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Incenso, mirra e frisbee – 22/12/2024 – Bia Braune

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A esta altura das festas de fim de ano, talvez seja descaramento meu narrar uma parábola natalina sobre outra família em fuga que não a de Jesus. No entanto, cada um sabe dos próprios “rôu-rôurôus”. E no que diz respeito a ceias regadas a climão, amigos-da-onça secretos e parentes nos quais apenas esbarramos anualmente, sagrada será sempre a família que você tiver à mão, em caso de perrengue.

Transportemo-nos, portanto, a uma era pré-“Então É Natal”. Suficientemente depois do nascimento de Cristo, mas bem antes do meu —a ponto de a história ter chegado a mim já como fábula moral, por fofocas apócrifas. De quando meus pais e meu irmão decidiram seguir não a estrela de Belém, mas a rosa-dos-ventos de um avião da Varig rumo aos Estados Unidos.

Eram tempos de ditadura e dureza, com suados cruzeiros salvaguardados da inflação em cadernetas de poupança (meus pais) e cofres de porquinho (meu irmão). O sonho de conhecer a América dos filmes, das séries e dos lençóis de nylon que não amassavam enfim acessível, graças a cheques pré-datados e à insistência de Laci, uma parenta que pendia de um galho supostamente confiável da nossa árvore genealógica.

Casada com Ralph, americano legítimo e de pescoço rosado, Laci prometia acolhimento carinhoso em Miami. O que ninguém esperava —e essa parte meu pai recontava sempre com voz embargada e olhos esbugalhados— era um “Unmerry Christmas” em prisão domiciliar. Sem direito a serrote malocado no panetone.

Mantidos no porão da casa, sem acesso a telefone e tendo as economias extorquidas, os três só conseguiram escapar pela cerquinha branca daquela insuspeita Alcatraz na noite de 24 de dezembro. Por entre lágrimas e migalhas de rabanada, cearam no chão do aeroporto até que uma anunciação diferente se deu pelo alto-falante da companhia aérea. Sim, um funcionário havia se compadecido. Se meus pais e meu irmão não tinham com quem passar o Natal, que ficassem então com a família dele em Boston. Ele fazia questão. O nome desse anjo? José Maria.

Resgatados por completos estranhos, eles fizeram desses estranhos uma família estendida. Tanto que, na mala da volta, junto com novas memórias felizes e pelo menos dois jogos de lençol, veio até um frisbee presenteado por José Maria e os seus. E que meu pai, a partir daquele Natal, passou a usar no presépio como manjedoura do Menino Jesus.


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Licenciatura Indígena realiza defesa de TCCs em aldeias no Juruá — Universidade Federal do Acre

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1º Seminário Acadêmico de Apresentação de TCCs-2026 (2).png

O curso de Licenciatura Indígena, do campus Floresta da Ufac, realizou o 1º Seminário Acadêmico de Apresentação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs). O evento possibilitou a defesa de 16 trabalhos nas aldeias Barão, da terra indígena Puyanawa, em Mâncio Lima (AC), e Morada Nova, na terra indígena Katukina/Kaxinawá, em Feijó (AC). As atividades ocorreram entre 25 de setembro e 2 de outubro, envolvendo estudantes, professores, egressos do curso, pós-graduandos e as comunidades locais.

Os TCCs defendidos nas aldeias são de autoria de discentes que ingressaram na Ufac em 2023 e deverão colar grau no início de 2027. Os temas das pesquisas contemplaram variados aspectos da vida indígena, abrangendo história, biografia, mitologia, organização política, território, medicina tradicional, grafismos, gênero, terminologias linguísticas, educação especial, atividade cinegética e rituais tradicionais.

A viabilização das defesas nas aldeias ocorreu pela primeira vez em 18 anos de existência da graduação e está de acordo com a pedagogia da alternância, pela qual parte da carga horária do curso é realizada nas comunidades indígenas dos alunos, por meio de pesquisa e extensão. Os recursos para realização do evento foram provenientes de projeto de extensão com o mesmo nome do seminário.

