POLÍTICA
Lula se aproxima da metade do mandato com Centrão…
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1 ano atrásem
Marcela Mattos
Com o segundo ano de mandato chegando ao fim, o presidente Lula enfrentará nos próximos meses um aumento da pressão para ceder espaços mais relevantes para partidos aliados.
O petista foi eleito com uma frente ampla e, ao assumir o Palácio do Planalto, abrigou o MDB, o PSD e o União Brasil, distribuindo três pastas para cada legenda. Com o governo ainda com dificuldades na articulação com o Congresso, em setembro do ano passado o PP e o Republicanos também ganharam um ministério.
Importantes caciques do Congresso afirmam que as pastas distribuídas ao grupo têm pouca relevância e que muitas vezes os ministros têm de passar o chapéu entre os deputados para conseguir verbas para implantar seus programas.
Além disso, há uma cobrança por parte do grupo para firmar uma “fidelização” ao projeto de reeleição – apesar de comporem o governo, nenhum dos partidos do Centrão garante caminhar com Lula em 2026.
O leilão da Esplanada
Nas conversas sobre possíveis mudanças, o Ministério da Saúde volta a entrar na mira, com críticas recheadas feitas ao trabalho da ministra Nísia Trindade por, nas palavras de caciques do Centrão, não ter uma marca a apresentar.
A pasta é sempre lembrada como a menina dos olhos dos caciques do Congresso, mas diante da conhecida resistência do PT em entregar a Saúde, poderia entrar nas negociações também para abrir espaço em outra cadeira. Especula-se, por exemplo, que o articulador Alexandre Padilha, que já comandou o ministério, poderia reassumir a função e entregar as relações com o Congresso para um político com melhor trânsito.
O vice Geraldo Alckmin também é outro que está no radar. Há uma torcida para que José Múcio deixe o Ministério da Defesa e o vice assuma a sua função. Assim, ele teria de deixar o Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, porta de entrada para negócios com grandes empresários e, por isso, também cobiçado pelos políticos.
Também se busca espaço para o deputado Elmar Nascimento, líder do União Brasil que, na última semana, desistiu de disputar a presidência da Câmara e anunciou apoio ao deputado Hugo Motta (Republicanos-BA). Uma das possibilidades seria uma solução caseira e efetuar trocas entre ministros indicados pela legenda – alvo da Polícia Federal, Juscelino Filho (União), das Comunicações, já foi avisado de que terá de se afastar se for denunciado pelo Ministério Público.
Com orçamentos também robustos, os ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Waldéz Góes (Integração) são outros que têm são cargos desejados pelos congressistas. No possível xadrez ministerial, é contabilizada a possibilidade de os atuais presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ganharem um cargo no alto escalão.
Balanço dos partidos
Do lado palaciano, ministros que atuam na área política afirmam que o presidente Lula deve fazer um balanço sobre a atuação de cada partido nos últimos dois anos e o que cada um entregou ao governo para definir as mudanças em uma eventual reforma.
Uma ala do PT e de ministros palacianos também ventila a possibilidade de trocas. O grupo reforça as críticas à comunicação do governo, comandada pelo chefe da Secretaria de Comunicação, Paulo Pimenta.
Governistas reclamam que as entregas deste terceiro mandato não estão sendo propagadas corretamente à população, o que afeta diretamente a imagem do presidente Lula, e cobram uma mudança no comando da pasta.
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Matheus Leitão
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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social)
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Felipe Barbosa
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POLÍTICA
A articulação para mudar quem define o teto de jur…
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9 meses atrásem
5 de maio de 2025Nicholas Shores
O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN).
A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica.
Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.
A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira.
Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.
Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios.
Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.
Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.
Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.
Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.
Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.
Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.
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