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Legado de Obama e Merkel é cada vez mais questionável – 21/12/2024 – Mundo

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O livro de memórias de Angela Merkel recebeu o nome de “Liberdade”. Mas poderia muito bem ser intitulado “Sem Arrependimentos”. Em seu livro recém-publicado, a ex-primeira-ministra da Alemanha argumenta que seu período de 16 anos no poder foi composto no geral de acertos.

Será interessante ver se Barack Obama adota a mesma postura defensiva quando publicar o próximo volume de sua autobiografia. Pois o legado internacional dos anos Obama-Merkel está se tornando cada vez mais questionável à medida que passam os anos.

De 2008 a 2016, Merkel e Obama foram os dois políticos mais poderosos do Ocidente. Eles se davam bem —o que não é surpreendente, já que tinham perfis semelhantes.

Eram outsiders: a primeira mulher a se tornar primeira-ministra da Alemanha, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Ambos foram criados longe das capitais de seus países, na Alemanha Oriental e no Havaí, respectivamente.

Tanto Merkel quanto Obama são autoconfiantes, intelectuais, formaram-se em instituições de ensino de prestígio e são naturalmente cautelosos. Essas qualidades os aproximaram de outros liberais igualmente bem formados e cautelosos. (Eu mesmo sou culpado disso.) Mas, em retrospecto, seu racionalismo cuidadoso fez com que eles estivessem mal preparados para enfrentar líderes autoritários e implacáveis como Vladimir Putin e Xi Jinping.

Tanto Merkel quanto Obama ainda têm uma grande base de fãs, muitos dos quais olham nostalgicamente para a era deles como um período de estabilidade e de governos sensatos. E, em muitos aspectos, esses fãs estão certos.

Mas está cada vez mais claro que as decisões tomadas pelos dois líderes —ou, muitas vezes, as decisões que eles não tomaram— tiveram um impacto prejudicial, se tardio, na estabilidade global.

Estamos testemunhando grandes guerras na Europa e no Oriente Médio e tensões acentuadas no Leste Asiático. Alguns dos problemas atuais remontam a erros cometidos em um período crucial, de 2012 a 2016.

Merkel não gostava nem confiava em Putin. Mas ela o apaziguou. Os erros cometidos pela ex-chanceler —especialmente após a anexação ilegal da Crimeia pela Rússia e o ataque ao Donbass em 2014— foram minuciosamente analisados em muitas das resenhas publicadas sobre o seu livro.

Sua vontade de evitar uma guerra mais ampla na Europa arrastou Merkel para o fútil “processo de Minsk” de conversas entre Rússia, Ucrânia, Alemanha e França. Sua relutância em confrontar Putin também refletiu os interesses econômicos de seu país —em particular, a sede da indústria alemã por gás russo barato.

Em vez de resistir aos erros cometidos pela primeira-ministra alemã, Obama os agravou. Em seu segundo mandato, ele cometeu três erros críticos de política externa. Em conjunto, eles enviaram uma mensagem de fraqueza que contribuiu para a confusão de hoje.

O primeiro erro de Obama foi sua incapacidade de fazer cumprir sua própria linha vermelha sobre o uso de armas químicas na Síria. Prometer tomar medidas militares e depois recuar diante da oposição do Congresso dos EUA —e às suas dúvidas pessoais— fizeram com que ele parecesse fraco. A decisão poderia ser facilmente racionalizada. Mas ainda ressoou pelo mundo.

Apoiadores de Donald Trump acrescentariam que o insucesso das políticas de Obama para o Oriente Médio incluiu ainda a decisão de assinar um acordo limitando o programa de armas nucleares do Irã. Mas esse é um erro muito mais discutível do que a escolha de não fazer cumprir a linha vermelha das armas químicas.

A razão pela qual a decisão sobre a Síria foi tão importante é que ela seguia um padrão. O segundo erro de Obama foi não reagir à construção, por parte de Pequim, de bases militares nas ilhas artificiais que estabeleceu no Mar do Sul da China.

Em 2015, o líder chinês Xi Jinping prometeu explicitamente não militarizar o Mar do Sul da China em uma visita à Casa Branca. Na prática, isso já estava acontecendo. A passividade de Obama fez parecer que um líder autoritário havia mais uma vez desafiado sua autoridade e saído impune.

O terceiro erro foi a falha em rearmar a Ucrânia em resposta à agressão russa. Há pessoas em Berlim e Washington que afirmam que foi Merkel quem liderou essa política. Se isso for verdade, Obama errou ao ouvi-la.

