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Los Angeles deveria estar com tanta pressa para reconstruir após os devastadores incêndios florestais? | Incêndios florestais na Califórnia

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Lois Beckett in Los Angeles

Gavin Newsom assinou um pacote de ajuda a incêndios florestais de US$ 2,5 bilhões esta semana, com o objetivo de ajudar Los Angeles “reconstruir mais rápido”. Tanto o governador da Califórnia como a prefeita de Los Angeles, Karen Bass, comprometeram-se a suspender as regulamentações ambientais e outras para facilitar a reconstrução de casas e empresas. Donald Trump teria dito que deseja que a cidade se recupere rapidamente para que as Olimpíadas de 2028, que Los Angeles sedia, possam ser “os maiores jogos”.

Mas muitos especialistas ambientais e de planeamento urbano dizem que Los Angeles na verdade, deveria fazer uma pausa e reservar um momento para considerar como e onde reconstruir com segurança as comunidades localizadas em zonas de alto risco de incêndios florestais.

“Por que estamos construindo para queimar?” perguntou Char Miller, historiador ambiental do Pomona College e autor de Not So Golden State: Sustainability vs the Califórnia Sonhar. Embora faça sentido que os políticos adotem a ótica de trazer os moradores de Angeleno de volta às suas casas o mais rápido possível, disse ele, reconstruir sem quaisquer outras grandes mudanças significa que, mais uma vez, “Você vai construir e vai queimar.”

“Há muitas razões para considerar se o público – os contribuintes estaduais, os contribuintes federais – deveria ou não gastar bilhões de dólares para combater esses incêndios e reconstruir lugares que sabemos serem altamente inflamáveis”, repetiu Stephanie Pincetl, a diretora do Centro da Califórnia para Comunidades Sustentáveis ​​da Universidade da Califórnia em Los Angeles. “Infelizmente, estamos tendo muita dificuldade em contemplar um tipo diferente de construção em um tipo diferente de lugar.”

O Guardian conversou com três especialistas sobre por que Los Angeles pode querer “fazer uma pausa” nos planos de reconstrução e quais alternativas podem parecer para simplesmente reconstruir da mesma maneira.

Char Miller, historiadora ambiental do Pomona College e autor de Burn Scars: A Documentary History of Fire Suppression, from Colonial Origins to the Resurgence of Cultural Burning, e Not So Golden State: Sustentabilidade vs. o sonho da Califórnia.

Tanto o governador como o prefeito prometeram diminuir as regulamentações ambientais e qualquer outra burocracia que atrase a reconstrução. Eles estão enviando um sinal de que as pessoas deveriam voltar para suas casas. Eu entendo isso perfeitamente e espero estar lá com eles se minha casa tivesse pegado fogo.

Mas não é uma estratégia que qualquer governo deva embarcar sem pensar nisso, sem fazer uma pausa. Há argumentos por aí, que considero muito interessantes, pensando no grande incêndio em Londres, no incêndio de Chicago e no incêndio que destruiu São Francisco. Todas essas cidades eram construídas em madeira. Depois, redesenharam e reorganizaram essas cidades. Não podemos redesenhar Altadena, Pasadena e Palisades da mesma forma – não vamos demolir essas montanhas. Os contextos são fundamentalmente diferentes. Mas contrataram Christopher Wren para produzir a nova Londres. Hoje, não contratamos pessoas para dizer: “Espere um minuto, talvez devêssemos repensar o que estamos fazendo”. Essas outras cidades fizeram uma pausa e avançamos rapidamente.

Um residente de Altadena, Gabor Kozinc, caminha até onde antes ficava a porta da frente de sua casa que pegou fogo no incêndio em Eaton, em 17 de janeiro. Fotografia: Anadolu/Getty Images

Muitos de nós, que estamos convencidos de que não deveríamos reconstruir cegamente, pensamos que deveríamos construir, e não sair. Construa densidade, não expansão de baixa densidade. Também achamos que deveríamos construir buffers que não temos atualmente. Eu fiz um argumento após o incêndio de Thomas em 2017: e se nós, através da cidade e do estado, formos até as pessoas cujas casas foram queimadas e cujas terras foram queimadas, e disséssemos: ‘Estamos felizes em comprar sua casa, ou o que sobrou dela, e transformá-la em espaço recreativo .’

Morei em San Antonio por muitos anos – uma cidade propensa a inundações. Depois de uma grande enchente em 1998, o condado e a cidade estavam fartos. Eles disseram, tivemos mais de um século de grandes inundações, vamos fazer algo diferente. Então, eles colocaram limites em seus orçamentos para oferecer uma fuga às pessoas. Eles os comprariam da planície aluvial para que pudessem ficar seguros. E, surpreendentemente, as pessoas aceitaram a oferta. Após o furacão Harvey, Houston adotou a mesma estratégia. Seus mercados imobiliários não são nada parecidos com os de Los Angeles. Seria infinitamente mais caro aqui. Mas a lógica ainda se mantém.

