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Lamentações e esperanças para o mundo – DW – 16/01/2025

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Às vezes, quando o autor de “Esperança” escreve sobre a destruição da cultura cortês na Cúria e noutros lugares, ele soa como um jovem revolucionário católico declarando guerra à tradição. Ele lembra-nos que a Igreja Católica não é um tribunal, nem um lugar de nepotismo, e certamente não é o mais alto tribunal de uma monarquia absoluta.

Mas, claro, não estamos falando de um revolucionário. O autor deste livro tem 88 anos, mora no Vaticano e é líder da Igreja Católica. Papa Franciscoque já é chefe da Igreja há quase doze anos, publicou sua autobiografia. É um livro cheio de memórias e visões, uma história de tristeza quase terna e de afinidade sincera com todas as coisas humanas, de raiva juvenil e de grande esperança.

Esta é a primeira vez que o chefe da Igreja Católica publica uma obra tão pessoal durante a sua vida. Segundo a editora, a obra de 300 páginas está sendo publicada em dezenas de idiomas e em cerca de 100 países em todo o mundo.

Papa Francisco em Lesbos
Papa Francisco encontrando refugiados em um centro de acolhimento em Mitilene, na ilha de Lesbos, em 2021Imagem: AFP

Ano Santo 2025

No epílogo do livro, o coautor Carlo Musso, que trabalha no livro com Francisco desde 2019, explica que originalmente era desejo de Francisco que a sua autobiografia fosse publicada após a sua morte. No entanto, o Ano Santo de 2025 e os desafios dos tempos atuais levaram-no a publicar mais cedo. O lema deste Ano Santo é “Peregrinos da Esperança”, o que, dado o título do livro, faz deste livro de memórias uma espécie de companheiro de leitura. Musso escreve: “Avante! Um homem nascido em 1936 que, se olhar para trás, é apenas para olhar ainda mais para a frente”.

Francisco aborda muitas questões urgentes dos nossos tempos e reitera alguns dos seus pontos de discussão mais conhecidos: sobre a razão pela qual a economia “mata”, ou como o mundo já está a escorregar, centímetro a centímetro, para uma terceira guerra mundial; que muitas pessoas ainda veem a migração como uma “invasão” ou como os seres humanos são enviados de um lado para o outro como bolas de pingue-pongue. Como sul-americano, ainda se refere à Europa como o “velho continente” e, para ele, o refugiado O acampamento na ilha mediterrânica de Lesbos, que visitou duas vezes, representa a “vergonha da União Europeia”.

Ele também lamenta a catástrofe global das alterações climáticas e a destruição dos ecossistemas. Não há mais tempo a perder, diz ele. Ele condena Agressão russa na Ucrâniao terrorismo do Hamas (“barbárie”, “massacre”) e a guerra em Gaza. Ele descreve alguns As ações militares de Israel como “terror”.

E, claro, Francisco aborda o estado da Igreja. “A dor das vítimas é um lamento que sobe ao céu”, escreve ele a certa altura. Mas então gasta apenas mais algumas linhas abordando este escândalo agora internacional.

Francisco fala contra o tradicionalismo eclesiástico, que, segundo ele, transforma a liturgia numa forma de ideologia. Ele escreve sobre uma demonstração de clericalismo e trajes. E menciona o debate que se arrasta há anos sobre a ordenação de mulheres como diaconisas, chamando-o de uma questão em aberto que ainda requer uma discussão aprofundada.

O Papa lamenta as mortes no Mediterrâneo

Mas, abrangendo estes chavões e pontos controversos, o livro em si tem uma grande narrativa sobre as pessoas e a condição humana, e sobre aqueles que inspiraram a sua esperança. Esta história começa no início do século XX no Piemonte, norte da Itália, onde começam as raízes de sua família e de onde emigraram para a Argentina. O navio que os avós e o seu filho – o pai do futuro papa – deveriam levar de Génova para a América Latina afundou, levando centenas de pessoas à morte.

É esta tragédia que leva Francisco a falar da sua primeira visita à ilha mediterrânica de Lampedusa e ao inúmeras mortes de refugiados no Mediterrâneo. Lamenta o que chama de “globalização da indiferença” e o encerramento das fronteiras europeias. Ele implora-nos: «As pessoas não podem e não devem permitir que as suas mentes e corações tenham a ideia de ver homens, mulheres e crianças a afogarem-se impunemente no Mediterrâneo, uma e outra vez, e mais uma vez. dificuldades são resolvidas construindo muros.”

Papa Francisco diz ao mundo para ‘parar de explorar África’

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Memórias familiares da guerra, críticas ao comércio de armas

Existe um padrão contínuo que entrelaça a história familiar e pessoal e os trágicos acontecimentos globais. A partir das memórias de guerra de seu avô, ele se volta para os conflitos atuais e a indústria de armas. As armas com as quais as guerras são travadas “são produzidas em regiões completamente diferentes – nessas mesmas regiões que depois recusam e rejeitam os refugiados que foram gerados por essas armas e por esses conflitos”.

Ele detalha os anos de formação de sua infância e juventude e os primeiros tempos de doenças graves. Começando com uma história inicial de paixão, ele passa para um momento estranho e misterioso em uma manhã em Buenos Aires, em 1953, que atraiu o jovem de 26 anos para a Igreja Católica. Foi o momento em que ele soube que se tornaria padre.

