POLÍTICA
Lula pressiona Haddad sobre ajuste num roteiro con…
PUBLICADO
1 ano atrásem
Daniel Pereira
Quando aceitou o convite para assumir o Ministério da Fazenda, Fernando Haddad disse ao presidente Lula que a sua prioridade era equilibrar as contas públicas, porque só assim seria possível ao governo cumprir as promessas de campanha, impulsionar a economia de forma sustentável e combater a desigualdade social. O plano dele sempre foi fazer o ajuste de forma moderada e gradual, até para não melindrar o chefe e não ser acusado de tocar uma política econômica que, segundo os petistas, foi rejeitada nas urnas.
No ano passado, com a ajuda do Centrão, Haddad conseguiu aprovar o novo arcabouço fiscal e recompor o orçamento de programas sociais. Foi uma vitória importante, mas parcial. Desde então, ele lidera uma cruzada quase solitária para tentar conter o crescimento acelerado das despesas obrigatórias, que, se não for revertido, pode engessar o governo, deixando-o sem recursos para investir e até para custear a máquina pública. Diante desse risco, o ministro reforçou a pregação a favor de um plano de corte de gastos, que, após ser rechaçado durante meses, foi finalmente avalizado por Lula, mas ainda não concluído, depois de três semanas de intensas negociações.
Resistência interna
Apesar de ter dado sinal verde ao ministro, o presidente lidera o coro de ressalvas ao pacote. Lula é adepto do mantra segundo o qual “gasto é vida”. Ora reclama da pressão do mercado, ora diz não aceitar que os custos recaiam sobre os ombros dos mais pobres, ora cobra algum tipo de sacrifício dos mais ricos e das elites do funcionalismo, da política e do empresariado. Seu temor é ser acusado pela oposição de tirar dinheiro dos mais necessitados, um discurso simplista de fácil propagação nas redes sociais.
Como o pacote ainda não foi anunciado, não se sabe a sua dimensão. Há propostas de todos os tipos sob avaliação, como mudanças no piso orçamentário de saúde e educação, adoção de regras mais rígidas para a concessão de benefícios previdenciários e fixação de teto para a política de correção do salário mínimo. Nos últimos dias, o regime de previdência dos militares, um tema sempre sensível, ainda mais numa gestão petista, entrou na mesa de negociação.
Voto de confiança
Disciplinado e paciente, Haddad tem afirmado a Lula que seu plano não tem o objetivo de agradar ao mercado, mas manter de pé o arcabouço fiscal. As medidas ajudariam a melhorar as finanças e não prejudicariam as ações do governo, sobretudo em áreas sociais. Além disso, melhorariam o ambiente econômico e a confiança dos investidores. O presidente, mais uma vez, lhe deu um voto de confiança, e a expectativa é de que a nova etapa do ajuste seja anunciada nos próximos dias.
Segundo um dos ministros mais próximos de Lula, o presidente contesta ideias de Haddad, faz ressalvas a algumas propostas, mas no final atua em parceria com o chefe da equipe econômica. Foi assim, por exemplo, quando o governo anunciou um corte de 25,9 bilhões de reais em agosto, e a Petrobras mudou de entendimento e resolveu distribuir dividendos extras aos acionistas.
Há quem diga que Lula e Haddad encenam um roteiro previamente combinado, no qual um discursa para a base eleitoral de esquerda enquanto o outro, aos trancos e barrancos, faz avançar medidas mais alinhadas com o centro do espectro político. Essa combinação ampliaria o leque de potenciais eleitores da dupla.
Relacionado
Matheus Leitão
Relâmpago: Digital Completo a partir R$ 5,99
“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social)
Digital Completo
Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
Apenas 5,99/mês
DIA DAS MÃES
Revista em Casa + Digital Completo
Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 9)
A partir de 35,90/mês
*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
Pagamento único anual de R$71,88, equivalente a R$ 5,99/mês.
PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Relacionado
Felipe Barbosa
Relâmpago: Digital Completo a partir R$ 5,99
Digital Completo
Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
Apenas 5,99/mês
DIA DAS MÃES
Revista em Casa + Digital Completo
Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 9)
A partir de 35,90/mês
*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
Pagamento único anual de R$71,88, equivalente a R$ 5,99/mês.
PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Relacionado
POLÍTICA
A articulação para mudar quem define o teto de jur…
PUBLICADO
9 meses atrásem
5 de maio de 2025Nicholas Shores
O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN).
A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica.
Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.
A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira.
Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.
Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios.
Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.
Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.
Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.
Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.
Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.
Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.
Relacionado
PESQUISE AQUI
MAIS LIDAS
Economia e Negócios6 dias agoO Papel Estratégico do Software de Data Room Virtual em Transações de Alto Nível
OPINIÃO5 dias agoArtigo de Opinião: Flávio Bolsonaro – um herdeiro sem projeto para o Brasil
SAÚDE3 dias agoO Impacto dos Robôs na Saúde Humana
ACRE5 dias agoUfac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre


Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login