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Histórias de vida em formato de cordel são tema de exposição em SP
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Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil
O verso da canção Chico Preto, dos compositores João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro, já dizia: “a tua história um dia vai virar cordel”. E a partir deste sábado (2), qualquer pessoa que passar pelo Museu da Língua Portuguesa, na região da Luz, na capital paulista, poderá se deparar com uma exposição que conta a história de 21 pessoas por meio da literatura de cordel.
Chamada de Vidas em Cordel, a exposição celebra a tradição oral, a poesia popular e a ancestralidade e é uma realização do Museu da Língua Portuguesa com o Museu da Pessoa, espaço virtual e colaborativo que se dedica, há 30 anos, a registrar, preservar e disseminar histórias de vida. A curadoria é do poeta e cordelista Jonas Samaúma, do cordelista e pesquisador do folclore brasileiro Marco Haurélio, e da xilogravadora Lucélia Borges.
Entre as personalidades que tiveram suas histórias cordelizadas e que estão retratadas na mostra estão o jornalista Gilberto Dimenstein e o líder indígena e imortal da Academia Brasileira de Letras, Ailton Krenak. Mas há também nomes menos conhecidos, de pessoas comuns, que também tiveram trabalhos relevantes ao país.
A mostra chega a São Paulo depois de passar por Pernambuco, Bahia e Minas Gerais. Em São Paulo, ela ganhou três histórias inéditas, de personalidades que desenvolveram trabalhos de impacto na região da Luz, onde o Museu da Língua Portuguesa está inserido.
Histórias
São Paulo 02/11/2024 História de Idibal Matto Pivetta é uma das presentes na exposição. – Foto Guilherme Sai.
Uma dessas três personalidades é César Vieira, pseudônimo de Idibal Matto Pivetta (1931-2023), que, como advogado, teve uma atuação importante na defesa de presos políticos durante a ditadura militar no Brasil. Ele também foi um dos fundadores do grupo Teatro Popular União e Olho Vivo, pioneiro na utilização de processos de criação coletiva. Perseguido pela censura do regime militar, passou a assinar suas peças como César Vieira.
“Para mim, ele sempre vai ser um ser humano incrível: uma pessoa de um coração muito grande. Por uma necessidade do país, ele viu que era necessário se juntar a outras pessoas para trocar experiências, aprender e poder também construir um país mais justo. Ele se formou em direito e jornalismo e também era dramaturgo. Ele foi fundador do Teatro Popular União e Olho Vivo, que é um grupo que há 75 anos faz essa troca de experiência nos bairros populares da capital”, explicou seu filho, Lucas Cesar Pizzetta.
Cesinha, como ele é mais conhecido por herdar o pseudônimo do pai, contou que foi convidado pelo Museu da Pessoa e do Museu da Língua Portuguesa para contar essa história. “Acho que é fundamental esse tipo de iniciativa que contribui para contar a história da cultura popular brasileira. Principalmente hoje, quando vivemos em um momento de dominação tão grande da cultura estrangeira. Precisamos contar essas histórias de uma forma agregada, relacionando esses temas para entender o contexto do país”, disse ele, em entrevista à Agência Brasil.
A história do pai de Cesinha foi cordelizada pela poeta Maria Celma. O cordel, que pode ser retirado gratuitamente na exposição ou ser visualizado por meio do site, inicia essa história pelos seguintes versos: “Falar de Idibal Pivetta. Requer bom senso e coragem. Homem de muitas facetas. E de uma imensa bagagem. Marcou a história das gentes. Como autor e personagem”.
À reportagem, Maria Celma contou que, para iniciar o cordel sobre Idibal, ela começou a consultar sua biografia, assistindo entrevistas e lendo muitos trabalhos publicados sobre ele. “E aí eu me apaixonei pelos feitos, pela pessoa, pelo humano, pelo social dele. Além de prazeroso, foi uma experiência enriquecedora escrever sobre ele. Isso me enriqueceu como pessoa, como cidadã, como brasileira”, disse ela.
Além da história de Pivetta, as outras histórias inéditas cordelizadas para a mostra foram a de Cleone Santos, uma mineira de Juiz de Fora que criou o Coletivo Mulheres da Luz, que oferece apoio e dá visibilidade às mulheres em situação de prostituição; e do rapper MC Kawex, que viveu por 20 anos na chamada Cracolândia, sendo uma voz ativa na região.
“Trazer a exposição para São Paulo abriu uma porta grande para que a gente pudesse também trazer a história de pessoas que estão aqui, digamos, na nossa vizinhança, no nosso território”, falou Camila Aderaldo, coordenadora do Centro de Referência do Museu da Língua Portuguesa. “Conseguimos reunir três nomes para compor essa mostra. Organizar e colocar a história dessas pessoas em literatura é quase uma maneira de fazê-las ainda presentes. E isso é muito poderoso”, acrescentou.
Para Karen Worcman, fundadora e curadora do Museu da Pessoa, a exposição é uma grande celebração da língua portuguesa. Além disso, ela expande o nosso conceito de construção de memória do país. “A ideia básica do Museu da Pessoa é fazer com que a história de cada pessoa se torne um objeto de museu. O museu tem como objetivo promover uma mudança, uma democratização da memória social, ampliar o jeito que a gente conta a nossa história na sociedade”.
Todas as histórias que estão sendo apresentadas nesta exposição em São Paulo foram incluídas no acervo do Museu da Pessoa. Inclusive as que serão contadas pelo próprio público.
