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POLÍTICA

Grupos políticos já se articulam de olho na disput…

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Ludmilla de Lima

Se na última campanha à prefeitura do Rio a polarização direita versus esquerda não pegou entre o eleitorado, em 2026, na briga pelo Palácio Guanabara, o cenário promete ser diferente, com dois polos se digladiando. De um lado, estará a estrutura municipal somada à do governo federal a favor do prefeito reeleito, Eduardo Paes, visto como única liderança entre os partidos de centro-esquerda com capacidade para subir de patamar e ganhar o comando estadual. No lado oposto, entrará em campo o poderoso aparato da máquina fluminense, hoje nas mãos do bloco da centro-di­reita capitaneado pelo governador Cláudio Castro, pelo presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, e pela família Bolsonaro. Pouco menos de dois anos antes da votação, as duas partes já armam alianças e turbinam os nomes de seus favoritos.

Na prefeitura, o reeleito Paes, que em 1º de janeiro assumiu o novo mandato, claramente já prepara o vice Eduardo Cavaliere, um político jovem e pouco conhecido, para ocupar seu cargo quando for chegada a hora de voar mais alto. Ao contrário de outros companheiros de chapa que Paes apagou durante o mandato, Cavaliere, 30 anos, virou porta-voz dos principais projetos do prefeito, aparece em fotos oficiais e representa o chefe em eventos relevantes, além de ter atuado como chefe da transição de governo.

Enquanto Paes prepara a saída, antes de mal iniciar a etapa de agora, os partidos se movimentam para cimentar ou desidratar alianças, conforme seus interesses. O PT saiu na frente lançando um pré-candidato próprio ao Palácio Guanabara, Fabiano Horta, ex-prefeito de Maricá, e uma pré-­candidata ao Senado (duas vagas estão em jogo), Benedita da Silva, mas o propósito principal dessa iniciativa, segundo quem acompanha de perto o processo, é fazer pressão sobre o prefeito, que na eleição deste ano bateu o pé e não se dobrou a ter um vice petista. Na verdade, o que grande parte do PT ambiciona em 2025 é a vaga na chapa de Paes e seu apoio na disputa pelo Senado. Entre os aliados do alcaide, uma ala prefere que, diante da tarefa monumental pela frente de se fazer palatável no resto do estado, ele evite ser rotulado como integrante do espectro à esquerda.

O deputado Otoni de Paula, ex-­bolsonarista e pastor, que virou apoiador de Paes, concorda. “Não é bom para o nosso grupo que a gente tenha uma composição dele com alguém de esquerda. O melhor é propor ao PT o Senado, com Fabiano ou Bené. E eu mesmo poderia disputar a outra vaga, agregando os necessários votos da direita”, diz Otoni. O prefeito, de certa forma, aceita esse raciocínio: ao mesmo tempo que acomodou legendas da esquerda no novo governo, acenou a conservadores e evangélicos anunciando o filho de Otoni como secretário de Cidadania e Família e promete um “choque de capitalismo” no Rio. Maria Silvia Bastos Marques, ex-presidente do BNDES no governo Michel Temer, será sua secretária de Grandes Projetos.

PROCURA-SE - Castro: tentando manter o controle sobre a escolha no próximo pleito, ainda indefinida, de um nome da direita para sua sucessão (Charles Sholl/Brazil Photo Press/Folhapress/.)
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Nos bastidores, o deputado Pedro Paulo, presidente estadual do PSD de Paes, comanda as costuras para o ano que vem e tenta tirar partido do fato de que o campo adversário, até o momento, não tem um nome para concorrer à sucessão de Castro. No final de novembro, o bloco de centro-direita, que este ano conquistou a maioria das prefeituras do estado, tentou mandar o recado de que está unido. Um churrasco em São Gonçalo, na fazenda do presidente do PL fluminense, o deputado Altineu Côrtes, contou com a presença de 62 prefeitos, o governador Castro, seu vice, Thiago Pampolha, Bacellar e o próprio Jair Bolsonaro. Por trás dos largos sorrisos nas fotos, no entanto, corre muita desconfiança. O presidente da Alerj, que mantém uma relação conflituosa com Castro, quer buscar o comando estadual. Pampolha não esconde a mesma ambição. Castro, que no passado dizia que ficaria até o último dia na cadeira, agora já considera ter perfil para disputar uma vaga de senador. A única certeza dentro do grupo é a de que o primeiro nome ao Senado é o de Flávio Bolsonaro.

Mal avaliado entre a população, Castro tentou passar a impressão de que o poder de decisões está nas suas mãos em encontro no fim do ano com jornalistas no Palácio das Laranjeiras, sua residência oficial. Citou, inclusive, que 90% do dinheiro da privatização da Cedae foi direcionado para demandas de prefeitos, o que teria ajudado na reeleição de muitos. “O campo da centro-direita tem que ter maturidade para achar um candidato. E quem vai bater o martelo no final desse jogo sou eu”, declarou, calculando ter como aliados 85 dos 92 prefeitos, que representariam 60% dos votos do estado.

A cientista política Mayra Goulart, pesquisadora da UFRJ, vê grandes dificuldades a serem transpostas dos dois lados. “Paes é um candidato muito popular na capital, mas que de alguma maneira joga sozinho, sem pertencer a um grupo político”, avalia ela. Já Castro, afirma, é uma “liderança que se equilibra entre políticos de cunho ideológico e os fisiológicos, que mudam de barco conforme a maré.” Os anos de 2025 e 2026 prometem.

Publicado em VEJA de 3 de janeiro de 2025, edição nº 2925



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OPINIÃO

Opinião: A ciranda troca de partidos e a busca por cargos públicos

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Foto de capa [arquivo pessoal]
Os parlamentares que mudam de partido – como macacos puladores de galho – ou se candidatam a outros cargos no Legislativo e no Executivo apenas para preservar privilégios demonstram desrespeito à República e deveriam sentir vergonha de tal conduta. Essa prática evidencia a ausência de compromisso ideológico e a busca incessante por posições de poder, transmitindo à sociedade a imagem de oportunistas movidos por conveniências pessoais. A política deveria ser encarada como missão cívica, exercício de cidadania e serviço transitório à nação. Encerrado o mandato, o retorno às profissões de origem seria saudável para a oxigenação da vida pública.  
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Infelizmente, o sistema político brasileiro está povoado por aqueles que veem na política não um espaço de serviço público, mas um negócio lucrativo. Como já destacou o jornal El País, ser político no Brasil é um grande negócio, dadas as vantagens conferidas e auferidas — e a constante movimentação de troca de partidos confirma essa percepção.  
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A cada eleição, o jogo se repete: alianças improváveis, trocas de legenda na janela partidária e negociações de bastidores que pouco têm a ver com as necessidades reais da população. Em vez de missão cívica, vemos aventureiros transformando a política em palco de interesses pessoais e cabide de empregos. A busca incessante pela reeleição e por cargos demonstra que, para muitos, a política deixou de ser a casa do povo e tornou-se um negócio.  
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Convém lembrar aos que se consideram úteis  e insubstituíveis à política que o cemitério guarda uma legião de ex-políticos esquecidos, cuja ausência jamais fez falta ao país.  
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As próximas eleições são a oportunidade para os eleitores moralizarem o Legislativo, elegendo apenas candidatos novos, sem os vícios da velha política, que tenham conduta ilibada e boa formação cultural. Por outro lado, diga não à reeleição política, aos trocadores de partidos, aos que interromperam o mandato para exercer cargos nos governos, e àqueles que já sofreram condenação na Justiça ou punição no Conselho de Ética do Legislativo. 
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Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC

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POLÍTICA

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