Mas também é provável que Merkel e Obama tenham reforçado mutuamente suas naturezas cautelosas. Certamente havia pessoas no círculo do presidente americano que estavam silenciosamente consternadas com a timidez de sua reação à anexação da Crimeia.

Um deles depois se queixou sobre a falta de vontade dos EUA em tomar medidas que Putin poderia considerar provocadoras ao falar comigo. “Tínhamos medo de nossas próprias sombras”, disse.

O presidente Joe Biden também chegou à conclusão de que a reação de Obama ao ataque à Ucrânia em 2014 foi insuficiente. Nos bastidores, afirma-se que ele já disse que a gestão da qual foi vice-presidente ferrou tudo, e que seu ex-chefe nunca levou Putin a sério.

Obama e Merkel poderiam, sem dúvida, responder que é muito mais fácil apontar problemas quando a situação já passou. Alguns deles, incluindo Biden, inclusive concordaram com muitas das decisões dos dois na época. Toda administração tem que fazer escolhas difíceis, e é muito mais fácil preservar um status quo que agrada a quase todos do que exigir sacrifícios para afastar uma ameaça que pode nunca se materializar.

Merkel tem um doutorado em química quântica. Obama era professor de direito. O treinamento deles os instruiu a pesar as evidências e evitar decisões precipitadas. Infelizmente, a política internacional é menos como um laboratório ou um seminário de direito e mais como um parquinho em uma área de conflito. Os valentões do parquinho tendem a ficar mais cruéis e agressivos até que alguém finalmente os enfrente.



Leia Mais: Folha

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Herbário do PZ recebe acervo de algas da Dr.ª Rosélia Marques Lopes — Universidade Federal do Acre

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Herbário do PZ recebe acervo de algas da Dr.ª Rosélia Marques Lopes — Universidade Federal do Acre

O Herbário do Parque Zoobotânico (PZ) da Ufac realizou cerimônia para formalizar o recebimento da coleção ficológica da Dr.ª Rosélia Marques Lopes, que consiste em 701 lotes de amostras de algas preservadas em meio líquido. O acervo é fruto de um trabalho de coleta iniciado em 1981, cobrindo ecossistemas de águas paradas (lênticos) e correntes (lóticos) da região. O evento ocorreu em 9 de abril, no PZ, campus-sede.

A doação da coleção, que representa um mapeamento pioneiro da flora aquática do Acre, foi um acordo entre a ex-curadora do Herbário, professora Almecina Balbino, e Rosélia, visando deixar o legado de estudos da biodiversidade em solo acreano. Os dados da coleção estão sendo informatizados e em breve estarão disponíveis para consulta na plataforma do Jardim Botânico, sistema Jabot e na Rede Nacional de Herbários.

Professora titular aposentada da Ufac, Rosélia se tornou referência no Estado em limnologia e taxonomia de fitoplâncton. Ela possui graduação pela Ufac em 1980, mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo.

Também estiveram presentes na solenidade a curadora do Herbário, Júlia Gomes da Silva; o diretor do PZ, Harley Araújo da Silva; o diretor do CCBN, José Ribamar Lima de Souza; e o ex-curador Evandro José Linhares Ferreira.

 



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VÍDEO: Veja o que disse Ministra em julgamento do ex-governador Gladson Cameli

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No julgamento desta quarta-feira, dia 15/04/2026, a Corte Especial do STJ, por unanimidade, determinou o imediato desentranhamento dos Relatórios de Inteligência Financeira de n°s 50157.2.8600.10853, 50285.2.8600.10853 e 50613.2.8600.10853, a fim de que fosse viabilizada a continuidade do julgamento de mérito da ação penal. A própria Ministra Relatora Nancy Andrighi foi quem suscitou referida questão de ordem, visando regularizar e atualizar o processo. 

O jornalista Luis Carlos Moreira Jorge descreveu o contexto com as seguintes palavras:

SITUAÇÃO REAL
Para situar o que está havendo no STJ: o STF não determinou nulidade, suspensão de julgamento e retirada de pauta do processo do governador Gladson. O STF apenas pediu para desentranhar provas que foram consideradas ilegais pela segunda turma da Corte maior. E que não foram usadas nem na denúncia da PGR. O Gladson não foi julgado ontem em razão da extensão da pauta do STJ. O julgamento acontecerá no dia 6 de maio na Corte Especial do STJ, onde pode ser absolvido ou condenado. Este é o quadro real.

A posição descrita acima reflete corretamente o quadro jurídico do momento.

Veja o vídeo:

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.

Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.

O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.

O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.” 

Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)



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