As bancas de avaliação foram compostas por docentes do curso, egressos de outras turmas da Licenciatura Indígena e egressos indígenas de outros cursos da Ufac, inclusive da pós-graduação. Também compuseram algumas bancas pessoas reconhecidas por suas comunidades com “notório saber”, expediente previsto no regulamento de TCC do curso. Além de familiares dos estudantes e moradores das aldeias, indígenas de outras etnias estiverem presentes no seminário.

1º Seminário Acadêmico de Apresentação de TCCs-2026 (3).png

Organização

A atividade no município de Mâncio Lima, que é vizinho ao campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), ocorreu num só dia, em 25 de setembro, com a defesa de dois TCCs. Já para o evento em Feijó foi necessário um deslocamento de ônibus, com duração de quase seis horas, em 30 de setembro, até o porto da cidade. E, à noite, uma embarcação levou cerca de 20 pessoas até a aldeia Morada Nova, onde houve uma recepção musical para o grupo. Na manhã do dia seguinte começaram as defesas, que prosseguiram até 2 de outubro.

1º Seminário Acadêmico de Apresentação de TCCs-2026 (4).png



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Herbário da Ufac participa do 76º Congresso Nacional de Botânica — Universidade Federal do Acre

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Ufac no 76º Congresso Nacional de Botânica-2026 (2)x.png

A servidora Júlia Gomes da Silva, curadora do Herbário da Ufac, vinculado ao Parque Zoobotânico (PZ), representou a instituição no 76º Congresso Nacional de Botânica e 15º Encontro de Botânicos do Centro-Oeste, eventos ocorridos de 11 a 16 de outubro, em Campo Grande. Ela participou de mesa-redonda com apresentação das coleções dos herbários da região Norte.

Na ocasião, os curadores discutiram avanços, desafios estruturais e o futuro das coleções científicas do país. Durante sua exposição, Júlia conduziu o público por uma linha do tempo que remonta a 22 de outubro de 1979, data da primeira coleta registrada no campus-sede da Ufac: uma ‘Vismia’ (gênero científico de planta) coletada por L. Coêlho. Em razão desse registro, o herbário da Ufac comemora 47 anos nesta quinta-feira, 22.

Júlia destacou perspectivas importantes para o cenário científico acreano. Entre os projetos de destaque estão investimentos viabilizados via Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), incluindo a projeção de um novo prédio de cerca de 600 metros quadrados e a aquisição de armários compactadores modernos para garantir a preservação do acervo em longo prazo.

Também representaram a Ufac estudantes do campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), e a professora Simone Reis. A universidade enviou 11 resumos, dos quais oito foram apresentados. O evento possibilitou a troca de experiência com botânicos do país e conversas sobre parcerias de trabalho, incluindo a realização de expedições para grupos de plantas pouco estudados no Acre.

Herbário

O Herbário da Ufac tem uma equipe técnica composta por Júlia Gomes da Silva, Izailene Saar e colaboradores, como a ex-curadora e atual vice-reitora Almecina Balbino, o técnico Davi Borges e estagiários. O acervo abriga preciosidades da flora amazônica e sul-americana, registrando a superação de gargalos históricos de digitalização e integrando atualmente plataformas globais de dados de biodiversidade, como o SpeciesLink e o Global Biodiversity Information Facility.

Entre os marcos recentes destacados está o avanço na informatização de milhares de registros e a aposta em inovações, como a participação na Rede de Herbários Espectrais da Amazônia, que utiliza a espectroscopia no infravermelho próximo (tecnologia NIR portátil) para otimizar a identificação de espécies diante da escassez de taxonomistas na região.

A informatização completa do acervo ainda está em processo e figura como um dos principais objetivos da equipe, que agradeceu à direção do PZ e à Ufac pelo apoio contínuo aos servidores e à coleção, além de exaltar o esforço coletivo dos bolsistas, voluntários e parceiros que documentam, protegem e estudam a flora e funga brasileira.



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