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Juntas do Sahel dificultam a vida de ONGs de direitos humanos – DW – 20/12/2024
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1 ano atrásem
A junta militar do Níger afirma que relatórios recentes publicados por organizações globais de direitos humanos como a Human Rights Watch (HRW) e a Amnistia Internacional procuram desacreditar o país. As forças armadas do Níger afirmam que tais relatórios são unilaterais e que não reflectem os esforços para conciliar a segurança e os direitos fundamentais.
Numerosas ONG continuam a denunciar regularmente violações dos direitos humanos em Nígerparticularmente na área da repressão política e da gestão de ameaças terroristas no Região do Sahel. Mas quanta verdade há nessa crítica?
Nenhuma proibição oficial – ainda
Alguns meios de comunicação informaram recentemente que o trabalho da HRW e da Amnistia tinha sido proibido em Níger por desagradar os governantes militares do país, que afirmam que o seu maior foco é proteger os direitos humanos através da sua luta contínua contra grupos terroristas.
No entanto, ambas as organizações não governamentais (ONG) confirmaram à DW que ainda não lhes foi imposta nenhuma proibição oficial.
É importante destacar que HRW e Anistia não têm escritórios próprios no Níger, mas trabalham em conjunto com informadores locais. Eles também afirmaram que planejam continuar a fazê-lo no futuro.
No entanto, desde o golpe de Estado no Níger, em Julho de 2023, quando o general Abdourahamane Tiani tomou o poder, o governo militar já suspendeu cerca de 200 organizações locais e internacionais por alegada violação das regras.
A filial nigeriana da ONG Transparência Internacional, que combate a corrupção em todo o mundo, afirma não estar surpreendida com estas atitudes restritivas.
“Aqueles que estão no poder não querem ser informados sobre o que está acontecendo em seus países. Preferem permanecer em silêncio”, disse à DW a secretária da Transparência Internacional, Wada Maman.
“Não é verdade que os direitos humanos sejam protegidos e que as leis internacionais assinadas pelo Níger sejam aceites”.
Trabalhando a favor e não contra o outro
No entanto, o grupo pró-governo Debout Niger vê as coisas de forma diferente, afirmando que as críticas da junta às ONG são justificadas.
O líder da organização, Ismael Mohamed, disse à DW: “Estes grupos estão desacreditando o Níger”, acrescentando enfaticamente que “todas as organizações e países do mundo deveriam saber que qualquer pessoa que tente interferir nos assuntos do Níger será expulsa do país”. “
É por isso que as ONG que ainda trabalham no terreno no Níger se tornaram extremamente cautelosas: Abdoul Aziz, da ONG de educação juvenil Mojedec, pensa que o governo e as ONG devem falar entre si, a fim de encontrar um terreno comum e evitar disputas: “Não há coisas que difamem nosso país (deveria) ser escrito. Ambos os lados deveriam ser ouvidos.”
“Pedimos ao governo do Níger que trabalhe com as ONG”.
Relatos de prisões arbitrárias
Uma das razões pelas quais a HRW e a Amnistia estão actualmente sob os holofotes é o facto de terem denunciado a detenção do activista nigeriano Moussa Tiangari no início de Dezembro, que consideraram arbitrária.
Tiangari, que é secretário-geral da organização “Alternatives Espaces Citoyens” (AEC), conhecida pela sua posição crítica em relação às autoridades militares, foi preso na capital Niamey por homens armados que supostamente se faziam passar por agentes da polícia.
“Eles forçaram a entrada em nossa casa”, disse a esposa de Tiangari, segundo a HRW. Para proteger sua segurança, seu nome não foi divulgado.
“Eles ordenaram que ele os seguisse em silêncio porque não queriam que ninguém soubesse o que estava acontecendo”, acrescentou a esposa, segundo a HRW.
