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Instalações precárias, alta mortalidade, gatos nos corredores: a realidade da vida das novas mães Rohingya em Cox’s Bazar | Desenvolvimento global

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Rebecca Root in Cox’s Bazar

EUÉ meio da tarde de uma quarta-feira e Toyoba Begum, 37 anos, está sentada na ponta de sua cama de hospital, a segunda em uma fileira de oito. Vestida com uma túnica bege e calças amarelo-canário, um cinto de recuperação de barriga preso na barriga, ela observa sua filha de dois dias dormindo sob um cobertor de lã.

Ela diz que sente uma grande sensação de alívio porque seu quarto bebê chegou em segurança ao mundo. Esse não era o caso há três anos, quando Begum trabalhou durante seis dias. Seu terceiro bebê acabou nascendo por cesariana, mas não sobreviveu.

Olhando para as mãos, Begum diz que se culpa. “O tempo todo eu dizia a mim mesma que talvez fosse porque dormi assim, por isso o bebê morreu”, diz ela. A razão exata provavelmente nunca será conhecida.

Toyoba Begum observa enquanto a parteira Sumana Akter examina seu bebê no hospital Friendship em Cox’s Bazar

Begum nasceu aqui, em um campo de refugiados em Cox’s Bazar, em Bangladesh, filha de pais do vizinho Mianmar. No local, formado por 33 acampamentos superlotados, não são incomuns mortes de recém-nascidos e de mães. Embora os dados recentes sejam escassos, Unicef ​​relatou 84 mortes maternas em 2023 – 295 para cada 100.000 nascimentos.

Em algumas áreas dos campos, que albergam cerca de um milhão de refugiados Rohingya, a mortalidade materna é 44% maior do que em qualquer outro lugar em Bangladesh.

Embora existam centros de saúde materna eficientes e bem geridos nos campos, nem todos optam por utilizá-los, enquanto a experiência para gerir complicações só pode ser encontrada em alguns centros especializados.

O hospital Friendship, com 30 leitos, um centro de referência 24 horas para cuidados obstétricos e neonatais de emergência, onde os Rohingya podem procurar tratamento

Desta vez, Begum conseguiu chegar ao hospital Friendship, um centro de referência 24 horas para atendimento obstétrico e neonatal de emergência, a única instalação desse tipo dentro dos campos. Ao entrar em trabalho de parto, Begum foi diagnosticada com hipertensão e pré-eclâmpsia em uma clínica menor e encaminhada imediatamente para a Friendship. Desde então, ela está descansando na enfermaria geral feminina, onde oito ventiladores fazem circular o ar úmido e várias outras mulheres ficam deitadas com seus bebês. Com apenas seis berços disponíveis e até 12 mulheres dando à luz aqui todos os dias, dividir a cama é a melhor opção.

A maioria das mulheres pegará as estradas empoeiradas de volta às suas casas de um cômodo 24 horas após o parto. Mas ninguém permanece seguro, de acordo com Begum, que afirma que o tráfico e o roubo de crianças estão entre os perigos da vida no campo de Cox’s Bazar.

“Alguém pode simplesmente pegar o bebê e vendê-lo em outro acampamento”, diz Begum. “Depois do parto e depois de criar a criança, quando alguém a sequestra ou leva embora, é muito doloroso.”

Uma mulher Rohingya passa por um canal de esgoto à beira de um dos campos de refugiados em Cox’s Bazar

Na ausência de oportunidades de trabalho ou estudo, e sem possibilidade de regressar a Mianmar, surgiram muitos gangues cujas actividades criminosas incluem raptos, bem como violações e homicídios, incêndios criminosos e casamentos forçados.

Muitos dos Rohingya chegou ao acampamento em 2017após a perseguição do governo militar de Mianmar ao grupo minoritário étnico. Sem possibilidade de integração em Bangladesh a família de Begum como outras estão presos em uma terra de ninguém.

