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Globo de Ouro faz de Fernanda Torres gigante de seu país – 06/01/2025 – Ilustrada

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Marcos Augusto Gonçalves

Num vídeo que circula nas redes sociais, Fernanda Torres fala sobre o reconhecimento internacional de “Ainda Estou Aqui” e de seu próprio trabalho. O trecho é retirado de uma entrevista concedida ao jornalista Rodrigo Ortega, do UOL, na qual ela comenta a riqueza da cultura do Brasil e a nossa singularidade como espécie de “ilha continental” separada do mundo pelo idioma.

Paralelamente a essa configuração, ou melhor, por causa dela, nas palavras da atriz “a gente consome a nossa própria cultura, a gente tem total interesse por nós mesmos, porque nós somos uma potência de 200 milhões de pessoas, nós somos um país complexo, temos as próprias questões”.

Nessa relação intrincada com seu país e com o mundo, os brasileiros letrados conhecem muito mais a cultura europeia ou americana do que os europeus e os americanos conhecem a brasileira. Essa assimetria nos dá uma certa segurança sobre a relevância de nomes ignorados internacionalmente, como foi o caso, até pouco tempo, de Machado de Assis e Clarice Lispector, ou como continua sendo com Nelson Rodrigues.

“Como é que posso falar com alguém que não sabe quem é Nelson Rodrigues, que não sabe quem é Candeia?”, pergunta Torres. Se por um lado existe o complexo de vira-lata, por outro lado o Brasil “tem pena de o mundo não saber o que a gente sabe”.

As observações me lembraram prontamente de uma entrevista que fiz em 1990, em Milão, com o professor e escritor Umberto Eco. Foi um encontro especial, que contou com a participação dos poetas e irmãos Augusto de Campos e Haroldo de Campos. Eco, um teórico da semiologia, disse a dada altura da conversa que o Brasil o espantara por ele ter conhecido aqui estudiosos sérios de Charles Sanders Peirce, filósofo, matemático e linguista americano.

“Me parecia que só os alemães se interessavam por Peirce”, disse o autor de “Obra Aberta” e “O Nome da Rosa”, que nos visitou pela primeira vez em 1966.

Aproveitando a deixa, observei que o Brasil tinha esse tipo de coisa, essas singularidades, embora fosse um país periférico, que se situava fora do centro do sistema mundial.

“Mas o Brasil é um centro por sua própria conta”, retrucou ele. “Esse é o drama do Brasil: não é o de ser apenas um país fora do centro, porque há muitos nessa situação. Mas o de ser um país que tem um centro por sua própria conta.”

As coincidências entre as palavras de Torres e Umberto Eco são evidentes, o que nos leva ao fato de que as questões sobre identidade nacional problematizadas pela atriz vêm de longa data e atravessaram nosso debate do século 20, tempo de “explicadores do Brasil” e de experiências de construção de um país que só se realizou integralmente como projeto civilizatório no plano simbólico da cultura.

Essa é uma questão já levantada por muitos, e de maneira enfática por Caetano Veloso, profeta voluntarista das possibilidades dessa ilha continental lusófona. Conhece-se sua visão de que a música popular teria sido um lugar privilegiado dessa elaboração —e a bossa nova o seu auge.

No vídeo, Torres se refere ao sentimento de “um orgulho nacional bacana”, que mais uma vez se manifesta no plano da cultura —terreno do qual o futebol já fez parte de maneira mais criativa. Não por acaso, foram muitas as comparações feitas entre a torcida pelo Globo de Ouro e o clima que vemos na Copa do Mundo.

Tudo isso pode soar um tanto antigo, mas Torres tem berço, cultura, obra relevante (inclusive literária) e idade para essa conversa. Ocorre que passamos por uma fratura que alterou essa perspectiva. Ou por múltiplas fraturas, não apenas nacionais, que nos confrontam com a crise das promessas da democracia liberal e das utopias socialistas, a desigualdade, a tribalização do discurso progressista e a emergência do populismo de extrema direita.

A imagem da ilha continental continua a fazer sentido, embora sempre tenhamos marcado presença no mundo. A premiação de Torres faz dela um gigante da cultura deste Brasil que ela tanto ama, e é um sinal de que talvez possamos colar alguns de nossos cacos.

