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Gleisi tem razão. Mas não do jeito que pensa.

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rprangel2004@gmail.com (Ricardo Rangel)

Gleisi Hoffmann, presidente do PT, deu entrevista dizendo que ir para o centro seria uma espécie de suicídio para seu partido.

Gleisi tem toda razão.

O PT é desde sempre identificado como um partido de esquerda: se abandonar suas origens, será abandonado por seus eleitores. (Quem duvida deve olhar o PSDB: o partido, que era social-democrata, se tornou antipetista de ocasião, migrou para a direita, e acabou em grande medida bolsonarista. Tornou-se irrelevante.)

O problema é o que significa ser de esquerda.

Historicamente, a palavra “esquerda” é usada para identificar quem luta pela igualdade e pelo interesse dos pobres.

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Pouca coisa pune mais o pobre do que inflação, mas o PT continua crendo que “um pouco de inflação” não é ruim. Recusa-se a entender que descontrole fiscal alimenta a inflação. Atribui a alta do dólar às “artimanhas da Faria Lima que visam a minar conquistas econômicas e sociais por meio da especulação” (conforme diz a resolução do partido deste fim de semana).

Nada distribui mais renda do que educação básica, gratuita e universal de qualidade. Mas o PT nunca teve compromisso firme com ela.

O PT apoia a isenção de imposto de renda para a classe média prevista no pacote do governo (e nada diz do fato de que ele restringe o crescimento do salário mínimo).

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Boa parte do PT está sob controle do identitarismo, pauta de classe média cujo compromisso não é nem com igualdade nem os pobres, mas com minorias específicas.

Apesar de todos os fracassos do passado, o PT segue apostando no desenvolvimentismo, aquela tese econômica de que favorecer alguns grandes grupos econômicos vai reverter em ganhos para os pobres.

O PT afirma que ser empregado é estar condenado a ser explorado pelo patrão e que ser empreendedor é uma armadilha sem futuro. E ainda ridiculariza aqueles a quem chama de “pobres de direita”.

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Não admira que o partido tenha levado uma surra nas eleições deste ano. Nem que (mesmo com o apoio do centro) por um triz não tenha perdido a eleição de 2022.

Gleisi tem razão quando diz que o PT está frito se for para o centro. Talvez fosse bom se fosse para a esquerda.

(Por Ricardo Rangel em 09/12/2024)



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Frase do dia: Ciro Gomes

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Frase do dia: Ciro Gomes

Matheus Leitão

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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social) 


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Felipe Barbosa

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A articulação para mudar quem define o teto de jur…

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A articulação para mudar quem define o teto de jur...

Nicholas Shores

O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN). 

A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica. 

Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.

A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira. 

Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.

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Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios. 

Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.

A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.

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Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.

Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.

Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.

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Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.

Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.



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