NOSSAS REDES

ACRE

Incerteza à frente para Moçambique – DW – 14/01/2025

PUBLICADO

em

As ruas de Maputo estavam desertas na segunda-feira, quando Moçambique empossou o seu novo parlamento. O líder da oposição Venâncio Mondlane convocou uma greve de três dias para protestar contra o resultado de eleições altamente disputadas. Na verdade, dois pequenos partidos da oposição boicotaram a cerimónia de abertura, dizendo que não aceitavam o resultado das eleições de Outubro. Presidente eleito Daniel Chapo apelou à calma e à unidade após meses de agitação que abalaram a nação da África Austral.

Venancio Mondlane entered Mozambique do exílio autoimposto na semana passada, depois do assassinato do seu advogado, em 19 de outubro. O seu regresso provocou confrontos entre apoiantes e a polícia na capital. Ele convocou três dias de protestos esta semana.

Para a analista moçambicana Carmeliza Rosário, há poucos sinais de que um fim pacífico para o impasse esteja à vista.

“Há um sentimento de injustiça. Não há meios de comunicação imparciais e nem todos cobrem tudo”, disse ela à DW. Ela acrescentou que existem narrativas concorrentes: uma do partido no poder, Frelimo, ao qual pertence Daniel Chapo, de 48 anos, e a do partido da oposição de Mondlane, Podemos.

O mais alto tribunal de Moçambique confirmou a atribuição de assentos parlamentares nas eleições pouco antes do Natal, com a Frelimo a obter 171 assentos e o Podemos, um pequeno partido que se tornou a principal oposição, a obter 43.

Moçambicanos fogem para o Malawi devido à violência pós-eleitoral

Para ver este vídeo, ative o JavaScript e considere atualizar para um navegador que suporta vídeo HTML5

Guerra civil é uma possibilidade?

Mondlane, de 50 anos, insiste que lhe foi roubada a vitória nas eleições de Outubro passado, nas quais a Frelimo teve uma vitória esmagadora de 65% – para prolongar meio século de governo. Com o seu partido a ganhar oficialmente apenas 24% dos votos, Mondlane culpou fraude eleitoral e manipulação eleitoral.

ONG locais relatam que cerca de 300 pessoas morreu em agitação que aconteceu desde a eleição. As forças de segurança moçambicanas são acusadas de usar força excessiva, incluindo balas reais, contra manifestantes.

“Teremos novamente um Estado que se impõe, com as pessoas a rejeitarem esta imposição e a decidirem quem querem que os governe”, diz Rosário à DW, acrescentando que Moçambique poderá estar a caminhar para uma guerra civil.

A Frelimo governa Moçambique desde a independência do país Portugal. O partido esteve em guerra civil de 1977 a 1992 contra a Renamo, agora um pequeno partido da oposição. Nas muitas décadas do seu governo, a Frelimo foi acusada de corrupção, elitismo e de não melhorar a vida dos moçambicanos comuns, o que levou eleitores mais jovens para buscar uma mudança no governo.

Tendai Mbanje, analista do Centro Africano de Governação, com sede em Joanesburgo, disse à AFP que Mondlane “é a esperança actual e o futuro dos jovens”.

“Se a Frelimo quiser unir o país, é altura de encararem o seu regresso como uma oportunidade de diálogo”, disse ele.

Foto dividida de Daniel Chapo e Vencio Mondlane.
Daniel Chapo, à esquerda, e Venâncio Mondlane enfrentaram-se nas disputadas eleições, com a decisão do mais alto tribunal de Moçambique que Chapo venceu significativamenteImagem: ALFREDO ZUNIGA/AFP/Getty Images

Mondlane até agora não foi preso e a Frelimo teria mantido conversações com líderes do Podemos, o partido que apoiou Mondlane, para pôr fim ao impasse.

“O grande problema do Chapo é que ele não tem rua”, diz Rosário, acrescentando que “Podemos é muito fraco, mas com uma forte ligação carismática em Venâncio Mondlane. Daniel Chapo é fraco, mas com um partido Frelimo muito forte atrás dele.”

Os cidadãos esperam pela unidade

Com as lojas fechadas e um pesado presença policial em algumas cidades,A economia de Moçambique foi duramente atingida. No rescaldo das eleições, a vizinha África do Sul chegou a fechar a sua passagem fronteiriça com Moçambique. O transporte marítimo, o comércio transfronteiriço e a indústria mineira foram gravemente afectados.

Para muitos moçambicanos, como o trabalhador civil Neto Fernando, o regresso à normalidade seria o ideal: “Queremos paz, não queremos mais nada. Não importa quem vai governar, nós, povo, queremos paz e uma oportunidade de trabalhar e unidade entre os moçambicanos.”

