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Julgamento monumental, diz defensor de vítimas de Mariana – 21/10/2024 – Cotidiano

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Marina Izidro

A maior ação coletiva da história do sistema judiciário inglês começou nesta segunda-feira (21). Advogados de cerca de 620 mil vítimas do rompimento da barragem de Mariana (MG) tentam provar a responsabilidade civil da multinacional BHP, nove anos depois da tragédia.

“A lei brasileira prevê o que chamamos de ‘quem polui, paga’, portanto, responsabilidade legal,” disse à Folha Tom Goodhead, CEO do escritório que representa o grupo e é especializado em ações em direito ambiental e direitos humanos contra grandes conglomerados.


“Se você é um poluidor, ganhou bilhões de dólares com a extração de minério de ferro em Minas Gerais, lucrou com isso. Eles [BHP] supervisionavam, indicavam pessoas para o ‘board’ da Samarco. Eles tomavam decisões na Austrália sobre se aumentariam a produção versus a segurança. Se você tem todos os benefícios de algo como resultado de ser uma indústria de extração, se algo dá errado, é hora de pagar por isso.”

No dia 5 de novembro de 2015, o rompimento de uma barragem de rejeitos da mineração operada pela empresa Samarco, pertencente à anglo-australiana BHP e à brasileira Vale, provocou o vazamento de cerca de 44 milhões de metros cúbicos de lama tóxica. A enxurrada percorreu 675 km, atingiu o rio Doce e chegou ao oceano Atlântico, matando 19 pessoas e destruindo vilarejos, no maior desastre ambiental da história brasileira. Quase nove anos depois, ninguém foi responsabilizado criminalmente.

O julgamento é realizado em Londres porque a multinacional era sediada no Reino Unido na época do rompimento da barragem. A defesa das vítimas vai alegar que a BHP sabia dos riscos de rompimento da barragem e deve responder pelos danos.

“Veremos durante este julgamento, através de testemunhas da BHP, além de evidência documental, em emails e documentos da empresa, que existe um padrão consistente de priorizar lucro em vez de segurança,” disse Goodhead.

Os pedidos de indenização poderiam chegar a 36 bilhões de libras, quase R$ 270 bilhões em valores de hoje.

Em nota, a BHP afirmou que “vai continuar a defender que esta ação é desnecessária porque repete assuntos já cobertos pelos esforços de reconstrução e processos legais em andamento no Brasil”.

A Fundação Renova, mantida por Samarco, Vale e BHP, diz já ter gasto R$ 37 bilhões em ações de remediação e compensação. Na última sexta-feira (18), a Vale disse que os termos gerais do acordo de reparação no Brasil preveem o pagamento de cerca de R$ 170 bilhões em recuperação das áreas, indenizações e programas compensatórios.

Goodhead nega que haja duplicidade nos dois processos.

“A BHP é como Donald Trump, que diz que as eleições [americanas] foram roubadas. Se disser isso muitas vezes, as pessoas começam a acreditar. Não existe duplicidade. O caso no Brasil não é de autoria das vítimas, tem como autores o poder público federal e busca compensação financeira principalmente para o governo federal brasileiro e estados. Nenhum dos 620 mil clientes que estão nesta ação de hoje [no Reino Unido] estão no caso do Brasil,” afirmou.

“A BHP alega que, das 620 mil pessoas, cerca 200 mil delas receberam algo. A maioria recebeu compensação em torno de 200 dólares. É imoral”, acrescentou.

Apesar de ser realizado na corte inglesa, a base legal é o direito ambiental brasileiro. Goodhead diz considerar o julgamento “monumental, por ser a chance de responsabilizar a maior mineradora do mundo pelo que fizeram”.

“A BHP lutou por quatro anos para tentar que o caso não fosse julgado aqui. O motivo é que a Justiça inglesa tem a tradição de responsabilizar grandes empresas. Não somos contra a mineração, não queremos dizer que não é necessário. Estamos tentando mostrar o que diz a lei: quem polui, paga se algo der errado. É parte do contrato. Você precisa fazer a coisa certa. Você precisa remediar, compensar, e essas operações de mineração devem sempre ser as mais seguras possíveis.”

O julgamento vai até 5 de março de 2025 com depoimentos, apresentação de evidências e testemunhos de especialistas em direito civil, societário e ambiental brasileiros e em questões geotécnicas. A sentença é esperada para meados do ano que vem.

Caso a BHP saia derrotada, uma próxima etapa seria definir ao valor da indenização e para quem.

“Um final bem-sucedido seria provar a responsabilidade deles e que eles prestem contas disso o mais rápido possível,” disse Goodhead. “Estamos muito otimistas.”



Leia Mais: Folha

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VÍDEO: Veja o que disse Ministra em julgamento do ex-governador Gladson Cameli

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No julgamento desta quarta-feira, dia 15/04/2026, a Corte Especial do STJ, por unanimidade, determinou o imediato desentranhamento dos Relatórios de Inteligência Financeira de n°s 50157.2.8600.10853, 50285.2.8600.10853 e 50613.2.8600.10853, a fim de que fosse viabilizada a continuidade do julgamento de mérito da ação penal. A própria Ministra Relatora Nancy Andrighi foi quem suscitou referida questão de ordem, visando regularizar e atualizar o processo. 

O jornalista Luis Carlos Moreira Jorge descreveu o contexto com as seguintes palavras:

SITUAÇÃO REAL
Para situar o que está havendo no STJ: o STF não determinou nulidade, suspensão de julgamento e retirada de pauta do processo do governador Gladson. O STF apenas pediu para desentranhar provas que foram consideradas ilegais pela segunda turma da Corte maior. E que não foram usadas nem na denúncia da PGR. O Gladson não foi julgado ontem em razão da extensão da pauta do STJ. O julgamento acontecerá no dia 6 de maio na Corte Especial do STJ, onde pode ser absolvido ou condenado. Este é o quadro real.

A posição descrita acima reflete corretamente o quadro jurídico do momento.

Veja o vídeo:

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.

Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.

O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.

O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.” 

Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)



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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

 Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.

Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.

“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.

Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”

Mostra em 4 atos

A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).

O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.

No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.

No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.

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