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Guia cego domina com toque, cheiro e som paisagem nos EUA – 05/03/2025 – Ambiente
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2 anos atrásem
Fernanda Ezabella
Ron Peterson, cientista e engenheiro naval aposentado, tem uma técnica peculiar para encontrar três espécies de salgueiro que crescem lado a lado numa reserva de 930 hectares no sul da Califórnia (EUA), a menos de 2,5 km da fronteira com Tijuana (México).
“Eles estão a 29 passos à esquerda desta ponte”, explica Peterson, 74, para um grupo de sete pessoas que o seguem pelas trilhas da Reserva Nacional de Pesquisa do Estuário do Rio Tijuana, na cidade praiana de Imperial Beach. “Uma pedra no chão marca o local.”
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Peterson, docente voluntário da reserva desde 2015, ficou cego há seis anos, tendo perdido 95% da visão. Depois de um período perdido, sem saber como continuar colaborando com o local, resolveu apostar nos seus sentidos.
Hoje sabe identificar cerca de 50 espécies de plantas nativas da reserva pelo toque, cheiro ou som, e passou a compartilhar seu conhecimento em caminhadas gratuitas uma vez ao mês.
“Espero criar um pouco mais de apreço pelas plantas nativas, não apenas com a visão, mas com os outros sentidos, até mesmo um pouco com o paladar”, diz Peterson, acompanhado de sua cão-guia, uma labrador chamada Gidget.
O estuário é banhado pelo encontro do mar californiano com o rio Tijuana, que começa nas montanhas mexicanas. A área foi praticamente um depósito de lixo até os anos 1980, quando o governo federal norte-americano criou a reserva e iniciou o reflorestamento. Ainda assim, o local enfrenta problemas até hoje com as águas poluídas que chegam do México.
Ao chegar nos salgueiros, após os 29 passos, Peterson demora um pouco para encontrar a pedra. Todo mundo no grupo ajuda. “Funciona 9 em cada 10 vezes”, ele brinca, aliviado ao achá-la.
Peterson balança a mão em busca das folhas dos salgueiros e identifica um a um. O primeiro é um salgueiro-de-arroio, com folhas alongadas e grossas, algumas com uma protuberância característica, parte de uma larva de mosca. O segundo é um salgueiro-estreito, com folhas mais finas e delicadas, e o terceiro é um salgueiro-negro, fácil de reconhecer pelas folhas de margens serradas.
A experiência é sensorial e coletiva. Muitas vezes, Peterson pede ajuda do grupo e pergunta se a planta está em flor, ou se ainda tem folhas. Sua favorita é uma chamada “bladderpod” (Cleomella arborea), cujo cheiro peculiar lhe rendeu o apelido de “peido de bruxa”. Seus frutos são vagens infladas que, quando secam com as sementes dentro, fazem barulho como um mini chocalho.
O som também ajuda a encontrar a erva-limão, um arbusto de folhas ásperas e sementinhas escorregadias. “Quando está florido, fica lotado de abelhas. E quando escuto o zumzumzum, não vou colocando a mão, não”, avisa. Sem abelhas, ele tira uma das sementes para experimentar. “Sabor limonada”, declara.
As sálvias se entregam de longe pelos perfumes, assim como a artemísia-da-Califórnia, um arbusto de minúsculas folhas verdes-acinzentadas, sem muita personalidade, porém muito aromática. É também conhecida como “colônia de caubói”.
“Sinto o cheiro à distância. Foi assim que a encontrei hoje”, diz Peterson, encorajando a turma a esfregar as mãos nas folhas, sem arrancá-las, e levar ao nariz. “Li que os caubóis passavam no corpo antes de ir aos bordeis. Já os nativos kumeyaay passavam no corpo antes de ir à caça para disfarçar seu cheiro.”