Outros, como o motorista Tomas Cumbe, parecem resignados com outro governo que dificilmente mudará os moçambicanos: “O mais importante é o diálogo, ninguém fará 100% pelos moçambicanos. Mas é necessário que se possam entender como um moçambicano”. Deve haver concessões de ambas as partes”, diz ele.

Mau ano eleitoral para os partidos de libertação da África Austral

Os partidos de libertação da Namíbia, Botsuanae África do Sul todos tiveram eleições esquecíveis em 2024. Swapo manteve o poder em Namíbiapor um fio, enquanto o Congresso da Nação Africana foi forçado pela primeira vez a uma política de coligação, e o Partido Democrático do Botswana perdeu completamente o poder depois de governar o Botswana desde a independência da Grã-Bretanha.

Contudo, se os resultados oficiais forem tomados ao pé da letra, essa tendência não continuou em Moçambique. Rosário argumenta que a Namíbia e a África do Sul têm economias relativamente grandes, enquanto em Moçambique “a única forma de aceder aos recursos é através do Estado e do partido”.

Isto resultou na Frelimo a fazer tudo o que pode para manter o poder em vez de procurar compromissos.

“Poderíamos ter tido uma economia. Temos os recursos naturais para isso, mas como a governação tem sido tão má, não temos”, explica Rosario.

Negociações de paz em Moçambique chegaram a um beco sem saída

Para ver este vídeo, ative o JavaScript e considere atualizar para um navegador que suporta vídeo HTML5

Este artigo foi editado por Sarah Hucal.



Leia Mais: Dw

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Curso de Medicina Veterinária da Ufac promove 4ª edição do Universo VET — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Curso de Medicina Veterinária da Ufac promove 4ª edição do Universo VET — Universidade Federal do Acre

As escolas da rede municipal realizam visitas guiadas aos espaços temáticos montados especialmente para o evento. A programação inclui dois planetários, salas ambientadas, mostras de esqueletos de animais, estudos de células, exposição de animais de fazenda, jogos educativos e outras atividades voltadas à popularização da ciência.

A pró-reitora de Inovação e Tecnologia, Almecina Balbino, acompanhou o evento. “O Universo VET evidencia três pilares fundamentais: pesquisa, que é a base do que fazemos; extensão, que leva o conhecimento para além dos muros da Ufac; e inovação, essencial para o avanço das áreas científicas”, afirmou. “Tecnologias como robótica e inteligência artificial mostram como a inovação transforma nossa capacidade de pesquisa e ensino.”

A coordenadora do Universo VET, professora Tamyres Izarelly, destacou o caráter formativo e extensionista da iniciativa. “Estamos na quarta edição e conseguimos atender à comunidade interna e externa, que está bastante engajada no projeto”, afirmou. “Todo o curso de Medicina Veterinária participa, além de colaboradores da Química, Engenharia Elétrica e outras áreas que abraçaram o projeto para complementá-lo.”

Ela também reforçou o compromisso da universidade com a democratização do conhecimento. “Nosso objetivo é proporcionar um dia diferente, com aprendizado, diversão, jogos e experiências que muitos estudantes não têm a oportunidade de vivenciar em sala de aula”, disse. “A extensão é um dos pilares da universidade, e é ela que move nossas ações aqui.”

A programação do Universo VET segue ao longo do dia, com atividades interativas para estudantes e visitantes.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Doutorandos da Ufac elaboram plano de prevenção a incêndios no PZ — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Doutorandos da Ufac elaboram plano de prevenção a incêndios no PZ — Universidade Federal do Acre

Doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (Rede Bionorte) apresentaram, na última quarta-feira, 19, propostas para o primeiro Plano de Prevenção e Ações de Combate a Incêndios voltado ao campus sede e ao Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre (Ufac). A atividade foi realizada na sala ambiente do PZ, como resultado da disciplina “Fundamentos de Geoinformação e Representação Gráfica para a Análise Ambiental”, ministrada pelo professor Rodrigo Serrano.

A ação marca a primeira iniciativa formalizada voltada à proteção do maior fragmento urbano de floresta em Rio Branco. As propostas foram desenvolvidas com o apoio de servidores do PZ e utilizaram ferramentas como o QGIS, mapas mentais e dados de campo.

Entre os produtos apresentados estão o Mapa de Risco de Fogo, com análise de vegetação, áreas urbanas e tráfego humano, e o Mapa de Rotas e Pontos de Água, com trilhas de evacuação e açudes úteis no combate ao fogo.