Num paralelismo óbvio com o título do filme de Walter Salles (e do livro de Marcelo Rubens Paiva), o sucesso parece evidência de que aquele Brasil sonhado por muitos ainda está aqui. Assim como os velhos inimigos, os obscurantistas do fascismo cultural e político redivivo, que preferem o autoritarismo e um certo tipo de isolamento, este sim sufocante.



Leia Mais: Folha

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Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital — Universidade Federal do Acre

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Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital-interna.jpg

A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou da solenidade de inauguração da nova sede da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape), da qual ela é presidente do Conselho Curador. O evento ocorreu nesta sexta-feira, 26, no campus-sede, local em que se localiza o espaço administrativo e operacional da fundação.

Guida destacou a importância da Fundape para a Ufac e para outras instituições da Região Norte. Para ela, a fundação passou por um processo de fortalecimento nos últimos anos. “A Fundape hoje nos faz realizar, na verdade, todas as parcerias de formação de docentes, de ensino, de pesquisa, de extensão, de inovação”, afirmou.

Segundo a reitora, a fundação ampliou sua atuação para além do Acre, atendendo também instituições de Rondônia, Amapá e Roraima. “Olha a grandeza disso. E nós, enquanto Universidade Federal do Acre, temos que nos orgulhar”, pontuou.

O diretor-presidente da Fundape, Ismar Bernardo de Araújo, disse que a inauguração da sede própria representa uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe e visão de futuro. “Hoje não celebramos apenas a abertura de um novo espaço físico; celebramos uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe, visão de futuro e confiança.”

Ismar lembrou que a Fundape foi instituída em 22 de junho de 1998 e completa 28 anos em 2026. Atualmente, a fundação conta com 38 colaboradores, representa quatro universidades federais, três institutos federais e um hospital universitário, estando presente em quatro Estados da região Norte.

Membro fundador da Fundape e pró-reitor de Planejamento da Ufac, Alexandre Hid, relembrou a criação da fundação e os desafios enfrentados ao longo da trajetória institucional. “Hoje a fundação está aí forte e firme para maiores e melhores desafios.”

Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital-interna-2.jpg

Também participaram da solenidade a reitora da Unir, Marília Pimentel; o procurador-geral adjunto para Assuntos Administrativos e Institucionais do MP-AC, Carlos Roberto da Silva Maia, representando o procurador-geral Oswaldo Lima Neto; o diretor técnico da Fundape, Camilo Gouveia; o diretor administrativo-financeiro da Fundape, Dionel de Araújo; Gemil Júnior, suplente do senador Alan Rick (Republicanos-AC); a pró-reitora de Inovação, Pesquisa e Pós-Graduação do Ifac, Alana Chocorosqui, representando o reitor Fábio Storch; o ex-reitor da Ufac, Minoru Kinpara; além de dirigentes, coordenadores de projetos, colaboradores e representantes de instituições parceiras.

 



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Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre

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Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre

O programa de pós-graduação em Planejamento e Governança Pública, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no âmbito do mestrado interinstitucional para técnico-administrativos da Ufac e do Instituto Federal do Acre (Ifac), realiza o 12º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública, de 14 a 16 de julho, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede da Ufac. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 16 de julho, por meio online.

O evento será transmitido pelo YouTube e terá como tema “Governança, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional na Amazônia: Desafios Estruturais para o Acre”, propondo um debate sobre questões territoriais, sociais, ambientais, urbanas, institucionais e econômicas que atravessam a realidade amazônica e acreana.

A programação científica será organizada em quatro eixos temáticos: governança urbana, mobilidade e direito à cidade na Amazônia; infraestrutura, saneamento e resiliência em contextos de enchentes e queimadas; governança ambiental, desenvolvimento sustentável e capacidade estatal na Amazônia; e educação e empreendedorismo na Amazônia.

O seminário tem como público-alvo a comunidade universitária e gestores públicos, contando com a participação de autoridades locais, pesquisadores da UTFPR, docentes da Ufac e do Ifac, bem como especialistas convidados de diferentes áreas.

 



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Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre

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A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.

Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.

A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.

“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.

“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”

A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.

Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.

 



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