Cabine
Essa exposição não é feita só de histórias apresentadas em painéis e em cordéis que podem ser retirados de forma gratuita no museu. Há também uma cabine interativa, onde os visitantes poderão gravar seus próprios depoimentos.
“O Museu da Pessoa, que é sempre colaborativo, traz sempre uma cabine de histórias de vida. Toda vida dá um cordel. Toda vida é parte de um museu. Então a pessoa que vem tem a possibilidade de gravar a sua história e integrar o acervo do museu – e de forma gratuita”, contou Karen Worcman.
Todos esses depoimentos do público vão depois integrar o acervo digital do Museu da Pessoa .
São Paulo 02/11/2024 Exposição de cordel no Museu da Língua Portuguesa. – Foto Guilherme Sai.
Cordel
O cordel surgiu em um tempo onde não havia rádio, internet ou TV e poucos sabiam ler. Para saber as histórias, as pessoas saíam às ruas para ouvir os artistas populares que narravam, em forma de versos, os acontecimentos da região. Até que surgiram as técnicas baratas de impressão e essas histórias começaram a ser reproduzidas em pequenos livros que se propagaram pela Europa.
Quando chegou ao Brasil, isso ganhou uma linguagem própria, com humor, críticas e capas ilustradas com xilogravuras, técnica que consiste em entalhar em pedaços de madeira imagens de alto e baixo relevo que depois receberão camadas de tinta e serão reproduzidas em papel, como uma espécie de carimbo.
“A literatura de cordel, enquanto gênero, enquanto cultura, enquanto história, tem uma força enorme para todos os brasileiros. Esse projeto de exposição, além de bonito, é importantíssimo do ponto de vista sócio-cultural. Esse projeto é realmente uma ação de salvaguarda da literatura de cordel”, disse a cordelista Maria Celma.
Desde 2018, a literatura de cordel e seus bens associados, como a xilogravura, são reconhecidos como patrimônio cultural e imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Mostra
A exposição está sendo apresentada no Saguão B do museu e tem entrada gratuita. Ela ficará em cartaz até fevereiro do próximo ano.
As histórias que estão em exposição poderão ser acessadas também de forma virtual, por meio do site Nesse conteúdo online também está disponível o livreto Vidas em Cordel para Educadores, um material educativo e gratuito voltado para professores e que pode ser utilizado em atividades educativas.
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A Diretoria Geral do Campus Floresta (DG-Camp), por meio do Setor de Assistência Estudantil (SAE-CZS), comunica a suspensão do Restaurante Universitário nesta segunda-feira, 28, para o Campus Floresta, em decorrência do ponto facultativo decretado pela Reitoria por meio da Portaria n.º 3.914, de 24/09/2026, em virtude da celebração do Aniversário do município de Cruzeiro do Sul (AC).
Contamos com a compreensão de toda a comunidade acadêmica.
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Gestão da Ufac realiza visita ao laboratório Charles Mérieux — Universidade Federal do Acre
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25 de setembro de 2026A Ufac realizou uma visita institucional ao Centro de Infectologia Charles Mérieux (CICM). A agenda reuniu a gestão superior da universidade, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e representantes do centro para alinhar propostas de cooperação que permitam o desenvolvimento de pesquisas avançadas e projetos de inovação em saúde pública nas instalações do laboratório. O encontro ocorreu nessa quinta-feira, 24.
O coordenador de Gestão e Infraestrutura do CICM, George Dobré, apresentou as propostas operacionais para viabilizar o uso da infraestrutura laboratorial por equipes de pesquisadores e estudantes da Ufac. A iniciativa visa unificar o potencial de pesquisa acadêmica da universidade com a capacidade tecnológica e de vigilância do centro.
A reunião contou com a presença do reitor Josimar Ferreira; do pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Dionatas Meneguetti; do diretor de Pesquisa da Ufac, Thiago Augusto da Cunha; do diretor-geral da Fiocruz-RO, Jansen Medeiros; e dos pesquisadores da Fiocruz, Gabriel Melim e Deusilene Vieira, que também atua como coordenadora de Pesquisa, Vigilância e Educação do CICM.
(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)
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Membros da Academia Acreana de Letras visitam a Ufac — Universidade Federal do Acre
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25 de setembro de 2026O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, recebeu membros da Academia Acreana de Letras (AAL), que vieram parabenizá-lo pelo mandato e iniciar as tratativas para fortalecimento da parceria institucional, com incentivo à cultura, à literatura e à extensão acadêmica no Estado. A visita de cortesia ocorreu nesta sexta-feira, 25, na sala de reuniões da Reitoria, campus-sede.
As instituições definiram como encaminhamento a elaboração de um termo de cooperação técnica para aproximar as ações da AAL dos cursos de graduação e das pró-reitorias, com destaque para a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura. A parceria busca integrar a universidade aos projetos culturais da academia, além de apoiar a realização de um grande evento comemorativo ao aniversário da AAL, previsto para este ano, entre 29 de outubro e 17 de novembro.
“Recebo a Academia Acreana de Letras com muita gratidão. Vamos aproximá-la dos nossos processos formativos e das nossas ações de extensão”, disse o reitor Josimar Ferreira. “A universidade já planeja lançar um edital na área de cultura por meio da Agência de Inovação e a academia terá um papel central nesse contexto.”
O presidente da AAL, José Dourado de Souza, ressaltou a relevância da aproximação com a Ufac. “Ficamos muito felizes em prestar essa homenagem ao reitor Josimar, uma pessoa de muita experiência e aberta ao diálogo. A academia busca esse apoio institucional e de materiais para continuar promovendo eventos culturais e ações nas escolas.”
(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)
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