Drissa Traore, secretária-geral da Federação Internacional para os Direitos Humanos (FIDH), sublinhou que pessoas como Tiangari “não pertencem à prisão, nem vários outros nigerinos, que foram presos injustamente pelo governo, incluindo o ex-presidente Mohamed Bazoum e sua esposa.”
Repressão em todo o Sahel
No vizinho Mali, há também acusações crescentes de vozes críticas que estão a ser silenciadas através de tais detenções arbitrárias.
Um confidente próximo do imã Mahmoud Dicko, crítico do regime, chamado Youssouf Daba Diawara, também foi recentemente preso sob a acusação de “resistir à autoridade legítima” depois de participar numa manifestação não autorizada da oposição. Ele foi então libertado no início de outubro.
Outros, porém, não tiveram a mesma sorte: o político da oposição Oumar Mariko foi forçado a deixar o país, dizendo à DW que “forçar alguém ao exílio político por causa da sua liberdade de expressão é simplesmente um ato criminoso”.
“O exílio é difícil, mas não há sacrifício grande demais pela pátria”, disse ele.
Mas o silenciamento da liberdade de expressão não se limita a cada nação do Sahel actualmente sob regime militar: mais recentemente, o político da oposição maliana Issa Kaou Djim foi preso em Novembro, depois de o Conselho Supremo de Comunicação na vizinha Burkina Faso acusou-o de insultar a junta militar local.
Burkina Faso parece lidar com indivíduos críticos de duas maneiras. Se não forem mandados para a prisão, poderão ser enviados para o front para lutar contra os terroristas. O antigo ministro Ablasse Ouedraogo é um dos muitos que foram recrutados à força para o serviço militar pela junta – apesar de já ter mais de 70 anos de idade.
Ataques aos direitos humanos em toda a região agitada
Há também tendências preocupantes de proporções semelhantes em países vizinhos liderados por militares. Guiné: Os activistas dos direitos humanos Mamadou Billo Bah e Oumar Sylla foram raptados da sua casa por homens encapuzados no início deste ano, em Julho de 2024. Desde então, não se ouviu falar deles.
As autoridades guineenses garantiram ao público que não tiveram nada a ver com o caso, mas permanecem dúvidas.
Entretanto, a lista de vozes críticas violentamente reprimidas na região também inclui Yaya Dillo em Chadeque foi morto durante uma operação militar em março. O líder do Partido Socialista sem Fronteiras (PSSF) era visto como o opositor mais importante da junta chadiana.
Embora a sua morte não seja oficialmente considerada um assassinato direccionado, o facto de ter sido morto nas instalações do seu partido faz com que a sua família descreva a sua morte como “assassinato”.
ONGs mais necessárias do que nunca
Dany Ayida, chefe do Instituto Nacional Democrático para Assuntos Internacionais (NDI) dos EUA na República Democrática do Congo, afirma que estes raptos, prisões arbitrárias e detenções em todo o Sahel confirmam a natureza autoritária dos regimes militares.
Estes casos “põem em causa as promessas destes governantes de trazer mais liberdade e mais dignidade à administração pública”, disse Ayida à DW. “Os governantes destes países valorizam a sua imagem e não permitem dissidências.”
No entanto, é precisamente por isso que o trabalho de ONG internacionais como a HRW e a Amnistia é necessário em toda a região: com a repressão crescente, estas continuam a ser as únicas organizações que podem continuar a levantar objecções quando as liberdades são restringidas e os direitos humanos são violados.
Adaptado do alemão por Martina Schwikowski
Editado por: Sertan Sanderson
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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre
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5 dias atrásem
30 de janeiro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de certificação dos estudantes concluintes do ensino médio do Colégio de Aplicação (CAp), referente ao ano letivo de 2025. Pela primeira vez, a solenidade ocorreu no campus-sede, na noite dessa quinta-feira, 29, no Teatro Universitário, e marcou o encerramento de uma etapa da formação educacional de jovens que agora seguem rumo a novos desafios acadêmicos e profissionais.