Em frente a um arbusto de flores amarelas, uma malva-indiana, ele nos pede para primeiro sentir as orelhas macias e aveludadas de Gidget, uma cadela pouco disciplinada que adora um cafuné. Depois, tocamos na folha da malva, e nos surpreendemos com a similaridade.
No corredor dos beija-flores, uma parte da trilha repleta de flores que os passarinhos adoram, nos deparamos com os arbustos floridos da gambélia-da-Baja. As flores são muitas, pequenas, tubulares e vermelhas, imitando lábios exagerados.
“Apelidamos de Mick Jagger”, brinca Peterson. “Parte meu coração que não posso mais ver essa flor.”
A melhor época para visitar o estuário é em abril, pico da primavera. No verão, quando não há chuvas, muitas plantas entram em dormência e o cheiro predominante é outro. A água do rio espalha um odor que aflige os moradores de Imperial Beach. Com a precariedade de estações de tratamento de água, a praia fechou para banho por quase três anos e reabriu em 2024.
“Às vezes sentimos odores chatos à noite”, afirma Peterson. “Minha mulher e eu quase apreciamos isso porque mantém nossa cidade pacata, mais barata. Tem um certo estigma. No entanto, não viramos Ocean Beach ou La Jolla, que ficam lotadas de gente.”
A proximidade da reserva com o México traz desafios. No Google Maps, é possível ver como a fronteira encerra o estuário como uma régua, com o lado mexicano extremamente urbanizado e o lado americano, semisselvagem, cortado por estradas patrulhadas por agentes federais.
Peterson explica que, com o crescimento da população em Tijuana, as estações de tratamento estão sobrecarregadas, e suas bombas sofrem com infiltração de areia e deixam de funcionar.
Ele nunca viu imigrantes ilegais atravessando a reserva, mas os encontra ocasionalmente chegando via mar em pequenas embarcações. “Perto de nossa casa, eles abandonam seus pequenos barcos e jangadas e saem correndo pela areia”, diz.
O americano, que cresceu na Virgínia e trabalhou na Flórida antes de se mudar para a Califórnia, trabalhou 40 anos como engenheiro da Marinha, desenvolvendo software para submarinos e navios de alta velocidade.
“Era divertido. No entanto, em última análise, fazia sistemas de armas. Muitas vezes me peguei pensando: ‘Queria ser um guarda-florestal!’. Queria estar na natureza, não na frente de um computador.”
Ao se aposentar na Califórnia, começou a fazer trabalho voluntário no estuário. Ele removia plantas invasoras, plantava nativas e fazia manutenção das trilhas. Quando decidiu iniciar as caminhadas, fez 14 horas de treinamento para virar docente da reserva. Hoje também é voluntário no Braille Institute e na Universidade de San Diego.
“Quando você perde a visão, você pode cair num buraco. E o trabalho voluntário te ajuda a sair dessa. Você para de pensar constantemente nos seus problemas e pensa nos outros”, diz. “Foi o que realmente funcionou para mim.”
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Gestão da Ufac realiza visita ao laboratório Charles Mérieux — Universidade Federal do Acre
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25 de setembro de 2026A Ufac realizou uma visita institucional ao Centro de Infectologia Charles Mérieux (CICM). A agenda reuniu a gestão superior da universidade, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e representantes do centro para alinhar propostas de cooperação que permitam o desenvolvimento de pesquisas avançadas e projetos de inovação em saúde pública nas instalações do laboratório. O encontro ocorreu nessa quinta-feira, 24.
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(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)
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Membros da Academia Acreana de Letras visitam a Ufac — Universidade Federal do Acre
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25 de setembro de 2026O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, recebeu membros da Academia Acreana de Letras (AAL), que vieram parabenizá-lo pelo mandato e iniciar as tratativas para fortalecimento da parceria institucional, com incentivo à cultura, à literatura e à extensão acadêmica no Estado. A visita de cortesia ocorreu nesta sexta-feira, 25, na sala de reuniões da Reitoria, campus-sede.
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(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)
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