Os estudos sugerem a criação de um Plano Permanente com ações como: Parcerias com o Corpo de Bombeiros; Definição de rotas de fuga e acessos de emergência; Manutenção de aceiros e sinalização; Instalação de hidrantes ou reservatórios móveis; Monitoramento por drones; Formação de brigada voluntária e contratação de brigadistas em período de estiagem.

O Parque Zoobotânico abriga 345 espécies florestais e 402 de fauna silvestre. As medidas visam garantir a segurança da área, que integra o patrimônio ambiental da universidade.

“É importante registrar essa iniciativa acadêmica voltada à proteção do Campus Sede e do PZ”, disse Harley Araújo da Silva, coordenador do Parque Zoobotânico. Ele destacou “a sensibilidade do professor Rodrigo Serrano ao propor o desenvolvimento do trabalho em uma área da própria universidade, permitindo que os doutorandos apliquem conhecimentos técnicos de forma concreta e contribuam diretamente para a gestão e segurança” do espaço.

Participaram da atividade os doutorandos Alessandro, Francisco Bezerra, Moisés, Norma, Daniela Silva Tamwing Aguilar, David Pedroza Guimarães, Luana Alencar de Lima, Richarlly da Costa Silva e Rodrigo da Gama de Santana. A equipe contou com apoio dos servidores Nilson Alves Brilhante, Plínio Carlos Mitoso e Francisco Félix Amaral.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac sedia 10ª edição do Seminário de Integração do PGEDA — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac sedia 10ª edição do Seminário de Integração do PGEDA — Universidade Federal do Acre

A Rede Educanorte é composta por universidades da região amazônica que ofertam doutorado em Educação de forma consorciada. A proposta é formar pesquisadores capazes de compreender e enfrentar os desafios educacionais da Amazônia, fortalecendo a pós-graduação na região.

Coordenadora geral da Rede Educanorte, a professora Fátima Matos, da Universidade Federal do Pará (UFPA), destacou que o seminário tem como objetivo avaliar as atividades realizadas no semestre e planejar os próximos passos. “A cada semestre, realizamos o seminário em um dos polos do programa. Aqui em Rio Branco, estamos conhecendo de perto a dinâmica do polo da Ufac, aproximando a gestão da Rede da reitoria local e permitindo que professores, coordenadores e alunos compartilhem experiências”, explicou. Para ela, cada edição contribui para consolidar o programa. “É uma forma de dizer à sociedade que temos um doutorado potente em Educação. Cada visita fortalece os polos e amplia o impacto do programa em nossas cidades e na região Norte.”

Durante a cerimônia, o professor Mark Clark Assen de Carvalho, coordenador do polo Rio Branco, reforçou o papel da Ufac na Rede. “Em 2022, nos credenciamos com sete docentes e passamos a ser um polo. Hoje somos dez professores, sendo dois do Campus Floresta, e temos 27 doutorandos em andamento e mais 13 aprovados no edital de 2025. Isso representa um avanço importante na qualificação de pesquisadores da região”, afirmou.

Mark Clark explicou ainda que o seminário é um espaço estratégico. “Esse encontro é uma prática da Rede, realizado semestralmente, para avaliação das atividades e planejamento do que será desenvolvido no próximo quadriênio. A nossa expectativa é ampliar o conceito na Avaliação Quadrienal da Capes, pois esse modelo de doutorado em rede é único no país e tem impacto relevante na formação docente da região norte”, pontuou.

Representando a reitora Guida Aquino, o diretor de pós-graduação da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg), Lisandro Juno Soares, destacou o compromisso institucional com os programas em rede. “A Ufac tem se esforçado para estruturar tanto seus programas próprios quanto os consorciados. O Educanorte mostra que é possível, mesmo com limitações orçamentárias, fortalecer a pós-graduação, utilizando estratégias como captação de recursos por emendas parlamentares e parcerias com agências de fomento”, disse.

Lisandro também ressaltou os impactos sociais do programa. “Esses doutores e doutoras retornam às suas comunidades, fortalecem redes de ensino e inspiram novas gerações a seguir na pesquisa. É uma formação que também gera impacto social e econômico.”

A coordenadora regional da Rede Educanorte, professora Ney Cristina Monteiro, da Universidade Federal do Pará (UFPA), lembrou o esforço coletivo na criação do programa e reforçou o protagonismo da região norte. “O PGEDA é hoje o maior programa de pós-graduação da UFPA em número de docentes e discentes. Desde 2020, já formamos mais de 100 doutores. É um orgulho fazer parte dessa rede, que nasceu de uma mobilização conjunta das universidades amazônicas e que precisa ser fortalecida com melhores condições de funcionamento”, afirmou.

Participou também da mesa de abertura o vice-reitor da Ufac, Josimar Batista Ferreira.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS