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John Marsden foi um gigante literário que mudou vidas. Ele também era um amigo maravilhoso | Livros
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1 ano atrásem
Alice Pung
TA última vez que tive notícias do meu amigo John Marsden foi exatamente há uma semana, quando ele me enviou um e-mail para me parabenizar por algo. Um escritor do seu calibre, diretor de duas escolas – mas sempre reservava tempo para escrever. Não apenas e-mails superficiais de uma frase, mas reflexões filosóficas maravilhosas sobre paternidade, política, sobre os poderosos e os impotentes.
Quando publiquei pela primeira vez, aos 20 anos, e bastante impressionado com os eventos dos festivais de escritores, John foi a presença firme e gentil que me fundamentou. Ele não dava a mínima para o prestígio, não tinha respeito pela autoridade imerecida e, quando fazia um discurso, sempre se dirigia aos estudantes ou aos jovens presentes na sala, em vez dos adultos eminentes. John era introvertido – às vezes mal conseguia olhar outro adulto nos olhos – mas quando falava com os jovens era verdadeiramente transformador: ele eliminava o tédio dos seus rostos. Eles se sentaram mais eretos, acenderam, riram. Ele realmente pegou eles.
Décadas atrás, John – que trabalhou em tempo integral como professor durante grande parte de sua carreira – levou seus alunos a um matadouro quando eles lhe disseram que estavam entediados com o texto Abençoem as feras e as crianças.. Você não pode fazer isso hoje em dia, mas esse era o tipo de professor que John era. Ele acreditava que os jovens deveriam envolver-se plenamente com o seu mundo e compreendia que eles tinham mais coragem do que os adultos geralmente estavam dispostos a admitir.
Quando era adolescente, na escola, meus colegas e eu distribuímos sua série best-seller Amanhã, quando a guerra começou, embora alguns professores estivessem fazendo o possível para bani-los. Para nós a guerra não estava num amanhã fictício, estava no nosso passado imediato. Nossos pais sobreviveram ao Camboja, à Bósnia, ao Vietnã. Alguns de nossos amigos eram menores desacompanhados que sobreviveram a navios de pesca frágeis e a ataques de piratas. Compreendemos como a linha entre a inocência infantil e a responsabilidade na idade adulta era muitas vezes determinada pela sorte e pelo privilégio, e John também.
A juventude de John foi angustiante de diferentes maneiras, e ele nunca escondeu o fato de que estava um pouco machucado pela vida. Ele se suicidou quando era estudante universitário e foi institucionalizado; Certa vez, ele escreveu que o mundo do hospital psiquiátrico era, em alguns aspectos, “mais real do que o mundo exterior. Aqui dentro as máscaras estão retiradas, as pessoas não fingem tanto. (Eles) não têm energia ou força.” Talvez por isso ele tenha conseguido habitar seus personagens de forma tão plena. É extraordinário para um homem de sua geração escrever para adolescentes de forma tão convincente e com tanta empatia.
John era o tipo de pessoa rara que nasceu com o que Ernest Hemingway chama de “detector de besteira embutido”. Certa vez, ele disse: “Considero um aspecto perturbador da nossa cultura que a maioria dos jovens possa se tornar adulta simplesmente por permanecer vivo e fazer aniversário”. O trabalho da vida de John envolveu ações específicas, e não ideias abrangentes e grandiosas. Quando fiz uma residência na Escola Alice Miller que ele fundou, vi isso em ação. John disse que “matamos todas as lagartas e depois reclamamos que não há borboletas”. Ele queria que os jovens prosperassem – que se permitissem sentir e compreender todo o espectro de emoções, não apenas as agradáveis, mas também as desagradáveis, como a inveja, a raiva, o desespero e a tristeza.
John Marsden era um gigante literário e educacional, mas como amigo e mentor ele era alguém muito especial – alguém que instintivamente entendia a pessoa mais vulnerável em uma sala, incluindo um autor sino-cambojano estreante que poderia se apresentar no palco, mas não poderia Ela não olhou nos olhos de nenhum adulto porque ela aprendeu que isso era culturalmente rude. John me ensinou, pelo exemplo, que a timidez não era uma barreira para realizar as coisas ou para ter convicções fortes.