A entrada da turma Nexus, formada pelos concluintes do 3º ano, foi acompanhada pela reitora Guida Aquino; pelo diretor do CAp, Cleilton França dos Santos; pela vice-diretora e patronesse da turma, Alessandra Lima Peres de Oliveira; pelo paraninfo, Gilberto Francisco Alves de Melo; pelos homenageados: professores Floripes Silva Rebouças e Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti; além da inspetora homenageada Suzana dos Santos Cabral.

Guida destacou a importância do momento para os estudantes, suas famílias e toda a comunidade escolar. Ela parabenizou os formandos pela conquista e reconheceu o papel essencial dos professores, da equipe pedagógica e dos familiares ao longo da caminhada. “Tenho certeza de que esses jovens seguem preparados para os próximos desafios, levando consigo os valores da educação pública, do conhecimento e da cidadania. Que este seja apenas o início de uma trajetória repleta de conquistas. A Ufac continua de portas abertas e aguarda vocês.”

Durante o ato simbólico da colocação do capelo, os concluintes reafirmaram os valores que orientaram sua trajetória escolar. Em nome da turma, a estudante Isabelly Bevilaqua Rodrigues fez o discurso de oradora.
A cerimônia seguiu com a entrega dos diplomas e as homenagens aos professores e profissionais da escola indicados pelos concluintes, encerrando a noite com o registro da foto oficial da turma.
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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre
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1 semana atrásem
27 de janeiro de 2026O curso de especialização em Enfermagem Obstétrica teve sua aula inaugural nesta terça-feira, 27, na sala Pedro Martinello do Centro de Convenções, campus-sede da Ufac. O curso é promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais, com financiamento do Ministério da Saúde, no âmbito da Rede Alyne; a Ufac é um dos 39 polos que sedia essa formação em nível nacional.
A especialização é presencial, com duração de 16 meses e carga horária de 720 horas; tem como objetivo a formação e qualificação de 21 enfermeiros que já atuam no cuidado à saúde da mulher, preparando-os para a atuação como enfermeiros obstetras. A maior parte dos profissionais participantes é oriunda do interior do Estado do Acre, com predominância da regional do Juruá.
“Isso representa um avanço estratégico para o fortalecimento da atenção obstétrica qualificada nas regiões mais afastadas da capital”, disse a coordenadora local do curso, professora Sheley Lima, que também ressaltou a relevância institucional e social da ação, que está alinhada às políticas nacionais de fortalecimento da atenção à saúde da mulher e de redução da morbimortalidade materna.
A aula inaugural foi ministrada pela professora Ruth Silva Lima da Costa, com o tema “Gravidez na Adolescência e Near Miss Neonatal na Região Norte: Dados da Pesquisa Nascer no Brasil 2”. Ela é doutora em Ciências da Saúde pela Fiocruz, enfermeira da Ufac e docente da Uninorte.
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Calendário 2026 do Acre: Veja o calendário do Governo e Judiciário que vai ditar o ritmo do ano
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20 de janeiro de 2026Clique aqui para baixar o calendário estadual completo: Decreto 11.809, Calendário 2026 Acre, ed. 14.173-B, de 22.12.2025
Há quem organize a vida por metas, há quem organize por boletos… e existe um grupo que planeja o ano inteiro por uma régua silenciosa, porém poderosa: o calendário oficial. Desde início de janeiro, essa régua ganhou forma no Acre com dois instrumentos que, na prática, definem como o Estado vai pulsar em 2026 — entre atendimentos, plantões, prazos, audiências e aquele respiro estratégico entre uma data e outra.
De um lado, o Governo do Estado publicou o Decreto nº 11.809, de 22 de dezembro de 2025, fixando feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos do Poder Executivo, do dia 1º de janeiro ao último dia do ano, com a ressalva de que serviços essenciais não podem parar.
Do outro, o Tribunal de Justiça do Acre respondeu com a sua própria cartografia do tempo: a Portaria nº 6569/2025, que institui o calendário do Poder Judiciário acreano para 2026, preservando o funcionamento em regime de plantão sempre que não houver expediente. O texto aparece no DJe (edição nº 7.925) e também em versão integral, como documento administrativo autônomo.
