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Indonésia: Novo presidente busca protagonismo global – 19/10/2024 – Mundo

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Nelson de Sá

Quarto país mais populoso do mundo, a Indonésia terá a partir deste domingo (20) um presidente que quer torná-la protagonista global.

Prabowo Subianto passou parte dos últimos oito meses, desde a distante vitória eleitoral em fevereiro, em viagens para China, o primeiro país que visitou, Japão e Rússia, entre outros. Não foi aos Estados Unidos.

“Prabowo tem um foco sério em questões globais”, diz Saidiman Ahmad, da empresa de pesquisa e consultoria SMRC, de Jacarta, a capital indonésia.

“Isso se refletiu em sua campanha desde o início, que vinculou consistentemente questões domésticas com dinâmicas internacionais. Vejo uma tendência de Prabowo em assumir um papel internacional no futuro.”

Nascido em 1951 em Jacarta, de família influente política e economicamente, ele estudou e morou no exterior e fala ao menos outros quatro idiomas. No ano passado, como ministro da Defesa, chegou a propor um plano de paz para a Guerra da Ucrânia.

Também usou suas viagens neste ano, inclusive à Jordânia, um dos países onde morou, para pressionar por cessar-fogo na Faixa de Gaza, chegando a dizer que enviaria soldados para uma força de paz.

A Indonésia é o país com o maior número de muçulmanos, 242 milhões, que compõem 87% da população. Prabowo é muçulmano.

É na economia e nas relações geopolíticas que ele poderá se diferenciar do anterior, Joko Widodo, conhecido como Jokowi. Este chegou a ser o primeiro na lista de novos membros do Brics, até um ano atrás, para desistir ou adiar na última hora.

Nesta semana, Widodo até evitou comparecer à cúpula da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático), em que a Indonésia é líder econômico inconteste.

Já Prabowo é esperado, em seu primeiro mês de governo, tanto na cúpula da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), em Lima, no Peru, como no G20, grupo que reúne países desenvolvidos e emergentes, no Rio de Janeiro.

Um de seus trunfos é a projeção de consultores como a PwC de que, além da quarta população, a Indonésia será a quarta economia do mundo até 2050, atrás apenas de China, Índia e EUA. O Brasil é um dos países que vêm buscando aproximação com o crescente mercado indonésio.

Através do Mercosul, chegou a acertar há dois anos iniciar as negociações para um acordo de parceria econômica ampla, mas o próprio início das conversas vem sendo adiado desde então.

E neste ano a Vale enfrentou um revés no país, que deixou marcas. Em fevereiro, a empresa brasileira foi levada a desinvestir na Vale Indonésia, passando o controle da mineradora de níquel para uma empresa do país asiático.

Por outro lado, o esforço do agro brasileiro para chegar ao consumidor do país começa a dar resultado. “Nós já estamos exportando bastante para a Indonésia”, diz o pecuarista Vadão Gomes, ex-deputado por São Paulo.

“Estou fazendo boi e suíno lá. É um mercado bom, extremamente importante. Preço valorizado. A gente está considerando fazer uma ação lá, para ter uma presença ainda mais forte.”

A maior promessa de campanha de Prabowo é passar a fornecer refeições gratuitas para 83 milhões de estudantes, leite inclusive, com reflexo sobre o comércio exterior. A importação deve crescer, de países como a Austrália e eventualmente o Brasil.

“A comunidade internacional pode esperar um fortalecimento de seus laços com a Indonésia, inclusive no comércio”, diz Ahmad, da SMRC. “Prabowo ambiciona acelerar o desenvolvimento econômico futuro, especialmente no setor de alimentos.”

A chegada de Prabowo pode também dar novo impulso ao plano do governo Lula de formar uma frente dos países com maior floresta tropical, junto com a Indonésia e a República Democrática do Congo, para pressionar países desenvolvidos a financiar proteção ambiental.

“Uma de suas mudanças para o governo será a criação de um ministério especial para florestas, que anteriormente era combinado com o Ministério do Meio Ambiente“, diz Ahmad. “Isso pode ser visto como uma iniciativa para dar uma atenção mais séria às florestas.”

O novo ministério deve ser visto, antes de mais nada, como parte do esforço para alcançar apoio da quase totalidade do Legislativo. Jokowi já havia seguido esse caminho, chegando a 34 ministérios. Prabowo, acredita-se, poderá ir a 44 ou até 50.

É um movimento que levou, no caso do antecessor, a acusações de retrocesso democrático, com instituições como a Justiça passando a seguir os desejos do presidente. Prabowo, que foi general durante a ditadura de Suharto (1967-1998), traz o temor de que isso continue.

