo Consu busca ampliar esse direito para a graduação, assegurando não apenas a entrada, mas também o acompanhamento para permanência de estudantes até a conclusão dos cursos.

A comissão terá prazo de 90 dias para realizar os estudos e apresentar a minuta final do projeto. O grupo terá formação intersetorial, reunindo representantes das três categorias acadêmicas: docentes, técnico-administrativos e discentes, além de representantes de entidades e movimentos sociais da sociedade civil voltados aos direitos da população transgênero no Acre.

“Reafirmamos nosso compromisso ao instituir a comissão que vai deliberar sobre as cotas trans”, disser o reitor Josimar Ferreira. “Trata-se de uma ação demandada pela sociedade para incluir populações historicamente invisibilizadas, garantindo que as ações afirmativas façam parte da história do nosso conselho.”

Segundo a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Letícia Mamed, a política visa transformar a realidade de um dos grupos mais marginalizados socialmente. “Precisamos atentar para a garantia de acesso, permanência e dignidade para que essa comunidade possa construir seus projetos de vida com mais oportunidades”, comentou. “No Brasil, cerca de 30 universidades já adotam políticas semelhantes, e a Ufac dá um passo essencial para consolidar essa transformação.”

Integrante do Consu, a professora Raquel Ishii ressaltou que a comissão foi criada para ir além da gestão superior da universidade. “Considero essa aprovação uma grande vitória para a sociedade civil e para a universidade. A comissão amplia o debate da pós-graduação para a graduação. Trata-se de um grupo bem amplo, constituído não só pela gestão, mas com convites abertos ao Diretório Central dos Estudantes e a movimentos sociais externos à universidade.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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