ACRE
Lakurawa, o novo grupo armado que causa estragos na fronteira Nigéria-Níger | Notícias sobre Grupos Armados
PUBLICADO
2 anos atrásem
Um novo grupo armado chamado Lakurawa está a atacar aldeias em cantos remotos do noroeste da Nigéria e do outro lado da fronteira com o Níger, representando novas ameaças a dois países que já sofrem com conflitos prolongados envolvendo vários outros grupos, incluindo o Boko Haram.
Em Novembro, o exército nigeriano reconheceu pela primeira vez a existência de Lakurawa e disse que os seus membros operavam a partir de quartéis-generais nos estados de Sokoto e Kebbi do país.
Os ataques do grupo mataram dezenas de pessoas e pelo menos nove supostos membros são conhecidos e foram declarados procurados pelo exército nigeriano.
A região norte é um dos focos de violência mais quentes da Nigéria, com os seus estados a sofrerem uma mistura tóxica de ataques armados, sequestros e banditismo nos últimos anos. O exército nigeriano também tem travado uma longa batalha com o Boko Haram grupo armado no Nordeste há mais de uma década.
As relações tensas entre a Nigéria e o Níger, decorrentes do golpe de Estado do Níger em Julho de 2023, também afectaram as operações militares conjuntas e deram ao grupo Lakurawa mais espaço para se expandir, dizem as autoridades.
Aqui está o que você deve saber sobre o grupo:
Quem é Lakurawa?
De acordo com oficiais do exército nigeriano, acredita-se que os combatentes Lakurawa sejam oriundos de países problemáticos. Malium país do Sahel que está atualmente sob o fogo de um enxame de grupos armados transnacionais que procuram território para governar.
Grupos como Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM) e os afiliados do ISIL no Grande Saara são alguns dos grupos armados que desestabilizam o Mali.
Autoridades na Nigéria dizem que os membros do Lakurawa estão afiliados aos grupos do Mali, mas durante anos estabeleceram-se em comunidades ao longo da fronteira entre a Nigéria e o Níger, casando-se com mulheres locais e recrutando jovens.
Os investigadores que rastreiam a origem do grupo, no entanto, observam que os seus membros não apenas começaram a operar. Originalmente, os membros Lakurawa eram pastores que carregavam rifles para proteção.
Eles formaram um grupo armado organizado depois que os líderes locais das comunidades rurais de Gudu e Tangaza, no estado de Sokoto, na Nigéria, os convidaram para ajudar a combater os bandidos armados que então atacavam as comunidades em busca de dinheiro e gado, e que ajudaram a alertar uma crise de sequestro na Nigéria.
As comunidades remotas do país são muitas vezes desgovernadas devido às inadequações dos governos locais e estaduais do país, permitindo que o crime prospere. Os líderes locais em Sokoto queriam que os combatentes Lakurawa combatessem os bandidos e protegessem as comunidades.
Os membros do Lakurawa conseguiram desalojar a ameaça dos bandidos entre 2016 e 2017 e foram pagos pelo seu trabalho. No entanto, os membros do grupo logo se voltaram contra as comunidades também. Eles brigaram com um dos líderes locais que os havia convidado e o assassinaram.
Acredita-se que a maioria dos combatentes Lakurawa tenha entre 18 e 50 anos e fale Fulfulde, Hausa e árabe, de acordo com o think tank, Instituto Nigeriano de Assuntos Internacionais. Fulfulde é falado principalmente pelo grupo Fulani, cujos membros estão espalhados pela África Ocidental.
Os militares nigerianos disseram ter identificado alguns dos líderes do grupo: Abu Khadijah, Abdulrahaman (Idi), Dadi Gumba, Muhammed Abu, Usman Shehu, Abu Yusuf, Musa Walia, Ibrahim Suyaka, Ba Sulhu e Idris Taklakse.
O que eles querem?
No seu anúncio em Novembro, os militares nigerianos afirmaram que a motivação ou a ideologia de Lakurawa são desconhecidas.
No entanto, investigadores que falaram com comunidades afectadas pela violência dizem que o grupo promove a sua própria versão do Islão e quer procurar um califado.