Stephanie Pincetl, diretora do Centro para Comunidades Sustentáveis ​​da Califórnia, na Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

Precisamos construir para dentro, não para fora. Não somos Manhattan, nunca seremos Manhattan, mas não poderíamos ser mais como partes do Brooklyn ou partes de Boston?

Que tal permitir que aquelas grandes casas que existem em Los Angeles se transformem em duplex e triplexes? Poderiam transformar-se em três apartamentos, ainda com bastante espaço aberto: têm quintal, têm muito estacionamento na rua.

Isso marcaria uma mudança para a construção civil da região, que está tão acostumada a construir subúrbios. Mas poderia, na verdade, levar a mais empregos, e a empregos mais interessantes, se não estivéssemos a construir no exterior e, em vez disso, estivéssemos a pensar em como reabastecer os bairros – como construímos edifícios realmente bem construídos em áreas mais centrais.

Algumas das promessas do prefeito de Los Angeles são preocupantes. Por exemplo, Bass afirmou que a exigência de eletrificação será suspensa para novos edifícios. Não há razão para fazer isso. A eletrificação não é mais cara (do que a energia a gás). A longo prazo, porque estaremos a afastar-nos dos gases fósseis, isto é extraordinariamente míope. Há uma oportunidade de começar do zero e ter uma casa totalmente elétrica, e ela não está obrigando isso. Não estamos a pensar em como reconstruir de uma forma mais resiliente, adequada ao clima e localmente.

Miriam Greenberg, socióloga da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, e codiretora do Centro de Estudos Críticos Urbanos e Ambientais. Atualmente ela está liderando um projeto de pesquisa chamado Wildland Urban Interface (WUI) Research for Resilience: Addressing California’s Climate, Conservation and Housing Crises.

O que frequentemente vemos após o desastre é uma reconstrução desigual. Existem grandes diferenças entre aqueles que estão documentados e indocumentados, que têm acesso diferente à ajuda, bem como entre proprietários e inquilinos, e aqueles com níveis de seguro muitas vezes muito diferentes. Muitas vezes, para reconstruir, as pessoas têm de adaptar as coisas aos códigos, aos novos padrões de sustentabilidade ambiental, que são excelentes. Mas isso pode ser caro. O financiamento (Agência Federal de Gestão de Emergências) pode levar as pessoas a um determinado caminho, mas há todos esses custos que elas não previram, por causa dos regulamentos. O resultado na nossa área (quase cinco anos após o incêndio da CZU) é que há muitas casas semi-construídas nestas áreas que as pessoas não têm dinheiro para terminar.

Há uma percepção, apoiada por uma série de artigos famosos, como The Case for Letting Malibu Burn, de que as pessoas que vivem nestas áreas de alto risco são pessoas ricas. Sim, alguns dos imóveis mais caros do mundo estão nessas áreas. Ao mesmo tempo, (a WUI da Califórnia) é uma área muito diversificada e onde também se encontram algumas das habitações mais acessíveis do estado – desde habitações rurais mais antigas até à expansão exurbana e parques de casas móveis. Como viver em áreas urbanas densas – que são mais seguras em relação aos incêndios e a muitos outros perigos climáticos – se tornou fora do alcance de muitas pessoas, temos visto pessoas de baixos rendimentos também se mudarem para estas áreas WUI, em grande parte porque são locais eles podem pagar.

Restos queimados de uma sinagoga são encontrados depois que o incêndio no Eaton Canyon devastou partes de Pasadena. Fotografia: Mykle Parker/Zuma Press Wire/Rex/Shutterstock

Portanto, do ponto de vista da equidade, compreendo a necessidade de flexibilizar a regulamentação, como Newsom e Bass estão a fazer, e para permitir que as pessoas que de outra forma não seriam capazes de arcar com os custos destas coisas possam permanecer nestas áreas, e não apenas as pessoas ricas que podem dar-se ao luxo de colocar painéis solares nas suas novas casas.

Mas porque é que estamos a permitir que as pessoas reconstruam de forma insegura em áreas que sabemos que irão arder novamente?

É importante lembrar que, nos locais onde existe esta desigualdade, também veremos desigualdade em termos de quem vai queimar as casas. Sim, casas multimilionárias são queimadas. Mas Alexandra Syfardum ecologista pesquisador que estuda incêndios florestais, encontrou evidências que mostram que o custo e a condição da habitação estão correlacionados com a perda de estrutura, e com pessoas de baixa renda e que vivem em construções de pior qualidade, ou em casas mais antigas, ou que não foram capazes de arcar com o custo das mitigações, são mais provavelmente aqueles cujas casas estão em chamas.

Se quisermos encorajar as pessoas a reconstruírem por todos os meios necessários, estaremos repetindo esta dinâmica. Sabemos que isso vai acontecer novamente.



Leia Mais: The Guardian

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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