Clique aqui para baixar o calendário forense completo: DJE – Portaria 6.5692025, edição 7.925, 22.12.2025
O “mapa do descanso” tem regras — e tem exceções
No calendário do Executivo, as datas nacionais aparecem como pilares já conhecidos (como Confraternização Universal, Tiradentes, Dia do Trabalho, Independência, Natal), mas o decreto também reforça a identidade local com feriados estaduais e pontos facultativos típicos do Acre.
Chamam atenção duas engrenagens que costumam passar despercebidas fora da rotina pública:
- ponto facultativo não é sinônimo de folga garantida — a chefia pode convocar para expediente normal por necessidade do serviço;
- quando o servidor é convocado nesses dias, o decreto prevê dispensa de compensação para quem cumprir horário no ponto facultativo.
No Judiciário, a lógica é parecida no objetivo (manter o Estado funcionando), mas diferente na mecânica. A Portaria do TJAC prevê expressamente que, havendo necessidade, pode haver convocação em regime de plantão, respeitando-se o direito à compensação de horas, conforme regramento administrativo interno.
Quando o município faz aniversário, a Justiça muda o passo
O “calendário do fórum” também conversa com o mapa das cidades. A Portaria prevê que, em feriado municipal por aniversário do município, não haverá expediente normal nas comarcas correspondentes — apenas plantão. E, quando o município declara ponto facultativo local, a regra traz até prazo de comunicação no interior: pelo menos 72 horas de antecedência para informar se haverá adesão.
É o tipo de detalhe que não vira manchete — mas vira realidade para quem depende de balcão, distribuição, atendimento e rotina de cartório.
Um ano que já começa “com cara de planejamento”
Logo na largada, o Executivo lista 1º de janeiro como feriado nacional e já prevê, para 2 de janeiro, ponto facultativo (por decreto específico citado no anexo). Também aparecem o Carnaval e a Quarta-feira de Cinzas como pontos facultativos, desenhando, desde cedo, o recorte de semanas que tendem a ser mais curtas e mais estratégicas.
No Judiciário, a Portaria organiza o mesmo período com olhar forense — e, além de datas comuns ao calendário civil, agrega as rotinas próprias do Poder Judiciário, preservando a prestação jurisdicional via plantões e regras de compensação.
Rio Branco também entra no compasso de 2026
Para além do calendário estadual e do Judiciário, a capital também oficializou seu próprio “mapa do tempo”: o Prefeito de Rio Branco editou o Decreto Municipal nº 3.452, de 30/12/2025, estabelecendo os feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos e entidades do Poder Executivo Municipal, com referência expressa ao calendário do Estado.
Na prática, a cidade reforça o mesmo recado institucional: serviços essenciais não param, funcionando por escala ou plantão, e os gestores ficam autorizados a convocar servidores em dias de ponto facultativo, sem exigência de compensação para quem cumprir expediente. No anexo, aparecem datas que impactam diretamente a rotina da população, como o Carnaval (16 a 18/02, ponto facultativo), o Dia do Servidor Público (28/10, ponto facultativo) e o Aniversário de Rio Branco (28/12, feriado municipal) — fechando o ano com a véspera de Ano Novo (31/12, ponto facultativo).
Clique aqui para baixar o calendário municipal completo: DOE, edição 3.452, de 30.12.2025 – Calendário Prefeitura de Rio Branco-AC
Por que isso importa
O calendário oficial é mais do que uma lista de “dias marcados”: ele é o roteiro do funcionamento do Estado. Para o cidadão, significa previsibilidade; para advogados e jurisdicionados, significa atenção ao modo como cada órgão funcionará em datas críticas; para gestores, significa logística e escala; e para o próprio Acre, significa um desenho institucional que equilibra tradição, trabalho e continuidade.
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