Nas áreas que governam, acredita-se que o grupo tenha imposto a sua própria versão da lei islâmica.
O que eles fizeram?
Membros de Lakurawa têm atacado aldeias na Nigéria e no Níger. Acredita-se que detenham território em várias aldeias, onde também cobram impostos sobre o gado.
Como tática para atrair mais seguidores e obter apoio local, o grupo estaria distribuindo dinheiro, ferramentas agrícolas, fertilizantes, sementes e máquinas de bombeamento de água para moradores carentes. Algumas estimativas colocam a compensação monetária para novos recrutas em 1 milhão de nairas (645 dólares) e cerca de 10.000 nairas (6 dólares) para informadores locais.
Os aldeões que não cooperam com a liderança do grupo enfrentam ameaças e ataques. A violência relacionada a Lakurawa deixou dezenas de mortos. Num dos últimos ataques, em 9 de Novembro, o ataque do grupo à comunidade Mera, no estado nigeriano de Kebbi, deixou 15 mortos.
Como está a Nigéria a responder?
As tensões entre a Nigéria e o Níger impediram uma resposta conjunta e integrada a Lakurawa e deram alguma margem de manobra ao grupo.
Os militares do Níger tomaram o poder em Julho de 2023, mas a Nigéria, o actual líder do bloco regional da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), adoptou uma linha dura com os militares, pedindo-lhes que devolvessem o país ao domínio civil e libertassem os detidos. ex-presidente Mohamed Bazoum.
Antes do golpe de Estado do Níger em 2023, os exércitos de ambos os países mantinham operações conjuntas de patrulha fronteiriça. Acredita-se que essa ação tenha ajudado a dispersar o grupo em 2020.
No entanto, no meio das tensões que se seguiram ao golpe, as operações conjuntas entre os dois países foram interrompidas. As autoridades na Nigéria dizem que foi quase ao mesmo tempo que os membros do grupo se reagruparam e começaram a atacar novamente as comunidades, aproveitando o vácuo de segurança à medida que as relações se deterioravam ainda mais. Desde então, as patrulhas conjuntas de fronteira foram retomadas.
No final de 2024, a Nigéria lançou operações contra o grupo. Os militares conduziram ataques aéreos contra alvos que se acredita serem membros de Lakurawa nos estados do norte afetados, e ataques terrestres aos acampamentos do grupo.
Os militares da Nigéria reconheceram em Dezembro que mataram por engano 10 civis depois de um ataque aéreo ao esconderijo de munições do grupo nas aldeias de Gidan Bisa e Gidan Runtuwa, no estado de Sokoto, ter causado explosões secundárias. As aldeias eram uma grande concentração para o grupo, disse um porta-voz do exército.
E o Níger?
O governo do Níger não revelou se conduziu operações especiais contra o grupo e não está claro quais partes do Níger foram afetadas.
Numa entrevista a repórteres locais em Dezembro, o líder militar General Abdourahamane Tchiani culpou a Nigéria pelo surgimento do grupo e disse que Abuja e França estavam a patrocinar o grupo para atacar o Níger.
O país, uma ex-colônia da França, desentendeu-se com Paris por causa do golpe de 2023. Da mesma forma, o Mali e o Burkina Faso, que também são governados por governos militares, desentenderam-se com o seu antigo líder colonial, a França.
Desde então, o presidente francês Emmanuel Macron aproximou-se do líder da Nigéria, Bola Ahmed Tinubu, levando os antigos aliados a acusarem Abuja de conluio com o seu inimigo.
Tchianni, numa entrevista em Dezembro, disse que altos funcionários nigerianos, incluindo o conselheiro de segurança do presidente Tinubu, Nuhu Ribadu, faziam parte de um plano para manter combatentes armados nas comunidades fronteiriças, a fim de atacar o Níger.
“Ele sabe disso, mas manteve-se em silêncio”, disse Tchiani.
O governo nigeriano negou as acusações, dizendo que estavam “no reino da imaginação”.
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
ACRE
Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
20 horas atrásem
9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
Relacionado
ACRE
Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
2 dias atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
Relacionado
ACRE
Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 semana atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login