Cada vez que eu escrevia um livro, ele o lia e me incentivava. Ainda não consigo acreditar que nunca mais o verei. Mas sempre filosófico sobre a vida, certa vez ele me escreveu para me dizer:
Eu estava tentando descobrir esta manhã, de uma forma vaga e existencial, por que atribuímos tanta importância às nossas vidas quando, sem uma crença religiosa, é difícil saber por que elas têm algum valor ou propósito de significado. Escusado será dizer que não consegui encontrar nenhuma resposta 🙂
A conclusão do emoticon de rosto sorridente de John disse tudo – sobre sua mente curiosa, sua capacidade de manter a dúvida no centro de sua vida e ainda assim sentir uma esperança alegre, apesar de não encontrar respostas definitivas. Sua alegria foi conquistada com dificuldade e seu amor e preocupação pelos outros foram expansivos.
Jamais esquecerei meu amigo John Marsden. Ele não era apenas admirado, mas muito amado por todos aqueles cujas vidas ele mudou.
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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre
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2 dias atrásem
30 de janeiro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de certificação dos estudantes concluintes do ensino médio do Colégio de Aplicação (CAp), referente ao ano letivo de 2025. Pela primeira vez, a solenidade ocorreu no campus-sede, na noite dessa quinta-feira, 29, no Teatro Universitário, e marcou o encerramento de uma etapa da formação educacional de jovens que agora seguem rumo a novos desafios acadêmicos e profissionais.
A entrada da turma Nexus, formada pelos concluintes do 3º ano, foi acompanhada pela reitora Guida Aquino; pelo diretor do CAp, Cleilton França dos Santos; pela vice-diretora e patronesse da turma, Alessandra Lima Peres de Oliveira; pelo paraninfo, Gilberto Francisco Alves de Melo; pelos homenageados: professores Floripes Silva Rebouças e Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti; além da inspetora homenageada Suzana dos Santos Cabral.

Guida destacou a importância do momento para os estudantes, suas famílias e toda a comunidade escolar. Ela parabenizou os formandos pela conquista e reconheceu o papel essencial dos professores, da equipe pedagógica e dos familiares ao longo da caminhada. “Tenho certeza de que esses jovens seguem preparados para os próximos desafios, levando consigo os valores da educação pública, do conhecimento e da cidadania. Que este seja apenas o início de uma trajetória repleta de conquistas. A Ufac continua de portas abertas e aguarda vocês.”

Durante o ato simbólico da colocação do capelo, os concluintes reafirmaram os valores que orientaram sua trajetória escolar. Em nome da turma, a estudante Isabelly Bevilaqua Rodrigues fez o discurso de oradora.
A cerimônia seguiu com a entrega dos diplomas e as homenagens aos professores e profissionais da escola indicados pelos concluintes, encerrando a noite com o registro da foto oficial da turma.
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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre
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6 dias atrásem
27 de janeiro de 2026O curso de especialização em Enfermagem Obstétrica teve sua aula inaugural nesta terça-feira, 27, na sala Pedro Martinello do Centro de Convenções, campus-sede da Ufac. O curso é promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais, com financiamento do Ministério da Saúde, no âmbito da Rede Alyne; a Ufac é um dos 39 polos que sedia essa formação em nível nacional.
A especialização é presencial, com duração de 16 meses e carga horária de 720 horas; tem como objetivo a formação e qualificação de 21 enfermeiros que já atuam no cuidado à saúde da mulher, preparando-os para a atuação como enfermeiros obstetras. A maior parte dos profissionais participantes é oriunda do interior do Estado do Acre, com predominância da regional do Juruá.
“Isso representa um avanço estratégico para o fortalecimento da atenção obstétrica qualificada nas regiões mais afastadas da capital”, disse a coordenadora local do curso, professora Sheley Lima, que também ressaltou a relevância institucional e social da ação, que está alinhada às políticas nacionais de fortalecimento da atenção à saúde da mulher e de redução da morbimortalidade materna.
A aula inaugural foi ministrada pela professora Ruth Silva Lima da Costa, com o tema “Gravidez na Adolescência e Near Miss Neonatal na Região Norte: Dados da Pesquisa Nascer no Brasil 2”. Ela é doutora em Ciências da Saúde pela Fiocruz, enfermeira da Ufac e docente da Uninorte.
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Calendário 2026 do Acre: Veja o calendário do Governo e Judiciário que vai ditar o ritmo do ano
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2 semanas atrásem
20 de janeiro de 2026Clique aqui para baixar o calendário estadual completo: Decreto 11.809, Calendário 2026 Acre, ed. 14.173-B, de 22.12.2025
Há quem organize a vida por metas, há quem organize por boletos… e existe um grupo que planeja o ano inteiro por uma régua silenciosa, porém poderosa: o calendário oficial. Desde início de janeiro, essa régua ganhou forma no Acre com dois instrumentos que, na prática, definem como o Estado vai pulsar em 2026 — entre atendimentos, plantões, prazos, audiências e aquele respiro estratégico entre uma data e outra.
