ACRE
Holanda abrirá arquivo sobre pessoas acusadas de colaboração nazista durante a guerra | Holanda
PUBLICADO
2 anos atrásem
Senay Boztas in Amsterdam
Durante 80 anos, detalhes da colaboração dos seus antepassados com os nazis foram enterrados em fileiras imaculadas de arquivos em Haia. Mas milhares de famílias holandesas enfrentam a possibilidade de a história dos seus familiares ser revelada no final desta semana, quando for aberto um arquivo sobre 425 mil pessoas acusadas de se aliarem ao ocupante durante a Segunda Guerra Mundial.
Na quinta-feira, o arquivos centrais dos tribunais de jurisdição especial (CABR), criada depois que os aliados libertaram a Holanda para levar os colaboradores à justiça, será aberta de acordo com as regras nacionais de arquivo.
Até agora, o arquivo de guerra mais visitado do Holanda tem sido acessível apenas aos pesquisadores, aos envolvidos e aos descendentes diretos. Mas a partir de quinta-feira o arquivo físico estará aberto ao público em geral.
Durante os primeiros três meses de 2025, investigadores e descendentes de vítimas e alegados perpetradores também terão acesso digital a um quarto desta base de dados extraordinária – no arquivo nacional em Haia – pela primeira vez.
Parentes têm sentimentos confusos sobre a mudança. “É um pouco desconfortável”, disse Connie, 74 anos, uma das três irmãs cuja história familiar está contida no arquivo. “Não sei o que poderia resultar disso, se as pessoas pesquisassem nosso sobrenome no Google.”
Mas alguns nos Países Baixos acreditam que a abertura sobre o passado do país durante a guerra, incluindo a sua colaboração económica e burocrática, é crucial. Três quartos da população judaica holandesa – mais de 102 mil pessoas – foram assassinados pelos nazistas, com colaboração antissemita do Estado, da polícia e de parte da população holandesa.
É um passado que o país está só agora chegando a um acordoabrindo um museu nacional do Holocausto, fazendo um pedido público de desculpas e financiando pesquisas sobre o papel das instituições e empresas de transporte.
“Isso faz parte da repressão por parte dos holandeses às suas memórias de colaboração, depois de termos punido os nossos colaboradores militares e políticos”, disse Johannes Houwink ten Cate, professor emérito de Holocausto estudos na Universidade de Amsterdã. “Posso compreender que os filhos e netos dos colaboradores temem agora possíveis consequências, mas a minha experiência pessoal é que os seus sentimentos desaparecem depois de terem visto os ficheiros. Tornar isso aberto é um passo importante.”
após a promoção do boletim informativo
Inicialmente, a intenção era colocar o arquivo online no site Oorlog voor de Rechter (“guerra perante os juízes”) na quinta-feira. Mas a perspectiva provocou inquietação pública e os holandeses Autoridade de Proteção de Dados (AP) emitiu um alerta de que colocar online o arquivo de colaboradores suspeitos violaria as leis de privacidade.
“Na primavera de 2024, a AP recebeu um sinal de um familiar sobrevivente de que a publicação planeada da CABR possivelmente não estava a ser organizada de forma legal”, anunciou. “Os arquivos nacionais devem agora começar a trabalhar num método alternativo.”
A publicação online está atrasada e o ministro da Cultura, Eppo Bruins, afirma que o arquivo não deve ser indexável por motores de busca como o Google. Mas espera-se que eventualmente 30 milhões de páginas de relatórios de testemunhas, diários, cartões de membro do partido fascista holandês, registos médicos, sentenças judiciais, pedidos de perdão e fotografias possam ser pesquisados.
Num evento recente no Instituto NIOD para Estudos de Guerra, Holocausto e Genocídio em Amsterdã, o diretor, Martijn Eickhoff, disse que o arquivo especial do tribunal de 1944 e 1952 era um recurso histórico valioso. Mas foi também um período de acusações selvagens, disse ele: menos de 15% dos suspeitos foram punidos por tribunais e tribunais extraordinários, e dois terços não foram punidos.
“É importante olhar atentamente para este arquivo”, disse ele ao Guardian. “Se um texto é enganoso, as pessoas tornam-se críticas em relação à fonte, e é isto que se aprende a fazer como historiador… Mas como contém tantos documentos pessoais, isto afecta enormemente as pessoas.”