“Se essa questão da democracia não receber atenção suficiente, acredito que o futuro governo pode enfrentar problemas que poderiam dificultar até o desenvolvimento no setor econômico”, avalia Ahmad.

O jornalista americano Vincent Bevins, autor de “O Método Jacarta” (Autonomia Literária, 2022), sobre a repressão na ditadura indonésia e seus reflexos, entre outras, na brasileira, também alerta para Prabowo.

“Ele foi acusado amplamente e de maneira crível de cometer atrocidades”, diz. “Temos de usar essa linguagem, ‘amplamente e de maneira crível’, porque nunca houve condenação. Os militares na Indonésia nunca foram submetidos a uma investigação séria.”

Ex-correspondente no Brasil e no Sudeste Asiático, Bevins diz que, “ao contrário de Jair Bolsonaro, Prabowo não volta à cena defendendo ‘desdemocratizar’, mas acho que, como Bolsonaro, seu retorno representa um fenômeno político que deveria ser impensável após a transição para a democracia”.



Leia Mais: Folha

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Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital — Universidade Federal do Acre

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Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital-interna.jpg

A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou da solenidade de inauguração da nova sede da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape), da qual ela é presidente do Conselho Curador. O evento ocorreu nesta sexta-feira, 26, no campus-sede, local em que se localiza o espaço administrativo e operacional da fundação.

Guida destacou a importância da Fundape para a Ufac e para outras instituições da Região Norte. Para ela, a fundação passou por um processo de fortalecimento nos últimos anos. “A Fundape hoje nos faz realizar, na verdade, todas as parcerias de formação de docentes, de ensino, de pesquisa, de extensão, de inovação”, afirmou.

Segundo a reitora, a fundação ampliou sua atuação para além do Acre, atendendo também instituições de Rondônia, Amapá e Roraima. “Olha a grandeza disso. E nós, enquanto Universidade Federal do Acre, temos que nos orgulhar”, pontuou.

O diretor-presidente da Fundape, Ismar Bernardo de Araújo, disse que a inauguração da sede própria representa uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe e visão de futuro. “Hoje não celebramos apenas a abertura de um novo espaço físico; celebramos uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe, visão de futuro e confiança.”

Ismar lembrou que a Fundape foi instituída em 22 de junho de 1998 e completa 28 anos em 2026. Atualmente, a fundação conta com 38 colaboradores, representa quatro universidades federais, três institutos federais e um hospital universitário, estando presente em quatro Estados da região Norte.

Membro fundador da Fundape e pró-reitor de Planejamento da Ufac, Alexandre Hid, relembrou a criação da fundação e os desafios enfrentados ao longo da trajetória institucional. “Hoje a fundação está aí forte e firme para maiores e melhores desafios.”

Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital-interna-2.jpg

Também participaram da solenidade a reitora da Unir, Marília Pimentel; o procurador-geral adjunto para Assuntos Administrativos e Institucionais do MP-AC, Carlos Roberto da Silva Maia, representando o procurador-geral Oswaldo Lima Neto; o diretor técnico da Fundape, Camilo Gouveia; o diretor administrativo-financeiro da Fundape, Dionel de Araújo; Gemil Júnior, suplente do senador Alan Rick (Republicanos-AC); a pró-reitora de Inovação, Pesquisa e Pós-Graduação do Ifac, Alana Chocorosqui, representando o reitor Fábio Storch; o ex-reitor da Ufac, Minoru Kinpara; além de dirigentes, coordenadores de projetos, colaboradores e representantes de instituições parceiras.

 



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Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre

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Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre

O programa de pós-graduação em Planejamento e Governança Pública, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no âmbito do mestrado interinstitucional para técnico-administrativos da Ufac e do Instituto Federal do Acre (Ifac), realiza o 12º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública, de 14 a 16 de julho, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede da Ufac. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 16 de julho, por meio online.

O evento será transmitido pelo YouTube e terá como tema “Governança, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional na Amazônia: Desafios Estruturais para o Acre”, propondo um debate sobre questões territoriais, sociais, ambientais, urbanas, institucionais e econômicas que atravessam a realidade amazônica e acreana.

A programação científica será organizada em quatro eixos temáticos: governança urbana, mobilidade e direito à cidade na Amazônia; infraestrutura, saneamento e resiliência em contextos de enchentes e queimadas; governança ambiental, desenvolvimento sustentável e capacidade estatal na Amazônia; e educação e empreendedorismo na Amazônia.

O seminário tem como público-alvo a comunidade universitária e gestores públicos, contando com a participação de autoridades locais, pesquisadores da UTFPR, docentes da Ufac e do Ifac, bem como especialistas convidados de diferentes áreas.

 



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Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre

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A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.

Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.

A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.

“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.

“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”

A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.

Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.

 



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