De um lado, o Governo do Estado publicou o Decreto nº 11.809, de 22 de dezembro de 2025, fixando feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos do Poder Executivo, do dia 1º de janeiro ao último dia do ano, com a ressalva de que serviços essenciais não podem parar.
Do outro, o Tribunal de Justiça do Acre respondeu com a sua própria cartografia do tempo: a Portaria nº 6569/2025, que institui o calendário do Poder Judiciário acreano para 2026, preservando o funcionamento em regime de plantão sempre que não houver expediente. O texto aparece no DJe (edição nº 7.925) e também em versão integral, como documento administrativo autônomo.
Clique aqui para baixar o calendário forense completo: DJE – Portaria 6.5692025, edição 7.925, 22.12.2025
O “mapa do descanso” tem regras — e tem exceções
No calendário do Executivo, as datas nacionais aparecem como pilares já conhecidos (como Confraternização Universal, Tiradentes, Dia do Trabalho, Independência, Natal), mas o decreto também reforça a identidade local com feriados estaduais e pontos facultativos típicos do Acre.
Chamam atenção duas engrenagens que costumam passar despercebidas fora da rotina pública:
- ponto facultativo não é sinônimo de folga garantida — a chefia pode convocar para expediente normal por necessidade do serviço;
- quando o servidor é convocado nesses dias, o decreto prevê dispensa de compensação para quem cumprir horário no ponto facultativo.
No Judiciário, a lógica é parecida no objetivo (manter o Estado funcionando), mas diferente na mecânica. A Portaria do TJAC prevê expressamente que, havendo necessidade, pode haver convocação em regime de plantão, respeitando-se o direito à compensação de horas, conforme regramento administrativo interno.
Quando o município faz aniversário, a Justiça muda o passo
O “calendário do fórum” também conversa com o mapa das cidades. A Portaria prevê que, em feriado municipal por aniversário do município, não haverá expediente normal nas comarcas correspondentes — apenas plantão. E, quando o município declara ponto facultativo local, a regra traz até prazo de comunicação no interior: pelo menos 72 horas de antecedência para informar se haverá adesão.
É o tipo de detalhe que não vira manchete — mas vira realidade para quem depende de balcão, distribuição, atendimento e rotina de cartório.
Um ano que já começa “com cara de planejamento”
Logo na largada, o Executivo lista 1º de janeiro como feriado nacional e já prevê, para 2 de janeiro, ponto facultativo (por decreto específico citado no anexo). Também aparecem o Carnaval e a Quarta-feira de Cinzas como pontos facultativos, desenhando, desde cedo, o recorte de semanas que tendem a ser mais curtas e mais estratégicas.
No Judiciário, a Portaria organiza o mesmo período com olhar forense — e, além de datas comuns ao calendário civil, agrega as rotinas próprias do Poder Judiciário, preservando a prestação jurisdicional via plantões e regras de compensação.
Rio Branco também entra no compasso de 2026
Para além do calendário estadual e do Judiciário, a capital também oficializou seu próprio “mapa do tempo”: o Prefeito de Rio Branco editou o Decreto Municipal nº 3.452, de 30/12/2025, estabelecendo os feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos e entidades do Poder Executivo Municipal, com referência expressa ao calendário do Estado.
Na prática, a cidade reforça o mesmo recado institucional: serviços essenciais não param, funcionando por escala ou plantão, e os gestores ficam autorizados a convocar servidores em dias de ponto facultativo, sem exigência de compensação para quem cumprir expediente. No anexo, aparecem datas que impactam diretamente a rotina da população, como o Carnaval (16 a 18/02, ponto facultativo), o Dia do Servidor Público (28/10, ponto facultativo) e o Aniversário de Rio Branco (28/12, feriado municipal) — fechando o ano com a véspera de Ano Novo (31/12, ponto facultativo).
Clique aqui para baixar o calendário municipal completo: DOE, edição 3.452, de 30.12.2025 – Calendário Prefeitura de Rio Branco-AC
Por que isso importa
O calendário oficial é mais do que uma lista de “dias marcados”: ele é o roteiro do funcionamento do Estado. Para o cidadão, significa previsibilidade; para advogados e jurisdicionados, significa atenção ao modo como cada órgão funcionará em datas críticas; para gestores, significa logística e escala; e para o próprio Acre, significa um desenho institucional que equilibra tradição, trabalho e continuidade.
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