Ele comparou o arquivo holandês com a Síria moderna, onde especialistas globais estão a trabalhar para preservar provas de crimes sob o ditador deposto Bashar al-Assad. “Esperamos conduzir esta experiência (abertura do arquivo) no caminho certo. Não abrir novamente a porta ao ódio coletivo”, disse ele a uma sala de descendentes, incluindo Connie e suas irmãs Jolanda e Mieke.
As irmãs, que pediram a não publicação do sobrenome, têm sentimentos diferentes em relação à abertura do arquivo. Embora Connie esteja preocupada, Jolanda, 70 anos, disse que não se importava e Mieke, 68 anos, disse que estava ansiosa para ver o dossiê de seu avô. Ele tinha uma construtora que fazia trabalhos para os nazistas e, no cálculo do pós-guerra, foi punido por isso. O pai das irmãs também trabalhava lá.
“Mas ele tinha 18 anos”, disse Jolanda. “Não sei em que outras coisas meu avô acreditava, mas meu pai acreditava em um mundo melhor, não na ideologia nazista… Mas você pode fazer escolhas, como a família do meu pai. Às vezes é uma má escolha.”
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
ACRE
Ufac inaugura núcleo de apoio administrativo às coordenações de curso — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
12 horas atrásem
14 de outubro de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) inaugurou, na manhã desta terça-feira, 13, o Núcleo Integrado de Apoio às Coordenações (NIAC), instalado na Pró-Reitoria de Graduação (Prograd). A iniciativa tem como objetivo oferecer suporte administrativo aos cursos de graduação, neste momento com atendimento prioritário a oito coordenações que estão sem servidores técnico-administrativos. A proposta prevê também o desenvolvimento de outras ações de apoio às coordenações no âmbito do núcleo. A solenidade contou com a participação do reitor Josimar Ferreira, da vice-reitora Almecina Balbino, da pró-reitora de Graduação, Danila Torres, e da pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas substituta, Juliana Queirós.
O reitor destacou a importância da iniciativa para o funcionamento dos cursos e reconheceu a colaboração dos servidores envolvidos. “Quero parabenizar toda a equipe da Prograd, reconhecer o voluntariado dos nossos secretários de curso e o apoio das coordenações”, afirmou Josimar. Segundo ele, o serviço dará suporte especialmente às coordenações que estão sem secretários, mas também poderá atender aos demais coordenadores de curso.
A criação do NIAC é uma iniciativa da Prograd e da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (Prodgep), que contou também com a participação inicial do Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca). O espaço foi organizado nas instalações da Prograd para facilitar o acompanhamento das atividades e o apoio aos servidores.
Segundo a pró-reitora Danila Torres, a proposta surgiu da necessidade de atender coordenações que enfrentam dificuldades na execução das atividades administrativas. Algumas delas estão há mais de oito meses sem servidores técnicos, deixando os coordenadores responsáveis também pelas rotinas administrativas. “A gente vai tentar apoiar as coordenações naquilo que elas precisam”, explicou.
O núcleo funciona por meio de uma escala de revezamento de servidores técnico-administrativos de outras coordenações. Atualmente, sete profissionais participam voluntariamente da iniciativa, com autorização das chefias imediatas, dedicando dois dias por semana ao atendimento compartilhado, sem deixar suas atividades nas unidades de origem.
A meta é ampliar a equipe para dez servidores, permitindo a presença de dois profissionais no turno da manhã e dois à tarde. “O serviço deles é padrão, é comum, então não tem um técnico para uma coordenação. Todos trabalham em todas essas oito coordenações”, explicou Danila.
Entre as primeiras demandas do NIAC está o lançamento das ofertas de disciplinas do semestre letivo 2026.2 no sistema acadêmico, considerando o início das solicitações de matrícula pelos estudantes nesta quinta-feira, 15. A medida busca assegurar o andamento dos procedimentos acadêmicos nas coordenações que não dispõem de técnicos para executar essas atividades.
Além do atendimento inicial às oito coordenações, a proposta é ampliar gradualmente a atuação do núcleo para oferecer suporte às demais unidades acadêmicas, incluindo o auxílio a novos coordenadores nas rotinas administrativas dos cursos e o desenvolvimento de outras ações de apoio às coordenações.
Relacionado
ACRE
Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
5 dias atrásem
9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
Relacionado
ACRE
Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
6 dias atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
Relacionado
PESQUISE AQUI
MAIS LIDAS
ACRE6 dias agoUfac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
ACRE5 dias agoAlunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
ACRE12 horas agoUfac inaugura núcleo de apoio administrativo às coordenações de curso — Universidade Federal do Acre
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login