Kindness Ngoh, mentora internacional de parteira do UNFPA, no Cox’s Bazar

Kindness Ngoh é uma parteira mentora internacional que trabalha com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), que financia o hospital Friendship e treina cerca de 500 parteiras de Bangladesh para trabalhar nos campos.

Ela explica que quando as mulheres entram em trabalho de parto à noite, pode ser-lhes impossível sair de casa – a violência à noite significa que os campos não são seguros. “Por causa disso, as mulheres não conseguem aceder a tempo às unidades de saúde”, diz Ngoh.

A parteira Sumana Akter no hospital da Amizade

A parteira Sumana Akter, 24 anos, em uma rápida pausa no atendimento a três mulheres na enfermaria de partos da Friendship, diz que optou por trabalhar aqui em vez de em uma instituição privada porque “neste Rohingya ou no contexto humanitário há sempre necessidade de parteiras”.

pular a promoção do boletim informativo

Num turno em que provavelmente as quatro parteiras de plantão farão o parto de uma dúzia de bebés, Akter já preparou uma paciente para uma cesariana, apoiou uma mãe em trabalho de parto e tratou outras três por complicações.

Vestindo o uniforme rosa e o lenço na cabeça da equipe da maternidade do hospital, Akter diz que é tradição Rohingya que uma mulher dê à luz em casa. “Vou perguntar a eles ‘por que você não veio antes? Sua condição é muito crítica. Ela dirá que meu marido não concordou.”

A viagem até uma clínica também pode ser longa – muitas vezes até 30 minutos de carro, dependendo da localização do acampamento – e depende do acesso a um veículo. Quando chegam a uma unidade de saúde, talvez um centro de saúde primário (CSP), pode ser que o seu caso exija uma referenciação – e ainda assim perde-se mais tempo, diz Ngoh.

Kalpana Rani, coordenadora de obstetrícia do UNFPA, no campo de refugiados nº 4 de Cox’s Bazar, onde três mulheres morreram de complicações em novembro

Hoje, Kalpana Rani, coordenadora de obstetrícia do UNFPA, está de serviço no PHC no campo de refugiados n.º 4 de Cox’s Bazar, a cerca de 20 minutos de carro de Friendship. Atende uma população de quase 9.000 habitantes, com cerca de 50 bebês nascidos a cada mês. Em Novembro, três mulheres morreram – duas de pré-eclâmpsia e uma de hemorragia pós-parto, diz Rani.

Uma cadeira de parto de madeira desgastada está encostada na janela, e uma corda grossa, marcada pelas mãos que a seguraram antes, está pendurada acima de uma cama estreita. É tradicional usar corda no parto domiciliar e ter uma aqui ajuda a deixar a mulher mais confortável, diz ela.

Rani treina outras parteiras e as apoia no convencimento das comunidades sobre os benefícios dos cuidados médicos maternos. “Eles aconselham a mãe e criam confiança”, diz ela. O seu trabalho significa que ela só vê o marido, que está a uma longa viagem de autocarro em Dhaka, durante uma hora por semana.

A coordenadora de parteira Kalpana Rani treina uma parteira em ventilação de emergência usando um manequim

São unidades pequenas como esta, escondidas nos fundos de uma clínica maior, onde gatos vagam pelo chão de concreto e o calor parece pairar nos corredores, que encaminham pacientes com suspeita de complicações para o Friendship.

Algumas noites antes, em seu turno de domingo no Friendship, em um quarto com apenas três camas, Akter tinha seis pacientes em trabalho de parto, seis necessitando de cesarianas e cinco mulheres aguardando transfusões de sangue. “Não foi uma sensação agradável porque todo mundo entrou em trabalho de parto ativo, então não é que você possa priorizar isso em detrimento disso. É uma pena que eles tenham que esperar”, diz ela.

Hoje está mais tranquilo e ela consegue passar mais tempo com pacientes como Begum. Akter coloca um estetoscópio no coração do recém-nascido ainda não identificado e conversa com Begum sobre sua dor pós-parto. A mãe volta hoje para casa, com um futuro difícil pela frente, mas com uma filha saudável.



Leia Mais: The Guardian

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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