Em seguida, discute a guerra civil e a ditadura militar na Argentina, uma época de sofrimento e perdas. “Foram anos terríveis”, escreve ele, com “milhares de assassinatos, torturas, desaparecimentos”. Muitos padres, até mesmo bispos, também foram mortos. Ao mesmo tempo, o papa admite que a Igreja daquela época não estava isenta do seu lado negro. É por isso que, diz ele, ordenou a abertura dos arquivos relevantes da igreja ao se tornar papa.

Na linguagem eclesiástica, a história que Francisco conta é a sua “teologia do povo”. A sua profissão pessoal de fé – um texto central e graficamente destacado no livro – enquadra-se nisso e funciona como um testamento pessoal.

Papa Francisco encontra a mulher yazidi e ganhadora do Prêmio Nobel Nadia Murad em 2017
Papa Francisco encontra a mulher yazidi e ganhadora do Prêmio Nobel Nadia Murad em 2017Imagem: L’Osservatore Romano/dpa/picture Alliance

Abalado pelo sofrimento das pessoas

Para Francisco, as figuras mais importantes da sua grande narrativa não são os poderosos, mas sim pessoas que passaram por sofrimentos terríveis. Nestes momentos, Francisco parece um pastor abalado pela dor dos outros.

Ele cita pessoas que conheceu na sua mais recente viagem a África em 2023, incluindo uma jovem e outras pessoas do Congo. “Um compêndio de horror, estupro, destruição, pilhagem, brutalidade indescritível”, escreve ele. “Estou chocado, permaneço em silêncio diante de “tal abismo de dor”. Ele também descreve seu encontro com um sobrevivente do campo de concentração durante uma visita a Auschwitz em 2015.

Ele fala detalhadamente sobre seus encontros com Nadia Murad, uma jovem yazidi que conheceu em 2017 e que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2018. Ele ficou comovido com o destino dela, típico de muitas mulheres yazidi, um caminho de sofrimento envolvendo rapto e estupro. Ele descreve como a história dela influenciou sua decisão de viajar para o Iraque.

“Encontrei tantos testemunhos corajosos durante aquela viagem. Tantas pessoas santas que vivem na casa ao lado… Enquanto eu viver, o Iraque permanecerá sempre comigo”, escreve ele.

Essas pessoas, conclui Francisco, dão-lhe esperança. Pessoas que, mesmo em meio à guerra e ao desespero, não desistem. Ele nos diz que não pode haver futuro se não estiver enraizado no realismo, na razão, nas ações daqueles que semeiam as sementes da paz e da esperança.

Este artigo foi publicado originalmente em alemão.

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Ufac conquista 3º lugar em hackathon internacional promovido por laboratório de Harvard — Universidade Federal do Acre

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Estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) participaram, nos dias 10 e 11 de abril, do HSIL Hackathon 2026, promovido pelo Health Systems Innovation Lab da Harvard T.H. Chan School of Public Health. A participação da equipe ocorreu no Hub de Inovação do Hospital das Clínicas de São Paulo, o InovaHC, em uma edição realizada simultaneamente em mais de 30 países. O grupo conquistou o 3º lugar geral entre mais de 30 equipes com o projeto Viginutri, solução voltada à prevenção da desnutrição hospitalar.

A equipe foi liderada pela acadêmica de Medicina da Ufac Maria Júlia Bonelli Pedralino e contou com a participação de Guilherme Félix, do curso de Sistemas de Informação, Bruno Eduardo e Wesly, do curso de Medicina. Segundo Maria Júlia, representar o Acre e a Ufac em um evento dessa dimensão foi uma experiência marcante para sua trajetória acadêmica e pessoal. “O Acre tem muito a dizer nos espaços onde o futuro da saúde está sendo construído”, afirmou.

O projeto premiado, Viginutri, foi desenvolvido durante o hackathon em São Paulo e propõe uma solução para auxiliar no enfrentamento da desnutrição hospitalar, problema que pode afetar o prognóstico de pacientes internados e gerar impactos para a gestão hospitalar. A proposta une medicina e nutrição e será aperfeiçoada a partir da premiação recebida pela equipe.

Com a classificação, o grupo garantiu uma aceleração de um ano pela Associação Brasileira de Startups de Saúde, com mentoria especializada e a perspectiva de validar a solução em um hospital real. De acordo com Maria Júlia, a conquista abre a possibilidade de levar uma ideia desenvolvida por estudantes da Ufac para uma etapa de aplicação prática.

A estudante também ressaltou o apoio recebido da Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia da Universidade Federal do Acre (Proint) e da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex). Segundo ela, a conquista só foi possível porque a universidade acreditou no projeto e ofereceu as condições necessárias para que o grupo representasse a instituição fora do Acre. “Essa conquista não teria sido possível sem o apoio da Proint e Proex”, disse.

A trajetória do grupo teve início em um hackathon realizado anteriormente no Acre, onde surgiu o projeto Sentinelas da Amazônia, experiência que contribuiu para a formação da equipe e para o interesse dos estudantes em iniciativas de inovação.

Como desdobramento da participação no evento, a equipe deve promover, no dia 12 de junho, às 10h30, no Sebrae Lab, no Centro de Convivência, uma roda de conversa sobre a experiência no hackathon, com o objetivo de incentivar outros acadêmicos a buscarem pesquisa, inovação e desenvolvimento de ideias no ambiente universitário.



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Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre

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Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio-interna.jpg

A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.

A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.

O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.

Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.

A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.

A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.

O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.



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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.

A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.

Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.

O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.

 



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